quinta-feira, 30 de setembro de 2010

- Houston, we don't have a problem

Com um som danificado e um elevador ameaçando falhar, a aula de ginástica foi feita no escuro e sem música. Até o vento natural parecia movimentar-se devagar, talvez acreditasse que era o ventilador do mundo e precisava de energia para funcionar.

O ocorrido no início da noite de ontem não foi como a queda de energia do último sábado, dessa vez o breu parecia ter acontecido somente no salão do meu edifício. A luz ia se apagando aos poucos e as sombras refletidas nas paredes lembravam reflexos nos espelhos.

Antes de começar os exercícios, acrescentei um quilo nas minhas caneleiras, mas acredito que a mente não registrou, apesar do corpo ter sentido no momento. Acordei e não notei nenhuma dor física a mais. O cansaço pela manhã estava extremo, entretanto, a culpa foi das minhas inquietações da noite passada.

Comprar uma passagem nacional no site de uma companhia aérea já é desgastante, mas comprar uma internacional é pior ainda. Enquanto escrevia os meus dados, tudo parecia tender para o errado. Por ironia do meu destino de voo, lembrei da frase "Houston, we have a problem". Foi quando resolvemos pedir uma informação por telefone, que a salvadora do Texas pareceu diminuir todas as minhas agonias e ansiedades.

Enquanto eu não estiver com o bilhete na minha mão, não me dou como tranquila. Principalmente, se apenas vier a cobrança e nada de número de embarque. Depois disso, finalmente dou paz aos meus nervos e já me sentirei metade de mim na América do Norte.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

♪



"And I need you now tonight
And I need you more than ever
And if you only hold me tight
We'll be holding on forever
And we'll only be making it right
'Cause we'll never be wrong
Together we can take it to the end of the line
Your love is like a shadow on me all of the time
I don't know what to do and I'm always in the dark
We're living in a powder keg and giving off sparks"

(Bonnie Tyler)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Orelhão no relento

Outro dia, ouvi um menino dizendo o tão antigo eram os telefones públicos de fichas. Tentei considerar o comentário, mas lembrei que havia um desses, ainda por cima vermelho, perto do portão de saída do colégio quando eu era criança. Como eu não acho que sou velha, acredito que a mudança das fichas para o cartão e, agora, do intenso uso desse meio de comunicação para a telefonia móvel aconteceu em um espaço de tempo muito curto.

A questão que eu queria colocar é: por quanto tempo os telefones públicos vão durar? Eles serão iguais à relação entre o rádio, o jornal, a televisão e a internet, os quais funcionam concomitantemente, sem precisar anular a existência do outro?

Confesso que, nos meus dias de esquecimento ou quando a bateria descarrega, recorro a esses aparelhos, mas poucos são os usuários dessa relíquia. Ora, com o celular em mãos não se precisa pegar fila, pode ligar a cobrar se quiser, não necessita pagar nenhuma taxa se for pré-pago e ainda pode receber ligações, sem precisar ficar alugando o orelhão do bairro (não que eu tenha feito isso).

Inúmeras são as promoções de venda de celulares, muitas até dando de graça o aparelho. Está cada vez mais fácil e recompensador trocar a compra de um cartão de orelhão contendo 40 créditos que acabam rápido, por créditos no celular. Só nos três primeiros meses de 2010 foram feitas mais de 5 mil novas habilitações. Há casas que nem ao menos telefone fixo tem.

Diante dessa realidade de milhões de pessoas terem até dois ou mais aparelhos, assim como tem de cartão de crédito, eu me pergunto: por que ainda se insiste em furtar celulares das bolsas nos ônibus ou em festas? Só para irritar, não é?

Imagem feita por Itamar Nunes

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

...

Desde o primeiro dia de faculdade, os professores deixaram claro o quanto prazo é significativo em nosso meio de trabalho. Jornais, revistas, artigos, matérias, enfim, toda produção tem horário certo para ir à gráfica ou ser publicado. Se não nos adequarmos ao prazo, nosso material não é divulgado. Simples assim.

