Eu confesso: não fui uma típica turista nesta viagem, pelo menos não como fui da última vez.
O Diário de bordo perdeu-se entre a vontade de aproveitar inteiramente cada hora das férias com minha família e a preguiça de ir ao computador, desviando em direção à cama para assistir um filme americano sem legendas para pegar no sono.
Não contei em detalhes como cai em tentação várias vezes no prazer das compras. Resguardei minha carteira por quase um ano para não ter piedade de meu cartão de crédito na zona das melhores promoções em roupa, sapato, maquiagem e tecnologia. Cada vitrine parecia gritar pelo meu nome, principalmente as de sapatos. Ao todo trouxe na mala, bem, é melhor não dizer, mas foram pares suficientes quase para um ano inteiro de estreia.
Excetuando os momentos de perdição, essa temporada foi de pura visitação cultural, dentro os meus preferidos está o Houston Zoo. Em Fortaleza, se a memória não falha, lembro de ter visto uma tartaruga em minha única visitação durante a infância no zoológico local. Ou seja, sem nenhuma comparação a grandeza e variedade de animais no de Houston. Estava quente e o suor corria pelo corpo, entretanto, tudo compensou por ter avistado o explendor dos enormes felinos, como a leoa e o tigre, e a fofura dos elefantes saindo do banho.
Falando em grandes gatos, não posso deixar de mencionar como fiquei em estado de admiração quando deparei-me como um tigre branco no Downtown Aquarium. Quem imaginaria haver um espécie, que não fosse aquática, dentro de um aquário?! Pois bem, tem o MAIS BELO E IMPRESSIONANTE tigre que pude conhecer. Quando cheguei ao seu ambiente, pensei estar diante de uma estátua.
Em sua forma gigante, linda e estática, nem pude imaginar que se tratava de um ser vivo. Sinceramente, é tão bonito que me fez querer dedicar alguns minutos parado diante dele. Estava tão calmo, tranquilo, como se estivesse no horário pós-almoço. Por frações de segundos, parecia que seus olhos encontrava os meus.
Além desses dois locais, entrou também na lista de visitação o Museum of Fine Arts, com suas esculturas, pinturas e peças do mundo inteiro - até mesmo Tarsila estava lá com seu Uirapurú - e o Hounston Museum of Natural Science, com sua área de paleontologia. Todo aquele fóssil montado, recriando a realidade pré-histórica, fez-me deslocar para o mundo das três edições de Jurassic Park. Foi maravilhoso!

A Nasa também foi inclusa no City Tour. Apesar de já ter ido em minha outra passagem por Houston, não pude resistir a aventurar-me em uma das referências do Estado. Fui em quase todos os espaços do local, porém aprendi MUITO mais dessa vez. Sabia que os astronautas vão ao banheiro? Estava com dúvida nesse quesito e, finalmente, fui respondida. Eles travam as pernas para não flutuar enquanto está no trono, além disso há uma sucção no aparelho para impedir que qualquer líquido ou sólido suba ou suje a nave. Quanto ao banho, eles não tomam mais da maneira tradicional, afinal, demorava muito, agora é com lenço umedecido.
Ah! Não posso deixar de mencionar ainda o Minute Maid, estádio o qual recebe os jogos de beisebol do time Astros. Foi maravilhoso estar em cada centímetro do local, inclusive no campo e na área reservada para a imprensa, e poder conhecer setores que somente com muito dinheiro e prestígio eu talvez iria sentar, como a suíte ou as cadeiras reservadas atrás do rebatedor. Não fui a uma partida ou conheci nenhum jogador, porém estar em um ambiente totalmente diferente do brasileiro já me faz sentir um pouco mais imersa na cultura norte-americana.
A cada viagem conheço mais as pessoas, mais a língua. Aprendo melhor da região e do comportamento local. Repeti a dose do estado visitado, porém não me arrependo. A experiência foi totalmente diferente da primeira. Alguns locais foram os mesmos, mas eu já não era a mesma. Foi como se estivesse vendo o mesmo livro ou filme pela primeira vez, eu sei o que esperar, no entanto, o resultado é diferente ao final das últimas páginas.
A contagem regressiva chegou ao fim. As horas exaustivas de voo e aeroporto passaram, não exatamente como a velocidade da luz, mas passaram. Os abraços saudosos foram todos intensamente dados. As bagagens, ou minhas literalmente malas, foram carregadas para casa e já desfeitas. Enfim, tudo está em ordem como se nunca tivesse saído do local, porém as fotos, embora poucas, e as lembranças estão em mim. Eu, como sempre, não sou a mesma de alguns dias atrás. Viajar realmente faz muito bem as pessoas, principalmente para mim.