Comprou um carro off road e não usa o 4x4? Então, é possível ligar a tração nas quatro rodas no asfalto, mas antes é preciso seguir orientações
É melhor manter quieto o que não se conhece. Verdade ou mentira? Com relação aos assuntos automotivos, é mentira. Mas, muitos motoristas preferem não mexer no que não sabe, isso é muito frequente com o 4x4.
Não é nada raro casos de proprietários de carros off road que não põem ou nem ao menos tem previsão de pôr as rodas do veículo em uma duna ou trilha. Assim, o 4x4 fica inerte.
Antigamente, relembra Cláudio Holanda, proprietário da Sertões Off Road, quando todo o sistema era mecânico, não havia tanto problema. No entanto, com o sistema tornando-se cada vez mais eletrônico, a probabilidade de falhas é maior.
Para não dar margem ao erro, para não facilitar, é importante seguir um - digamos - ritual mensal, "para que o sistema funcione, os rolamentos se lubrifiquem e os equipamentos não fiquem parados em uma mesma posição", completa.
Primeiro passo
Mas, antes de iniciar o exercício, você sabe em qual símbolo deve engatar para funcionar o 4x4? Pois bem, normalmente, a manopla vem com as seguintes siglas: 2H, 4H e N.
Primeiramente, o H é relativo a "high" (alto). Nesse caso, significa que o 2H é para altas velocidades andando com tração em duas rodas (4x2), sendo indicado para pista normal seca e em autoestrada. No outro caso, refere-se a alta velocidade com as quatro rodas tracionadas (4x4), ideal para condução em terrenos acidentados e com areia ou lama.
O "N" é a posição para usar quando o carro for levado por outro por reboque. "Senão as engrenagem ficam rodando. Isso dificulta o reboque e prejudica as peças da própria redução", explica Hailton Ribeiro, mecânico da Assef Car.
Alguns modelos ainda há o 4L, essa letra simboliza "low", ou seja, baixo. Ela é conhecida como "reduzida", sendo uma opção de muito torque e para baixas velocidades. Ela é indicada para subidas ou descidas íngremes e terrenos com muita lama.
Às vezes, essa letra apresenta-se assim: 4HL ou 4LL. Com essa forma combinada, o "L" a mais significa "bloqueada". Ou seja, a tração fica independente e, em momentos que alguma das rodas patina ou atola, há uma compensação por parte das outras; a força é transmitida para as outras rodas. É o que explica Hailton.
Periodicamente
Sabendo, agora, que deve acionar o 4H, antes de sair veja os quatro pneus. Eles devem ser iguais: mesmo tamanho, modelo e inclusive marca.
Quando for sair de casa, se o caminho a seguir for somente reto, então o 4x4 já pode ser acionado. Siga por 200m, cerca de dois quarteirões, ou até mais, para promover a lubrificação do sistema de tração.
Pode haver subidas e descidas, os buracos também não são empecilhos. Não há restrição quanto ao tipo de terreno e à velocidade, o único alerta é de não fazer curvas. "Se ele entrar numa rua com a tração ligada, o carro vai amarrar, vai prender. O motorista vai sentir uma certa dificuldade em desligar a tração; vai achar até que o carro está com defeito, e não é. Como ele não tem o diferencial central, para fazer a diferença entre os dois eixos, ele trava", ressalta Cláudio.
A ideia é repetir esse processo uma ou duas vezes por mês. O fato de fazer trilha esporadicamente não exime da possibilidade de ter falta de lubrificação nas peças posteriomente.
"O problema é o tempo em que vai ficar parado, não o tempo em que foi usado. A pessoa pode ficar um mês todinho usando direto, se ela passar três, quatro, cinco meses direto sem usar, pode ter problema", pontua.
Lembrete
Alguns modelos vem com sistema 4x4 integral ou permanente, simbolizada pelo 4WD. É o caso da Land Rover com Ranger Rover Evoque e Discovery e a Hilux com a versão top de linha da SW4. "Ou seja, ele já sai de fábrica com a tração nas quatro rodas; não tem a opção de colocar em 4x2, ele já é 4x4 de fábrica. A alavanca (ou botão) é para dar três outras opções: bloqueio, redução e neutro", acrescenta.
Consequências
O 4x2 não é afetado pela falta de uso do 4x4. Sendo assim, o proprietário só detecta, muitas vezes, quando há o problema em duas situações: quando vê-se na necessidade de usar a tração integral ou quando vai vender o carro e o comprador em potencial vai fazer o tes-drive antes da compra e o sistema não funciona.
No mínimo, será necessário desmanchar o sistema e fazer a lubrificação, sem prejudicar no futuro o seu uso nas trilhas. Um serviço desse na Assef Car é, em média, de R$ 320,00.
No máximo, é feita a troca do motor elétrico, o qual custa R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00 na Assef Car. Já o meio termo é a substituição de mangueiras ou sensores, o valor na Sertões Off Road varia de R$ 500,00 a R$1 mil. A mão de obra já está inclusa no preço.
Lembrando que mesmo fazendo o ritual de ligar o 4x4, é importante fazer uma revisão do sistema a cada três meses.
- Diário do Nordeste (Auto) -