Qual a dificuldade de alunos de uma universidade entenderem isso? Por que o cearense tem que deixar tudo para última hora? Planeja-se horário de festas, eventos e reuniões já contando com atrasos da maioria, entretanto, não deveria ser assim. O respeito ao outro encontra-se em todas as ocasiões, inclusive em chegar na hora marcada. Imprevistos acontecem, mas o atraso não deveria ser marca de personalidade humana nenhuma.

Tentar ser rígida com prazos, exigente no conteúdo e prezar por uma boa confecção dos trabalhos deveriam ser qualidades atingidas por qualquer profissional que queira atingir o mercado. Porém, no ambiente universitário, parece que aqueles que querem dedicar-se um pouco mais são vistos com maus olhos, como alguém que quer gabar-se de estudar. Fico indignada com isso, não se pode fazer perguntas, entregar trabalhos na data certa ou estudar, pois isso é seria visto como anormal. Só mesmo Nando Reis para resumir em dois versos:
"O que está acontecendo? O mundo está ao contrário e ninguém reparou" (Relicário).

sábado, 25 de setembro de 2010

O tempo apagará?

Atravessei o corredor do hospital. Eram tantos quartos, muitos leitos preenchidos e outros sem nenhum sinal de ocupação. Não sabia se era bom sinal ver camas vazias, ao relento. Significava alta, volta para casa, ou outro destino?

Ambientes médicos sensibilizam e chocam algumas vezes. Estava sentada esperando o horário da consulta e, diante de mim, passavam pessoas, em cadeiras de roda, com o soro injetado na veia e o enfermeiro conduzindo. Assim como lemos notícias ruins e guardamos um pouco da tristeza em nós, olhei para um desses enfermos e vi que lhe faltava algo, uma perna. Não expressei nenhum espanto, apesar de estar horrorizada internamente. Fiquei imaginando como teria ocorrido essa fatalidade, o que ele estaria pensando naquele momento ou como devia estar suportando essa perda.

Logo depois, saí para comemorar com minha mãe a boa notícia do meu exame médico. Ao estacionar perto da Casa do Frango, vi um homem andar pela calçada em frente ao carro e espantei-me pela coincidência do dia, algo faltava-lhe também: uma mão e todos aqueles pensamentos no hospital voltaram a minha mente.

Hoje percebi uma ligação desses eventos com um texto recebido por e-mail ontem também. Ele falava de cicatrizes e os seus significados. Todos nós temos perdas, dores e feridas, entretanto, nesses dois homens avistados a chaga foi maior e, certamente, será mais difícil de esquecer e de deixar o tempo apagar.

Para quem se interessar, a mensagem recebida deixo logo abaixo:

A marca do amor

Um menino tinha uma cicatriz no rosto, as pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado, na realidade quando os colegas de seu colégio o viam franziam a testa devido à cicatriz ser muito feia.

Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio, o professor levou o caso à diretoria do colégio. A diretoria ouviu e chegou à seguinte conclusão:

Que não poderia tirar o menino do colégio, e que conversaria com o menino e ele seria o ultimo a entrar em sala de aula, e o primeiro a sair, desta forma nenhum aluno via o rosto do menino, a não ser que olhassem para trás.

O professor achou magnífica a ideia da diretoria, sabia que os alunos não olhariam mais para trás.

Levado ao conhecimento do menino da decisão ele prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição:

Que ele compareceria na frente dos alunos em sala de aula, para dizer o porquê daquela CICATRIZ.

A turma concordou, e no dia o menino entrou em sala dirigiu-se a frente da sala de aula e começou a relatar:

Sabe turma eu entendo vocês,
na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri:

- Minha mãe era muito pobre e para ajudar na alimentação de casa minha mãe passava roupa para fora, eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade...

A turma estava em silencio atenta a tudo .


O menino continuou: além de mim, haviam mais 3 irmãozinhos, um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida.

Silêncio total em sala.

-... Foi aí que não sei como, a nossa casa que era muito simples, feita de madeira começou a pegar fogo, minha mãe correu até o quarto em que estávamos pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora, havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira, pegavam fogo e estava muito quente...

Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar, pois minha mãe tinha que voltar para pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chama. Só que quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas as pessoas que estavam ali, não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha, eu via minha mãe gritar:

- " Minha filhinha está lá dentro!"

Vi no rosto de minha mãe o desespero, o horror e ela gritava,
mas aquelas pessoas não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha...

