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sábado, 7 de agosto de 2010

Para um bom negócio

Quem tem espírito empreendedor não pode perder o último dia da Feira do Empreendedor, que será hoje. Desde 1995, ela é realizada em diferentes estados do país, trazendo informações e dicas de produtos, processos e serviços úteis à criação e manutenção dos negócios.

São muitos os expositores e também as quantidades de palestras ofertadas. São inúmeras e diferentes opções, para agradar vendedores e até clientes. Por exemplo, a sala denominada Paracuru recebeu Rafael Castro com “Atenda bem, antes que seja tarde demais”. O tema proporcionou o debate e o desabafo sobre más experiências de atendimento, principalmente envolvendo motoristas de ônibus e telemarketing.

O palestrante esclareceu que o vendedor não deve menosprezar nenhum tipo de cliente. Independente da classe social, um mau atendimento pode levar a perda de inúmeros clientes ou levá-los para a concorrência e, com as mídias sociais, o prejuízo torna-se incalculável. “E se o cliente for mau educado?”, perguntou uma das visitantes. Bem, Rafael aconselhou que o vendedor não se pode deixar levar pelo comportamento do outro. O atendimento é questão de atitude e paciência. Então, quem deseja ter sucesso no negócio deve seguir a estratégia AMC (Atrair, Conquistar e Manter). Além de fugir da frieza, da apatia, do robotismo e do eterno jogo de responsabilidades, que acontece, por exemplo, nas empresas de telefonia.

Rafael mostrou vídeos, dicas, casos verídicas para discutir e muitas frases de reflexão, como “faça um cliente, não uma venda”, de Katherine Barchetti. Propor um atendimento personalizado e positivamente inesquecível gera o retorno do cliente e a vinda de outros novos, devido a boa propaganda da empresa. Por isso, investir e acompanhar como funciona o seu empreendimento, além de escutar as sugestões dos clientes, é sempre um bom negócio.

A programação da Feira começa a partir das 14h e você pode conferir no site http://feiradoempreendedorce.com.br

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Prévias de Côca

Passar pelo Hall da Biblioteca da Unifor não será mais o mesmo. Com a montagem desde segunda-feira, hoje acontece a inauguração da exposição “Itaquatiara”, de Socorro Torquato. O termo significa pedra pintada e delimita uma nova fase da artista, que foi a adoção às telas . A cearense de Parambu estará presente à noite para mostrar as suas 40 aquarelas que compõem a mostra.  São imagens que remetem aos desenhos pré-históricos das cavernas e ao que é encontrado em grutas como as do Parque Nacional da Capivara (PI), do sertão do Seridó (RN) e em territórios cearenses como Ibiapaba, Itapipoca, Santana do Acaraú e Mulungu.

Esse trabalho é fruto de pesquisa bibliográfica e de campo, aliás, de muitas visitas a sítios arqueológicos. Ela recebeu influências nessas suas pinturas do trabalho do  artista potiguar José de Azevedo Dantasé e também das características do Movimento Armorial, surgido na década de 70 sob inspiração e direção do paraibano Ariano Suassuna.

Além de artista plástica, Côca – apelido dado pela família e como assina as suas obras – também é advogada formada pela Universidade de Fortaleza. Ela tem trabalhos expostos em várias capitais brasileiras e em Lisboa e Paris. Além de pintura, Socorro Torquato desenvolve obras com cerâmica, que era a sua matéria-prima mais usada, e porcelana sobre os mais variados suportes.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Para que pause?

O Teatro Celina Queiroz estava tranquilo nessa sexta-feira (23/04), com poucos representantes da imprensa, na sua maioria da própria Unifor. Mas o entusiasmo e a descontração dos quatro atores de “Play” penetraram no ambiente e deram vida para a montagem do espetáculo. Apareceram ao palco cumprimentando a todos e depois, cada um, a sua maneira, mostraram um pouco de sua personalidade, gostos e manias.

Maria Maya e Daniela Galli sugeriam mudanças no cenário, enquanto Rodrigo Nogueira se rendia, por alguns minutos, ao sono da cadeira do teatro. Sérgio Marone, por outro lado, não escondia o seu intenso interesse pela internet. O seu primeiro comentário foi um elogio a wireless da Universidade. Além de, durante a entrevista, escapar por segundos para falar com as pessoas conectadas ao seu Twitter, que transmitia ao vivo a coletiva no seu perfil.

Depois das preocupações com luz, filmagem e projeções, deixaram os afazeres de lado e se reuniram para conceder muitas risadas, informações sobre a peça e opinião sobre a temática de “Sexo, mentiras e videotape”, filme no qual Rodrigo baseou-se para escrever “Play”.

“Eu até digo que não é uma adaptação propriamente, é uma peça livremente inspirada, porque eu vi uma vez e escrevi uma peça totalmente nova, apesar de ter muitas referências”, explica Rodrigo sobre a leve influência do filme ao texto.

A construção da peça

Rodrigo, que também compõe o elenco, assistiu apenas uma vez o longa de Steven Sonderbergh e depois construiu o triângulo amoroso de César com a sua esposa Ana e com a cunhada Carla. César vive um frio e tolerável casamento, enquanto tem uma relação exclusivamente sexual com a segunda, sem nenhum diálogo. Diante disso, aparece Sérgio, o seu amigo artista.

Sérgio, vivido pelo ator Sérgio Marone, ao contrário do personagem no qual foi embasado, não filma por ter dificuldades em ter relações. Ele grava mulheres devido a um projeto para mesclar depoimentos íntimos e textos decorados de atrizes.

“E até onde é mentira e verdade, já que é um ator ali de verdade. Uma pessoa fazendo aquilo, vivendo aquilo na sua frente?”, brinca Daniela Galli.

Não só nessas gravações que a mentira e a realidade se misturam. Durante os diálogos, a dúvida se há a própria experiência e pensamento dos atores em suas falas também é levada ao público.

“Na vida a gente é assim. A gente veste máscaras, a gente tem códigos sociais para se relacionar, então é uma discussão do teatro, mas que é muito facilmente trazida para a vida. Isso que é bacana na peça”, comenta Daniela sobre essa mistura do real com o ficcional usada na narração de “Play”.

Não queria fazer uma história apenas sobre relacionamento, Rodrigo desejava ir além e remeter mais diretamente ao “Sexo, mentiras e videotape”. Então, buscou trabalhar uma temática já explorada em outros projetos seus: trazer a dualidade da verdade e da mentira, artifício, segundo Maria Maya, muito pertinente ao teatro.

O resultado da peça já foi apresentado no Rio de Janeiro com Jonas Gadelha no personagem do artista, mas já em São Paulo e aqui em Fortaleza trouxe Sérgio Marone no elenco. Além das três apresentações para o final de semana, o público também lotou as duas sessões extras abertas no sábado e no domingo no Teatro Celina Queiroz.

