
Luana Piovani, após ter se apresentado no Rio de Janeiro, Campo Grande, Manaus e São Caetano do Sul, chegou a Fortaleza no último fim de semana de março com o seu monólogo “Pássaro da noite” , de José Antônio de Souza. A peça é sobre uma mulher que, depois de uma noite de festa, se vê diante de indagações nunca experimentadas, levando a perguntas do estilo “Quem sou?”.Luana, minutos antes de sua apresentação da sexta-feira, 27, conversou com a equipe do Labjor e falou como foi a sua reação por encarar o palco sozinha, quais são os seus projetos e outras curiosidades.
Veja a entrevista na íntegra a seguir.
Labjor: Como se deu a construção do seu personagem?Luana: Às vezes, tem personagens que não requerem muita composição, na verdade. Eu sei que é uma curiosidade das pessoas, mas o trabalho em si, o ensaio em si, acaba te trazendo muito próximo da personagem. Você se relaciona com o texto, com o que ele está contando e a personagem, enfim, aparece para você. Eu tive dois meses de ensaio, tive direção de movimento, aula de fono, mas não teve necessariamente uma composição.
Labjor: Você se utiliza alguma vez da improvisação ou você segue somente o texto?Luana: Não, não tem como improvisar, porque esse texto é rimado e não rimado, então ele fica variando entre partes rimadas e partes não. Então, assim, não tem como mexer nele.
Labjor: Já foi um projeto imposto para você ou foi feito em conjunto com o autor?Luana: Não, esse texto já existe há dez anos.
Labjor: Mas não teve nenhuma adaptação?Luana: Não, ele é texto original. Não teve adaptação nenhuma.
Labjor: Como é que está sendo a aceitação? Vocês já passaram por quantas cidades?Luana: Aqui é a quarta. Está sendo muito bom, as pessoas sempre se surpreendem muito com a peça, com o texto. As pessoas não vêm imaginando o que ela vai dizer e elas se surpreendem. É bom ver a cara de surpresa das pessoas.
Labjor: Vai para quantas cidades ainda mais?Luana: Pois é, vamos para muitas, só que eu estou indo para Nova Iorque passar um tempo, fazer umas aulas de teatro. Faz tempo que eu não dou uma reciclada, então vou passar uns meses lá. Daí, a gente volta em junho/julho, e continua a turnê.
Labjor: O que você acha que mais atrai o público à peça? Porque você disse que foi algo mais do que inesperado a reação.Luana: Acho que a ousadia dela. As pessoas gostam da ousadia dela.
Labjor: O ator acaba dando um pouco da sua personalidade para o personagem, então tem alguma coisa em você que você colocou no personagem?Luana: Não exatamente. Nós somos bem diferentes uma da outra, mas acho que tem uma coisa nela com a qual eu me identifico – na verdade, ela é bem mais radical do que eu -, ela não liga para julgamentos alheios.
Labjor: Essa ideia do monólogo é uma coisa nova para você? Como você se viu diante disso?Luana: Com medo, mas, na verdade, se você souber usufruir do medo, você faz com que ele faça com que você caminhe, vá adiante. Então, era isso, não adiantava eu ter medo que o dia da estreia ia chegar, eu ia ter que fazer, então era bom que eu estudasse bastante, que eu decorasse logo o texto e que eu fizesse bem os ensaios.
Labjor: É uma coisa que você espera fazer de novo? Gostou da experiência?Luana: Gostei, gostei. Mas, não consigo imaginar ainda outro monólogo. Eu estou sentindo falta de gente no palco.
Labjor: O teu público infantil, como é o teu relacionamento, porque foram duas peças infantis. Como é que funciona a sua relação com as crianças?Luana: Na verdade, eu me relaciono mais com as crianças do que com o público adulto, porque depois das peças, só em turnê que não dá para fazer isso, mas quando eu estou com uma peça em cartaz no Rio ou em São Paulo, eu recebo as crianças depois da peça. Então, é muito legal, porque eu sei exatamente o que elas acharam, o que elas gostaram, o que elas não gostaram. E, na peça adulta eu não faço isso, claro que eu falo com quem fica esperando depois, mas eu não recebo todas.
Labjor: Você tem alguma superstição quando entra no palco? Ou tem algum ritual muito específico seu?Luana: A primeira vez que eu piso no palco, eu piso com o pé direito. Ah, ritual não exatamente. Eu peço a inspiração do espírito santo. Minha mãe me ensinou que o Espírito Santo dá o dom da palavra, então eu peço que o espírito santo me inspire.
Labjor: Tem algum projeto que você pretende fazer?Luana: Agora, este ano, vão estrear três filmes que eu fiz ano passado. Agora em junho, estreia “Mulher invisível”, daí em outubro “Família vende tudo” e, em dezembro, “Insônia”. Mas, de projeto meu mesmo, só o “Soldadinho e a bailarina”.
Labjor: Qual foi o personagem que você mais gostou?Luana: É difícil dizer isso, porque a gente acaba gostando mais do que está fazendo agora.
Labjor: A cada personagem você muda tanto sua aparência, como tem que incorporar o personagem, como você encara essa mudança?Luana: É bom mudar, então é bom você se olhar e se ver com outra cara, em outra cidade, dizendo outras coisas, é bom.
Labjor: Está conhecendo Fortaleza? Já tinha vindo outras vezes?Luana: Já vim para cá muitas vezes.
Labjor: Como está a sua programação? Luana: Cheguei hoje. Na verdade não descansei, porque peguei um voo de Recife para cá, hoje, muito cedo, mas eu estou esperando que faça sol esse final de semana para eu fritar, para eu me jogar naquele Beach Park, pegar aquelas boias todas e ficar escorregando.
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