
O percurso diferenciava em três cores entre homens e mulheres reunidos em pleno Marina Park. Elite, profissionais, amadores e aqueles que apenas queriam se divertir, todos juntam faziam o som da marcha que ecoava em som alto nos primeiros minutos da 9ª Meia Maratona de Fortaleza
.
Quando a rua se alargava um pouco mais, o passo aumentava dependendo do porte físico ou do controle de ritmo dos corredores. Alguns corriam pelo prêmio, pelo troféu, pela saúde, outros usaram o momento como forma de protesto. Um participante, de maneira silenciosa, mas eficaz, mostrou seu pedido de paz nas escolas (foto). Trouxe os dizeres em um papel e na camisa. Quem não viu, soube de sua presença ao ser anunciado o seu desejo ao microfone.

O fato de começar quase às 7h dava a impressão de um sol mais fraco e saudável. NADA DISSO. Ele não perdoo crianças, adultos, jovens, velhos ou cadeirantes. Todos suavam e deixavam-se um pouco abater pelo calor que não precisava ser reclamado. Ele era nítido na camisa de todos. Suor e água derramada no corpo mesclavam-se numa demonstração de cansaço e garra para terminar a prova no tempo máximo.
Uns davam o último suspiro e aguentavam manter ao menos o trote lento, outros - como eu - não resistiram e se deixaram controlar pelos limites do corpo, fazendo pelo menos a leve caminhada para não parar por completo.
Na verdade, no final das contas, não foi nenhum sacrifício, afinal não é sempre que podemos andar tendo a vista da praia da Leste-Oeste. Não sentia o mau cheiro, apenas desfrutava da beleza e calmaria do mar. Houve quem conversasse ou entrasse na onda dos gritos de guerra dos soldados e bombeiros que faziam a prova. Os buracos da Luizianne também fizeram-se presentes na corrida. Lógico, como poderia ser comemoração de aniversário de Fortaleza sem buraco? IMPOSSÍVEL.
Fofocas da corrida
Felizmente, consegui uma assessora temporária para dar assistência ao meu blog enquanto tentava terminar os 5km. Não é que eu consegui?! Minha cunhada fez a cobertura completa da corrida, bateu foto do primeiro colocado dos 5km e dos 10km, que por sinal desmaiou ao completar o percusso (foto), além de contar várias novidades. Por exemplo, dez minutos após a largada de todas as categorias ainda havia inscritos querendo começar a prova. Depois de um grito para todos afastarem, perceberam que não tinha NENHUM JEITO para eles ainda participarem já que o 1º dos 5km chegou em 18min depois corrida.
Um exemplo de superação aconteceu na categoria dos cadeirantes. O último a largar - por dificuldades de colocar o chip (eu acho) - foi o primeiro a chegar. O que todos imaginavam ser impossível, ele mostrou capacidade.
Cheio de personagens
Alguns vestiam, como eu, a camisa da corrida, outros das suas equipes de maratona e, certos casos inusitados, faziam do evento o seu momento de usar uma fantasia e ser mais uma atração do dia. Uma liga de super heróis estava reunida na Meia Maratona, nada de Mulher Maravilha ou Super Homem, quem marcou a presença foi o Homem-Aranha, o Chapolin e o Zorro.

No ano passado, em pleno
Iguatemi, vi apenas a fotografia do momento em que minha mãe flagrou o Zorro correndo. Desta vez, não só o vi, como tirei uma foto com ele - em um breve momento de tietagem/jornalista.
No espaço de tempo entre o flash da câmera e a próxima pessoa que queria falar com ele, descobri que ele corre há três anos e há um ano veste o traje preto do Zorro. Nada de cavalo, o corredor usa a fantasia e não a abandona nem quando o sol está escaldante. Ele, que acabou de chegar de uma corrida no Chile, só aguenta o calor por usar uma vestimenta térmica e uma meia de compressão embaixo da roupa. Além disso, ele não brinca com a saúde. Quando sente o corpo mais cansado, ele diminui o ritmo e caminha até recuperar o fôlego. O Zorro também pode ser encontrado sob outras máscaras. "Se você encontrar um Papai Noel correndo, pode apostar que sou eu", brinca.
Em menos de 1h
Quando soube que iria participar, comecei a retomar os meus dias de caminhadas. Foram apenas dois fins de semana, mas não desanimei e tentei fazer o percurso no mesmo tempo que me programei na corrida do Iguatemi: 1 hora. Bom, vários quesitos apareceram para atrapalhar qualquer bom desenvolvimento de prova.
1º A prova começou às 6h30 e já às 5h40 saia de casa apressada com um pão recheado com queijo em uma mão e uma bolsa LOTADA de coisas na outra, com medo de perder a carona e a hora da corrida.
2º Demoraram horrores na largada. Iludiam dizendo que faltava apenas dois minutos para começar, quando demoraram bem mais. Dava uma agonia ficar em pé por muito tempo em meio ao calor e o aglutinado de pessoas ansiosas para correr.
3º Cadê a ÁGUA? Eu só estava faltando morrer de sede e não avistava nenhum posto de água. Fui muito mal acostumada no Iguatemi, só pode, pois lá dava 1km e já via um isopor com água. Na 9ª Meia Maratona, tinha apenas UM posto e somente de um lado da via. Tive de acenar para ver se alguém saciava minha sede e diminuía o meu calor.
4º Com a escassez de líquido e o calor minha pressão caiu. PRONTO. Diante disso, tive de diminuir o ritmo completamente. Cheguei a parar por alguns minutos e sentar no gelo baiano, para ver se recuperava o fôlego e fazer voltar normalmente a circulação sanguínea.
Pois bem, mesmo com TUDO isso: parada, pressão baixa, calor e falta d'água, eu terminei a corrida em menos de 1 hora. Por favor, reconheça o meu mérito, afinal, a foto abaixo não tem como negar, foram 52min28seg marcados no cronômetro. Depois de ontem, estou com algumas dores nas pernas e nas costas. Fico imaginando como seria se eu fosse sedentária...