Foi aí que decidi. Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar. Saí de entre as pessoas, sem ser notado e quando perceberam eu já tinha entrado na casa. Havia muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha. Eu sabia o quarto em que ela estava.

Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito... Neste momento vi caindo alguma coisa, então me joguei em cima dela para protegê-la, e aquela coisa quente encostou-se em meu rosto...

A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada então o menino continuou: Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego em casa, ela, a minha irmãzinha me beija porque sabe que é marca de AMOR.

Vários alunos choravam, sem saberem o que dizerem ou fazerem, mas o menino foi para o fundo da classe e imovelmente sentou-se.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Quem está no controle?

Recebi esta charge hoje e lembrei da minha postagem no blog Na Torcida.
Confira também o texto de lá!


A culpa pelo mal desempenho do aluno recai, primeiramente, aos ombros do educador. Ao invés de descobrir se o problema do aprendizado não está no grau de atenção, de estudo em casa e de disciplina em casa e em sala de aula, os pais já deduzem que o motivo é a má didática do professor.

Não sou a favor da palmatória, nem afirmo que todos os professores são santos, porém o discurso em prol da educação, não corresponde a mesma vontade do estudante em querer estar o dia ou a tarde inteira dentro de uma escola. Sabe-se da importância, mas isso é tudo. Fica-se apenas no campo das ideias. Daqui a pouco, o colégio deixará de ser uma instituição de ensino e passará a ser apenas uma empresa que presta serviços.

Se a culpa é dos pais, dos professores ou da genética dos estudantes, eu não faço a mínima ideia, porém, quando a maturidade chegar - e isso não significa, necessariamente, na universidade -, os estudantes que preferiram dormir, ficar conversando ou perder aula vão sentir o peso do tempo desperdiçado.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desabafo

No quarteirão da Av. Pontes Vieira com a Rua Leonardo Mota está havendo a construção de um prédio, que eu não sei a sua finalidade ou construtora. Mas não é tão simples assim, pelo menos não para mim. Todo dia tenho que caminhar no meio da rua, por ter tijolos ocupando mais da metade da calçada. Quando não é isso, sou obrigada a suportar o meu sapato encher de areia. Isso é um absurdo! Cadê o respeito pelo pedestre? Se não bastasse esperar um tempo, às vezes, exorbitante por um ônibus, também tenho que aguentar esse tipo de desrespeito.

Placas

Do que adiantou ser noticiado a cobrança da multa aos candidatos que não retirarem as suas placas do meio da calçada? Foi realmente cobrada? Caso seja afirmativa a resposta, então esses políticos têm dinheiro sobrando para investir na campanha e nas multas. Eles realmente acreditam que vale a pena gastar em panfletos? O lixo está repleto de imagens deles.

Assim como tenho raiva de quem me acorda em pleno sábado com aqueles carros com música eleitoral nas alturas, coloco na minha lista negra também quem me faz desviar o caminho ao atravessar a rua. Antes de se elegerem eles já atrapalham a vida pública, será que seria diferente depois de eleito?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

No pique

Por incentivo da minha professora de ginástica e pela companhia de minha amiga Flávia, participei ontem da 4ª Corrida Iguatemi. Confesso que tiveram momentos em que pensei em desistir de inscrever-me, porém depois de colocar meu nome na lista, intensifiquei os meus exercícios anaeróbios¹ e algumas vezes inventei de correr ou nadar no fim de semana, para garantir que aguentaria, pelo menos andando, os 6km do percurso.

Jovens, adultos e idosos; atletas e amadores; pessoas vestindo a blusa da equipe de corrida e outros fantasiados, foram ao todo 2.502 participantes dessa manhã de domingo de corrida. Aliás, que dia escaldante, não? O céu até ameaçou chover, entretanto, o calor predominou durante todo o trajeto de ida e volta.

O 1º lugar terminou em 19 minutos, 41 minutos a menos que o meu tempo. Mas antes de qualquer comentário ou pensamento maldoso, vamos deixar claro que foi a minha primeira corrida e que não tive nenhum treinamento mais intenso.

