Passou o dia de ontem e nada doeu. Nenhum cabelo branco deu o ar de sua graça ou a nostalgia chegou antes de eu dormir. O meu aniversário passou e, de repente, tudo parece o mesmo. Os quilos, o sorriso, as obrigações do dia seguinte e a vontade de dormir sempre. A única diferença foi a comemoração.
Acordei perguntando-me como poderia festejar mais um ano, sem estar com aqueles que são os culpados do meu nascimento. Sai do meu quarto e abracei uma cama vazia. O gesto simbólico e o perfume ainda nos lençóis amenizaram um pouco da solidão naquele momento. Tive meus deslizes de estresse e, embora puxasse o ar profundamente, deixe-me levar, por alguns momentos, pelo medo de todos os meus planos darem errado.
Fora isso, tudo normal. Os deuses abençoaram a manhã 23 - para não perder a tradição dos meus aniversários -, assoprei as velas que não são apagadas pelo vento e cortei o bolo. O melhor foi ouvir o coro dos parabéns. Senti que aquele dia estava colorido e não branco como temia. Não pude ter todos os abraços que gostaria, mas tive de muitos.
Mais um ano vem e não abandono as minhas interrogações e vontade de abarcar o mundo com as minhas pernas. As palavras continuam voando na mente, no papel e, agora, na tela de um computador. Tenho dúvidas na faculdade, das atividades diárias, do comportamento humano, do mundo que me é estranho. Blocos de anotações na cabeceira tornam-se companheiro de planos e metas. As folhas tentam clarear decisões que às vezes até um bilhete da sorte é levado em consideração.
Envelhecemos e nossas escolhas se tornam mais significantes e, com isso, o receio de não ter como voltar atrás do prejuízo também. Fazer a melhor festa, ir a todos os eventos convidados - mesmo se tiver vários no mesmo dia -, tentar não machucar os outros com brincadeiras ou ironias e relevar as explosões de raiva. Tentamos agradar a todos e esquivar de causar qualquer dor em nós mesmos e nos outros.
Emprego, família, sonhos, profissão, amizades e desejos. Qual é a ordem de prioridade? Desligo um telefonema importante no meu trabalho para atender a minha irmã em outra chamada? Abro mão de ir à aula para sair com meus amigos? Não viajo por alguns meses para não atrasar a faculdade? Largo os livros no canto para dedicar mais tempo ao lado de meus pais?
Embora possamos acordar um ano mais velho, não temos como ter a sabedoria em uma noite de sono. Não revelarei o pedido que fiz ontem, mas certamente não foi para ter respostas. Se pedisse algo do gênero, era para que eu pudesse ter sempre a chance e a opção de questionar.
Acordei perguntando-me como poderia festejar mais um ano, sem estar com aqueles que são os culpados do meu nascimento. Sai do meu quarto e abracei uma cama vazia. O gesto simbólico e o perfume ainda nos lençóis amenizaram um pouco da solidão naquele momento. Tive meus deslizes de estresse e, embora puxasse o ar profundamente, deixe-me levar, por alguns momentos, pelo medo de todos os meus planos darem errado.
Fora isso, tudo normal. Os deuses abençoaram a manhã 23 - para não perder a tradição dos meus aniversários -, assoprei as velas que não são apagadas pelo vento e cortei o bolo. O melhor foi ouvir o coro dos parabéns. Senti que aquele dia estava colorido e não branco como temia. Não pude ter todos os abraços que gostaria, mas tive de muitos.
Mais um ano vem e não abandono as minhas interrogações e vontade de abarcar o mundo com as minhas pernas. As palavras continuam voando na mente, no papel e, agora, na tela de um computador. Tenho dúvidas na faculdade, das atividades diárias, do comportamento humano, do mundo que me é estranho. Blocos de anotações na cabeceira tornam-se companheiro de planos e metas. As folhas tentam clarear decisões que às vezes até um bilhete da sorte é levado em consideração.
Envelhecemos e nossas escolhas se tornam mais significantes e, com isso, o receio de não ter como voltar atrás do prejuízo também. Fazer a melhor festa, ir a todos os eventos convidados - mesmo se tiver vários no mesmo dia -, tentar não machucar os outros com brincadeiras ou ironias e relevar as explosões de raiva. Tentamos agradar a todos e esquivar de causar qualquer dor em nós mesmos e nos outros.
Emprego, família, sonhos, profissão, amizades e desejos. Qual é a ordem de prioridade? Desligo um telefonema importante no meu trabalho para atender a minha irmã em outra chamada? Abro mão de ir à aula para sair com meus amigos? Não viajo por alguns meses para não atrasar a faculdade? Largo os livros no canto para dedicar mais tempo ao lado de meus pais?
Embora possamos acordar um ano mais velho, não temos como ter a sabedoria em uma noite de sono. Não revelarei o pedido que fiz ontem, mas certamente não foi para ter respostas. Se pedisse algo do gênero, era para que eu pudesse ter sempre a chance e a opção de questionar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário