segunda-feira, 30 de junho de 2008

Rabiscos.07

Mesmo sonolenta, com livros sob a cama para ler e sem inspiração para compor um bom conto, resenha ou poema, sento-me e escrevo respondendo a uma das perguntas mais escutadas por mim nestes dias: “Qual o curso você vai escolher?” - típico das reuniões de famílias ou círculos de conversa feitos no colégio. Embora sempre respondesse jornalismo, um dia resolvi parar e imaginar-me nesta profissão ou então, procurar o porquê da minha certeza.

Minutos foram suficientes para recordar que desde a minha infância criava personagens, falas, coreografias no meu cotidiano; ingressava-me em diversas atividades procurando algo que me adequasse, mas no final percebi o quanto eu queria participar de tudo.

Compreendi, ao longo da minha vida escolar, que, através do Jornalismo, eu necessitaria integrar-me a outros cursos e adquirir informações destes, para poder narrar com mais precisão os fatos, e, dessa forma, poderia sentir-me, a cada matéria, uma advogada, psicóloga, nutricionista, decoradora, enfim, uma conhecedora do mundo e desde então, não houve mais dúvidas, eu escolhi Jornalismo.

domingo, 29 de junho de 2008

As linhas lidas ontem

"O amor...
Cabe nas linhas as mãos...
Nas linhas das palavras...
Nas linhas dos livros...
Nas linhas das canções.
O amor...
Cabe nas linhas da memória
Nas linhas cruzadas de telefones mudos...
Nas linhas rabiscadas de um desenho...
Nas linhas esquecidas em um papel amassado.
O amor...
Cabe nas linhas que marcam o tempo...
Nas linhas que foram escritas...
Nas linhas que foram ditas...
Nas linhas borradas pela lágrima.
O amor...
Cabe nas linhas de um poema...
Nas linhas que a foto não é capaz de registrar...
Nas linhas de um sonho...
Nas linhas de um filme.
O amor...
Cabe nas linhas que te escrevo...
Nas linhas que te ofereço...
Nas linhas que escondo de ti...
Nas linhas profetizadas do destino.
O amor...
Cabe nas linhas prisioneiras do meu respirar...
Nas linhas contidas na voz do olhar...
Nas linhas que vão além dos limites.
O amor...
Cabe nas linhas do meu coração...
Nas linhas do meu silêncio...
De uma oração...
Nas linhas em que apenas prometo te amar...
Nas linhas salgadas com gosto de mar...
O amor...
Cabe nas linhas do meu nome...
Nas linhas que revelam o seu nome...
Nas linhas que nos une em um...
E que fina ou amplia o nosso amor em mais linhas..."


( O amor cabe em linhas... - Jordana Melo)

domingo, 22 de junho de 2008

...

Apresento-lhes o movimento que ocorreu no dia 12 de junho contra a reeleição de Luiziane Lins para prefeitura de Fortaleza.

Eles apitaram o dia inteiro, atrapalhando os moradores da região, e ainda acreditaram que os motoristas conseguiam ler as faixas expostas, por eles, na rua (Um dos dizeres escritos mencionava o fato da construção do metrô prometido ainda não ter sido concluída).

Acredito esse não ser o melhor jeito de provar, para os moradores da capital, que Luiziane Lins não deveria se reeleger. Não é que os fortalezenses sejam acríticos e não possam entender essa manifestação social, eles estão tão mergulhados em suas rotinas, preocupados em resolver as atividades estipuladas diariamente que gritos ou bandeiras não irão fazer diferença nas suas vidas, em compensação, irão atrapalhar a tranqüilidade daqueles que já presenciaram a demonstração de revolta contra a atual prefeita, mas desejam descansar em suas camas com, no máximo, o barulho do motor dos carros estrondoso e das buzinas inquietas.

Foto por Camiℓa Oℓiveira

quinta-feira, 19 de junho de 2008

...

Trabalhando dois dias consecutivos,
em pleno sol escaldante,
eles sentam
e esperam as horas passarem.

Foto por Camiℓa Oℓiveira

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Direto das favelas

Uma Onda no Ar, filme dirigido por Helvécio Ratton, relata a história de quatro amigos – Jorge, Zequiel, Brau e Roque –, residentes na favela de Belo Horizonte, que, por se contraporem ao governo, às diversas manifestações de preconceito no mundo e à exclusão social e desejarem expor seus pensamentos e delatar as injustiças cometidas na sociedade, decidiram criar um programa de rádio, “a voz livre do morro”.

A rádio pirata entrava no ar todas as noites no horário do programa A Voz do Brasil. Além de revelar grupos musicais da própria comunidade e disponibilizar um tempo para anunciar mensagens ou avisos pedidos pelos moradores da favela, reclamava sobre o financiamento de armas para a polícia ao invés desse dinheiro servir para investimentos em escolas ou para geração de empregos.

Por sua transmissão ter um amplo alcance e por ter denunciado a falta de estrutura oferecida pelo Governo e alertado sobre o perigo de desmoronamentos no morro, a Rádio Favela sofria as interferências das autoridades, tanto por parte da polícia como também, pelos governantes – o Ministério das Comunicações, durante anos, negou a autorização para o funcionamento legal do programa.

