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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Turista e trabalhando

Como diz o meu chefe, quem trabalha na editoria Auto acaba se infectando pela doença de adorar carros. Estava de férias, sim, mas não pude resistir a procurar algum ponto interessante em Houston para contribuir no meu retorno ao Diário do Nordeste. Dessa forma, carreguei os meus primos Yuri e Fernanda para conhecerem comigo o Art Car Museum.

O local é pequeno, porém a arte transborda em apenas cinco automóveis expostos. O melhor de tudo, além de ver de pertinho cada detalhe construido aliado com a temática da obra, foi escutar sobre o movimento da pintura sobre rodas do próprio curador do espaço.

Quando eu me apresentei como jornalista do Brasil a Jim Hatchett (o curador), dizendo da minha vontade de gravar uma entrevista para um jornal impresso, senti que ele estava discrente do meu interesse em divulgar o lugar em terras brasileiras. Porém, poucos segundos depois, a situação se inverteu e ele foi muito simpático a frente e por trás das câmeras. Jim mostrou em palavras o que já tinha uma ponta de certeza, a ideia de que o museu tinha muita história para contar e renderia muitos leitores interessados na matéria. Bem, acredito que esteja certa, afinal, o texto rendeu-me uma capa do Auto e várias vizualições das filmagens feitas no dia. Viva!

Veja o resultado da visita

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pit stop

Do meu retorno nesta semana ao caderno Auto, no Diário do Nordeste, fiquei inspirada a colocar aqui no Palavras ou Máscaras algumas observações pessoais relacionados ao mundo automobilístico que tomei nota em Houston.
  • Tudo no automático: enquanto os brasileiros têm aproximadamente duas semanas para aprender a utilizar os pedais, passar as marchas e trocar os alertas, aliando esses itens às noções de placas, de estacionamento, baliza, retorno e ladeira, os americanos facilitam todo o processo utilizando um carro automático no aprendizado e na prova prática. Assim é muito fácil, né?! Isso acontece porque todos os veículos são vendidos com essa opção. Para conseguir na versão manual tem que ser encomendado por fora e para aprender a manusear também é algo extra. 
  • Eu? Com um Volvo?: o assunto "carro", para variar, apareceu em uma das rodas de conversa que participei. Quando um jovem inglês (que mora atualmente nos EUA) perguntou qual automóvel vou ganhar do meu pai, eu disse apenas que iria receber um mais popular, por ter uma manutenção mais barata e ser mais simples de dirigir nesse meu começo de habilitação. Ele, depois, quis dar um palpite: "você vai ter um Volvo?". Eu só lembrei do seriado Two and a Half Man, quando o Charlie ficara ironizando o fato de seu irmão Alan ter um APENAS um Volvo, como sinônimo de pobreza, afinal, ele era dono de uma Mercedes. Para os americanos, essa marca é básica, ao contrário dos residentes de terras brasileiras, que tanto este como o Corolla são carros de pessoas de classe mais alta. Aliás, nada de garotões dirigindo o Corolla, lá ele é considerado veículo de mulher. (Quer saber mais dos carros do seriado mencionado?)
  • Obrigatório: o seguro é item obrigatório na hora de adquirir um veículo nos EUA. Além disso, o que eu observei é o fato dos carros usados desvalorizarem muito, ao ponto de nem sempre compensar revender. Enquanto no Brasil muitos dão às concessionárias para dar de entrada em um novo, fazendo disso um ótimo negócio para economizar, os americanos preferem ficar com o veículo bem cuidado por longos anos ou passar para as próximas gerações. Com dez anos de existência na garagem do meu tio, o seu Camry finalmente foi vendido ano passado, no entanto conseguiu (que eu lembro) um pouco mais de US$ 1 mil. Quando que seria esse preço em Fortaleza? Mesmo com dez anos, aqui o que se considera é o estado de uso e, quanto a isso, o carro estava super bem cuidado. Bem, se você for passar alguns meses na América do Norte, é melhor comprar um modelo antigo do que alugar ou andar de táxi. Fica a dica!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mais um dose de Houston

Eu confesso: não fui uma típica turista nesta viagem, pelo menos não como fui da última vez. O Diário de bordo perdeu-se entre a vontade de aproveitar inteiramente cada hora das férias com minha família e a preguiça de ir ao computador, desviando em direção à cama para assistir um filme americano sem legendas para pegar no sono.

