quarta-feira, 31 de março de 2010

Olhos pasmos

Ontem acabou o Big Brother 10. Não acompanhei ou tinha preferidos, mas acreditava que o Marcelo Dourado não devia ganhar. Ele teve a sua chance na quarta edição e, tecnicamente, não era justo ter duas oportunidades num jogo. Entretanto, há duas semanas, vinha tendo outros pensamentos sobre ele.

Descobri sobre sua trajetória nos últimos quatro anos, os seus planos e as perdas. Não me incomodava a brutalidade, conheço pessoas mais difíceis de lidar. Ele passou, e acredito que ainda passa, dificuldades financeiras. Jogava do seu lado e não ficava em cima do muro. Não amava os gays, numa casa onde eles reinavam. Mas ninguém é obrigado, deve-se só saber respeitar. Então, por que não poder ganhar o prêmio de R$ 1 milhão?

Eu não votei sim ou não, liguei apenas a televisão e vi o momento do resultado. Considerando-se sempre perdedor, Dourado ganhou. Vi uma sincera felicidade e estranhamento com a notícia no rosto dele. Ele parecia não acreditar na possibilidade. Não senti desgosto com a sua vitória ou raiva. No começo era um pouco de indiferença, mas depois vi que ele merecia. No final, qualquer pessoa que aguenta três meses trancafiado sob vigilância das câmeras e do julgamento alheio merece. Então, parabéns para ele.

sábado, 27 de março de 2010

Deixa rolar

O anúncio de Corte Seco foi lançado com duas semanas de antecedência e, na mesma precaução, garanti a presença do Labjor na coletiva de sexta-feira. A hora marcada foi o primeiro estranhamento - 14h. O aperto de dez atores, uma diretora e muitos representantes da imprensa em um mesmo estúdio é a segunda observação. Mas o detalhe maior é que foi tudo um flash, principalmente com a nossa equipe.

Foram todos simpáticos, entretanto, as necessidades do ensaio marcado e da preparação do cenário os fizeram ser breves e aparentar grosseirismo. Eu compreendi, tanto que não resisti e garanti uma cadeira na frente do palco. Os três dias lotados, porém tinha tanta certeza de uma sessão extra, que eu esperei. E fiz bem.

Chego da peça, agora, três horas depois dela ter terminado e realmente é uma loucura. Como disse Thereza Piffer, as histórias encenadas no palco se assemelham com os diálogos dos estranhos que escutamos. Se pararmos no carro e atentarmos para as conversas dos carros ao lado, veremos várias vidas, momentos e ações. Tudo desconexo, mas com sentido se observarmos como um todo.

As cenas transcorrem entre o real e o imaginário. O primeiro é através do artifício dos nomes dos personagens serem os mesmos dos atores e o fato de usarem elementos do próprio cenário como uma peça do diálogo. Como quando o Eduardo Moscovis discute com Branca Messina: "como é que você pode falar, se não tem nenhuma cadeira?". O segundo é através da tradicional ficção dos fatos, mesmo estes sendo baseados em histórias verídicas.

O drama se faz presente. A comédia e a alta atenção também. Aos detalhes múltiplos das falas ditas ao mesmo tempo, das regras do jogo, da encenação que mistura roteiro com improviso, dos inúmeros gastos de fita adesiva, do bom talento comprovado na rapidez da atuação diante do inesperado, da reação do público e da própria emoção. Por isso dou os parabéns.

¹ Fotos por Camiℓa Oℓiveira

terça-feira, 23 de março de 2010

Quanto vale um milhão?

Nas edições anteriores do Big Brother, já havia notado uma crescente incitação para acontecer brigas por parte do Pedro Bial. Entretanto, agora acontece descaradamente.

Não gostar um do outro ou graus de afinidade, bem, isso naturalmente aparece. Afinal, reunir dezessete pessoas de personalidades, aparências e regiões diferentes facilita a discordância depois de um contato intenso. Então, por que plantar discórdia?

