segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ainda bem que passei desta fase

Noites de insônia, livros espalhados na cama e ansiedade pela prova podem até acontecer enquanto se está na universidade, mas nada se compara ao terceiro ano do ensino médio. Dias antes do vestibular, os nervos ficam alterados e todos os sentimentos são extremos, da raiva à felicidade.

Acordei ontem cedo para o Vestibular da Unifor. Foi estranho e ao mesmo tempo maravilhoso estar do outro lado. Excetuando querer chegar no horário marcado, não tinha nenhuma preocupação. Estava morrendo de sono, mas fiquei de prontidão para receber os pré-universitários.

Vinte alunos na sala e não havia um padrão entre eles. Tinham altos, baixos, homens, mulheres e uma variação de idade, provavelmente, dos 16 aos 30. Entretanto, em algo se assemelhavam: o nervosismo. A prova, simplesmente, já proporcionava esse sentimento, mas quando um deles percebia que algum documento havia sido esquecido ou que cometeu algum erro ao preencher a ficha de repostas, o medo pela reprovação antes do prazo aparecia.

Houve quase todos os exemplos de reações na sala 78. Chocolate e barras de cereais para acalmar o estômago, vontade de ir ao banheiro, pessoas quase debruçadas sob suas provas, objetos caindo a cada minuto e um pano para enxugar as lágrimas. Felizmente, nenhum "pescador" apareceu ou quis se pronunciar durante a avaliação, o que facilitou o meu dia.

Não precisei usar óculos escuros para não mostrar onde os meus olhos estavam vigiando. Um tom de autoridade ficou guardado para outra ocasião e o de repreensão também. As únicas palavras que queria pronunciar - e falei ao final do dia - foram as que pensei ser as necessárias para acalmar a mente aflita daqueles que faziam a prova: "boa sorte".

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Uma ventania no dia

Uma hora inesperada, para um encontro mais que desejado. Com um mês de antecedência, já soube da vinda de Rosamaria Murtinho e Nathalia Timberg a Fortaleza, com a peça Sopros de vida. 11h marcaram com a imprensa, então nessa hora estava lá. A curiosidade de como seria estar na frente delas me tomava a mente, afinal, são duas atrizes reconhecidas pelo seu talento e currículo artístico.

Perguntas recém pensadas, câmera na mão e mais dois colegas da comitiva Labjor. Com um pouco de atraso, elas chegaram ao encontro das três câmeras e vários jornalistas, que já estavam posicionados próximo ao palco. Ambas, com muita simpatia, desculparam-se pela hora e, logo em seguida, sentaram no sofá integrado ao cenário já montado.

Sem uma ordem pré-determinada, as perguntas começaram a ser feitas. A boa política de um não interferir na fala do outro foi respeitada e, por incrível que pareça, sem ninguém impor nada.

A peça

O lugar é Inglaterra, o cenário é a casa da amante Madeleine. O triângulo amoroso dela com a real esposa Frances e Martin é exposto ao público. Elas não estão mais com o mesmo homem, mas o dividiram por 25 anos. Ele não aparece em cena, entretanto, está presente constantemente por meio das falas e lembranças dessas mulheres, que decidem conversar sobre esse amor compartilhado pela mesma pessoa por muito tempo.

O que motivou o encontro foi a vontade de Frances, escritora de sucesso, sair da costumeira ficção de seus livros para uma história real. Então, procurou Madeleine para melhor compreender o relacionamento a três em que vivia, para depois melhor compor o seu romance.

Ao contrário do esperado, elas não têm um enfrentamento físico. Não batem ou jogam água no rosto uma na outra. "Em vez de ficar com raiva, elas têm um entendimento", esclarece Rosamaria sobre o resultado do "acerto de contas" dos personagens.

No final

Os minutos finais da coletiva chegavam, então Rosamaria voltou-se para nossa equipe, falou sobre a boa iniciativa da Unifor em investir na arte, por meio do Projeto Grandes Espetáculos, e nos aplaudiu.

Elas ainda teriam outros compromissos, então não pudemos registra o momento, a não ser de forma improvisada. Mas compensou acordar mais cedo em uma sexta-feira para estar naquele momento.