Não contei em detalhes como cai em tentação várias vezes no prazer das compras. Resguardei minha carteira por quase um ano para não ter piedade de meu cartão de crédito na zona das melhores promoções em roupa, sapato, maquiagem e tecnologia. Cada vitrine parecia gritar pelo meu nome, principalmente as de sapatos. Ao todo trouxe na mala, bem, é melhor não dizer, mas foram pares suficientes quase para um ano inteiro de estreia. 

Excetuando os momentos de perdição, essa temporada foi de pura visitação cultural, dentro os meus preferidos está o Houston Zoo. Em Fortaleza, se a memória não falha, lembro de ter visto uma tartaruga em minha única visitação durante a infância no zoológico local. Ou seja, sem nenhuma comparação a grandeza e variedade de animais no de Houston. Estava quente e o suor corria pelo corpo, entretanto, tudo compensou por ter avistado o explendor dos enormes felinos, como a leoa e o tigre, e a fofura dos elefantes saindo do banho.

Falando em grandes gatos, não posso deixar de mencionar como fiquei em estado de admiração quando deparei-me como um tigre branco no Downtown Aquarium. Quem imaginaria haver um espécie, que não fosse aquática, dentro de um aquário?! Pois bem, tem o MAIS BELO E IMPRESSIONANTE tigre que pude conhecer. Quando cheguei ao seu ambiente, pensei estar diante de uma estátua.

Em sua forma gigante, linda e estática, nem pude imaginar que se tratava de um ser vivo. Sinceramente, é tão bonito que me fez querer dedicar alguns minutos parado diante dele. Estava tão calmo, tranquilo, como se estivesse no horário pós-almoço. Por frações de segundos, parecia que seus olhos encontrava os meus.   

Além desses dois locais, entrou também na lista de visitação o Museum of Fine Arts, com suas esculturas, pinturas e peças do mundo inteiro - até mesmo Tarsila estava lá com seu Uirapurú - e o Hounston Museum of Natural Science, com sua área de paleontologia. Todo aquele fóssil montado, recriando a realidade pré-histórica, fez-me deslocar para o mundo das três edições de Jurassic Park. Foi maravilhoso! 

A Nasa também foi inclusa no City Tour. Apesar de já ter ido em minha outra passagem por Houston, não pude resistir a aventurar-me em uma das referências do Estado. Fui em quase todos os espaços do local, porém aprendi MUITO mais dessa vez. Sabia que os astronautas vão ao banheiro? Estava com dúvida nesse quesito e, finalmente, fui respondida. Eles travam as pernas para não flutuar enquanto está no trono, além disso há uma sucção no aparelho para impedir que qualquer líquido ou sólido suba ou suje a nave. Quanto ao banho, eles não tomam mais da maneira tradicional, afinal, demorava muito, agora é com lenço umedecido. 

Ah! Não posso deixar de mencionar ainda o Minute Maid, estádio o qual recebe os jogos de beisebol do time Astros. Foi maravilhoso estar em cada centímetro do local, inclusive no campo e na área reservada para a imprensa, e poder conhecer setores que somente com muito dinheiro e prestígio eu talvez iria sentar, como a suíte ou as cadeiras reservadas atrás do rebatedor. Não fui a uma partida ou conheci nenhum jogador, porém estar em um ambiente totalmente diferente do brasileiro já me faz sentir um pouco mais imersa na cultura norte-americana.

A cada viagem conheço mais as pessoas, mais a língua. Aprendo melhor da região e do comportamento local. Repeti a dose do estado visitado, porém não me arrependo. A experiência foi totalmente diferente da primeira. Alguns locais foram os mesmos, mas eu já não era a mesma. Foi como se estivesse vendo o mesmo livro ou filme pela primeira vez, eu sei o que esperar, no entanto, o resultado é diferente ao final das últimas páginas.