O Bial - quando na verdade deve ser toda a direção da Globo - faz de graça. Inventam jogos nas segundas-feiras para um participante falar pensamentos íntimos, que com certeza influenciará em votos e discussões futuras. Pergunta-se: "na sua opinião, quem definitivamente não deveria ganhar o prêmio?" e "quem você acha mais falso na casa?". E, no final, ele ainda motiva: "bom, agora vocês vão ter mais assunto para conversar".

Nem uma pessoa calma e centrada se controlaria em situações assim e deixar-se-ia conduzir nas votações pelo que se sucederia dessas "brincadeiras ingênuas". Pessoas com uma personalidade fora da casa tornam-se, diante das câmeras, aparentemente gananciosas, manipuladoras, sem graça, isoladas ou influenciáveis.

Então vale virar alguém criado pela edição das câmeras? 1 milhão paga a falta de privacidade e uma exibição gratuita de uma imagem que realmente não é a real? Qual é o preço da dignidade?

domingo, 21 de março de 2010

Para que dar satisfações?

Desde o dia 02 de março, houve alterações em algumas ruas de Fortaleza. Vou citar as que mais me incomodaram: aumentaram as sinalizações e diminuíram duas vias de acesso à Av. Padre Antônio Tomás. Está correto que conseguiram desafogar o seu congestionamento, mas, em detrimento disso, piorou o trânsito na Av. Engenheiro Santana Júnior.

Toda vez que o sinal fica verde, a maioria dos carros entram nessa avenida. Não há um momento para desafogar e acalmar as buzinas ou a ânsia por velocidade. Ainda por cima, implantaram mais um sinal. Será que não pensam que vários semáforos numa mesma avenida vão engarrafar ainda mais?

A saída para evitar esse trânsito, bem, é evitar essas avenidas ou transversais. Mas não devia ser assim. Era para alargar ou criar diferentes acessos e não para os carros se acumularem numa única via ou fazerem grandes voltas como se elas tivessem interditadas.

Além de ter que conviver com a falta ou mau planejamento das ruas, também tenho que aturar diariamente os motoristas incompetentes ou muito distraídos. Eles não querem dar satisfações de sua vida e não ligam a sinaleira. Atravesso a rua e, quando vejo, um carro buzinando porque estava fazendo a curva onde caminhava. Não querem dizer para onde vão dobrar, mas tenho que adivinhar o que irão fazer. Poupem-me.

sábado, 20 de março de 2010

Chuva doce

Mulheres de escovas ou com festas programadas para breve, atenção! São José veio preparado e carregado de muita chuva. Ontem, ele não brincou. Logo de manhã fechou o céu e deu o recado de que amenizaria o calor imperdoável desses últimos meses.

Prazos se esgotando, muitos planos e um cansaço que se pronuncia aos poucos, acompanhado de um sono leve e contínuo. Depois de uma semana de nervos a mil, só uma sobremesa para diminuir as dores de cabeça e a vontade de uma pausa de tudo. Biscoitos, torta de limão, bolo de aniversário, sorvete com calda de chocolate, bala de menta e algumas outras extravagâncias. Aumentei algumas gramas nesses dois últimos dias, mas agora não me importo. Precisava desse calmante feminino, que muito me faz feliz. E acompanhado de uma chuva ou neblina nos momentos de sono, então, completa a minha felicidade diária.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Hora mundial II

Ano passado, obriguei os meus amigos a apagarem as luzes em plena festa. O Brasil, este ano, participará pela segunda vez na Hora do Planeta. O que vou fazer dessa vez? Não faço a minha ideia, mas vou ficar no breu nem se for só em casa.

Monumentos deixados para uma escuridão com um único propósito: unir-se a uma manifestação contra o aquecimento global. Aumentar as proporções de casas, cidades e lugares turísticos que aderem a essa ideia, só mostra que juntos podemos mudar o mundo.

Esse projeto começou em Sidney, em 2007, e agora mais de 88 países ficaram às escuras. Então, por que não unir-se a essa escuridão? Dia 27 de março, das 20h30 às 21h30, apaguem as luzes - todas.

Dê também mais três minutos para o planeta agora.

quarta-feira, 17 de março de 2010

E quando faltam 10 centavos?

Em lugares onde não se gravam rostos, nomes, origens ou ao menos se criam laços, como devemos agir com relação ao troco? O "fico te devendo" aparece e deixamos por menos. Mas quando a situação se inverte, o cobrador nem sempre perdoa. Quando estamos ambientado, receber a mais ou descontar depois tornam-se situações comuns, pois no final damos um jeito de ficarmos quite com o vendedor. Mas quando não é assim?

Questiono-me todas as vezes que vejo preços com R$0,99 no final. Por acaso vão dá o troco de um centavo? Sei que, em grande quantidade, esses centavos vão fazer a diferença no total da conta, mas, sem nem percebermos, essas moedas também encheriam nossos cofrinhos. Não estou pedindo para arredondarem para R$1,00, quero mais que diminuam, para R$0,95 talvez. Afinal, nem um centavo ronda mais pela cidade.

Outro dia resolvi usar minhas moedas de R$0,01 que estavam guardadas há um tempo. Quando o trocador viu começou a rir de mim. "Pensava que essa moeda nem mais existia". Estão entendendo agora meu ponto de vista? Por que fingir sua existência e colocar valores incompletos?

sábado, 13 de março de 2010

Pétalas em minha vida

Como se não bastasse ser irmã da noiva, ontem virei a própria. Meia hora depois de começar o segundo dia do Fest Noiva Ceará 2010, comprei o meu ingresso e desfrutei do mundo de detalhes femininos do casamento.

Cem expositores, nove desfiles e sete palestras. Um evento de oportunidades e opções para os futuros noivos e um mar de informações para mim, que escolhi justamente o casamento como tema da minha próxima matéria.

Na sexta-feira, em especial, vou falar mais. Vitório Ferreira, gerente geral do Gran Marquise Hotel, fez a sua palestra sobre a comemoração do casamento do princípio a atualidade. Segundo ele, essa formalidade da união pode aparentar falida para alguns, mas se torna contraditória esta afirmação quando se vê um evento como Fest Noiva de grande repercussão e estrutura.

O cerimonialista Cesár Serra tem como residência Brasília, mas volta anualmente para a sua terra natal - Ceará - para palestrar sobre o passo a passo do casamento nesse evento que ajudou a criar. Muita participação, risos e interesse, para resumir os seus dizeres de quase duas horas, vou colocar duas observações que ele primou em enfatizar: "casamento é planejamento. Quanto mais tempo, melhor. Casar com menos de um ano é loucura, eu não recomendo" e fala que o cerimonialista é a pessoa que vai auxiliar a noiva, ou seja, ele tem de entender tudo para poder opinar. Segundo ele, "adoecer não nos pertence".

No geral, foi tudo muito agradável. Por onde caminhava encontrava sorrisos, cartões de visita e mesas decoradas com doces intocáveis. Essa era a pior parte: ver obras primas em açúcar e chocolate e não poder comer e sentir o gosto doce do pecado da gula. O desfile estava com as cadeiras lotadas e o Paulo José nos meus ouvidos me fez crer, por alguns momentos, que eu estava num show.

Houve alguns estranhos mal educados, mas nessas horas relevei e degustei da beleza dos stands, dos vestidos e das novidades das lembrancinhas, apesar de querer degustar mesmo os bem-casados, bolos e docinhos.


¹ Fotos por Camiℓa Oℓiveira

quarta-feira, 10 de março de 2010

O meu domingo à noite

Fugindo da realidade humana de que não existe teletransporte, deixei-me levar por uma história na qual o tempo é vilão e caminho. Henry (Eric Bana) não tem controle, nem ao menos compreende completamente a sua genética de viagem no tempo. Ele se culpa por não conseguir salvar a sua mãe de um acidente de carro, volta várias vezes ao mesmo momento, mas a realidade não muda.

O mesmo "poder" que o faz perder a noção da época, tira a sua roupa e o torna ausente em alguns eventos do presente, também permite construir um amor com Claire (Rachel McAdams). Eles se encontram quando ela ainda tinha nove anos, a partir disso cria-se uma amizade e um sentimento mais intenso, que teve de ser relembrado no presente de Henry.

Tiveram sonhos construídos por uma vontade de ficar com um homem que a visitava em sua infância e adolescência, abandonos enquanto ele estava perdido pelo tempo e contratempos com relação a dificuldades para engravidar, mas Claire nunca se arrependeu de ficar com ele. E a tradução do título traduz exatamente isso: Te amarei para sempre (The Time Traveler's wife, 2009).

Não chorei como P.s Eu te amo, mas senti o medo de perder alguém, a sensação de saber que a morte está perto das pessoas que mais amamos e não podemos fazer nada, só esperar.

terça-feira, 9 de março de 2010

Mil/s

Acordei em ritmo acelerado para terminar a edição de rádio. Perder uma aula não foi suficiente. Dei minha paciência, angústia e metade da última aula, que por acaso era a que eu devia apresentar o programa. No final do dia, resultado: o trabalho ficou lindíssimo - para a primeira experiência. Eu funciono sob pressão, mas o ruim é ser mandada tomar maracugina várias vezes. Culpa de muita energia acumulada e da preocupação dos prazos.

Ps. Assunto nada a ver, porém quero registrar um fato. Hoje pela manhã fiquei tão feliz por ver muitos andando por cima da passarela, assim como faço todos os dias. Olhei para baixo e vi ainda parte do rebanho, mas pelo menos grande parte já está fazendo o mais óbvio: utilizar um artifício humano para evitar atropelamentos. Toda vez que vejo pessoas atravessando a Av. Washigton Soares eu lembro da música do Silvio Santos: "Aonde a vaca vai, o boi vai atrás".

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cor sim, cor não

Se fosse pré-requisito passar o dia Internacional das Mulheres de listrado, então eu e a metade dos estudantes da Unifor estavamos dentro do padrão. Não sei se isso é sempre ou reparei só agora, mas hoje contei tanta gente com roupa de listras. Enjoei de contar, parei na 41º enquanto caminhava do bloco T ao M. Cansei e, para o meu exagero, fiquei tonta. Ainda bem que já vem o dia 13 para eu amenizar minha vista com pessoas de branco. Bendito dia de Nossa Senhora de Fátima.

sábado, 6 de março de 2010

Mural nas paredes

 
Um carro lotado e muito bom humor durante todo o trajeto, foi assim que, acompanhado pela Tv Unifor, o Labjor lançou ontem (05/03) o Mural do Taxista e o Mural da Oficina .

A primeira parada foi no Sindicato dos Taxistas e, desde o início, o Labjor foi recebido calorosamente pela secretária Socorro e pelo presidente do Sindicato, Vicente de Paulo. Nós afixamos e apresentamos o Mural do Taxista àqueles que estavam presentes e, sem muita demora, alguns taxistas já paravam para ver o jornal. Eles se aproximavam e já iam reconhecendo um dos personagens mencionado numa das matérias: Sobral, o taxista mais antigo da praça de Fortaleza.

Vicente, que em julho completa 30 anos de profissão, falou que, mesmo assumindo a direção do Sindicato, não deixou o seu táxi. Lógico que agora não está com a mesma frequência nas ruas, saindo mais para atender a chamados da sua categoria trabalhista.