Veja a matéria no Blog do Labjor

terça-feira, 20 de abril de 2010

No mundo feminino

O espetáculo cearense “Catálogo” estreou nesse sábado (17) no Teatro Celina Queiroz. O texto de Rafael Martins trabalha à crítica pela cobrança do novo, do profissional tentar manter-se sempre na mídia. Ele escolhe o mundo da moda para ser o alvo dessa abordagem, mas essa é uma situação comum a qualquer profissão, como afirma o ator Walmick Campos.

“O texto fala da crise existencial e crise criativa de uma estilista, mas poderia ser de um ator, de um diretor, de um artista plástico. Mas, focou-se no universo da moda, acho que para focar mais ainda no universo feminino”, afirma Walmick.

Após sete meses de preparação, além de Walmick, André Gress, José de Ipanema e Amenhotep Rodrigues aceitaram a proposta de entrar em cena incorporando mulheres. Nada de homens transvertidos, a diretora Ana Cristina Viana queria algo mais natural. A intenção era eles mostrarem suas perspectivas do mundo feminino. Por isso, além das aulas de expressão corporal para adequar os seus movimentos às ações femininas, eles saíram em campo para estudar o comportamento das mulheres em diferentes ambientes.

“Vocês não vão deixar de ver homens, mas a ideia é que sejam homens interpretando mulheres”, explica André.

Ele ainda enfatiza que o cruzar de pernas foi uma das maiores preocupações durante os ensaios, pois eles eram acostumados a sentar mais relaxado, mas durante a peça isso não poderia acontecer. Além da dificuldade em tentar distanciar-se dos estereótipos muito utilizados por humoristas, como os gestos e modo de falar exagerados.

“No final nos estávamos mais brincando, mais no início foi tenso. A gente nunca tinha andado de salto alto, então quase torcia a perna”, brinca André ao relacionar os desafios com a diversão nos ensaios.

No camarim

O Teatro estava em pura escuridão. Andamos em passos lentos, orientando-nos pelas paredes, e fomos ao camarim. Enquanto os técnicos testavam a iluminação, André Gress conversava com a equipe do Labjor e nos deixava bem a vontade em seus bastidores. Quando Walmick Campos chegou, decidimos iniciar nossa entrevista.

Descontraídos e demonstrando bom humor em todas as respostas, os dois atores falaram do objetivo da peça Catálogo, dos impasses ao tentar não interpretar “o que está na mente do que vai codificar uma mulher” e da diversão aliada ao trabalho da preparação durante os ensaios. Após a entrevista, os outros dois atores chegaram e ficaram os quatro reunidos na plateia do Teatro. Quem olhava para eles, todos de barbas e despreocupados com a aparência, não imaginariam que no dia seguinte virariam mulheres.

Veja a matéria no Blog do Labjor

domingo, 11 de abril de 2010

Itaquatiara

Entre amigos, emoção e um coquetel, Socorro Torquato inaugurou a sua exposição “Itaquatiara”. Cada visitante que se dirigia até ela, sendo do ramo da comunicação ou convidado especial, Côca (apelido dado pela família e como assina nas obras) falava pessoalmente e registrava o momento. Ela mostrou-se, em todo minuto, orgulhosa de seu trabalho e feliz de compartilhar o resultado com todos os presentes.

As 40 aquarelas receberam as legendas e a parede branca direcionada à entrada do Hall da Biblioteca foi preenchida com palavras de elogio do escritor Ariano Suassuna para a artista plástica em exposição.

“Assim é que, nesta sua nova exposição, que possui o belo e significativo título de ‘Itaquatiara’, apresentando trabalhos em nanquim e aquarela sobre papel canson, e seguindo os passos de outros artistas armoriais que também beberam dessa rica fonte, como Dantas Suassuna e Romero de Andrade Lima, Socorro Torquato realiza uma arte de vanguarda a partir do nosso passado mais remoto, demonstrando mais uma vez que, em  arte, não existe progressos, só mudanças e variações.
 
Os resultados finais, claro, sempre dependerão do talento individual de cada artista, cada qual conformando um referencial exterior  e comum ao seu universo interior e pessoal, à visão-de-mundo singular de cada um, o que me leva a afirmar, mais uma vez, que o Movimento Armorial nunca representou qualquer tolhimento à liberdade criadora dos artistas que a ele se vincularam.

O que o Movimento fez foi tão-somente apontar direções que poderiam ser seguidas – como a desses estranhos reinos e impérios latino-americanos que moram em nosso sangue assim como estão enterrados em nosso chão. Uma vez estimulados à busca e à decifração do Enigma, surge o momento em que cada artista deve trilhar o seu caminho, numa viagem solitária e que só poderá empreender com seus próprios pés.
 
É essa a viagem que Socorro Torquato vem realizando de uns anos para cá com a minha aprovação e minha bênção.”

Ariano Suassuna
A mostra marca a sua estreia em aquarela para exposição, apesar de já fazê-las para ilustrações em livros.  Então, aproveite e confira o resultado de muita pesquisa e dedicação, que estará aberto ao público até o mês de maio.

sábado, 6 de março de 2010

Mural nas paredes

 
Um carro lotado e muito bom humor durante todo o trajeto, foi assim que, acompanhado pela Tv Unifor, o Labjor lançou ontem (05/03) o Mural do Taxista e o Mural da Oficina .

A primeira parada foi no Sindicato dos Taxistas e, desde o início, o Labjor foi recebido calorosamente pela secretária Socorro e pelo presidente do Sindicato, Vicente de Paulo. Nós afixamos e apresentamos o Mural do Taxista àqueles que estavam presentes e, sem muita demora, alguns taxistas já paravam para ver o jornal. Eles se aproximavam e já iam reconhecendo um dos personagens mencionado numa das matérias: Sobral, o taxista mais antigo da praça de Fortaleza.

Vicente, que em julho completa 30 anos de profissão, falou que, mesmo assumindo a direção do Sindicato, não deixou o seu táxi. Lógico que agora não está com a mesma frequência nas ruas, saindo mais para atender a chamados da sua categoria trabalhista.

Um dos assuntos do Mural é sobre a questão da segurança. Ele ressaltou que já está encaminhado uma cartilha de precauções para ser entregue aos taxistas. Nela constam indicações de como se portar diante dos assaltos e dos perigos do trânsito e da cidade. Jussieu Gonçalves, um dos taxistas presentes, contou um caso em que desconfiou de que as duas pessoas do banco de trás do seu carro eram assaltantes. Ele, com medo, fez sinal de luz para a primeira viatura da polícia que avistou e, assim, os dois homens foram presos e ainda pagaram pela corrida.

A segunda parada foi na Beto’s car. Quase fim de tarde e o sol escaldante, mas a recepção não foi diferente. O gerente da oficina André Luiz atendeu a equipe muito bem, não ficou tímido diante das câmeras e ainda ajudou a pregar o Mural da Oficina. Há quatorze anos trabalha na Beto’s car e, desde 2003, assumiu a gerência da sede da Bezerra de Menezes. Ele afirma que o seu compromisso com o cliente os tornam fiéis ao seu serviço, tanto que quando foi transferido da sede da Aldeota para a de atual, alguns clientes o acompanharam para cuidar de seus carros.

Analder Moraes, mecânico e eletricista há dez anos, diz que trabalha pelo privilégio de estar numa área que nem todo mundo entende. Ele começou como auxiliar e, pelo prazer de trabalhar com carros e da aprendizagem diária, tem orgulho de sua profissão.

O projeto Jornal Mural começou vinculado à disciplina Princípios e Técnicas de Jornalismo Impresso I coordenada pelo professor Jocélio Leal. Agora, ele é pautado e escrito pela equipe do Labjor. Vale ressaltar que o Mural da Oficina ganhou na categoria Jornal Mural na Exposição Competitiva de Trabalhos Acadêmicos (Expocom).

Obs: não podia deixar de mencionar ainda algumas pessoas que foram ativas e importantes nesse dia: o motorista de nossa equipe, Eurico Lima; o cinegrafista Everton Silva e o pessoal da Tv Unifor – Marília Pedroza e Felipe Macedo. Obrigada pela parceria.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mais de Lúcia Veríssimo e Raphael Viana

Usufruto garantiu, no último fim de semana, um ótimo público e mais histórias para a bagagem de Lúcia Veríssimo, que tem nessa peça a sua estreia como autora e diretora de produção. Em uma conversa à vontade e agradável, Lúcia Veríssimo e Raphael Viana compartilharam momentos de apresentações anteriores, além de falarem sobre o processo de montagem, como está sendo a intensa turnê e os destinos para os quais levaram esse espetáculo que vem sendo tão bem recebido pelos espectadores. A seguir está a entrevista na íntegra e o vídeo.

O bate-papo Labjor: Durante a montagem, como autora da peça, sentiu necessidade de modificar o texto no decorrer dos ensaios?

Lúcia: Não. A gente fez alguns cortes, porque eu tenho um vício da televisão. Na televisão, você tem que repetir muitas vezes, porque a ideia é você conquistar um telespectador por dia. Então, você tem que repetir as mesmas coisas todos os dias, de formas diferentes, porque você não sabe se vai ter alguém novo assistindo. Então, eu usei um pouco desse artifício no Usufruto e a gente fez algumas limpezas, mas foram poucas coisas na verdade.

Labjor: Como autora, você interferiu na direção de José Possi?

Lúcia: Não, não. E nem acho que teria sido correto. Como atriz, todas as vezes que trabalhei com um autor brasileiro, eu sempre pedia “ai Meu Deus do céu, por que eu não escolhi um autor morto?”, porque autor é um bicho muito chato. Ele acaba se metendo nas coisas e eu não acho isso bacana. Eu, como autora, confiei a direção ao José Possi Neto e eu tive que entregar, completamente. Ele era o maestro dessa partitura. Eu tive que esquecer que era a autora e trabalhar como atriz dentro dessa partitura.

Labjor: Na opinião de vocês, o enredo, as discussões e os diálogos seriam os mesmos caso fosse um homem de 50 e uma mulher de 30 e poucos anos?

Lúcia: Não, definitivamente não.

Labjor: Mesmo se mantivesse o conservadorismo do personagem e só mudasse as idades? Lúcia: Não, de forma nenhuma. O homem e a mulher têm um diferente modo de “aproach”. Não seria o mesmo. Você não acha, Raphael?

Raphael: Eu acho, até aquilo que você fala na questão da maturidade. São maturidades diferentes.

Lúcia: Porque durante o espetáculo, ela (a personagem) fala que as mulheres são mais maduras do que os homens, o que eu acho até legal. O homem amadurece de uma forma diferente da mulher. Primeiro mais adiante e depois de uma forma diferente. O homem, na verdade, sempre sucumbe a mulher. A mulher é mais forte nesse sentido, ela tem um foco mais preciso.

Labjor: Queria saber o que mudou da atriz da peça Natal, de 1964, para agora, na forma de interpretar, dos pensamentos?

Lúcia: Nossa Senhora! Em primeiro lugar, lá se vão 46 anos, 45 anos. Eu cresci um pouco mais, eu era desse tamanho e agora tenho 1.73m. Isso já mudou. Quer dizer, mudou tudo, da atriz de quatro anos pra cá, da atriz de hoje pra daqui a quatro anos. Espero que sempre mude, que eu esteja atenta a investir cada vez mais nas mudanças positivas da profissão. É uma profissão que depende exclusivamente de sempre estar atuando, sempre estar exercitando. Essa é uma profissão que só o exercício dela te faz melhor. Então você só vai melhorando com o tempo, se você tá aplicando isso com todo seu fervor, toda sua crença, você vai melhorar. Eu acho que estou muito distante de todos os personagens que eu fiz durante a minha vida inteira ao longo desses 40 anos de vida profissional.Labjor: Vocês improvisam?

Lúcia: Ontem eu errei muito. Às vezes, dá uma desconcentrada em alguma coisa. Então eu errei algumas coisas e tive que improvisar. Mas para eu improvisar nesse texto é muito mais fácil porque eu afinal de contas escrevi o texto, eu sei o que quero dizer. Mas eu não gosto, saí muito chateada. Se pudesse, eu me colocaria de castigo. Acho horrível um ator que não respeita o texto, que não faz corretamente e eu não gosto de ser assim. Não gosto de ser dessa forma de ficar inventando coisa quando já está escrito.

Raphael: E é um espetáculo que não tem galhofa, essa coisa de você criar uma situação para tirar uma risada da plateia. É um embate de ideias, então, quanto mais a gente seguir o que já tá proposto, mais a gente vai tá ganhando com isso.

Lúcia: Concordo plenamente com o Raphael. É um espetáculo que expõe as suas ideias muito claramente. Então, se a gente ficar querendo colocar coisas que não estão naquele contexto vai esvaziar o que é o principal. Outro dia… Tem situações que às vezes a gente é obrigada a improvisar. A gente pede milhões de vezes para que desliguem rádio, telefones celulares, relógio. Eu detesto (relógio), eu me desconcentro enormemente, mas do que com celular. Um celular começou a tocar, depois de todos os avisos. E tocou a primeira, a segunda, a terceira, a quarta e eu vi que o cara não ia desligar, provavelmente devia estar com vergonha de mostrar que era o tal, aí eu falei para o Raphael: “vem cá, esse celular que está tocando é o seu?”. Que dizer, era uma coisa que não existia. E ele rapidamente foi até o paletó dele, que ele já tinha tirado, e disse “não, o meu nã é”. E eu “engraçado”. O apartamento vazio, só nós dois e está tocando um celular, ou é meu ou é o dele. Aí a pessoa se tocou e desligou o telefone. Essa foi uma situação atípica, mas cabe uma coisa dessa. Acho que ele (Raphael) teria a mesma reação. Pois como estava na minha fala e o cara não desligava, eu falei, mas eu acho que ele falaria a mesma coisa. A gente já está numa ligação tão grande que passou absolutamente natural. Ele levantou naturalmente e foi olhar se tava com o telefone desligado ou não. A gente tem uma ligação muito forte em cena. Engraçado que todos os meus espetáculos no teatro até agora eu sempre tive uma comunicação com a plateia muito grande. Eu sempre gostei de estar em comunicação com a plateia. Então, eu busco pessoas, olhares e contraceno falando com aquela pessoa, eu brinco e faço piada. Nesse espetáculo eu não consigo. Até nos momentos em que o diretor me pediu que eu contracenasse com a plateia diretamente, eu tenho dificuldade. É um espetáculo que sempre é tão fechado que eu só tenho vontade de contracenar com o Raphael, porque é só ali, só nós dois. Pela primeira vez, eu não consigo olhar para alguém da plateia porque, se eu olho, eu sinto que eu estou perdendo a gente, entendeu? É como se eu tivesse traindo, é engraçado. É a primeira vez que eu conto isso.

Labjor: Quais são os destinos além do tradicional eixo Rio-São Paulo – além de Fortaleza, para onde mais vocês irão?

Raphael: Nós já estivemos em Angra, Vila Velha.. Estamos fazendo a temporada em São Paulo. Ainda vamos pra Santos, São Caetano…

Lúcia: Guarulhos, São José da Boa Vista, Poços de Caldas, Salvador… Ih, são tantos lugares. É um processo inédito no teatro brasileiro que é fazer um espetáculo simultaneamente num grande centro – quartas e quintas em São Paulo, e sexta, sábado e domingo trabalhando sempre.

Labjor: Vocês acham isso melhor? Quer dizer, não cansa muito?

Lúcia: Evidente que cansa.

Raphael: Mas a gente atinge um público, num curto espaço de tempo, bem maior.

Lúcia: E também você experimenta o espetáculo de várias formas, porque cada público é muito diferente do outro. E o público de São Paulo é o público de São Paulo, o público de Fortaleza é o público de Fortaleza. Então, você está experimentando, na mesma semana, públicos tão distintos e é engraçado. No mês de março a gente vai está fazendo sexta em uma cidade, sábado em outra e domingo em outra. Aí vai ser uma loucura.

Labjor: Eu li que você já tem outros projetos e eu quero saber se é como atriz, como autora e atriz, se é uma peça.

Lúcia: Olha, eu agora não estou pensando em nada mais… Eu não tenho tempo pra nada. Eu acordo e produzo, produzo, produzo, faço o espetáculo, saio de lá, continuo produzindo, produzindo, produzindo. Estou dormindo quase nada, me alimentando muito mal, vivo com asma. Mas estou muito feliz de poder estar fazendo Usufruto dessa forma, muito contente mesmo, e eu não quero pensar em outra coisa por um bom tempo. Não sei o Raphael, mas acho que ele também não vai ter tempo de pensar em outra coisa não.

Raphael: Tem uma vantagem disso também que, às vezes, você sabe que tem um espetáculo que tá em cartaz em São Paulo e pensa: “Poxa, tô tão longe de São Paulo e vou ter que ir até lá. Quando será que vem pra cá?” E essa é uma oportunidade de a gente estar viajando o Brasil todo.

Lúcia: É, e isso dá a oportunidade de a gente voltar daqui a pouco, porque a gente tem recebido uma resposta tão positiva do espetáculo que fazer três dias num lugar realmente é pouco. A gente lota sempre, graças a Deus, as pessoas voltam pra ver o espetáculo, pessoas que foram na sexta e voltam no sábado, que foram no sábado e voltam no domingo. A gente tá tendo de 15 a 22% de volta no dia seguinte. E isso é incrível, então, é bom pra gente voltar daqui a pouco pra Fortaleza de novo e fazer isso com o espetáculo.

Veja a matéria no Blog do Labjor

sábado, 30 de janeiro de 2010

Usufruto

Com dois cenários preparados, Lúcia Veríssimo e Raphael Viana fazem uma intensa temporada com a peça Usufruto. Seguindo a linha de uma turnê paralela, os atores ficam em cartaz às quartas e quintas-feiras no Teatro Faap, em São Paulo, enquanto viaja pelo Brasil nos fins de semana. Nesse fim de semana, o espetáculo estará aqui, em Fortaleza, no Teatro Celina Queiroz.

Na trama, Lúcia interpreta uma mulher debochada de 50 anos, enquanto Raphael um arquiteto promissor e muito conservador de 30 e poucos anos. Dois desconhecidos, mas com um desejo em comum: querem comprar o mesmo imóvel. Ela propõe um jogo da verdade e no decorrer dele serão discutido, em diálogos rápidos e “calientes”, temas como amor e ética.

A atriz, dos seus já 51 anos, já esteve inúmeras vezes no palco. O que diferencia essa das outras experiências, principalmente, é o fato dela, além de interpretar, ter sido a autora e diretora de produção. A peça foi escrita, em cinco dias, durante os intervalos de sua última novela, “América” (2005). E, com o incentivo e direção de José Possi Neto, o espetáculo foi ensaiado em cinco semanas, para encarar uma maratona de apresentações que começou em dezembro, em Vila Velha, e pretende ir até abril no Teatro Faap, São Paulo.

A vinda desse espetáculo faz parte do Projeto Teatro Celina Queiroz Grandes Espetáculos e, com seus acentos de todo o fim de semana quase todos vendidos, ainda em plena tarde de sexta-feira, traz o retorno de Lúcia Veríssimo e recebe pela primeira vez na cidade o ator carioca Raphael Viana.

Bastidores

De prontidão, desde às 17h, como marcado, estávamos eu (Camila), Viviane, Waleska e Ícaro na frente do teatro. Havíamos já nos preparado por três dias para essa coletiva, mas a ansiedade tinha os seus picos nessa tarde e não impedia que revisássemos as perguntas e qual seria a melhor angulação da câmera.


Então, eis que chega Lúcia Verissímo toda de branco e um chapéu estilo Panamá. E, mesmo sem conter as eventuais tosses de uma aparente doença, ainda parecia estar muito bem. Com o sorriso no rosto e ao lado do seu parceiro de cena Raphael Viana, concedeu outras três entrevistas antes da nossa equipe, entretanto, nada se comparou a nossa conversa.