Este resistiu, embora houvesse diversas ameaças ou seus equipamentos fossem destruídos ou confiscados, e não perdeu o seu caráter educativo e de prevenção ao uso e tráfico de drogas. Por isso, cativou a atenção de diversos jornalistas e da população de Belo Horizonte, além de ter conquistado um prêmio das Nações Unidas.

Essa rádio comunitária é uma prova de resistência pelo direito de voz e pela luta contra o racismo do mundo. O filme foi indicado ao Grande Prêmio Cinema Brasil, na categoria de Melhor Direção de Arte, e ganhou dois Kikitos de Ouro no Festival de Gramado.

Sob o domínio de Kane

“Cidadão Kane” descreve a história do fictício Charles Foster Kane através de depoimentos relatados ao repórter Thompson que incumbido por Sr. Rawlston, o seu chefe, procura todos aqueles envolvidos na vida de Kane para descobrir o significado da palavra “Rosebud”, pronunciado em seu leito de morte, e para desvendar quem realmente foi esse magnata de grande influência nos EUA.

A origem da riqueza de Kane foi conseqüência de um inquilino da pensão dos seus pais que, em 1968, entregou como pagamento das suas dívidas a escritura de uma mina abandonada e supostamente sem valor: a mina Colorado.

Devido à decisão de Sra. Mary Kane, a sua mãe, ele foi separado do convívio familiar para viver sob tutela do Banco que gerenciava a renda da família até atingir a maioridade.

Aos 25 anos, quando poderia assumir toda a fortuna acumulada desde a infância, escolheu apenas dirigir o jornal Inquire. Por 40 anos, não apareceu em seu jornal um problema público para o qual ele não tivesse uma opinião ou nenhum homem público que Kane não apoiasse ou denunciasse.

Esse grande jornalista foi casado por 16 anos com Emily Monroe Norton, sobrinha do presidente dos EUA. Matrimoniou por amor, mas, por dedicar excessivamente o seu dia ao seu trabalho no Inquire, a discórdia entre o casal se sobrepôs ao carinho que ambos mantinham entre si.

Durante a sua campanha para eleger-se governador, publicaram o seu romance extraconjugal com a cantora Susan Alexander que duas semanas após esse incidente casara-se.

Um ano após o seu divórcio com Emily e a perda das eleições houve um período de decadência para esse homem que entrou para a história, mas, que a partir dessa época, não tinha mais poder de influenciá-la.

Depois de contratempos com sua segunda esposa, ela o abandonou e o deixou sozinho em seu inacabado palácio batizado de Xanadu – a maior área privada de prazer do mundo. Raramente era visitado ou fotografado, mas, do interior de sua mansão, continuava a tentar influenciar o destino de uma nação que deixara de ouvi-lo e de confiar nele.

O filme finaliza sem revelar aos componentes da trama o significado da palavra “Rosebud”, privilegiando apenas o espectador de descobrir a que se refere a palavra e quem realmente foi Kane: um homem de infância roubada que tentava suprir essa lacuna adquirindo inúmeras posses e tentando conquistar o amor de seus leitores e eleitores.

Esse clássico filme dirigido, produzido e protagonizado por Orson Welles é inspirado na vida de William Randolph Hearst, magnata das comunicações da época, e foi vencedor na categoria de melhor roteiro, indicado aos prêmios de melhor filme, melhor ator, melhor direção de arte, melhor diretor, melhor montagem, melhor trilha sonora, melhor som e melhor fotografia, além de ter se tornado um marco para o cinema americano.

O realismo compensa o frio

O Espaço Cultural Unifor, localizado no segundo andar da reitoria, está expondo uma coletânea de 82 gravuras do artista flamengo e maior representante da arte barroca do século XVII, Peter Paul Rubens - nascido em 28 de junho de 1577 na cidade de Siegen, região que hoje corresponde à Alemanha.

A exposição, que estreou no início de abril, 03, e prolongar-se-á até o dia 27 de julho de 2008 é aberta ao público, podendo ser explorada aleatoriamente ou guiada por monitores, estudantes da Unifor selecionados e treinados para essa função.

Essa mostra inédita na América Latina é uma oportunidade de todos terem contato com o trabalho de um artista tão renomado. Ela é composta de retratos, dentre eles, de reis, príncipes e duques de sua época; paisagens, cenas bíblicas (com foco tanto no velho como no novo testamento), religiosas, alegóricas, mitológicas e uma coleção de antiguidades.

Há, também, oficinas de gravuras, oferecidas em dois horários durante a semana ou para grupos de estudante de escolas particulares ou públicas que ligarem marcando as visitas. Para estes estão disponibilizados ônibus para os alunos, conforme agendem antecipadamente.

O ambiente, através da iluminação diferenciada para cada gravura e da coloração escura em algumas paredes e clara nas outras, foi montado para refletir a idéia de movimento presente no estilo Barroco e transmitida nas obras de Rubens. O local foi dividido em três sessões e, além das gravuras, há dois espaços de projeção, um para relatar a vida de Rubens e o outro para exibir as suas pinturas.

É indispensável conferir essa exposição no mínimo uma vez, para prestigiar toda a riqueza de detalhes, a expressão intensa de cada rosto e a beleza dos corpos e das cenas ali retratados.

 
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