0km a 1km

A 4º Corrida Iguatemi dividiu a largada em portões pelo ritmo dos corredores. Ao todo eram cinco, dos que pretendiam fazer a corrida em seis minutos por quilômetro, até os mais experientes que planejavam fazer em quatro minutos. Lógico, planejava ir ao penúltimo (5'30''/km), porém, convencida por Neylson, um educador físico amigo meu, vi-me na frente da saída.

Ao terminar a contagem regressiva, senti-me na Corrida de São Silvestre e constatei: é uma agonia ter muita gente do seu lado querendo ultrapassar-lhe. É como se fosse a abertura de uma casa de show, para se pegar a melhor vista do lugar. Então, com medo de ser atropelada pelos alvoroçados, resolvi dar um pouco de meu fôlego logo no início do trajeto e depois fiquei alternando entre passos curtos e trotes rápidos.

1km a 2km


Mesmo com o protetor solar e o boné emprestado, sentia o sol queimar na minha pele. Passei no ponto de entrega de água mineral e joguei um pouco no rosto e nos braços. Quem passasse por mim, acreditaria que eu estava suada e não apenas molhada intencionalmente.

Enquanto uns tinham, desde o início, o alvo da corrida o prêmio, os meus objetivos eram parcelados. No começo, corria buscando sombras e, no fim, o meu incentivo era alguma comida para repor as minhas energias.

2km a 5km

Quando entramos na trilha, eu e minha amiga resolvemos apenas caminhar. Por vários motivos:
  1. a areia tem mais resistência que o asfalto e isso prejudicaria o meu calcanhar e pioraria a tendinite da minha colega de corrida;
  2. havia muitas árvores no caminho e a trilha ainda era estreita;
  3. era importante termos atenção para possíveis cobras no meio do percurso;
  4. não adiantávamos correr se tinha muita gente na trilha, perderíamos o ritmo e não adiantaria de nada, só para nos cansarmos.
Então, resolvemos por as novidades em dia, mas sem perder o compasso ou o foco do que estávamos fazendo na trilha do Cocó naquele momento.

5km a 6km

Estava cansada, entretanto, sentia ainda fôlego para continuar a correr. Saímos da trilha e voltamos a alternar os passos curtos aos trotes largos. Quando mais perto da chegada, abandonei um pouco a companhia e resolvi descarregar todas as minhas energias em passadas maiores. Cansei muito mais do que os cinco últimos quilômetros percorridos, porém senti que, pelo menos no final, dei tudo de mim.

O ar se esvaia, mas não podia parar de caminhar. Tinha que ter a desenvoltura de recuperar o ar perdido e ainda aguentar-me em movimento. O rosto vermelho de cansaço se recuperou e fui receber minha medalha de participação. Foi a única coisa que consegui direito no final da corrida, pois a comida do café da manhã já tinha toda sido comida. Mal tinha guardanapo. Restos de pedaços de bolo de banana ainda davam o ar da graça nas mesas e só. Nada de salada de frutas ou sanduíches.

A minha sorte foi oferecerem comida na tenda do meu amigo, porque senão a próxima alimentação minha do dia seria somente o almoço ao meio dia.

O resultado

Tirando os banheiros químicos e os milhares de copos plásticos de água no chão do asfalto e no meio da trilha, foi empolgante participar dessa corrida. Quando terminamos, senti-me mais viva, mais saudável. Realmente, correr vicia, mesmo que não sejamos profissionais.

Pagar para correr um caminho que posso fazer de graça pode até parecer loucura ou gasto sem necessidade. Porém o dinheiro foi compensado pelo espírito competitivo que há tempo não sentia, desde a semana cultural do colégio em 2006. Então, foi muito bom participar e me sentir envolvida num objetivo comum com outras milhares de pessoas. Já faço planos para outras corridas agora.
________

¹ É um exercício de alta intensidade e curta duração, como musculação.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

De nada, Aguiar!

Em 2008, José Ribamar Aguiar Júnior (foto) candidatou-se ao cargo de prefeito de Fortaleza e ficou conhecido com a frase de abertura e fechamento de sua propaganda eleitoral: "Obrigado, Fortaleza".

