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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Surpresa boa

Seria egoísmo dizer que eu ADOREI a última interdição feita na Avenida Pontes Vieira? Simplesmente é tão maravilhoso encontrar a linha Borges de Melo sem ter de andar nenhuma parada a mair para isso. A distância comum do trabalho para casa é quase quarenta minutos quando não há congestionamento e o ônibus chega no horário no terminal. Quando não, os ponteiros do relógio ultrapassar a marcação de um hora de perda de tempo de vida. Então, saber que vou escapar do congestionamento das seis horas da Avenida Desembargador Moreira, pular a chatíssima e, por vezes, demorada parte de frequentar o terminal e ainda parar em frente a minha casa, realmente faz eu querer ser um pouco egoísta com o mundo. Estou muito feliz hoje por isso, espero que a felicidade demore um pouco mais.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Quem aceita o desafio?

Sentadas nas cadeiras de um ônibus lotado e ainda com as fardas, duas meninas conversavam sobre, CLARO, os meninos do colégio. Uma contava as suas histórias, enquanto a outra mostrava a coleção de "autógrafos" dos garotos que mantinha no caderno.

De supetão, como que em um desafio, a proposta de madrugar nesta noite é posta no diálogo. O olhar da resposta era tímido e desconfiado, tudo levava a crer no não nos finalmentes, mas um quase "dane-se as aulas de amanhã" foi dito para fechar a questão. Depois, elas ficavam reforçando a competência para tal ato futuro, como se tivessem fazendo um discurso de pura coragem.

É incrível como ver o sol nascer sem cair no sono ainda é posto em prova. Dá para contar nos dedos, porém foram várias as vezes que improvisei atividades no calar da noite para aguentar o cansaço dos olhos e ver o amanhecer, para depois compensar as horas despendidas em uma boa dormida. É engraçado escrever isso, vejo-me lembrando como uma velha, embora ainda esteja na casa dos vinte. Era maravilhoso, divertido e parecia um pouco aventureiro. Repeti com diversas companhias, desde familiares a amigas de escola. Todas experiências únicas, recheadas de filmes, jogos, piadas, conversas e MUITA comida, na verdade aquela dita como guloseima.

Se a mesma proposta fosse-me posta agora, no meu auge de monografia e trabalho, certamente negaria o convite. Tudo o que mais peço são segundos a mais no meu despertador. Até o domingo, antigo vilão da minha semana, virou data favorita para garantir um sono sem ter hora para acordar. Podem dizer que sou fraca, mas madrugar não é para os fortes e, sim, para quem tem tempo à tarde para gastar.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Próxima, desce!


Ao mesmo tempo que o ônibus é minha sina, é uma inspiração. Quantas páginas de meus percursos já me renderam em postagens. Quase sua maioria são histórias cabulosas e, infelizmente, sobre falta de educação. No entanto, outros textos meus desenvolveram-se de suposições de enredos de estranhos ou então pensamentos que se debulharam no balançar da Mercedes pública.

Em plena véspera de véspera de feriado, trago a minha página pessoal um questionamento: onde está a educação das pessoas no trânsito? A começar, abordo a questão dos terminais. Realmente incomodo do fundo de minha alma quando eu vejo alguém sair do final da fila e correr para entrar na entrada preferencial simplesmente pela razão de querer um local para sentar ou fazer-se de esperto. Ou pior, outros ficam já no local esperando pelo benefício sem nem ao menos a idade ter chegado, a deficiência causada ou o filho gerado. Será que eles não entendem que a juventude não tem prioridades?

Não vou ser hipócrita e dizer que nunca ousei fazer o sentido contrário da porta dianteira. No entanto, há uma coerência em minha ação. Subo, sim, quando vou descer na primeira parada da linha. Até porque, é completamente sem sentido ver as pessoas que praticamente vão viajar no ônibus ficarem atrapalhando a passagem ou tampando literalmente a saída. Por isso, garanto logo que não precisarei ser exprimida e fazer uma trilha com muitos obstáculos até por fim ser expelida como uma sardinha de uma lata lotada.

Em uma dessas ocasiões de plena loucura do terminal e filas intermináveis, eu (pelo meu motivo) e mais alguns (pela simples razão de ficar na frente) decidimos pegar carona na fila dos preferenciais. Quando penso que teria tranquilidade em três quarteirões até o ponto de ônibus da descida, eis que surge um garoto com sua mochila volumosa nas costas. O mais coerente é tirá-la dos ombros ou deixar apenas em um. Porém, ele subiu com a bolsa do mesmo estado e, em uma ação desajeitado, a taxinha decorativa desabotoa a blusa social da garota ao seu lado. Ela logo arruma, finge que nada aconteceu e planta um ar de desaforo com a situação vivenciada.

Quando pareceu que tudo ia ficar da forma como encontrava-se, um homem lança uma imposição em voz rude: "tira logo essa mochila". O menino, pedindo calma, diz que vai tirar, enquanto ainda escuta o senhor repetindo a frase em grau de ordem. Em outra ocasião, teria considerado grosseria o modo da fala masculina, mas, visto pela completa falta de bom senso do menino, o tom foi mais do que apropriado.

