Bikes garantem mobilidade, são ecológicas e ainda levam o estilo de marcas automotivas
A fama no mundo das quatro rodas é levada ao de duas rodas. Mas não
estamos falando das motocicletas e, sim, das "magrelas". Para os amantes
de carros, a Ferrari é sonho de consumo. No segmento das bicicletas não
é diferente. Seja pelo reconhecimento atribuído ao nome, seja pela
proposta de desempenho.
Desde os 18 anos, Jarbas Studart pôs em prática o interesse em
colecionar carros antigos, fazendo o oposto do que os jovens da sua
idade: comprando um Volks antigo ao invés de pedir um zero quilômetro ao
seu pai.
Em 2010, ele viu nas bicicletas uma forma mais compacta
e interessante de estender o seu interesse em colecionar automóveis. A
primeira, para matar os seus desejos, foi a edição limitada da Ferrari
feita em parceria com a fabricante Colnago, a Di2. Ela possui estrutura
de fibra de carbono, desenvolvida na aeronáutica, e que fortalece o
quadro sem prejudicar no peso do produto. Apenas 6 quilos no total.
Ainda são de fibra de carbono as rodas e os eixos.
Além da
Ferrari, há ainda a sua Fiat 500 dobrável, que ele faz questão de
guardá-la no porta-malas do carro que originou o nome da bicicleta. "O
selim da minha é de couro e o punho e a bolsinha de ferramentas de couro
da marca Brooks", descreve. Ela veio direto da Itália por US$ 2.200. A
facilidade na condução e no "estacionamento" é o que a assemelha ao seu
veículo inspirador, conforme conta Jarbas.
Além dessas da
categoria ligada ao meio automotivo, há ainda outras bicicletas na sua
coleção. A Brasiliana 63 foi a primeira, que ele comprou em Santana do
Acaraú. Porém, logo depois ele trocou por uma 64 restaurada. Além disso
há ainda duas Caloi 10, uma da década de 70 e outra de 80.
"Elas
me fizeram voltar ao meu passado de adolescente, que era um sonho, e na
época eu tive uma. Como saudosista que sou, comprei a Caloi 10", relata
Jarbas.
Durante passeios feitos com suas magrelas, não são raros
os comentários e pedidos de bater uma foto por parte dos pedestres. "As
pessoas que viveram a época da Brasiliana ou da Caloi - elas trazem um
saudosismo. Quando eu ando com a Ferrari, causa um chamar de atenção
diferente, nunca imaginavam que essa marca fosse produzir uma
bicicleta", comenta.
Cuidados
Sim, elas
não ficam só estacionadas. Não é porque é de coleção que as bicicletas
ficam apenas encostadas como artigo de exposição. Todo domingo, Jarbas
não dispensa um passeio pelo Centro de Fortaleza.
Ele reveza a
Ferrari com os seus outros dois xodós: Caloi 10 e Brasiliana. A Fiat
500, por ser a última aquisição, ainda está guardada, essa ele está com
pena de usar, como ele próprio brinca.
"A falta de uso é pior do
que o uso. Então, as coisas antigas devem ser usadas. O fato de usar,
faz é melhorá-la. É como o corpo humano, precisa estar em constante
movimento. O risco que se corre é o desgaste natural das peças, que você
repõe, mas com a globalização é possível comprar as peças em qualquer
lugar", ressalta.
Ao fim de cada passeio, nada de só encostá-la
para usar outro dia. "Depois que ando, ao chegar em casa, faço questão
de limpá-las. Passo um pano com um pouco de querosene. Mantenho sempre
encerada com cera de carnaúba. Depois, eu procuro passar um pouco do
óleo WD40 em um pano seco, para deixar as peças sempre lubrificadas. Na
pintura, protege contra a maresia, uma vez que aqui a gente sofre com
uma maresia muito forte, independente de onde você more", detalha.
Próxima da lista
Depois
dessas duas bicicletas de marca automotiva, a próxima aquisição já está
em vista: uma da Renault ou, então, da Land Rover. Para escolher ele
considera o preço como também a facilidade em encontrar no mercado
brasileiro.
Na internet, não é difícil encontrar opções de
bicicletas de marcas automotivas famosas. Excetuando essas quatro já
citadas na matéria, há ainda modelos como o da BMW e Audi.
Recentemente,
a Ford lançou no Brasil uma bicicleta elétrica: a Villaggio. Ela será
montada em São Paulo. O motor tem 250 watts de potência e é instalado na
roda dianteira, a bateria é bivolt. Veja mais detalhes do modelo no
quadro abaixo.
FIQUE POR DENTRO
Fortaleza em breve terá o seu "Clube do Pedal"
Este
mês aconteceu o "I Encontro e Passeio de Bicicletas Antigas de
Fortaleza". Na ocasião, foi divulgado o interesse em criar um "Clube do
Pedal", para reunir amantes das magrelas, assim como há os grupos de
carros antigos.
Um dos organizadores é João Júlio de Holanda.
Segundo ele, na ocasião, registraram pelo menos vinte "antigociclistas",
como prefere descrevê-los. "Já estamos catalogando os acervos estaduais
por cidade/colecionador", acrescenta.
Para o colecionador Jarbas
Studart, além desse grupo, seria interessante montar um voltado a quem
gosta de bicicletas de marcas automotivas. "Já que Fortaleza é um
celeiro de grupos, eu queria convidar pessoas que tenham interesse para
que a gente possa montar um clube de grandes marcas de carros de
bicicletas", deixa o apelo.

- Diário do Nordeste (Auto) -