Este ano, a sua frase de encerramento aumentou: "Obrigado, Fortaleza. Obrigado, Ceará" e o motivo da aparição também. Agora, ele aparece pedindo voto para o Partido Trabalhista Cristão (PTC - 36), no qual ele é presidente. Entretanto, com um número de dois dígitos ao seu lado e a legenda "presidente", parece ser ele o candidato.

Será que a intenção é essa? Dar a entender que estamos votando nele, mas na verdade é no partido? Se fosse essa a intenção seria muito estranho por dois motivos:

1. Como uma pessoa que quer se eleger em âmbito nacional tem a frase de abertura ligada apenas a um estado, a uma cidade?

2. Seria muita loucura se candidatar a presidente e ter, ao mesmo tempo, a foto da Dilma como plano de fundo, como se estivesse apoiando a candidatura dela.

Propaganda enganosa


Em meio a uma postagem sobre propaganda política, não podia deixar de comentar o candidato a deputado estadual pelo Partido Renovador Trabalhista (PRTB), Sílvio Frota. Não sabe quem é? É só lembrar das milhares de placas espalhadas nas calçadas de Fortaleza com a foto 3x4 dele e a frase "Pena de morte já - Basta".

Olha que absurdo, será que ele não sabe que pena de morte é inconstitucional? Por acaso estamos em situação de guerra, para poder ser recorrido a esse mecanismo? Outro caso: ele não é federal. Ou seja, Sílvio Frota não pode fazer uma emenda constitucional tão facilmente assim. Além do mais, isso fere o artigo 60, §4º, da Constituição Federal ("Não será objeto de deliberação a proposta emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais"). Bom, não vou entrar no mérito para explicar mais detalhado, então, vou parando por aqui.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Noite fashion

Certamente, as mulheres que foram ao Fortaleza Fashion Week abriram o guarda-roupa e se perguntaram: qual a minha roupa mais estilosa? Ontem à noite, o andar de eventos do Hotel Gran Marquise estava permeado de estampas, roupas curtas e muitos acessórios. Podia-se ver do exagero a uma opção clássica de estilo. Desde a leve escolha de uma flor enfeitando o cabelo, até o jardim inteiro da cabeça aos pés.

Bem, como gosto é subjetivo, atenho-me à realização do evento, que já está no seu sétimo ano. Com um investimento de R$ 1 milhão, esse grande projeto de moda movimenta vários setores, gerando mais de 500 empregos diretos, segundo a produtora Eveline Duarte. Este ano serão 20 desfiles, quatro por dia. Contará com a presença das marcas como Vieux Gitan, Cláudia Simões, Dress To, Cholet e Maria Chic.

O espaço é agradável, o ambiente ganhou um ar mais descontraído e confortável com puffs coloridos, o vento fresco fez desnecessário precisar de um espaço totalmente refrigerado e o vídeo de John Legend amenizou o atraso de uma hora para o primeiro desfile.

Como comparação, tenho apenas o Dragão Fashion Week, que apresenta uma moda mais conceitual, diferente da Fortaleza Fashion Week, que mostra um estilo mais casual. Com relação à organização do evento, tenho que dizer, senti falta da liberdade de poder ir a todos os salões e conferir as coleções de todas as lojas. Fora isso, só o espaço das cadeiras que achei muito estreito e os níveis muito próximos. Quem ficava na segunda cadeira, já tinha dificuldade de ver com clareza as modelos na passarela, enquanto que no Dragão, que acontece no Centro de Convenções, quem está mais atrás consegue ver e ainda, se quiser, tirar foto do desfile.

Observação

Conferir bastidores de um desfile deve ser interessante, mas quando se está presente no camarim. Caso contrário, estar em um ambiente onde deveria acontecer o "show" e ver diversas pessoas entrando e saindo dos camarins parece ser falta de organização. Quebra todo o encanto do desfile e do espetáculo da música aliada aos passos na passarela.

Miss Mano


Além da imprensa, quem fez questão de sentar na primeira fileira foram as mães corujas. As que não puderam conseguir lugar na frente, sentaram-se no chão mesmo e fotografaram cada passo de sua pequena criança com roupa de gente grande. Foi bonito ver o orgulho expresso nos risos e na descontração demonstrada durante o desfile. Quanto às roupas, tudo estava clássico, como é típico do estilo Miss Mano. Destaco aqui os shorts com detalhes em renda e os vestidos longos.

