A peça é carregada de humor e sensibilidade. Os efeitos de luz, os depoimentos, as lembranças faz o público reviver com os personagens o passado de uma amizade que tende a continuar, mesmo com os desencontros, as desigualdades sociais e as saudades. As boas aventuras e o carinho fizeram os dois amigos quererem se reencontrar e lutar para manter a relação que eles tinham quando criança, mesmo quando parecia que a frieza iria imperar entre eles.O que é o livro da sorte? Como foi a preparação de Marco Antônio para substituir Bruno Gagliasso, que agora se mantém apenas na direção? Qual a relação pessoal de Thiago Martins com a música “Vento no Litoral”, que serviu de inspiração para o texto da peça? Essas e outras perguntas fizeram parte de nossa entrevista. Você confere a seguir, na íntegra.
Entrevista Labjor – No começo, a peça tinha o Bruno Gagliasso, mas quando ele saiu, lançou um concurso no site para que as pessoas sugerissem atores para substitui-lo. Eu queria saber se o Marco Antônio foi uma sugestão?
Thiago Martins – Não. Na verdade ele foi uma sugestão minha e do Bruninho (Gagliasso). A gente, uma vez, tava pensando em umas pessoas que pudessem e pensamos nele, porque é um cara que vem batalhando pelo seu espaço, é super determinado, vem mostrando mesmo pra que veio. Mas a gente abriu isso também. Abrimos no site para as pessoas votarem, mas no meio disso tudo, a gente decidiu chamar o Marquinhos, que é um cara, que eu acho, que tá super preparado para esse desafio, porque, realmente substituir já é difícil, ainda mais substituir o Bruninho, que já sabe essa peça de cor e salteado, que vem sendo premiado na televisão, é um outro desafio. E chamamos ele. Acho que é um cara super competente, trouxe uma vivência e um frescor muito bacana para esse espetáculo, que é até o que precisava também, e aí, decidimos: Marco Antônio Gimenez, Pedro, de Aonde está você agora? (risos)
Labjor – Você já disse que usou elementos seus para construir o personagem, eu queria saber quanto tempo que você teve para construí-lo e quais foram esses elementos?Marco Antônio Gimenez– Na realidade, a gente teve muito pouco tempo. Até eles decidirem e me chamarem, foi, praticamente, um pouquinho mais de um mês, até essa nossa apresentação. De lá pra cá, eu venho trabalhando muito com o Thiago. Ele vem me passando muitas coisas também e venho estudando ‘por fora’, venho lendo. Conversei com um amigo meu, que é amigo do Thiago também, que é o Lui Mendes. O Lui viu a primeira montagem desse espetáculo, ele é muito amigo do André Gonçalves e do Cassiano Carneiro, que fizeram a primeira montagem. Aí, o Lui colocou algumas coisas também que ele sabia do personagem, da história, do que era importante para a história. Ele me deu muita luz. E é isso, no mais, a gente trabalhando, fazendo, porque esse é um espetáculo que quanto mais você faz ele, mais você vai descobrindo. Ele é um texto muito coloquial, apesar de ser muito poético, mas não é um texto rebuscado, ele é muito fácil, chega rápido nas pessoas, elas entendem muito rápido o que tá acontecendo, não tem nada muito complicado e é inspirado no “Vento no Litoral”, essa música maravilhosa, do Legião Urbana. E o personagem, eu tentei construir através de muito ensaio junto com o Thiago. Através de cada dia de ensaio, eu ia descobrindo coisas novas e o teatro é magnífico por isso, porque a gente nunca pode dizer que a peça tá fechada e que vamos fazê-la sempre da mesma maneira, né? Vão ter sempre apresentações diferentes, sempre vamos aprender novas coisas,e colocando novos elementos, percebendo coisas que a gente pode fazer nas apresentações; se apresentando. Então é isso, eu vou mostrar o Pedro que eu entendi através da minhas vivências, das minhas experiências, pessoas que eu conheço que tem essas dificuldades como o Pedro tem, porque eu tenho amigos que passam por dificuldades financeiras também e eu sei o que eles passam. E eu vejo, leio e o Pedro que vou trazer é uma mistura das coisas que eu sei, que conheço e que vivi.