Houve piadas internas e um diálogo bem descontraído. Por sugestão de Lúcia, puxamos um banco de madeira para perto deles e, assim, ultrapassamos as perguntas previstas no papel. Outra equipe de televisão esperava pelos atores, mas isso não nos intimidou. Enquanto Lúcia chamava a atenção do gato que rondava pelo bloco T, conversávamos de forma informal, entretanto, nada amadora.

Quando demos por concluída a entrevista, o apresentador que aguardava já ia tomar o seu posto. De antemão, perguntamos se podíamos registrar o momento. Não precisou falar duas vezes e eles já abriram um sorriso e disseram “lógico”. Enfim, modéstias à parte, não passamos vergonha. Fizemos o nosso “dever de casa” e que venham mais coletivas.

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Diálogo fora do tapetinho

O tilintar do sino dos ventos camuflou o barulho dos carros que passavam vorazes no lado de fora do Instituto. A voz calma de Ved e a sua paciência em responder em detalhes as questões apresentadas amenizaram os telefonemas que interromperam a entrevista. O modo como se sentou mostrou a flexibilidade adquirida pelos 34 anos de prática de yôga. O convite, ao final da conversa, para fazer uma aula foi tentador. Comparando com uma comida, ela diz que não há como descrever como é o sabor, sem experimentar o alimento. Assim é o yôga. Para realmente vermos os resultados e acreditarmos na sua influência para a melhoria de vida, devemos praticá-lo, saboreá-lo.

Ved Arora, aos seus 68 anos, mantém-se revigorada ao compartilhar seus ensinamento de yôga e ver os resultados espelhados através do bem-estar dos seus alunos. Desde 1976, ela dirige o Instituto Vivekananda ao lado de seu marido Harbans Arora, que faz atendimentos de terapias quânticas, e dá aulas juntamente com sua filha Subhashni e mais dois professores, Tadeu Andrade e Rose do Nascimento.
Aliando a meditação, as asanas (as posturas de yôga) e exercícios respiratórios em suas aulas, o espaço é dedicado para jovens, adultos e idosos que almejam um melhor equilíbrio físico e mental.

Nada de atividades mecânicas ou ofertas de medidas físicas perfeitas, o yôga propõe integrar corpo, mente e espírito para vitalizar e promover um melhor funcionamento do organismo. Sendo em uma hora de aula, sob a orientação do professor, ou no ambiente de trabalho e em casa, ao dedicar apenas alguns minutos do dia para o autoconhecimento, relaxamento e alongamentos.

Qual a função do yôga?

A palavra própria yôga veio da língua sânscrito, a língua mais antiga da Índia, e veio da raiz da palavra sânscrito yuj, que significa unir. Então Yôga, podemos dizer, é união. Quando falamos de união, é em todos os níveis. Nós temos o corpo, a mente e o espírito, então, é o trabalho máximo de integração entre eles. São várias as coisas que fazemos na prática no nível físico, como chamamos as posturas de yôga, que trabalham de várias formas o corpo todo, mas não só para remodelar o corpo, mas como para ter uma boa respiração, um bom funcionamento no nível glandular, uma boa circulação, mais flexibilidade, uma boa postura, maior irrigação cerebral. Então várias posturas trabalham de várias formas para ter uma boa saúde, não só nível físico, como também no nível mais interno.

Muitas pessoas se preocupam com o exercício físico, o yôga supre essa necessidade?

Quando veio para o ocidente, foi mais pela necessidade de melhorar a saúde psicossomática, porque no ocidente a gente vê que a tecnologia, a medicina avançou muito, mas ainda não conquistou a saúde do ser humano. Então a busca foi mais em como eliminar os problemas de saúde nesse nível psicossomático. E há agora também uma parte muito forte na prática do yôga no lado físico, mas isso é apenas como se fosse construir um alicerce para trabalhar um outro lado mental, espiritual. Como no ocidente há uma preocupação muito forte com esse lado físico, então várias as modalidades hoje estão trabalhando muito esse lado. E, na realidade, na prática do yôga, isso é apenas uma oitava parte do yôga integral. Eles dizem que se você quer construir um prédio, você tem que começar do alicerce, se o alicerce não está forte, não está estável, esse prédio cai. O corpo é também essa máquina que a gente usa para tudo. Qualquer coisa que você quer realizar, fazer, você precisa estar com uma boa saúde. Mas só o físico não é tudo. Se eu não estou bem mentalmente, emocionalmente, se eu não estou dormindo bem, se estou nervoso, irritado e inquieto, aí só o bom físico não vai me dá aquilo que eu preciso.

Mas como você trata a parte mental?

Nos exercícios de yôga a gente faz com a concentração, respiração, percepção, visualização, não mecanicamente como na ginástica. Então, quando você vai trabalhando o corpo de uma forma mais consciente, já vai trabalhando esse outro lado. E depois tem bastante trabalho respiratório na prática de yôga, que é uma coisa fundamental para adquirir uma boa saúde psicofísica. A respiração podemos dizer que é a vida. A gente pode viver muito tempo sem comer, mas sem respirar a gente não vive. Então, essa parte respiratória é uma coisa fundamental que ajuda para se energizar, como que para acalmar. Ajuda para melhorar o equilíbrio até do sistema nervoso. Trabalhamos muito esse lado para termos mais vigor, ter a clareza e mais capacidade mental, ao mesmo tempo mais estabilidade e mais calma. E, depois, uma das coisas importantíssimas nesse trabalho no yôga integral é a meditação. Quando a gente já trabalha no nível físico e no nível respiratório, fazendo sempre também um relaxamento como se fosse um relaxamento consciente, você mesmo visualiza cada parte do corpo, você mesmo observa como estão as suas ondas celebrais, até que aos poucos você sente que chegou num momento em que você apaga espontaneamente. Você está acordado, está consciente, mas está desligado, então o pouco que você consegue esse desligamento na fase mental, conscientemente, você relaxa. Então, o trabalho é mais no nível mental e esse trabalho no nível mental é meditação todos os dias. A gente prepara o corpo, prepara esse lado psíquico e depois vai trabalhando mais esse lado mental.               

Você já conhecia o yôga? Por que você resolveu praticar só quando chegou ao Brasil?

Eu conhecia, mas não era praticante na Índia. Eu procurei mesmo pela minha necessidade psicofísica, porque eu cheguei aqui – já tem 38 anos -, vim grávida de sete meses, não falava português, não trabalhava, não conhecia ninguém e eu já tinha problema crônico de enxaqueca quando era aluna na universidade na Índia. Minha necessidade psicofísica que me levou para buscar alguma coisa que me ajudasse. Estava tomando só os remédios que o neurologista passou para as dores de cabeça que eu tinha constantemente, que hoje não tomo mais. Nem pensava nessa época que iria dar um dia aula de yôga e eu já estou nesse espaço 33 anos dando aulas. Como é uma coisa que tem me ajudado, meu esposo disse “por que não se compartilha com outras pessoas que precisam também, como você precisou?”. Aí veio a ideia de ensinar.

