Em poucos dias, a calçada que contorna uma das principais vias de
acesso ao Centro de Convenções, Beach Park, Aeroporto Internacional
Pinto Martins e, futuramente, Centro de Eventos foi transformada em
uma superfície lunar abandonada.
Quem caminha pela avenida Engenheiro Santana Júnior, próximo ao
shopping Iguatemi, certamente já reparou nos grandes buracos na zona de
passeio do pedestre, alguns que acompanham até mesmo a sua largura. Não
são apenas poucas pedras tiradas do local, em alguns casos a
profundidade é tamanha que dá para ver a terra fértil do Parque do Cocó
já de longe.
Se enxergar a situação espanta aos olhos dos conterrâneos e
turistas, imagina depois de constatar que o problema instalou-se com
menos de seis meses após ser reformado e padronizado o local. Para
completar a situação, não há culpado assumido.
Aparentemente, o formato e a disposição das pedras pode
assemelhar-se ao projeto da Prefeitura de regular as calçadas, todavia,
os responsáveis pelo Programa de Transporte Urbano de Fortaleza
(Transfor) afirmaram não ter nenhuma relação com essa área, sendo da
competência do Estado.
O Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Compam) e a
Secretaria de Cidades foram contactados, porém o primeiro disse que os
seus cuidados restringem-se da cerca para dentro do Parque e a segunda
disse que não tem nenhuma relação a esse problema.
Ambos os órgãos indicaram a Secretaria Estadual de Infraestrutura
(Seinfra) como possível indicado a responder as questões de qualidade e
montagem do produto, mas a omissão foi o resultado. Por vários dias,
houve a tentativa de contato por telefone e e-mail, porém nenhum dos
dois caminhos funcionaram.
Para quem não lembra, o projeto de cercamento do Cocó veio como
medida protecionista para evitar os assaltos constantes, principalmente
no cruzamento da Av. Engenho Santana Júnior com a Rua Israel Bezerra,
recebendo até o terrível apelido de
“curva do medo”. Pela fragilidade da antiga cerca, os ladrões cometiam o crime na via e depois escapavam por dentro do parque.
A medida foi
recebida de forma positiva,
já que o material, por ser mais resistente e alto, inibiu mais o
ocorrimento de roubos durante o trânsito. No entanto, diante dos
buracos próximo a esse local de grande temor, fica a dúvida quanto a
segurança. Será que os buracos poderão ser usados pelo ladrão na hora
da fuga.
Como um cão sem dono, o buraco permanece sem culpado e a cada dia
ele sede um pouco mais em sua lateral. Para piorar, o lado oposto dessa
calçada também já começa a apresentar os primeiros sinais de danos.
Enquanto as respostas não são dadas e as medidas para solucionar
tomadas, as hipóteses por quem lá passa continuam. Um ladrão cavou um
buraco? Alguém está furtando as pedras da calçada? Ou, simplesmente, a
qualidade do produto é irrisória? São algumas das perguntas, porém as
respostas, até o momento, continuam omitidas.
As calçadas da Capital
Em abril, Fortaleza foi destacada como uma das capitais com as melhores do país pelo portal
Mobilize.
Foram observadas onze cidades além da cearense, entre elas Natal, Rio
de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.
O levantamento foi feito entre os meses de fevereiro e abril, sendo avaliado os itens:
- Irregularidades no piso;
- Largura mínima de 1,20m (conforme norma ABNT);
- Degraus e outros obstáculos que dificultam a circulação, como postes, bancas de ambulantes e de jornais;
- Existência de rampas de acessibilidade;
- Iluminação adequada da calçada;
- Sinalização para pedestres;
- Paisagismo para proteção e conforto
Embora a cidade alencarina apresente
bons resultados
em suas calçadas, na mesma avaliação foi esclarecido os possíveis
comentários quanto a esses dados lançados: Fortaleza não é tão perfeita
assim.
“Nas doze cidades avaliadas, os resultados mostraram
grande disparidade entre bairros e regiões. Numa mesma cidade, como
Fortaleza, algumas ruas obtiveram nota média acima de 9, como a av.
Bezerra de Menezes, enquanto a região central da capital cearense ficou
com a média 5,38, bem abaixo da nota 8, que foi considerada a mínima
para uma calçada de boa qualidade”, expõe o relatório da Mobilize.
Para isso, o Transfor ainda mantém o plano, desde 2008, de adequar e
manter o padrão de qualidade nas vias principais da capital. As obras
incluem restaurações viárias e alargamento, que abarcam s serviços de
drenagem, pavimentação e implantação de um projeto paisagístico,além de
uma reforma dos canteiros centrais e a padronização das calçadas.
“Algumas vias também ganham ciclovias e faixas exclusivas para a
circulação do transporte coletivo – aumentando assim a eficiência do
transporte público e impactando positivamente no trânsito em geral”,
completa satisfeita a assessoria.
Segundo o Transfor, serão dezesseis bairros contemplads, sendo que
nove vias já foram concluídas (como as avenidas Mister Hull, Duque de
Caxias e Jovita Feitosa), o que significa 173.000 m² de calçadas
padronizadas, o que equivale à quase 90km de extensão e à área de 27
campos de futebol, além de 100 km de meio-fio. Mais doze estão com a
restauração em andamento (como as avenidas Treze de maio, Engenheiro
Santana Júnior e Antônio Sales). No total, 164 km de extensão
de calçadas serão padronizadas nas áreas de atuação do programa.
A previsão do término dessas obras é em abril de 2013 e o orçamento
está avaliado em R$8,1 milhões. Porém, a assessoria já avisa que após a
conclusão da reforma, a manutenção não é da competência deles. “A
manutenção das calçadas, no geral, não é de responsabilidade do
Transfor ou do Município, e sim do proprietário do imóvel residencial
ou comercial”, explica.
- Foto, texto e vídeo produzido para o blog Imagina na Copa -