Eu, Viviane, Wolney e, ao fundo,
Nathalia Timberg e Rosamaria Murtinho


Fotos por Camiℓa Oℓiveira

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Prévias de Côca

Passar pelo Hall da Biblioteca da Unifor não será mais o mesmo. Com a montagem desde segunda-feira, hoje acontece a inauguração da exposição “Itaquatiara”, de Socorro Torquato. O termo significa pedra pintada e delimita uma nova fase da artista, que foi a adoção às telas . A cearense de Parambu estará presente à noite para mostrar as suas 40 aquarelas que compõem a mostra.  São imagens que remetem aos desenhos pré-históricos das cavernas e ao que é encontrado em grutas como as do Parque Nacional da Capivara (PI), do sertão do Seridó (RN) e em territórios cearenses como Ibiapaba, Itapipoca, Santana do Acaraú e Mulungu.

Esse trabalho é fruto de pesquisa bibliográfica e de campo, aliás, de muitas visitas a sítios arqueológicos. Ela recebeu influências nessas suas pinturas do trabalho do  artista potiguar José de Azevedo Dantasé e também das características do Movimento Armorial, surgido na década de 70 sob inspiração e direção do paraibano Ariano Suassuna.

Além de artista plástica, Côca – apelido dado pela família e como assina as suas obras – também é advogada formada pela Universidade de Fortaleza. Ela tem trabalhos expostos em várias capitais brasileiras e em Lisboa e Paris. Além de pintura, Socorro Torquato desenvolve obras com cerâmica, que era a sua matéria-prima mais usada, e porcelana sobre os mais variados suportes.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vista de primeira

Nada de uma câmera fazendo o intercâmbio entre mim e os jogadores. Ontem, dividia o espaço da torcida com mais de 22.517 pessoas. O caminho foi mais longo, comparado a última visita ao castelão, entretanto, o sol e a longa distância foram compensados pela belíssima visão do campo.

O gramado verde, aparentemente novo, nenhum desfalque do Ceará e um bom começo nas duas primeiras rodadas do Brasileirão 2010. Tudo indicava ser um bom e disputado jogo, afinal, Vitória é um dos destaques na Copa do Brasil deste ano. Porém, não foi bem o que parecia.

16h da tarde e foi iniciada a partida. O time alvinegro começou com força na tática ofensiva. Várias tentativas de emplacar a bola no gol, mas nenhum sucesso. Depois de dez minutos, o desânimo apareceu e os palavrões e as reclamações substituíram as paródias cantadas.

O primeiro tempo acabou e nada de abrir o placar, para nenhum dos dois lados. Ainda tinha esperança de ver o Geraldo, que passava mais tempo caindo do que em pé, dando mais emoção ao jogo. Mas nada. No segundo tempo, não faltaram passes para um vazio no campo e faltas cometidas desnecessariamente.

A partida chegava aos seus últimos minutos e, assim, predominava, quase que com unanimidade, a certeza de que o Ceará não sairia de campo com um resultado favorável. Aos poucos os torcedores iam deixando suas cadeiras e saindo do estádio para os seus carros, a fim de evitar um trânsito caótico de fim de jogo. Mas quem fez isso e logo sintonizou a locução da rádio AM, certamente sentiu um pouco de raiva de si, pois aos 47 minutos - no final dos três minutos de acréscimo - Washigton garantiu os três pontos e a quinta posição da tabela do Brasileirão. Agora, resta saber se o time vai subir ou pelo menos se estabelecer nessa colocação.

Para os que também não viram o gol...

domingo, 23 de maio de 2010

Na caderneta

Vê-se apenas muro do lado de fora, mas ao entrar a casa exibe-se grandiosa. As janelas, ou por que não janelões, acompanham a altura do recordista do homem mais alto do mundo. O branco dos móveis reflete o sol que transpassa os vidros das portas e das janelas e, então, o ambiente aparenta-se maior e mais sereno. A escada leva ao íntimo segundo andar do lar, onde nem todas as visitas são convidadas. Quando se sobe os três lances, primeiro se avista os livros, que revelam um pouco dos interesses e das influências dos moradores. Depois os conhece mais pelos dormitórios, onde cada detalhe é singelo. Quem especula o luxo, engana-se. No conjunto cama, armários e mesinhas, só se vê simplicidade.

