sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Permita-me sorrir

Como posso manter meu bem estar, quando ligo a televisão e só vejo tragédia? Não devemos abarcar o mundo com as pernas e tomar as dores do sofrimento alheio - eu sei - como também tenho conhecimento de que é importante ficarmos gratos por não estarmos em tal drástica situação. Entretanto, às vezes recorro a ignorância, a alienação, para poder, ao menos por alguns instantes, sentir-me um pouco melhor.

É difícil abstrair, fingir-me de desentendida ou evitar os noticiários, mas não consigo assistir ao jornal sem me sentir uma inútil, mera ouvinte e que não tem forças para mudar o mundo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Chuva de lágrimas

Para conquistar a admiração do meu chefe ou bônus financeiros no final do mês, estou sobrevoando a cidade de Fortaleza com o helicóptero fornecido pela empresa para que, no final da tarde, eu possa relatar a sua situação atual nas páginas do jornal.

Algumas horas, apenas, são necessárias para a inspeção, afinal, estão visíveis os desastres causados pela chuva matinal.

A água, provavelmente contaminada, transborda nas ruas invadindo casas, destruindo lares, tornando carros em navios em alto mar e cidadãos em náufragos em seus condomínios. Corajosos trabalhadores aventuram-se a ir ao trabalho por receio de perderem o seu único meio de sustento financeiro; mães preocupam-se por seus filhos não poderem ir a um dia produtivo na escola, enquanto estes pulam em suas camas por conseguirem uma manhã inteira para assistir a desenhos na televisão.

Em um dos apartamentos, vi uma bela garotinha que, após ir a sua janela, encaminhou-se para sua cama com um sorriso nos lábios, possivelmente devia estar satisfeita em poder dormir novamente sentindo o frescor de um tempo ainda nublado, enquanto a menina, localizada na periferia, chora assustada em ver sua moradia destruída.

Avistei faces revelando tristeza e desilusão, percebi sonhos e esforços destruídos em minutos pela chuva, lágrimas nos rostos de inocentes crianças ao ver seus brinquedos serem carregados pela correnteza decorrente da chuva e corpos, agora sem almas, em ruínas de casas e estabelecimentos esperando a sua decomposição.

Embora quisesse auxiliar e fornecer suprimentos ou atenção, não posso amparar as dores e angústias no momento, pois demorei a observar a cidade e tenho medo de não escrever a matéria até antes do pôr-do-sol.

sábado, 22 de novembro de 2008

...

E, diante de mim, o mar
em seu esplendor e fúria.
Sentia o gosto salgado nos lábios
e, desta vez, nada de mágoas,
saudades ou medo,
apenas calmaria,
uma bela ressaca
e sorrisos ao sol escaldante.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

♪

"Who's to say
what's impossible?
Well they forgot
this world keeps spinning
And with each new day
I can feel a change in everything
And as the surface breaks reflections fade
But in some ways they remain the same
And as my mind begins to spread its wings
There's no stopping in curiosity."

(Jack Johnson)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

...

Às vezes,
eu queria girar
sem pensar onde
ou quando vou parar,
mas o medo de ficar tonta
ao ponto de não conseguir ficar em pé
tenta prevalecer
e a mente não sabe a quem seguir:
a vontade ou a intuição.

domingo, 16 de novembro de 2008

...

Conversando com um amigo, ele disse ser natural do sexo feminino pensar demais. Talvez ele tenha algum embasamento teórico para ter dito isso ou, simplesmente, desejava implicar comigo, não tenho certeza, mas eu sei que nesse momento minha mente está a mil.

São tantas informações, vontades, receios e metas que, quando vejo, as horas passaram, o dia tornou-se noite e não consegui fazer o planejado. É tão ruim perceber que não temos controle do tempo ou de nós mesmos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

...