Um dos assuntos do Mural é sobre a questão da segurança. Ele ressaltou que já está encaminhado uma cartilha de precauções para ser entregue aos taxistas. Nela constam indicações de como se portar diante dos assaltos e dos perigos do trânsito e da cidade. Jussieu Gonçalves, um dos taxistas presentes, contou um caso em que desconfiou de que as duas pessoas do banco de trás do seu carro eram assaltantes. Ele, com medo, fez sinal de luz para a primeira viatura da polícia que avistou e, assim, os dois homens foram presos e ainda pagaram pela corrida.

A segunda parada foi na Beto’s car. Quase fim de tarde e o sol escaldante, mas a recepção não foi diferente. O gerente da oficina André Luiz atendeu a equipe muito bem, não ficou tímido diante das câmeras e ainda ajudou a pregar o Mural da Oficina. Há quatorze anos trabalha na Beto’s car e, desde 2003, assumiu a gerência da sede da Bezerra de Menezes. Ele afirma que o seu compromisso com o cliente os tornam fiéis ao seu serviço, tanto que quando foi transferido da sede da Aldeota para a de atual, alguns clientes o acompanharam para cuidar de seus carros.

Analder Moraes, mecânico e eletricista há dez anos, diz que trabalha pelo privilégio de estar numa área que nem todo mundo entende. Ele começou como auxiliar e, pelo prazer de trabalhar com carros e da aprendizagem diária, tem orgulho de sua profissão.

O projeto Jornal Mural começou vinculado à disciplina Princípios e Técnicas de Jornalismo Impresso I coordenada pelo professor Jocélio Leal. Agora, ele é pautado e escrito pela equipe do Labjor. Vale ressaltar que o Mural da Oficina ganhou na categoria Jornal Mural na Exposição Competitiva de Trabalhos Acadêmicos (Expocom).

Obs: não podia deixar de mencionar ainda algumas pessoas que foram ativas e importantes nesse dia: o motorista de nossa equipe, Eurico Lima; o cinegrafista Everton Silva e o pessoal da Tv Unifor – Marília Pedroza e Felipe Macedo. Obrigada pela parceria.

Um palhaço em minha vida

Sai no começo da tarde com a equipe da TV Unifor. Quem me visse pela Unifor, acreditaria se eu dissesse ser da Arquitetura. Com quatro rolos grandes de papel na mão, entrei na van da TV e fui com mais seis no carro. Paramos no Sindicato dos Taxista e na Beto's car, para o lançamento do Jornal Mural e depois fomos ao CIOPS, aguardar ser feita uma matéria para a TV.

Foi um total de seis horas na rua, calos nos pés e muito calor. Fora isso, tanto nossa equipe, como os jornais, foram bem recebidos nos locais do lançamento. Cheguei ao Campus, segurei a dor nos pés e corri para o estúdio de rádio para ainda tentar um programa. Não consegui. Estava de noite, Labjor trancado, morrendo de fome - a sorte é que iria voltar de carona para casa. Pronto desabafei.

Ontem foi um dia de desgaste, apesar da boa novidade do jornal Mural, porém nada supera a manhã de hoje. Reflita a situação: acordei 8h para pegar um ônibus - estava com sono, calor e impaciente para esperar o Antônio Bezerra/Papicu - e, estragando a meu dia, eis que chega um palhaço - em todos os sentidos. Querendo ser engraçado, cumprimenta a mim e as duas pessoas que estavam na parada. Eu, sem muita cerimônia, não fiz questão de olhar - desculpa a quem gosta, mas não suporto palhaços. Quando ele muito insistiu, olhei de lado e dei um sorriso meia boca e voltei com a cabeça no sentido contrário ao que ele estava.

Só a presença dele já me incomodava, entretanto, mantive-me sentada olhando para a rua e ansiando o bendito ônibus. Então, sem resguardas ou maiores motivos, esse prepotente palhaço começou a me insultar e dizer que, por ser uma menina rica, tinha uma criação de não falar com as pessoas. Ainda acrescentou que eu estava só esperando o meu pai me dá um carro, para me livrar dos ônibus. Será que ele pensou que o problema não era eu e, sim, ele? Senhor, dai-me paciência.

