Acho um absurdo quando vejo palestras com temáticas interessantíssimas virarem ambiente de divulgação publicitária do convidado a mesa de debate. Sinto que perdi o meu tempo ouvindo o portfólio da pessoa, quando poderia, se quisesse, checar todas essas informações em um minuto pela internet. Felizmente, cada segundo foi excelente na discussão “Jornalismo cultural na internet: possibilidades”, promovida pelos alunos de Jornalismo da Unifor.
Foram três convidados e vários pontos abordados. Para ser objetiva, destacarei um de cada, começando pela repórter do caderno cultural do O Povo, Júlia Lopes. Autora da matéria Acende e passa, que saiu no dia 10 de agosto no Vida & Arte, ela instiga sobre a necessidade de se estar aberto aos detalhes do mundo e não ficar acorrentado somente ao que é enviado por assessorias.
A cidade e as pessoas que as habitam também podem virar pautas e, muitas vezes, interessantíssimas. É caminhando pelas ruas, observando os arredores e tentando manter um olhar flâneur, que podemos ver além do lixo, dos buracos, do asfalto e do óbvio já comentado de Fortaleza, do Ceará, do Brasil e do Mundo.
Seguindo a linha de procurar o diferencial na carreira, Dellano Rios (Diário do Nordeste) destacou que atualmente não há uma preocupação, como havia antes, de saber quem deu um furo primeiro e, sim, quem fez a melhor abordagem sobre o assunto. Principalmente na internet, não basta apenas reproduzir a informação recebida, deve-se refletir sobre ela e tentar coletar o maior número de dados, para tornar a matéria mais completa. É isso que diferencia um jornalista dos outros que apenas querem expor sua opinião na rede.
Para fechar essa linha do raciocínio, Diego Benevides (Cinema com Rapadura) expôs sobre a mistura entre público e privado da vida de um jornalista. Não basta você ser profissional, ser imparcial e checar fontes e conteúdos quando o crachá da empresa está pendurado no pescoço. É cobrado esse perfil mesmo quando fora da redação. Ele desabafou que certo dia ele assistiu um filme e viu-se "impedido" de escrever a sua opinião, em sua página pessoal, sem filtro de palavras, pelo fato de que poderia atrapalhar a relação com as assessorias, já que isto seria antes do lançamento.
Há uma eterna cobrança em qualquer momento da rotina de uma pessoa que exerce o jornalismo. E, realmente, é a pura verdade. Eu já senti isso e olha que ainda nem me formei. Não digo que o jornalista deve ignorar a sua profissão quando fora da redação, mas ele não é obrigado a ser imparcial até mesmo em um conversa de bar ou em uma conversa virtual. Sempre parece que, como jornalista, tenho que ter o domínio e o conhecimento de tudo, desde do que acontece na esquina até no outro lado do mundo. Nossa, nem o Google sabe de tudo.





