As pessoas procuram mais o Yôga por quais motivos?

Em grande parte é pelo estresse, estresse já externo, às vezes até no nível pessoal, com problemas familiares, o cansaço do dia-a-dia e o próprio ambiente também. Esta violência que a gente vê todos os dias, em todos os lugares, o que ouve, o que lê, junto com tudo isso, posso dizer que o estresse é o principal motivo que traz as pessoas mais para Yôga. Porque existem tantas modalidades para trabalhar o corpo – musculação, aeróbica, ginástica – e tantas outras coisas, como o esporte, mas todo esse trabalho a gente vê que é importante, tem os seus benefícios no nível físico, mas não tem no nível mental como o yôga tem. Então, muitas pessoas vêm para a parte de relaxamento, para aprender a dormir melhor, para diminuir problemas de coluna, para melhorar a postura. Não só pessoas de idade, mas os jovens também hoje chegam todos enrolados, então existem problemas de diversas naturezas, mas, em princípio, o estresse é que está causando mais problemas no dia-a-dia. Yôga é procurado não só para o físico, como também para problemas dessa natureza psicossomática.

É indicado para qualquer idade?

A gente tinha turmas para crianças a partir de sete anos, só que alguns exercícios nessa idade não fazem até chegar à puberdade, porque mexe também no nível hormonal. Então, a partir de sete até mais velho. A gente tem uma aluna que vai fazer 92 anos, próximo mês (outubro), e se você vir a postura, a cabeça dela, ela está aqui 16 anos sem faltar, na prática constante. Começou a primeira vez com 75 anos de idade. Achei muito corajosa para começar uma coisa nova nessa idade. É uma pessoa lúcida e exemplo para muitas outras pessoas.

Tem mais homens ou mulheres?

No começo, isso já faz 33 anos, tinha mais mulheres e muito poucos homens nessa época. Até algumas turmas eram mais mulheres e chegava um ou outro homem que diziam “homem também pratica yôga”. Porque a gente vê aí todas as culturas, principalmente aqui, o homem como se não pudesse mostrar que está triste, fraco, porque é homem. Mas essa mentalidade está mudando, posso dizer que hoje são 40% homens e 60% mulheres, mas tinha época que era 20% homem e 80% mulher, essa diferença está bem pequena. A gente vê que até a mentalidade do homem está mudando, não era mais o homem de 60 anos atrás, então eles estão aceitando mais que homem também chora.

Com que frequência deve ser praticado?

O ideal é que sejam poucos minutos todos os dias. Do jeito que a gente faz o resto, todo dia toma banho, alimenta-se, dorme, a intenção seria essa prática regular que ajuda para manter o bem estar, mas aqui como as pessoas não têm muito tempo, a maioria vem fazer duas vezes por semana, tem exceções que fazem só uma vez. Agora, assim, recomendamos para eles que a aula normal é 1h15min, mas em casa, de acordo com a necessidade, a gente orienta que eles podem fazer 10min, 15min ou 30min, mas cada um tem que ver o que precisa mais.   

O que muda na vida de quem pratica yôga?

As mudanças são incríveis. Primeiro com os benefícios no nível físico. Se a pessoa tem prisão de ventre, prisão de gases, problema de postura, dores nas juntas, dor de cabeça, insônia, gastrite, ulcera e várias outras coisas da natureza que a gente vê que o ser humano sofre. Então, os primeiros sinais que podemos perceber é nesse nível mais físico, até o respirar direito. Melhorando esse lado, a gente vê também que, através da prática de yôga, melhora o lado emocional. Se a pessoa está preocupada emocionalmente, está com alguns problemas, vai adquirindo mais equilíbrio nesse nível. Com esse trabalho de relaxamento profundo, relaxa não só o corpo, mas também no nível mental. Então, você percebe os benefícios no nível físico, no emocional, no mental e mais ainda, como eu já comentei, faço trabalhos voluntários depois que entrei no yôga, hoje eu tenho quatro ou cinco lugares onde dou apoio, ajudo fisicamente e eu tenho várias pessoas que ajudam também em algumas escolas. Então, a gente pode dizer que há mudança também no nível pessoal. Além do físico, emocional e mental, a gente percebe que tudo que a gente sabe é muito bom quando a gente aprende a compartilhar ou aprender a servir, a ajudar o outro. Mas isso eu só posso fazer se eu estou bem comigo mesma, então o trabalho começa no nível pessoal até que aos poucos a gente vai entendendo mais no nível social.

Que atividades podem ser feitas em casa ou no trabalho com pouco tempo?

Eu dei, já duas vezes, um workshop para executivos. Então, nesse workshop eu falei, como eles têm pouco tempo, o que eles podem fazer nos pequenos intervalos, na hora do coffee breake. Eu falei para os médicos, que estão esperando os pacientes, em vez de ficar tenso, olhando para o relógio, podem fazer uns movimentos com a cabeça, ombro, mão, braços, pernas e respiração. Então, são várias coisas que eu mostrei como eles podem fazer sem trocar de roupa, sem botar tapetinho no chão.

Se você fosse resumir, em uma frase, o que é o yôga? 

Hoje, eu posso dizer que, para mim, yôga é o caminho de autoconhecimento.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Hello cineclubista

Semana seguinte ao início das aulas, o Cineclube Unifor reabriu sua programação no dia 13 de agosto, com a exibição de “O sol de cada manhã” (“The weather man”, 2005). O filme apresenta o cotidiano de Dave Spritz (Nicolas Cage) – homem do tempo de um canal de televisão de Chicago -  que, embora tenha uma vida profissional de sucesso, enfrenta conflitos diários no âmbito pessoal.

Segundo o debatedor Custódio Almeida, diretor do Instituto de Cultura e Arte da UFC, cada título oferecido propõe um ideia acerca do que o longa-metragem quer abordar. O nome em inglês remete a uma desconfiança, pelo fato de relacionar a meteorologia com um emprego no qual a pessoa não elabora ou ao menos compreende o que está falando e, ainda assim, é muito bem retribuída financeiramente. Em português, associa-se a uma esperança. E “Hello América”, título indicado por Custódio para nomear o filme, funciona como um alerta, para mostrar que a vida está passando.

Os questionamentos e as autocríticas do protagonista Dave, apresentadas em voice off, deram o gancho para debate do dia. A sua ambição em querer impressionar o seu pai Robert (Michael Caine), renomado escritor e vencedor do prêmio Pulitzer de literatura, motivava as suas ações, nem sempre bem sucedidas. Como quando leva a sua filha a uma estação de esqui para tentar se aproximar mais e acidentalmente a ela rompe os ligamentos da perna. Ou quando ele tenta interagir com a ex-esposa atingindo-a com uma bola de neve, quebrando os óculos dela. Ele tentava, através de caminhos mais fáceis, resolver os seus problemas, mesmo seu pai dizendo que “fácil” não deveria fazer parte do vocabulário dos adultos.

