Na tarde de ontem, enquanto descansava minha mente dos estudos diários assistindo aos programas da TV aberta, escutei a notícia de que estava ocorrendo um plebiscito na Venezuela – Chávez propôs um projeto de reforma constitucional e, utilizando recursos democráticos, tentou mascarar um possível golpe de estado.
Posso não ter conhecimento de suas reais intenções, mas ao ver as possíveis propostas instaladas em seu governo, entre elas: infinitas reeleições e a censura da imprensa em caso de crise, pensei estar visualizando o golpe de 1937 quando Getúlio mantém-se no poder e implanta o Estado Novo através de um forjado plano de revolução comunista.
No mesmo dia, durante o pronunciamento do presidente Luís Inácio Lula da Silva sobre o lançamento da TV digital, senti-me envelhecer precocemente, imaginei-me nos anos 70 na primeira transmissão da imagem colorida pela televisão.
Presenciar fatos que, certamente, estarão nos livros de histórias daqui a alguns anos é estranhamente satisfatório. Quando os folheamos, os acontecimentos de décadas passadas nos parecem tão distantes, tão irreais – às vezes questionando a possibilidade de ter ocorrido tantas barbaridades no mundo- - chegs que demoro a registrar que faz apenas 68 anos que nos deparamos com a Primeira Guerra Mundial, 62 anos da explosão da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, 20 anos do acidente radioativo em Goiânia, 218 da Revolução Francesa e 185 anos da “Independência” do Brasil.
Apesar do espelho não revelar cabelos brancos ou rugas, sinto já estar presente em longas páginas da história.