¹ Fotos por Waleska Santiago

quarta-feira, 3 de março de 2010

Teatro lotado

No último dia de espetáculo, mesmo com duas sessões extras, o teatro continuava cheio. As 318 poltronas não foram suficientes para contemplar o público. Cadeiras de plástico foram colocadas nos corredores para atender a demanda daqueles que em cima da hora ainda compravam o seu ingresso. “Aonde está você agora?”, embalado pelo repertório de Legião Urbana, sempre na voz de Thiago Martins, quebrou a ilusão de homossexualidade em uma amizade verdadeira entre dois homens. Pedro (Marco Antônio Gimenez) e Gabriel (Thiago Martins) se conheceram aos oito anos e, desde então, cultivaram uma confiança e um amor fraterno, que se mantiveram mesmo quando Grabriel foi viver por sete anos em Nova Iorque.

A peça é carregada de humor e sensibilidade. Os efeitos de luz, os depoimentos, as lembranças faz o público reviver com os personagens o passado de uma amizade que tende a continuar, mesmo com os desencontros, as desigualdades sociais e as saudades. As boas aventuras e o carinho fizeram os dois amigos quererem se reencontrar e lutar para manter a relação que eles tinham quando criança, mesmo quando parecia que a frieza iria imperar entre eles.O que é o livro da sorte? Como foi a preparação de Marco Antônio para substituir Bruno Gagliasso, que agora se mantém apenas na direção? Qual a relação pessoal de Thiago Martins com a música “Vento no Litoral”, que serviu de inspiração para o texto da peça? Essas e outras perguntas fizeram parte de nossa entrevista. Você confere a seguir, na íntegra.

Entrevista Labjor – No começo, a peça tinha o Bruno Gagliasso, mas quando ele saiu, lançou um concurso no site para que as pessoas sugerissem atores para substitui-lo. Eu queria saber se o Marco Antônio foi uma sugestão?

Thiago Martins – Não. Na verdade ele foi uma sugestão minha e do Bruninho (Gagliasso). A gente, uma vez, tava pensando em umas pessoas que pudessem e pensamos nele, porque é um cara que vem batalhando pelo seu espaço, é super determinado, vem mostrando mesmo pra que veio. Mas a gente abriu isso também. Abrimos no site para as pessoas votarem, mas no meio disso tudo, a gente decidiu chamar o Marquinhos, que é um cara, que eu acho, que tá super preparado para esse desafio, porque, realmente substituir já é difícil, ainda mais substituir o Bruninho, que já sabe essa peça de cor e salteado, que vem sendo premiado na televisão, é um outro desafio. E chamamos ele. Acho que é um cara super competente, trouxe uma vivência e um frescor muito bacana para esse espetáculo, que é até o que precisava também, e aí, decidimos: Marco Antônio Gimenez, Pedro, de Aonde está você agora? (risos)

Labjor – Você já disse que usou elementos seus para construir o personagem, eu queria saber quanto tempo que você teve para construí-lo e quais foram esses elementos?