Outro convite vermelho

Depois de conseguir outro convite, pude conferir também o desfile da Dona Florinda. Essa loja faz-me lembrar muito os tempos de colégio, mas a saia cintura alta e a blusa estampada estilo corpete atraíram a atenção de meus 20 anos.

Pernas de fora

↑ O que estava mais em evidência nos convidados? Muitos shorts. Meninas ou mulheres com shorts jeans mesmo, não aqueles de tecido mais alinhado, e todos curtíssimos. A outra opção era o vestido, mas curto, lógico, sempre mostrando as pernas.

↓ A exceção? Sapatos rasteiras passavam longe dos pés dos presentes. A pedida é salto alto e, de preferência, com uma cor de destaque.

Ainda tem mais

Dia 17 de setembro
19:30 Cronic
20:30 2nd Floor
21:30 Lugage
22:00 Ellus

Dia 18 de setembro
19:00 Puc
20:00 Lilica &Tigor
21:00 a confirmar
22:00 Festa de encerramento

Veja um pouco do que rolou no desfile Miss Mano:


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cardápio a bordo

Que as fileiras dos assentos dos aviões estão cada vez mais próximas, isso não podemos mais reclamar, virou fato. Entretanto, pagar pela comida serviço, isso já é invenção.

A empresa aérea Webjet, que começou a funcionar em 2005 com a rota Rio de Janeiro x Brasília x Guarulhos X Porto Alegre, tem dez destinos em sua rota e, agora, incluiu uma pequena curiosidade em seu programa: serviço de venda a bordo.

Esse projeto já foi implantado em cinco dos principais voos da empresa e oferece um cardápio gastronômico com maiores variedades para o passageiro, porém o custo é adicional e, não, incluso no preço da passagem.

Este serviço substituirá os lanches e almoços oferecidos no decorrer da viagem. Em contrapartida, a empresa se põe como uma linha aérea de preços mais acessíveis.

Bom, a Webjet disse que se trata de uma prática comum na Europa e nos Estados Unidos, então será que ela também vai aderir aos assentos verticais, que a Ryanair - companhia aérea europeia - já está testando, para os passageiros viajarem em pé? Daqui a pouco, a única diferença entre ônibus e aviões será o ambiente de movimentação, o ar e o chão.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sem rumo, sem vitória

Realmente, a humanidade é muito dependente de um comando, de um grito de ordem. Das exceções, são formados os líderes. Assim como uma orquestra precisa de um maestro, para se fazer a harmonia da música, o time alvinegro de porangabussu depende do comando de um excelente técnico. Prova disso é a diferença do desempenho do Ceará sob as orientações de Estevam Soares, Mário Sérgio e PC Gusmão.

Quando começou o Brasileirão 2010, o Ceará tinha a melhor defesa do campeonato. Não sofria nenhum gol - excetuando o contestado pênalti de Neymar - e não tinha derrotas em seu histórico. Depois da Copa e do abandono de PC, que assumiu o Vasco, o perfil do time cearense mudou completamente. Da segunda posição da tabela, igualado em pontos com o Corinthians, o Ceará já adquiriu sete derrotas e a 11º colocação.

Relembrando os meus estudos de Psicologia, o homem, diante de tanta liberdade, encontrava-se desnorteado por ter de viver somente por suas escolhas e as consequências destas. Nada de respostas na religião ou em suas tradições, o homem virou a medida de todas as coisas. A sociedade moderna, após a crise da subjetividade privatizada, procurava orientações pelos ares, até que a psicologia aparece com uma proposta de entender o comportamento humano e ajudar o homem a lidar com a instabilidade da sociedade.

O Ceará tem um guia, um técnico, mas talvez ele não seja o suficiente para suprir as mentes sem rumo desses jogadores alvinegros. Então, quem sabe, ressurja um novo PC Gusmão, que compreenda qual a melhor forma de coordenar o Ceará e retome os seus dias de vitória.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

...

Apresentaram-me este vídeo ontem. Aposto minhas fichas como é armação. É tão antiprofissional e também pelo fato de ser televisão, apresentadores de verdade nunca agiriam dessa forma diante de uma câmera. Não sei longe delas, mas isso seria caso de demissão na hora.