Nos almoços de domingo, aquelas paredes ecoam os gritos dos netos e filhos. A matriarca prepara a mesa e convida a todos para se reunir em volta da comida. São gerações lado a lado sentadas nas cadeiras. Todos com sorrisos no rosto e um incômodo na barriga, pela fome que já atormenta. Nesse dia, encontram-se pessoas em todos ambientes da casa. A sala parece um salão de festas pela movimentação entre familiares e adjacentes.

Entretanto, durante a semana, tudo se torna mais calmo e o território muda de domínio. Nessas tardes, tudo pertence a uma criança, mais especificamente, a um menino de quatro anos. Os corredores, o corrimão, o jardim e os esconderijos criados.

A mãe deixa-o depois do almoço e a avó assume os cuidados. Ela não corre pelo granito da sala. Tenta entreter o neto conversando ou contando histórias infantis ou de seu tempo de juventude, que guarda todas em sua caderneta. Ele, então, intercala entre as brincadeiras solitárias e a companhia dos livros e das lembranças.

Certo dia, não houve escolhas. A enfermidade atacou a vivacidade da avó. Mesmo esta não estando na cama dominada por dores ou lamentações, carregava em seu corpo o barulho da recuperação - resquício da cirurgia de um câncer não muito comentado na família. Então, naquela tarde só restava os brinquedos para um participante.

Tomado pela curiosidade, ousadia e sinceridade frequente das crianças, o menino de quatro anos falou diretamente com a avó sobre a situação explícita em que se encontrava e a qual todos preferiam fingir que não estava acontecendo.

Aproximando-se, perguntou: "Vovó, por que toda doença é feia?". Como pôde descrever tão bem, o que levam linhas e páginas de um escritor renomado para tratar sobre o assunto? - ela pensou. Então, sem ter o que dizer, a avó abraça o neto e, em seguida, apanha sua caderneta no armário. Enquanto escreve, ela tem certeza de que esta será uma das melhores histórias para repassar aos seus bisnetos.

- Publicação literária Binóculo nº102 -

sábado, 22 de maio de 2010

Coroada

Todas as atenções voltavam-se para ela. Estava em um longo pérola e acessórios brilhantes desde o detalhe no cabelo, semelhante a uma coroa, até a alça do vestido. Pousava na mesa do licor, nos doces, no bolo e a cada arranjo. Virava de perfil e mostrava o seu lado, teoricamente, mais fotogênico.

Se um estranho fosse a esse aniversário, para parabenizar os setenta anos completados da dona da noite, dirigir-se-ia a essa jovem brilhante e buscaria as marcas da idade. Consideraria a maquiagem perfeita, por esconder possíveis rugas. Felizmente, não havia penetras, senão ela sorriria e diria ser engano.

Mostrava-se importante ao salão e a festividade. Não aparentava convidada e, sim, a estrela. Restava apenas subir ao palco e cantar, mas não foi preciso. Brilhou sem ser o foco. Só espero que em um casamento, ela não vá de branco, para não competir em atenção com a noiva.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Dois docinhos no chão

O sol já havia deixado o céu. As luzes indiretas na Universidade não deixavam quem caminhava na total penumbra. Eu era uma delas. Saía da biblioteca e desperdiçava o tempo andando sem rumo pelo Campus, até que encontrei uma cédula de R$2. Não tinha um dono aparente, mas deveria me abaixar ou talvez rebaixar-me por algo que não era meu? A quantia era ínfima, porém me neguei a ter algo em meu bolso, que não era meu de origem. Então, fingi não ter visto e segui adiante.

Três passos meus depois, escuto uma menina num tom um pouco alto. Ela encontrou o que tinha deixado para o seu dono depois voltar quando desse por falta. Considerou-se sortuda e pegou o dinheiro para si. Depois fiquei me questionando: teria sido bobagem minha?