Marco Antônio Gimenez– Na realidade, a gente teve muito pouco tempo. Até eles decidirem e me chamarem, foi, praticamente, um pouquinho mais de um mês, até essa nossa apresentação. De lá pra cá, eu venho trabalhando muito com o Thiago. Ele vem me passando muitas coisas também e venho estudando ‘por fora’, venho lendo. Conversei com um amigo meu, que é amigo do Thiago também, que é o Lui Mendes. O Lui viu a primeira montagem desse espetáculo, ele é muito amigo do André Gonçalves e do Cassiano Carneiro, que fizeram a primeira montagem. Aí, o Lui colocou algumas coisas também que ele sabia do personagem, da história, do que era importante para a história. Ele me deu muita luz. E é isso, no mais, a gente trabalhando, fazendo, porque esse é um espetáculo que quanto mais você faz ele, mais você vai descobrindo. Ele é um texto muito coloquial, apesar de ser muito poético, mas não é um texto rebuscado, ele é muito fácil, chega rápido nas pessoas, elas entendem muito rápido o que tá acontecendo, não tem nada muito complicado e é inspirado no “Vento no Litoral”, essa música maravilhosa, do Legião Urbana. E o personagem, eu tentei construir através de muito ensaio junto com o Thiago. Através de cada dia de ensaio, eu ia descobrindo coisas novas e o teatro é magnífico por isso, porque a gente nunca pode dizer que a peça tá fechada e que vamos fazê-la sempre da mesma maneira, né? Vão ter sempre apresentações diferentes, sempre vamos aprender novas coisas,e colocando novos elementos, percebendo coisas que a gente pode fazer nas apresentações; se apresentando. Então é isso, eu vou mostrar o Pedro que eu entendi através da minhas vivências, das minhas experiências, pessoas que eu conheço que tem essas dificuldades como o Pedro tem, porque eu tenho amigos que passam por dificuldades financeiras também e eu sei o que eles passam. E eu vejo, leio e o Pedro que vou trazer é uma mistura das coisas que eu sei, que conheço e que vivi.


Labjor – Você disse que as lembranças e recordações é pra manter a amizade, mas também tem o Livro da Sorte. O que esse livro tem que faz querer manter essa amizade?

Marco Antônio – Esse Livro da Sorte é como se fosse uma Bíblia deles. É um livro de mensagens, de ajuda, digamos assim. Quando o Gabriel fala que vai viajar, o Pedro sente muito isso, porque para ele o Gabriel é o único amigo dele. Ele não tem pai. Ele ama a mãe, mas parece que não pode ensinar certas coisas que de repente o pai ou um irmão mais velho poderia ensinar, e o Gabriel serve como esse pai ou irmão mais velho que não existe na vida do Pedro. Então, esse Livro da Sorte, na realidade, é um presente que o Gabriel entrega pro Pedro para quando ele sentisse mal ou sozinho, ele abrisse o livro e lesse uma mensagem para tentar confortar. Quando o Gabriel vai partir eles têm 12 anos, então, ele também nem tinha tanta experiência assim, mas é uma forma que ele encontra de deixar o amigo buscar ajuda de alguma maneira. Esse livro serve de autoajuda.

Labjor – Thiago, na peça você canta e toca “Vento no Litoral”, que é uma música que marcou e marca a vida de muita gente. Você tem alguma ligação especial com essa música?

Thiago –
Eu tenho uma ligação especial com a Legião Urbana. Eu sou muito fã da Legião Urbana, mas não sou fã de Pais e Filhos, que todo mundo geralmente gosta. Eu sou fã de Soldados, de Andréa Dória, de coisas que poucas pessoas conhecem, só quem vai a fundo conhece. Eu sou muito fã, sim. Muito, muito mesmo, porque na minha infância cresci escutando isso. A minha relação com a Legião Urbana começou cedo, quando eu fiz “Cidade dos Homens”, com a Regina Casé e Fernando Meireles dirigindo, eu tinha que fazer uma cena fazendo um omelete pra minha mãe. “Todos os dias quando acordo” (cantando)…cantei essa. E tive que ir no estúdio fazer isso, porque ela (Regina) quis coloca-lá no fim do episódio.

Marco Antônio – Eu lembro, ficou lindo.

Thiago –
Ficou lindo. E quem foi tocar essa música pra mim foi o Dado Vilalobos, que era o guitarrista do Legião Urbana, e eu lembro desse dia como se fosse hoje. Ele me trouxe uma lata com todos os CD’s da banda, e tenho essa lata até hoje, autografada. Foi um marco pra mim, eu guardo como uma lembrança que jamais vou esquecer. A minha relação com a Legião é muito forte, e fazer uma peça inspirada numa música dela é um orgulho imenso pra mim. Eu já gostava dessa música, depois dessa peça então, agora eu amo. E aprendi a tocar e cantar essa música e faço isso no espetáculo, mas minha relação com a Legião é muito forte, muito mesmo.