Por mais que acredite ser uma brincadeira, colocar isso em uma rede social faz com que quem não tenha uma noção real de como funciona os meios de comunicação, realmente considere ser real esse vídeo. O cearense e o brasileiro, de uma maneira geral, já são considerados mal educados. Com imagens forjadas dessas, nossa reputação nunca vai mudar, só ser afirmada. É uma pena!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Do baú

Resgate de fotos minhas da época da disciplina de Fotojornalismo:

Fotos da série Expressões

Fotos da série Detalhes

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Saindo da fila

Quando eu era mais nova, sempre tive vontade de ir sozinha ao Iguatemi para passear e assistir filme. Fazer compras sozinhas, já fiz várias vezes, mas o pacote completo de desejo planejava fazer hoje. Bem, eu tentei, se não fosse a fila enorme e o ar condicionado que parecia não funcionar no terceiro andar, por conta do grande número de pessoas.

Aproveitei minha semana de férias, para aproveitar para ir ao cinema. Porém, parece que todo mundo também resolveu aproveitar a promoção da segunda-feira (R$3,00 a meia). Já tinha tudo arquitetado: comprava o segundo horário do filme A Origem - muito comentado por meus amigos -, depois comprava para ir a um mais leve, como Karate Kid. Cheguei até a procurar conhecidos nessa fila que dava voltas, atitude que acho ridícula, entretanto, vi ao que estava me prestando e desisti. Sai da loucura e percebi que saí em vão do ônibus.

domingo, 5 de setembro de 2010

Procura-se fonte tipo um

Por um momento eu queria saber o que realmente é feito ou não durante o mandato dos políticos eleitos. De um lado programas e propagandas institucionais exaltando o candidato. Do outro, candidatos da oposição e jornalistas que só sabem falar o lado negativo do mundo e de todos.

Não quero só ver o lado bom das pessoas. Sei que todos os políticos não cumpriram exatamente o que planejaram e prometeram, entretanto, queria uma fonte confiável, como uma fonte jornalística tipo um, para me dizer, sem interesses pessoais envolvidos, o que realmente cada pessoa eleita fez.

As más notícias são sempre fáceis de sair na mídia, porém é muito difícil escutar algo de bom. Deixam isso para os investimentos do candidato. Mas, do que adianta? Ninguém acredita totalmente na informação. Já vi que nestas eleições a indecisão vai reinar.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A tirania em debate

O Cineclube de ontem, além de matar a minha saudade, rendeu uma aula de filosofia e muita história. O filme Ricardo III (1995) tem a adaptação de Richard Loncraine da peça de William Shakespare, que também é uma adaptação da vida de Ricardo, o Duque de Gloucester e irmão do rei Eduardo IV, casado com Rainha Elizabeth.

Ele foi o último rei da Inglaterra, entretanto, o seu trono foi banhado por muito sangue e, principalmente, o de muitos parentes seus. Ricardo III encomendou a morte de seus irmãos e sobrinhos, além dos seus supostos traidores. Ele nasceu prematuro e com uma deformidade em seu braço e justifica que só lhe resta a vilania, já que nem os cães conseguem olhar para ele.

Exemplo perfeito para definir tirania, Maria Aparecida, doutora e professora de Filosofia da UFC, apresentou Ricardo III como uma figura infeliz, por ser prisioneiro dos seus próprios apetites. Ele não tem liberdade ou amigos, apesar de ter tudo em suas mãos. Deixa-se dominar por apenas uma parte de sua alma (o desejo), enquanto a sabedoria e a vontade são deixadas à parte.

"A tirania causa, às vezes, respeito por as pessoas não terem domínio de si. O tirano, segundo Platão, é uma voz fruto de uma sociedade que não prima pela autonomia, caracterizada pela incapacidade de se autogovernar", comenta a debatedora.

O tirano é sínico e provoca qualquer valor moral. Consegue seduzir, por mostrar poder e satisfazer as suas vontades no momento em que se quer. "Ele realiza em vigília, o que os outros fazem em sonhos", aponta a justificativa por conseguir casar até com a viúva do homem que ele matou.

O filme Ricardo III é uma ótima experiência para se debater política, comportamento e filosofia. Além disso, foi maravilhoso retornar ao Cineclube, com o texto maravilhoso de Shakespare.