E, assim, desci no meu (como dizem os baianos) ponto, pensando como falta sensibilidade na convivência em sociedade. Esse caso é só uma gota do oceano, há muito ainda a ser revisado pela falta de agradecimento aos motoristas a cada deslocamento de ônibus, dos próprios condutores em respeitar os passageiros e seguir as leis de trânsito, da sensibilidade em levantar-se da cadeira e ceder o lugar aos que tem prioridade. Bem, é uma lista que rende itens e muitas outras postagens minhas pela frente.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Fio como extensão

Elaborar uma trilha sonora para uma caminhada na praia ou no trajeto de volta para casa no ônibus é realmente relaxante e embala a pessoa como se a música fosse sua companhia, ou melhor, como se você fosse um protagonista de um filme e sua vida está sendo exibida com a sua canção favorita.

Mas quando não se está sozinho ou se os pensamentos já preenchem toda a sua mente, realmente é necessário uma música ao pé da orelha? Os fones agora não são mais acessórios, são verdadeiras extensões dos ouvidos. Estando sozinho ou acompanhado, em inércia ou atividade, lá está o aparelho em suas mais variadas cores e formas.

Não importa nem ao menos se estão em uma conversa, jovens e adultos interagem sem largar os fones, parecem até que as informações necessárias ao seu diálogo estão sendo repassadas por um ponto em seu ouvido. É alguma razão de vida ou morte? Não basta apenas o largo tempo que dispomos aos telefonemas? Demos uma trégua aos tímpanos, por favor, e mais preferência a uma atenção plena às pessoas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Criatividade em quatro linhas

Você já reparou na poesia transmitida nos ônibus? Pequenos poemas, outros não tão mínimos, mas todos muito doces e singelos, com a proposta de dar mais leveza e cultura a todos aqueles que andam de transporte público na cidade.

A ideia do projeto Viagens Poéticas partiu do poeta Reginaldo Figueiredo (lembra dele? ou do Templo da Poesia?) e foi recebida de braços abertos pela Secretaria da Cultura de Fortaleza. Ao todo, foram selecionadas quatro mil poesias, escolhidas por um concurso literário ainda este ano, entre os dias 6 de agosto e 6 de setembro.

Não sei realmente quando os textos começaram a ser fixados nos vidros localizados atrás do motorista ou do trocador. Porém, dentre os vistos, já tenho o meu preferido. Ele é minúsculo, mas completo em sentido e reflexão. Relaciona palavras com tantos significados e relações que se torna mais do que INTERESSANTE, vira genial.

Suicídio
Estou cansado de tudo,
Disse o peixe,
e se deitou na rede.

Tito de Andréa

Será que o animal realmente desistiu, como leva a crer o título? Será que descansar é realmente um eufemismo da morte? Será que a rede também significa a preguiça, ao querer parar por estar cansado de tudo ou ao procurar armas contra nós mesmos? Tantos sentidos, tantos jogos de palavras. A mente voa...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Solta o som

Com que razão devo ir ao Mucuripe conferir uma batalha de Ipods, se posso ver uma briga de celulares diariamente no interior do ônibus? Na verdade, o que houve na última semana foi definitivamente uma guerra, na qual os meus ouvidos foram as vítimas.

Nunca fui contra aos passageiros que escutavam suas músicas sem um fone de ouvido, porém realmente foi enlouquecedor ter que conviver com uma versão de música americana em um rap com uma letra de mal gosto no último volume.

Quando eu pensava que só seria ruim se a música não fosse do meu agrado, um outro dia fez-me mudar de ideia. Roxxete e Bruno Mars, ambos maravilhosos, em uma mesma altura e em aparelhos diferentes. Não sabia para qual a minha audição deveria dar atenção. Ao final, acho que não ouvi nenhum. Tudo ficou misturado e mixado em um completo ruído.

E eu que considerava legal ouvir a canção tocada no ônibus, para não ter que agredir os meus tímpanos com qualquer volume do MP4, não sei mais o que preferir. O silêncio por vezes é melhor do que muitos repertórios de bandas, mas é tão bom ter uma trilha sonora na volta para casa, mesmo que ela sendo brega, forró, internacional, samba, o que for... mas só uma música de cada vez, certo?!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

...

Semana passada estava ESGOTADA e rezando para não ter ginástica, para eu ter motivos a mais para dormir cedo. O trajeto de volta para casa, para variar, foi cansativo e eu estava com os olhos quase fechando até que eu cheguei no terminal.

Não sei se foi o bom som, a surpresa de ter um show em pleno terminal ou a junção dos dois, apenas constatei que minha energia foi recarregada. A disposição foi tanta que, mesmo descobrindo que não ia ter aula na academia, fui ainda assim.

Até então, não sabia do que se tratava, afinal, não quis ficar como muitos, que preferiram não subir no ônibus para curtir a música. Só hoje descobri que era as Allice's, participando do Projeto Câmara Cultural. Segundo o site oficial, o evento está programada para acontecer em todas as segundas-feiras de outubro, no horário das 18h30 às 19h30.