Aprendi a ser mais espontânea,
a demonstrar mais os meus sentimentos,
a dançar embora a vergonha quisesse predominar,
a lidar com as diferenças,
a confiar mais nos outros,
a sorrir diante do estresse,
a persistir,
a dividir angústias,
a multiplicar loucuras,
a acreditar e
principalmente
a realizar.
E tudo isso em sete meses, imagina se fossem mais.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ciclo rompido

Às sete da manhã acorda e vai trabalhar no escritório de advocacia, ao meio-dia almoça na própria sala, às nove da noite retorna ao seu apartamento, prepara um capuccino, deita-se em sua cama de casal e dorme ouvindo os clássicos de Sinatra. Na manhã seguinte, o ciclo de Amália inicia-se novamente.

Numa noite, encarando a sua sala de estar vazia, decidiu pôr a bolsa ao lado da porta, guardar as chaves no bolso e fugir da rotina, caminhando pelas ruas do bairro.

Andando sem rumo pré-determinado, percebeu que suas noites tornaram-se vazias, o cappuccino não mais a esquentava nas tardes chuvosas e Sinatra não disfarçava o eco do apartamento. Não encontrando um meio de amenizar as suas mágoas, resolveu entrar no bar mais próximo e sentar no banco adjacente ao balcão.

Pediu um Martini. Era doce e suave para habituar o organismo intacto ao álcool, mas forte o suficiente para distrair a mente da amarga sensação de retornar a sua casa e deparar-se com o lado direito da cama vazio. Não suportava mais enganar-se todas as manhãs, confabulando justificativas de não haver um alguém ao seu lado para dizer um “bom dia”.

Com o sétimo Martini em sua mão, não escondia mais as lágrimas antes contidas, debruçou-se sobre o balcão e fechou os olhos tentando entender o porquê de aos 30 anos não ter ainda casado com um dos antigos pretendentes. Subitamente, uma mão pesada apoiou-se sobre suas costas semi-nuas e, erguendo a sua cabeça, vê-se diante de um charmosíssimo homem, de belo sorriso e de prováveis 40 anos, oferecendo-lhe uma taça de vinho tinto e sentando-se ao seu lado.

Após alguns minutos, reconheceu este aparente estranho, era um antigo amigo da faculdade – os anos favoreceram a sua aparência e a simpatia manteve-se íntegra – e, envergonhando-se pelo seu estado deprimente, levantou e despediu-se, lamentando não dispor de tempo para conversar.

Percebendo que ela iria embora a pé, ele insistiu em acompanhá-la, pagou as bebidas e os dois, relembrando as histórias passadas, seguiram pelas ruas estreitas do bairro.

Ao chegar a seu edifício, ela o convidou para subir e tomar um café. Adentrando em sua casa, ele percebeu o quanto tonta Amália estava e, apoiando-a em seus ombros, levou-a ao quarto e a colocou na cama. Sentando-se numa poltrona disposta perto, caso ela precisasse de ajuda durante a noite, ele observou que havia um espaço vago ao lado dela e decidiu deitar-se ao seu lado.

Ao amanhecer, ela despertou sentindo uma leve dor de cabeça, um peso em seu corpo e um calor humano próximo ao seu pescoço. Por alguns instantes, pensava estar no auge da loucura por sentir esse odor masculino junto de si, entretanto, reparou naquele braço envolvendo-a e, só então, percebeu não ser ilusão.

Fechou os olhos sabendo que não iria dormir novamente, embora o seu cansaço extremo, no entanto, queria desfrutar dessa companhia, sentir-se envolvida, completa. Talvez não haja beijos, casamentos ou filhos, mas ao menos terá o seu “bom dia”.

- Jornal do Leitor / O Povo -

domingo, 2 de novembro de 2008

...

Foram sete meses de muita dedicação e, nestes três últimos dias, vemos nosso trabalho concretizado. Hoje, às 20h horas, faremos nosso última dia de apresentação do musical RENT - Não há um amanhã no teatro SESC, mas certamente não será o único projeto do nosso grupo de teatro .COM, temos muito a construir ainda, podem ter certeza disso.

Opinião pública:
.Cinema com rapadura
.Dos Rock
.Diário do nordeste
.Blog (comentário)
 
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