...

Vinte minutos antes de abrir, chego ao salão acreditando que seria uma das primeiras clientes. Engano meu, a minha comanda já tinha o número 11 da lista de espera. Fazer as unhas realmente exige madrugar? Algumas mulheres esperam nos carros e ficam de guarda, com olhos atentos, desejando ver a recepcionista chegar. Comparada a isso, só porta de liquidação, nos seus primeiros dias, de uma loja cara. Ainda bem que minha espera não foi para a manicure.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Quase nenhuma cabeça pensando

Ficamos calados porque não queremos ser a palmatória do mundo. Se olharmos a ação e nada fazemos, embora não copiemos, estamos aliados ao erro? Gosto de estudar psicologia calmamente, mas passei a tarde e a noite de ontem devorando minhas anotações para a prova de hoje. Não que eu não tivesse lido ou prestado atenção nas aulas, mas qualquer método avaliativo consegue alterar o meu sistema nervoso. Bem preparada ou não, minha ansiedade sobe e não vejo o momento do relógio anunciar que a prova já terminou.

A professora chegou à sala e anunciou uma prova em dupla. Diante de questões subjetivas e pouco tempo, seria muito demorado ficar justificando todas as minhas respostas para a dupla ou, pior, uma outra pessoa poderia estar se escorando no meu esforço e estudo para ter vantagens na nota. Para evitar qualquer possibilidade dessas, preferi fazer sozinha.

Cadeiras arrumadas, questões na lousa para copiar em uma folha em branco e o início da prova foi anunciado. Logo começou e notei um movimento suspeito do lado. Uma dupla, não satisfeita em ter duas mentes para encontrar uma resposta, pesquisa sorrateiramente no caderno aberto no chão entre as cadeiras. Quando não suficiente as anotações, ainda perturbava a menina que fazia sozinha as questões, para retirar suas dúvidas.

Outro tinha "cara de pau" estampado em sua testa. Pegava os textos cobrados para a prova e respondia as quatro perguntas exatamente como a autora dizia. Mesmo quando a professora lembrou que não era pesquisada, o estudante guardou o papel, mas não hesitou em puxar de novo em outro momento para conferir mais algumas respostas.

A prova estava fácil, eram poucas questões e mesmo assim conversas paralelas, soltando respostas aleatórias rondavam pela sala. Seria preciso uma punição, um reforço negativo? Devemos culpar a professora ou os alunos, que realmente seguem a origem dessa palavra e são ausentes de luz, que não tem um mínimo de discernimento para saber que devem se preparar e estudar. Os professores de colégio devem repreender e educar, pois estão lidando com crianças e adolescentes, pessoas em formação.

Na faculdade, estamos nos formando, entretanto, o caráter já deveria estar desenvolvido. Na sala de aula devemos aprender o material necessário na nossa formação e, não, como devemos nos comportar. Não estamos no primário. Será que todos esqueceram? Ou querem ser tratados como se estivessem?

Sem um ombro

Sentado na cadeira ao lado da janela, o homem dormia. O seu pescoço pendia para a esquerda, como se procurasse um ombro para o apoio de seus sonos profundos, mas nada tinha. O vazio estava presente e quem passava pelo corredor do transporte, não ousava ocupar o lugar e ceder o seu corpo como travesseiro.

Não se sabia o nome, a profissão ou mesmo o seu estado físico, mas quando o ser sem identidade conhecida caiu, lembrando um bêbado cambaleando no meio da rua, e a sua única ação foi um ruído, as cogitações da embriaguez, pelos outros passageiros, foi unânime. Um senhor, na cadeira do fundo, falou "já imaginava que isso iria acontecer", enquanto um outro a sua frente, correu para perto do corpo no chão, levantou-o e ficou segurando na lateral do braço, pois o homem parecia não ter forças para aguentar o seu próprio peso.

Diante da resposta do seu resgatado, ele descobre a falta de um rumo desse homem que só dormia. Desci da topic e ainda não sabia o nome, a profissão ou mesmo o seu estado físico. Talvez ele tivesse perdido a parada ou o movimento do carro provoque um sono incontrolável ou, então, só quisesse um lugar para dormir. Continuo sem respostas.
 
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