Hoje, decidi mudar minha concepção. Enquanto conversava durante o horário de almoço, vejo uma cédula de R$2 voando. "Será que dessa vez devo pegar?" - pensei. Então, o "achado não é roubado" prevaleceu. Pedi para um amigo pegar do chão e, ao invés de ter minha consciência em dúvida por algo em minha carteira, resolvi pesá-la por outro motivo: a gula.

O dinheiro foi gasto em dois docinhos, mais precisamente casadinhos, para mim e minha amiga. Gastá-lo e compartilhar com alguém foi bem melhor do que deixá-lo ao vento. Alguém iria pegar se não fosse eu, então por que dessa vez não poderia ser a minha vez de me considerar sortuda?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Brasileirão 2010

Segunda rodada da série A e lá estava eu naquele bar de cores neutras. Dessa vez, o sol atrapalhou um pouco a minha visão, mas não o suficiente para mascarar os absurdos do jogo Ceará X Santos desse domingo.

Diferente do costumeiro, não foi só o árbitro o responsável pela raiva dos torcedores alencarinos. O complô estava armado no campo da Vila Belmiro. Vários cartões amarelos sem um critério lógico, a anulação do segundo gol do Ceará por um impedimento inexistente e o pênalti sofrido por Neymar, que se jogou no chão da grande área, também renderam alguns palavrões.

Mas mesmo com uma arbitragem duvidosa e com três desfalques (Clodoaldo, Heleno e Geraldo), o Ceará deu trabalho e fez com que o Santos suasse a camisa e tirasse os ares de invencibilidade em seu campo.

Não foi como Alex Escobar planejou (2x0 para o Santos), muito menos foi de acordo com a crença geral da vitória arrasadora dos meninos da Vila. O time alvinegro de Porangabussu não ganhou, entretanto, não deixou de comemorar o empate de 1x1.

O meu entusiasmo pelo futebol já estava se manifestando no fim de semana anterior e, com a boa dominação de bola do Ceará durante os 94 minutos desse jogo, bem, começo a acreditar que os domingos de estádio não vão ser nem um pouco chatos.

domingo, 16 de maio de 2010

LaBuchicho

Depois de tantas incongruências, como ainda há quem compre revistas de novela? Para quem assistiu "Viver a vida" sabe que, se dependesse delas, o Jorge teria morrido de duas formas diferentes, o filho da Helena com o Marcos daria a chance de Luciana voltar a andar e que esta poderia morrer devido a uma gravidez arriscada. Isso só citando algumas manchetes registradas na memória, pois nem tive a coragem de pagar para ver o resto do conteúdo.

Não é cara, ao contrário, é bem acessível às noveleiras de todos os canais e horários. Na verdade, acredito que os donos dessas revistas têm um acordo com os autores para montar diferentes enredos, pois a criatividade flui naquelas páginas. Parece um "bolão", que eles tentam adivinhar o que vai acontecer e começam a escrever. Mas, sinceramente, para quem realmente gosta de assistir novela, para que saber antes?

O melhor é sentir a ansiedade e emoção a cada intervalo. Quando termina um capítulo, anseia-se pelas propagandas para, assim, amenizar a curiosidade pelo próximo episódio. Quando se perde algum dia, tudo bem querer ver o que aconteceu nas revistas, mas antes, não tem por quê. Não é verdade?

sábado, 15 de maio de 2010

The end

A novela das "oito" da Globo é tradicional em audiência nos canais abertos. Carregadas de emoções e lições de vida, aborda assuntos, por incrível que pareça, ainda tabus em nossa sociedade moderna. Hoje, no último capítulo, não poderia ser diferente.

Casamentos, gravidez, arrependimentos, soluções de problemas, reatamentos de relações, enfim, um final completo por contos de fada e o conhecido "felizes para sempre". O tempo, que nos passa voando, triplica a sua velocidade no último capítulo. Uma personagem sente um enjoo e, de repente, num flash e algumas palavras na tela, ela já está na cama do hospital tendo gêmeos.

A ficção retrata a vida. É como afirmamos nos debates universitários e nas rodas de amigos. Mas, às vezes, na verdade, ela retrata o que gostaríamos que fosse realidade. Superar dores e sofrimentos, encontrar o verdadeiro amor e receber o perdão de uma tragédia, lógica, não planejada.