Labjor – Você disse que as lembranças e recordações é pra manter a amizade, mas também tem o Livro da Sorte. O que esse livro tem que faz querer manter essa amizade?Marco Antônio – Esse Livro da Sorte é como se fosse uma Bíblia deles. É um livro de mensagens, de ajuda, digamos assim. Quando o Gabriel fala que vai viajar, o Pedro sente muito isso, porque para ele o Gabriel é o único amigo dele. Ele não tem pai. Ele ama a mãe, mas parece que não pode ensinar certas coisas que de repente o pai ou um irmão mais velho poderia ensinar, e o Gabriel serve como esse pai ou irmão mais velho que não existe na vida do Pedro. Então, esse Livro da Sorte, na realidade, é um presente que o Gabriel entrega pro Pedro para quando ele sentisse mal ou sozinho, ele abrisse o livro e lesse uma mensagem para tentar confortar. Quando o Gabriel vai partir eles têm 12 anos, então, ele também nem tinha tanta experiência assim, mas é uma forma que ele encontra de deixar o amigo buscar ajuda de alguma maneira. Esse livro serve de autoajuda.
Labjor – Thiago, na peça você canta e toca “Vento no Litoral”, que é uma música que marcou e marca a vida de muita gente. Você tem alguma ligação especial com essa música?
Thiago – Eu tenho uma ligação especial com a Legião Urbana. Eu sou muito fã da Legião Urbana, mas não sou fã de Pais e Filhos, que todo mundo geralmente gosta. Eu sou fã de Soldados, de Andréa Dória, de coisas que poucas pessoas conhecem, só quem vai a fundo conhece. Eu sou muito fã, sim. Muito, muito mesmo, porque na minha infância cresci escutando isso. A minha relação com a Legião Urbana começou cedo, quando eu fiz “Cidade dos Homens”, com a Regina Casé e Fernando Meireles dirigindo, eu tinha que fazer uma cena fazendo um omelete pra minha mãe. “Todos os dias quando acordo” (cantando)…cantei essa. E tive que ir no estúdio fazer isso, porque ela (Regina) quis coloca-lá no fim do episódio.
Marco Antônio – Eu lembro, ficou lindo.
Thiago – Ficou lindo. E quem foi tocar essa música pra mim foi o Dado Vilalobos, que era o guitarrista do Legião Urbana, e eu lembro desse dia como se fosse hoje. Ele me trouxe uma lata com todos os CD’s da banda, e tenho essa lata até hoje, autografada. Foi um marco pra mim, eu guardo como uma lembrança que jamais vou esquecer. A minha relação com a Legião é muito forte, e fazer uma peça inspirada numa música dela é um orgulho imenso pra mim. Eu já gostava dessa música, depois dessa peça então, agora eu amo. E aprendi a tocar e cantar essa música e faço isso no espetáculo, mas minha relação com a Legião é muito forte, muito mesmo.
Labjor – Como é que vocês trabalham o flashback? Porque é só o cenário e só vocês, então, como é que faz para situar os espectadores?Marco Antônio – Aí, é iluminação, né? Nosso querido Fabrício, que vai dar esse contraste, de quando tá uma coisa acontecendo.
Thiago – E a gente também, né, Marquinhos? Eu tô com 21, ele tá com 31, e fazemos crianças de 8 anos. Mas não uma criança estereotipada. Uma criança que a gente sinta. Aí passa por 8 anos, 12 anos, 15 anos, até chegar 20 e poucos, que aí a peça começa a ficar um pouco mais emocionante. Você vai assistir a peça?
Labjor – Vou (risos) Thiago – Por favor (risos)
Labjor – Quais são os planos para essa peça? Até quando ela se estende?
Thiago – Com a entrada do nosso camisa 5 do nosso time, aí?( rindo, aponta para Marco Antônio) Temos bastante viagem agora. Vamos ao Maranhão, interior de São Paulo, litoral do Rio, e tem algumas outras cidades marcadas que não sei agora. Quem sabe é o nosso lindo, incrível e estonteante (risos) Léo Fucks. Mas, tem no site toda a agenda de março, no
www.aondeestavoceagora.com.br.
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