Labjor – Como é que vocês trabalham o flashback? Porque é só o cenário e só vocês, então, como é que faz para situar os espectadores?

Marco Antônio – Aí, é iluminação, né? Nosso querido Fabrício, que vai dar esse contraste, de quando tá uma coisa acontecendo.

Thiago – E a gente também, né, Marquinhos? Eu tô com 21, ele tá com 31, e fazemos crianças de 8 anos. Mas não uma criança estereotipada. Uma criança que a gente sinta. Aí passa por 8 anos, 12 anos, 15 anos, até chegar 20 e poucos, que aí a peça começa a ficar um pouco mais emocionante. Você vai assistir a peça?

Labjor – Vou (risos) Thiago – Por favor (risos)

Labjor – Quais são os planos para essa peça? Até quando ela se estende?

Thiago –
Com a entrada do nosso camisa 5 do nosso time, aí?( rindo, aponta para Marco Antônio) Temos bastante viagem agora. Vamos ao Maranhão, interior de São Paulo, litoral do Rio, e tem algumas outras cidades marcadas que não sei agora. Quem sabe é o nosso lindo, incrível e estonteante (risos) Léo Fucks. Mas, tem no site toda a agenda de março, no www.aondeestavoceagora.com.br.

Veja a matéria no Blog do Labjor

Texto por...

O jornalismo explora a vaidade humana, na verdade, acho que todas as profissões fazem isso. É tão gratificante ver um jornal produzido por mim em mãos estranhas e afixado numa parede que não fui eu que coloquei. Da mesma forma, um médico se orgulha do bom resultado de uma cirurgia estética e um advogado se vangloria com a vitória de um caso difícil. Ter o seu nome relacionado a um bom trabalho, sempre é motivo de muita satisfação.

Fotografo, escrevo e diagramo não para me exibir ou tirar vantagens em meu ambiente de estágio. Assumo múltiplas funções porque gosto de atingir o meu máximo. Gosto de saber que posso ir mais além das letras. Poesia, conto, crônica e matérias jornalísticas são minhas paixões, mas quando vejo que também posso ganhar reconhecimento por outros setores, tento investir ao máximo no aprendizado. Acho que isso não é ruim de se admitir. Ainda mais agora que se é exigido diferentes conhecimentos específicos em um mesmo profissional.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Cadeira D16

Pessoas acompanhadas, sozinhas e alguns rostos repetidos, o teatro estava lotado e já estava na sua penúltima apresentação, sem esquecer das duas apresentações extras. Ontem, eu anotava tudo do ambiente, enquanto esperava começar uma peça que tudo levava a crer seguir o rumo do filme O Segredo de Brokeback Mountain. Bom, preconceito meu. Aonde está você agora mostra que realmente amigos podem dizer "eu te amo" sem soar estranho ou com duplo sentido.

Resumindo e relembrando notas passadas: Pedro (Marco Antônio Gimenez) e Gabriel (Thiago Martins) se conheceram aos oito anos e, por ironia de ter a mesma data de aniversário, cultivaram uma confiança e um amor fraterno, que nem mesmo a distância, as más influências, as diferenças sociais e o tempo puderam desfazê-los.

Uma mistura de humor e sensibilidade, a peça quis evidenciar a importância da amizade na vida de qualquer pessoa. Quando perdemos um familiar, passamos por uma surpresa, sofremos ou rimos, recorremos primeiro a um amigo. Isso é humano e natural. Deve ser por esse motivo que todos se identificam com essa temática. Não necessariamente a história nos faz rir ou se emocionar, mas a interpretação dos personagens nos faz lembrar de momentos íntimos, de saudades, de bons amigos de infância.

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Foto por Camiℓa Oℓiveira
 
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