A contagem regressiva chegou ao fim. As horas exaustivas de voo e aeroporto passaram, não exatamente como a velocidade da luz, mas passaram. Os abraços saudosos foram todos intensamente dados. As bagagens, ou minhas literalmente malas, foram carregadas para casa e já desfeitas. Enfim, tudo está em ordem como se nunca tivesse saído do local, porém as fotos, embora poucas, e as lembranças estão em mim. Eu, como sempre, não sou a mesma de alguns dias atrás. Viajar realmente faz muito bem as pessoas, principalmente para mim.  

quarta-feira, 4 de julho de 2012

4 de julho na capital

Nada de muita iniciativa do Estado, os fogos vêm dos vizinhos e a decoração em vermelho e azul quem cuida é cada um dos moradores. Em Austin, a capital do Texas, não houve nenhum desfile patriótico e assim descobri que, por incrível que pareça, o Brasil aparenta valer a sua bandeira. 

Não houve comemorações alarmantes, mas ao menos é considerado feriado, então aproveitamos para visitar o Capitol, onde podemos ver a pintura de todos os antigos governadores, senadores e deputados estaduais eleitos, além dos setores nos quais as duas últimas representações do estado se reúnem.

A área é incrível e recria exatamente, até mantendo algumas peças originais, do ambiente de mais de cem anos atrás. A arquitetura antiga e em madeira é de fazer os olhos brilharem, principalmente para quem gosta desse estilo, como meu pai. Aliás, só lembrei dele. Outro ponto é que, embora pareça antigo, é muito moderna a estrutura, principalmente a dos senadores. Tem microfone em todas as mesas, telefone, campainha para avisar que deseja falar e cadeiras super confortáveis. (Só um detalhe que foi contado durante o tour: sabia que os políticos podem falar o quanto quiserem sem tempo definido? Imagina que loucura seria isso no Brasil?)

Quanto ao resto da cidade, as ruas são repletas de inclinações, não sendo tão planas quanto Houston. Há prédios, porém o arranha-céu é menor e inferior da sede da Nasa. Continuando com a comparação, o centro é igual como qualquer zona urbana desenvolvida, mas não tem tantas lojas ou shoppings. Por um dia, ela definitivamente foi suficiente para mim. 

Para não desmerecer tanto, eu gostaria de ter explorado um pouco mais a Universidade do Texas. Ela, como tudo no Texas, é ENORME e o seu estádio de futebol americano também. Devido ao feriado, estava tudo fechado para visitação, mas, pela grade ao seu redor, pude ver a imensidão do espaço dedicado aos jogos universitários. É melhor do que muitos espaços voltados a competições profissionais no Brasil.

Para fechar a viagem, almoçamos no Oasis, com direito a uma vista belíssima para o lago e muita pimenta na comida mexicana. Foi, como dizem, com chave de ouro.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

De volta ao Texas

Sem companhia ou paradas no meio do caminho, estou em Houston. Acompanhando a minha sorte das últimas viagens, o avião estava esbanjando lugares vagos, um deles era ao lado do meu, o que garantiu maior espaço para uma dormida extensa de dez horas. As luzes foram apagadas, o mp4 ligado e o sono ficou profundo. Para quem assistiu A Origem, posso dizer que me senti em um das sessões de Cobb, personagem de Leonardo DiCaprio.

A sensação estranha de acordar e continuar dentro de um sonho foi, no mínimo, esquisita para a minha tentativa de relaxar enquanto cruzava o oceano. No entanto, como a maioria das experiências, serviu para contar uma história engraçada de ser relembrada. Tirando esse entra e sai de, por vezes, pesadelos, finalmente consigo levantar em minha dita realidade. O desenho já apontava próximo do Texas, apesar do relógio avisar que ainda iria demorar um pouco mais.

Enquanto os ponteiros aproximavam-se das cinco horas da aterrissagem, as luzes foram ligadas e o café da manhã nada rico da United foi entregue. Era pouco, porém melhor do que qualquer bolacha salgada, barra de cereal ou opções caras no cardápio de muitas outras companhias aéreas. O croissant estava uma delícia, por exemplo, fazia queremos repetir, apesar de só ter uma unidade.

Avião em solo, o próximo passo foi a alfândega. Depois de uma fila enorme, perguntas extensas e por demais curiosas, finalmente consigo minha liberação para a terra norte-americana. Com as malas em mãos e vontade de desbravar na mente, chego no saguão do aeroporto para ser recebida, como já felizmente esperava, por minha tia de braços abertos. Agora, posso dizer finalmente, minhas férias começaram.
 
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