O protagonista Dave muda o seu caráter pessimista e aparência fracassada ao encontrar dignidade no que faz e quando utiliza o esporte tiro ao alvo como um mecanismo de extravasar sua raiva. Dessa forma, ele descobre como deixar de ser um homem “fast food”.  (O que é ser “fast food”? É uma vida baseada em banalidade, priorizando a superficialidade. É uma suposta saciedade que não nutre. ) Além disso, com a morte de seu pai, ele se torna homem. “A morte do pai de Dave é simbólica, representa que agora ele agirá sem buscar apoio”, comenta Maria Aparecida Paiva Montenegro, professora de Filosofia e também debatedora convidada.

Depois da última conversa com o seu pai, Spritz percebeu que não precisava de grandes atos para se tornar adulto. Às vezes, não é necessário ser tão racional para provar que cresceu. Às vezes, é melhor agir – representado pelo momento quando ele defendeu o seu filho do tutor pedófilo -, do que ficar apenas nos planos – como quando ele planejava reatar com a ex-mulher, mas não se esforçava para corrigir seus defeitos. A partir disso ele encontra o seu valor.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sessão extraordinária

Aproveitando a presença do uruguaio Fernando Andach em Fortaleza, em plena quarta-feira, dia 13/05, o Cineclube abre uma sessão extra.  Ele é professor da Universidade de Ottawa, pesquisador das obras do cineasta Eduardo Coutinho e foi convidado a debater o filme “Jogo de cena” (2007).

Esse documentário se enquadra no cinema verdade, quando mostra a interatividade do cineasta com a situação retratada, além de fugir totalmente do padrão. Ele mistura depoimentos reais de várias mulheres que, respondendo a um anúncio de jornal, vão ao Teatro Glauce Rocha contar algum fato marcante em sua vida, com representações dessas histórias por atrizes famosas e outras não tão conhecidas. Dessa forma, confunde quem assiste, leva-os a terem dúvidas sobre o que é ensaiado ou espontâneo. “O filme explora os dois espaços da representação: como os seres humanos vivem sem roteiros e como atores reagem diante disso”, comenta Andach.

O debate foi marcado por questionamentos sobre até que ponto podemos nos enganar ou deixarmo-nos envolver por uma ficção, sobre o naturalismo utilizado por Coutinho, que permite o entrevistado expressar-se por inteiro, e ainda sobre a dúvida se, mesmo não sendo atriz, as pessoas criam máscaras diante das câmeras, chegando a criar personagens de si mesmas. “Filmar é um caleidoscópio da mente humana, pois mostra os seus diversos personagens”, ressalta Andach, quando levado à questão sobre qual momento as atrizes realmente colocam suas opiniões ou quando é mera atuação.

O décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho foi o grande vencedor do 14º Prêmio Guarani de Cinema Braisileiro e comprova que realmente compensa deixarmo-nos envolver com a história, independente de ser apenas uma representação. “O teatro é um fazer de conta. Um monte de gente que finge ser outra pessoa que não é, para uma platéia que finge que eles são”, finaliza o convidado especial do dia.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Encontro com Piovani

Luana Piovani, após ter se apresentado no Rio de Janeiro, Campo Grande, Manaus e São Caetano do Sul, chegou a Fortaleza no último fim de semana de março com o seu monólogo “Pássaro da noite” , de José Antônio de Souza. A peça é sobre uma mulher que, depois de uma noite de festa, se vê diante de indagações nunca experimentadas, levando a perguntas do estilo “Quem sou?”.Luana, minutos antes de sua apresentação da sexta-feira, 27, conversou com a equipe do Labjor e falou como foi a sua reação por encarar o palco sozinha, quais são os seus projetos e outras curiosidades.

Veja a entrevista na íntegra a seguir.

Labjor: Como se deu a construção do seu personagem?

Luana: Às vezes, tem personagens que não requerem muita composição, na verdade. Eu sei que é uma curiosidade das pessoas, mas o trabalho em si, o ensaio em si, acaba te trazendo muito próximo da personagem. Você se relaciona com o texto, com o que ele está contando e a personagem, enfim, aparece para você. Eu tive dois meses de ensaio, tive direção de movimento, aula de fono, mas não teve necessariamente uma composição.

Labjor: Você se utiliza alguma vez da improvisação ou você segue somente o texto?

Luana: Não, não tem como improvisar, porque esse texto é rimado e não rimado, então ele fica variando entre partes rimadas e partes não. Então, assim, não tem como mexer nele.

Labjor: Já foi um projeto imposto para você ou foi feito em conjunto com o autor?

Luana: Não, esse texto já existe há dez anos.

Labjor: Mas não teve nenhuma adaptação?

Luana: Não, ele é texto original. Não teve adaptação nenhuma.

Labjor: Como é que está sendo a aceitação? Vocês já passaram por quantas cidades?

Luana: Aqui é a quarta. Está sendo muito bom, as pessoas sempre se surpreendem muito com a peça, com o texto. As pessoas não vêm imaginando o que ela vai dizer e elas se surpreendem. É bom ver a cara de surpresa das pessoas.

Labjor: Vai para quantas cidades ainda mais?

Luana: Pois é, vamos para muitas, só que eu estou indo para Nova Iorque passar um tempo, fazer umas aulas de teatro. Faz tempo que eu não dou uma reciclada, então vou passar uns meses lá. Daí, a gente volta em junho/julho, e continua a turnê.

Labjor: O que você acha que mais atrai o público à peça? Porque você disse que foi algo mais do que inesperado a reação.

Luana: Acho que a ousadia dela. As pessoas gostam da ousadia dela.

Labjor: O ator acaba dando um pouco da sua personalidade para o personagem, então tem alguma coisa em você que você colocou no personagem?

Luana: Não exatamente. Nós somos bem diferentes uma da outra, mas acho que tem uma coisa nela com a qual eu me identifico – na verdade, ela é bem mais radical do que eu -, ela não liga para julgamentos alheios.

Labjor: Essa ideia do monólogo é uma coisa nova para você? Como você se viu diante disso?

Luana: Com medo, mas, na verdade, se você souber usufruir do medo, você faz com que ele faça com que você caminhe, vá adiante. Então, era isso, não adiantava eu ter medo que o dia da estreia ia chegar, eu ia ter que fazer, então era bom que eu estudasse bastante, que eu decorasse logo o texto e que eu fizesse bem os ensaios.

Labjor: É uma coisa que você espera fazer de novo? Gostou da experiência?