Vejo uma história paralela a minha e sofro junto. Dedico um tempo ao abandono dos livros e volto-me para televisão, mesmo sabendo que aquela pessoa que acompanho os passos não existe tal qual é mostrada. Envolvo-me por saber, talvez, que no final a justiça será feita.

Às vezes assisto programas policiais e não aguento tanta tristeza e mudo de canal. Em contrapartida, filmes de terror, suspense e dramas não me fazem mal, mesmo o sangue quase jorrando diante das câmaras. Mas isso, porque sei que haverá uma resposta, um final feliz. Se não se encontra os suspeitos de um crime ou os culpados não ficam presos e passam impunes pelo que fizeram até nas novelas da Globo, a decisão do autor é questionada. Pois de infelicidades já não basta as surpresas da realidade?

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sem replay

A caminho do bloco Z, onde ficam esquecidos no trajeto as luzes e o fôlego, os gritos da competitividade chamaram a minha atenção. No campo de futebol, dez jogadores descalços e uniformizados mostravam força em seus passes. Não apenas nos chutes, mas nas faltas também.

Não era um mero jogo de funcionários ou alunos após um dia exaustivo de trabalho ou estudo. No gramado, disputavam duas, das dezesseis equipes formadas pelos centros acadêmicos e administrativos da Unifor. Aquela era a final: Prefeitura X Biblioteca, mas nem todos que formavam a plateia sabiam disso. As pessoas se aproximavam e ali ficavam, simplesmente por amor ao futebol.

Havia dribles bem feitos, que valiam um replay, e outros chutes que era melhor nem serem visto uma só vez. O técnico da Biblioteca andava para um lado e outro. Quem parava para observar as suas reações, poderia acreditar que o espírito da Copa estava nele. Ele gritava e dava orientações, mas não resultou na vitória do seu time. O torneio de futebol, que integra o XIV SIPAT realizado para o pessoal interno da Unifor, terminou com a vitória da Prefeitura e os berros dos jogadores por serem bicampeões.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sem etiqueta

Modelos, atores e celebridades instantâneas ganham até milhões para usar roupas, acessórios e objetos de determinada marca. Veja o caso de Ronaldo. Ele recebe patrocínio da Claro em seu Twitter e enche sua conta bancária com isso. Pode? Tudo bem que ele tem mais de 86 mil seguidores, mas a única coisa que ele fez foi colocar o nome e o símbolo da empresa na sua página. Eu poderia fazer isso.

Nós, meros consumidores, pagamos alto pelos produtos e ainda fazemos propaganda gratuitamente. Saímos pelas ruas com macacos pendurados nas bolsas, jacarés e ursos dão um toque ao lado esquerdo das blusas, modelos idênticos de roupas variam de preço dependendo do nome que a etiqueta evidencia.

Antes, as calças se desgastavam apenas por questão de muito uso. Agora, são postas nas vitrines a altos preços, mesmo com rasgos e desbotadas. Estilos antigos viram moda e dados como nova tendência. Se eu revirar meu baú, vou estar atualizada? Enfim, o que importa? Na próxima estação, por mais que o Ceará não se atente a isso, tudo isso vai mudar.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nada de pitacos

Crianças, casais, mães e quase mães. Não era uma reunião familiar para comemorar o tradicional segundo domingo de maio. O encontro entre conhecidos e, particularmente, pessoas nunca vistas pedia uma outra possível celebração: a vitória do time na estreia da primeira divisão, depois de dezessete anos.

As paredes tinham as cores neutras, mas o coração e a camisa em preto e branco mostravam quais torcedores predominavam às mesas. Amigos, parentes e vizinhos do bairro aproximavam-se para perguntar o placar e de lá não saíam. Alguns passavam gritando ofensas ao bar marcado por cearenses de cultura, sangue e amor. Carros, bicicletas e até um ônibus esqueciam, por um momento, dos outros compromissos e se rendiam a ver segundos do embate entre Ceará e Fluminense no Castelão.

As cadeiras invadiam a rua, a bebida circulando a cada minuto, os gritos de celebração pelo primeiro e único gol da noite marcaram a ocasião. Tudo era permitido, exceto xingar a mãe de alguém, por respeito ao dia das mães. Mas os outros palavrões e a eterna dica do espectador que acredita saber mais do que o técnico, esses se fizeram presentes sem medidas.

