• No segundo semestre de 2008, quando eu cursava a disciplina de Fotografia I, com o professor Wilton Martins, surgiu a proposta de entrevistar alguém do ramo da fotografia ou que tivesse interesse por essa área. Bom, na hora da explicação do trabalho, não poderia deixava de pensar em outra pessoa se não o J-Chavez. A matéria já tem dois anos, mas resolvi Deixar logo abaixo um pouco de suas palavras - as quais não foram nem minimamente alteradas - e de seu amor pela fotografia. •
Jefferson Chaves Barbosa, 26 anos, é formado na área de Pedagogia e, atualmente, está cursando Jornalismo na Universidade de Fortaleza, Unifor.
A sua paixão por fotografia e o seu talento é inegável e perceptível desde uma breve conversa ao seu lado a uma análise de seu trabalho nos seus sites pessoais.
Dentre os seus trabalhos, estão inclusas fotos de uma festa de chorinho e dança de salão para terceira idade que aconteceu no SESC-Centro, da bailarina Taís Lopes, de festivais de dança em 2008 do FENDAFOR e do Passo de Arte. Além de temas relacionados à moda, à macro fotografia, a eventos promovidos pela sua academia de dança, entre outros alvos que o atinja o interesse.
Embora esteja dedicando o seu tempo livre, ultimamente, para a Academia Obará Danças, da qual virou diretor proprietário, não perdeu seu encanto pela foto e, ainda, desenvolve um trabalho com fotografia de dança.
J-Chaves, como é conhecido entre amigos e a forma como assina seus trabalhos, escolheu o Jornalismo como uma maneira de se aproximar mais da fotografia. Esta, afirma ele, surgiu naturalmente em sua vida e, por oferecer liberdade de conhecer novos horizontes, ideias e sentimentos, ele se sente atraído e motivado a estar perto dela.
Entrevista na íntegra
1. Quando a fotografia lhe despertou interesse?Quando a fotografia me despertou interesse? Não lembro. Acho que foi algo que cresceu naturalmente comigo, na vida, a fotografia está presente na vida de todos, cotidianamente, na minha não foi diferente.
2. O que mais lhe atrai na fotografia?A liberdade que ela me dá de conhecer novos mundos, ideias e sentimentos.
3. Você se inspira em alguém quando fotografa?Não, a minha fotografia sempre veio de mim. Do que eu sinto e do que me interessa no momento. Eu sou muito "volúvel"... então acho que meu olhar é assim. É como alguns professores de faculdade falam, quando você precisa escrever algum artigo, pra isso dar certo você precisa escrever sobre algo que lhe interesse. Acho que esse é o meu caso, eu consigo acertar com mais facilidade meus resultados quando fotografo algo que é do meu interesse.
4. Tem algum fotógrafo no qual você admira o trabalho?Sim, vários, porém, o meu ídolo maior é Yann Arthus Bertrand, um fotógrafo francês. Mas eu não me inspiro nele, pois assim como na dança, eu acredito que você não deve tentar copiar o estilo alheio, pois você nunca fará tão bem quanto o outro e ainda por cima pode passar por ridículo.
5. Como você faz para escolher os objetos ou pessoas para fotografar?Ahh, isso é fácil. Eu sento e espero. (risos) Olho, igual a um estudante de psicologia, olho as pessoas. Quando se trata de fotografia macro de insetos, minha favorita, é só chegar num jardim qualquer e esperar, geralmente a tarde quando o clima fica menos quente e os insetos vão procurar coisas doces pra lanchar. (risos)
6. Você criou um estilo próprio de fotografar?De jeito nenhum. Tô longe disso. Eu tenho dificuldade de seguir orientações alheias, e sou bem orgulhoso, porém, acho que a maneira de fotografar que eu tenho, mesmo sendo algo inerente a minha pessoa, não carrega nada de novo, não é nada que já não façam por ai, é só uma questão de ter mais cuidado com o que se fotografa.
7. Qual o recurso que você mais utiliza?Flash, adoro flash. Nadando contra a maré, invisto em luz, flash em macro, flash na moda. Flash, sabendo usar deixa, tudo mais bonito.
8. Você tem preferência por alguma tonalidade específica na foto?Não gosto de preto e branco, acho que preto e branco agrada pois é algo diferente ao olhar humano, logo, faz com que ocorra um estranhamento, eu busco a cor, colorido, quanto mais colorido melhor.
9. Qual dos trabalhos ou ensaios fotográficos você mais se identificou em fazer e por quê?Ensaios... bom, meu ensaio sobre a dança no Ceará. O motivo eu não sei dizer. Eu sempre tive uma paixão por bailarinas, e daí surgiu meu interesse de fotografar dança, só que as academias de ballet são muito competitivas e tem medo de gente estranha, não gostam que fotografe, aí quem primeiro me deu abertura foi um pessoal da dança de salão, então, a dança de salão me pegou de jeito, ao ponto deu me tornar um dono de academia de dança de salão. O motivo exatamente eu não sei, é como dizem, quando alguém te pergunta o porquê de você amá-lo(a), existe resposta pra isso? Eu acho que não. Não é algo que se pode justificar, é algo do ser, da alma de cada um. (risos)
10. Você acredita que o mercado no Brasil ou, mais especificamente em Fortaleza, oferece propostas de trabalho suficientes para quem deseja estar nesse ramo? Vale a pena viver de fotografia? Foi difícil conseguir o seu primeiro trabalho como fotógrafo?Não acredito, não. O mercado em Fortaleza é muito pequeno, os bons trabalhos estão só com fotógrafos famosos e que podem investir muito, os outros trabalhinhos estão sendo jogados nas mãos de um tsunami de pessoas que podem comprar câmeras digitais semi-profissionais, fazendo trabalhos de qualquer maneira e de forma muito barata.
Tem até um exemplo, uma colega de faculdade, ia comprar uma câmera analógica minha, foi pedir dinheiro ao pai, o pai resolveu dar-lhe uma câmera digital. E um determinado dia ela me abordou no msn e questionando como deveria se portar em determinado trabalho, sendo que ela tinha sido chamada pra fazer um trabalho antes mesmo de receber a câmera dela apenas pelo fato de ficarem sabendo que ela ia ter uma câmera digital e ela nem fotografa bem.
O mercado é assim, te enviam um orçamento e quem faz por menos faz o trabalho. O mercado de Fortaleza é ridículo. No eixo rj-sp, eu não sei como anda isso, porém, sempre foi mais vantagem pra quem quer seguir nessa área da imagem, mudar pra lá e buscar novos rumos.
11. Gostaria que colocasse por último suas considerações finais ou alguma observação que desejasse fazer a qual esqueci de perguntar.Considerações finais? (risos) Complicado, não sou bom com palavras, não escrevo muito bem, e não escolho jornalismo por escrever bem, escolhi porque era o que mais me colocaria perto da Fotografia. O que eu poderia dizer é que como estamos numa área de jornalismo, que os recém chegados, procurem ver muito, ver, ver e ver, daí praticar, praticar e praticar. Praticar o feijão com arroz, pois se você for solicitado pra fazer o trivial, e você nunca fez um ovo frito, você vai passar dificuldades. Olhar e praticar, eu acho que isso resume bem.