Luana: Gostei, gostei. Mas, não consigo imaginar ainda outro monólogo. Eu estou sentindo falta de gente no palco.

Labjor: O teu público infantil, como é o teu relacionamento, porque foram duas peças infantis. Como é que funciona a sua relação com as crianças?

Luana: Na verdade, eu me relaciono mais com as crianças do que com o público adulto, porque depois das peças, só em turnê que não dá para fazer isso, mas quando eu estou com uma peça em cartaz no Rio ou em São Paulo, eu recebo as crianças depois da peça. Então, é muito legal, porque eu sei exatamente o que elas acharam, o que elas gostaram, o que elas não gostaram. E, na peça adulta eu não faço isso, claro que eu falo com quem fica esperando depois, mas eu não recebo todas.

Labjor: Você tem alguma superstição quando entra no palco? Ou tem algum ritual muito específico seu?

Luana: A primeira vez que eu piso no palco, eu piso com o pé direito. Ah, ritual não exatamente. Eu peço a inspiração do espírito santo. Minha mãe me ensinou que o Espírito Santo dá o dom da palavra, então eu peço que o espírito santo me inspire.

Labjor: Tem algum projeto que você pretende fazer?

Luana: Agora, este ano, vão estrear três filmes que eu fiz ano passado. Agora em junho, estreia “Mulher invisível”, daí em outubro “Família vende tudo” e, em dezembro, “Insônia”. Mas, de projeto meu mesmo, só o “Soldadinho e a bailarina”.

Labjor: Qual foi o personagem que você mais gostou?

Luana: É difícil dizer isso, porque a gente acaba gostando mais do que está fazendo agora.

Labjor: A cada personagem você muda tanto sua aparência, como tem que incorporar o personagem, como você encara essa mudança?

Luana: É bom mudar, então é bom você se olhar e se ver com outra cara, em outra cidade, dizendo outras coisas, é bom.

Labjor: Está conhecendo Fortaleza? Já tinha vindo outras vezes?

Luana: Já vim para cá muitas vezes.

Labjor: Como está a sua programação? Luana: Cheguei hoje. Na verdade não descansei, porque peguei um voo de Recife para cá, hoje, muito cedo, mas eu estou esperando que faça sol esse final de semana para eu fritar, para eu me jogar naquele Beach Park, pegar aquelas boias todas e ficar escorregando.

Veja a matéria no Blog do Labjor

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Dois perdidos numa noite suja

Os atores André Gonçalves e Freddy Ribeiro estiveram recentemente em Fortaleza (dias 13, 14 e 15 deste mês) apresentando a peça Dois perdidos numa noite suja, no Teatro Celina Queiroz.

A equipe do Labjor (com a colaboração valiosa do Felipe, da TVU, pela companhia, pela máquina fotógrafica e pelo casaco que me emprestou… Porque ô teatro frrrrrio!) esteve lá! Em um bate-papo descontraído, já quase às 23h , conhecemos uma dupla simpática e apaixonada pelo que faz! André e Freddy conversaram com a equipe sobre a peça e as curiosidades de bastidores! Acompanhe um pouco mais desse momento pelas fotos, pela entrevista e pelo vídeo que seguem!

Entrevista:

Labjor: Desde a primeira apresentação em 1966, o texto já passou por várias interpretações. Nessa, o que vocês trouxeram de novo?

Freddy: Nós atualizamos um pouco a linguagem. Teve até um crítico, inclusive, que falou que nós não deveríamos falar “pisante” porque ninguém iria entender. Uma loucura! Todos sabem o que é um pisante. Não tem muito o que atualizar. O texto é moderno, é jovem. O texto, por si, acompanha o tempo. Eu considero o Plínio [Marcos] e o Nelson Rodrigues os nossos maiores dramaturgos.

Labjor: Por quais cidades a peça já passou?

Freddy:
Estreamos em Portugal no dia 26 de abril do ano passado. Fizemos dois meses de sucesso lá em Lisboa, depois nós voltamos e fizemos em nove cidades da Bahia. Depois do interior da Bahia ainda fizemos Recife, Salvador, voltamos e fizemos dezembro e janeiro no Rio de Janeiro, que fez um sucesso enorme, com crítica maravilhosa. Lá, fomos convidados para o Festival de Curitiba, aí fizemos São Luiz e, agora, Fortaleza, que já era uma idéia antiga de fazer.

Labjor: A peça fala sobre mazelas e questões sociais sérias, como o desemprego e a violência nas metrópoles. Como foi a receptividade do público português, já que os problemas afetam também a sociedade europeia?

André: Apesar das seis apresentações anteriores terem apresentado um pouco mais dessa realidade brasileira, eles também começam a ter esse tipo de relação.

Freddy: É, tem os imigrantes! Não são poucos e é um problema muito grande na Europa, a gente sentiu isso.
André: Exilados, são pessoas que vivem nas margens mesmo.

Freddy: São muito diversificados, para se ter idéia até travestis que faziam ponto próximo ao teatro foram nos ver. Primeiras damas e intelectuais, diretores de teatro, atores, crianças…

André: Tem muita criança na platéia, é impressionante!

Labjor: Vocês continuam falando palavrões, mesmo assim?

André:
Não, quando tem crianças eu tiro os palavrões. Aí eu falo “poxa” (risos)…”seu idiota” (risos). Os meus filhos foram ver lá no Rio, ficaram os três filhos e mais um bando de amiguinhos. Então, eram nove crianças onde o mais velho tinha nove anos. Aí eu falei, “Freddy, tira os palavrões, por favor”. Eu passei a peça toda falando “poxa”…”não faz isso” (risos).

Labjor: Como atores que iniciaram no teatro, qual a importância que a experiência dos palcos trouxeram a suas carreiras na televisão e no cinema?

Freddy:
O ator tem que estar preparado. Tem que ter muita cultura e muito estudo. Tem que estar preparado pra enfrentar esses personagens enlouquecidos e pirados e não enlouquecer. E o teatro é a grande escola porque tem um público na frente, porque não tem corte, não vai pra ilha de edição, não tem montagem, é tudo na hora.

Labjor: Como são os bastidores, os rituais antes de vocês se apresentarem?

André:
Olha, nós geralmente chegamos um dia antes pra ir pras televisões, pras rádios, para cumprir as agendas de divulgação. No dia da peça a gente dorme de 5 a 6 ou 7 horas pra descansar a voz. Depois a gente vem pra cá e aquece corpo, aquece voz, faz um lanche, descansa um pouco e aí começa a peça. Esse é mais ou menos o ritual que a gente tem.

Freddy: A gente é muito simples. Nós, particularmente não temos muitas coisas… A gente se concentra, chega ali e se arruma, passa o texto, se desmonta pra poder entrar o personagem.



Veja a matéria no Blog do Labjor
 
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