No final do jogo, lembrei das premeditações de Alex Escobar no "Bom dia Brasil". Pôs a derrota de 2X1 ao Ceará. Bem, além de errar o placar, teve o polegar para baixo também para quem venceu. O time alvinegro, segundo minha visão de torcedora iniciante, jogou com força de vontade e não fez feio, comparado ao desastre dos pênaltis na final do Campeonato Cearense do último domingo.

Enfim, a abertura do Campeonato Brasileiro demonstrou que o Ceará tem condições de manter-se na primeira divisão. Não estou dizendo que deve permanecer o mesmo nível, melhor, acho que deve elevar-se, mesmo que precise tirar um pouco da garra do Michel e ceder aos outros jogadores. Só espero me surpreender de novo e tirar a certeza de que os meninos do Santos irão vencer no próximo jogo marcado.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Frio, quase gelado

Marquei o encontro, sem desacordos ou desistência. Ele está ao meu lado, pedindo para passar os meus dedos e olhos por seu corpo, um pouco já desgastado e amarelado, e terminá-lo. Como pode conseguir tirar o meu sono e deixar curiosidade no início de meus dias e fim de noite? Fecho o seu enredo com o sangue praticamente nas mãos e na mente. Esse sangue que não está só no nome, mas nos detalhes de cada descrição e nas imagens as quais o autor nos transporta.

Capote consegue retratar minúcias de uma vida e morte, na qual não presenciou ou interferiu. Aprofundou-se num trágico e tornou-o belo em palavras, que permeiam décadas de leituras. A sangue frio conquistou-me pela escrita não óbvia do maniqueísmo. Ele busca a humanidade em dois assassinos que fugiram disso ao matar quatro pessoas de uma mesma família, apenas para não deixar testemunhas de um possível roubo de cofre.

O livro mostra o trauma de uma pequena cidade de Kansas, Holcomb, que sofre pela perda de cidadãos exemplares e, até descobrirem os culpados, desconfiavam de qualquer um que passe pela rua, desconhecido ou não. Em contrapartida, as 432 páginas também exploram a vida sofrida de Dick e Perry, os responsáveis pelo crime. Mesmo mostrando prováveis motivos que os levaram a ter esse tipo de conduta, não os tornou santos.

Ainda não pude destrinchá-lo e registrar, em papel e memória, cada depoimento mencionado ou história contada como se o autor realmente fosse onipresente. Mas tenho a certeza de que minhas noites, nos próximos dois dias, serão de quase insônia.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Obstáculos

Cabisbaixos, como se carregassem a timidez em sua face. As pessoas saem pelo Campus sem encarar os olhos dos que por elas passam. Desviam de objetos apenas quando estão perto, por não enxergarem o horizonte ou algo além de alguns centímetros a mais de suas passadas. Pode parecer medo ou isolamento, entretanto, nesse caso, deve ser mais uma questão de precaução.

Para quem me rebate agora: a universidade não se tem cachorros e, sim, gatos. Bem, pode até ser que os felinos, nesse contexto, tenham saído de minhas reclamações (apesar de entrarem em outros pontos de irritação), mas quanto a emas, os pombos e outros animais não identificados nesse mundo?

Se nos dermos a liberdade de andarmos como se estivéssemos em um shopping, pode ter a certeza que um dia a sorte irá falhar e você pisará em algum presente de grego. Nunca se sabe quando esse momento chegará, então é melhor prevenir, do que ter em meus pés algo que não quero nem citar.

domingo, 2 de maio de 2010

...

Ele exibia um sorriso e a sensação de que não dormiria aquela noite de tão feliz. Ajudei-o a encostar os dedos no chão. Não foi a paz mundial ou alimentar aqueles que não tem o que comer, mas foi algo mínimo que pareceu tão grandioso para ele. Agradeceu, mais de duas vezes, em minutos. Fiquei satisfeita do meu feito e completei dizendo que, na próxima vez, ajudaria a colocar a mão toda no chão. Ele riu e aumentou a sua meta, seria a palma virada.
 
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