Só espero que me traga forças hoje também...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

...

Não basta pagar a tarifa do ônibus, uma mão também é estendida para o pedágio pós-catraca. Não há cartaz ou fala, o mendigo poupa as palavras. Os vinte centavos na superfície de sua palma teoricamente já é indicativo suficiente que outras moedas deveriam agregar-se a elas.

A indiferença foi minha resposta, lógico. Se fosse atender a todos os pedidos diretos e indiretos feitos por necessitados (ou ditos assim) nas ruas, terminais ou transportes públicos, não daria uma ajuda esporádica e, sim, uma real pensão.

Às vezes, acabo abrindo exceções e comprando uma caneta ou uma balinha dos vendedores ambulantes, enquanto transito em minha Mercedes pública, porém se tornasse isso um hábito, talvez eu (por exagero meu, lógico) é que veria necessidade de fazer o tal discurso "eu podia estar roubando, eu podia estar matando". São simples moedas, no entanto, ao final das contas, é disso que os porquinhos de poupança são feitos.

De centavo em centavo, as pilhas de "doação" vão crescendo e, no relatório de gastos do mês, elas já viraram muralhas de altos gastos. O pior é quando você desprende-se dos trocos para dar àqueles com os discursos mais tristes e percebe que foi enganado. É nessa ocasião que cada moeda vira literalmente ouro para si.

Certo dia, um senhor, perto da minha casa, pediu que eu completasse a sua passagem, pois ele não tinha o dinheiro todo para voltar para casa. Senti-me péssima por não ajudar, porém depois fiquei perguntando-me como é que alguém sai de casa sem checar as moedas de ida e volta. Pois bem, deixei o evento passar, quando depois vi o mesmo homem, no mesmo local, com o mesmo discurso. Como realmente poderia acreditar nele? Aquele já virou um ponto de pedir e não uma situação única na vida dele.

Não sou contra àqueles que dão dinheiro aos menos favorecidos, mas acredito que há outras maneiras de ajudar que não a financeira. Nossa, já não é suficiente dar dinheiro para os flanelinhas de estacionamento público da rua que não vigiam ou nem ao menos sabem onde você estacionou o carro e que, por ironia, ainda ficam com raiva quando recebem poucos centavos por não terem feito nada?!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Palavras de passagem

Vidas separadas se entrelaçam no mesmo instante vivido dentro do ônibus. São tantas histórias isoladas e inacabadas aos ouvidos atentos, tantos detalhes no comportamento daqueles transeuntes que sobem e descem no transporte público.

A agenda de uma senhora, com seus cartões de empresas de festas, e sua organização em um papel com dados de um futuro aniversário, dão indícios de uma profissão de assessora de eventos, mas o que garante?! Não houve diálogo, entrevista ou cartão de visita.

De uma conversa alheia entre amigas, escuto a teoria do relacionamento de uma delas: "toda vez que deixo a unha crescer, começo a namorar". Ah, se engatar um romance dependesse de tão pouco... não haveria tantos poemas clamando por um amor eterno ou mulheres apelando aos santos para que um homem caia dos céus.

Adoro atentar-me aos movimentos, tentar descobrir personalidades e interpretar a aparência de terceiros. A criatividade flui quando estou sentada no ônibus. É como se estivesse diante de um livro-vídeo de história, no qual os personagens são desconhecidos até o final, mas muito se aprende, diverte e inspira.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Contradições

Dizemos ser irônico, para não ficar com raiva, sobre a contrariedade que permeia as pessoas. As mesmas que enchem a boca para falar mal de Fortaleza sobre as calçadas quebradas, o odor forte nas ruas, a falta de educação e a imprudência no trânsito por vezes são as causadoras de tais realidades.

Digo isso porque certo dia no terminal do Papicu, embora tenha sido construído um gradil para educar os passageiros a atravessar na faixa de pedestre, não faltavam exemplos de usuários de ônibus que preferiam andar no meio da rua ou no meio fio da calçada ao invés de submeter-se às regras de trânsito.

Conversando com uma senhora dona de casa, que estava acompanhada de sua filha menor de idade, perguntei se ela tinha gostado da reforma realizada pela Etufor. Ela afirmou estar satisfeita, pois isso faria com que as pessoas atravessassem corretamente pela faixa de pedestre e disse que sempre esperava a liberação dos agentes do terminal, antes de atravessar para uma outra plataforma. Quem observa esse discurso, considera tudo perfeito em sua posição de cidadã, se não fosse a atitude contrária ao que foi expresso em palavras há poucos minutos. Não foi ninguém que me falou, eu a vi caminhando pela rua ao invés de realizar a travessia corretamente.

Muito se escuta reclamar das calçadas da cidade que, pouco tempo depois de ser construída ou reformada, mostra-se quebradas e aparentemente de má procedência. Não sei nada sobre o material utilizado para fazer as calçadas e os canteiros, porém, certamente, os automóveis que resolvem passar por cima delas, para livrar-se do congestionamento, também devem ter uma parcela de culpa na destruição do patrimônio público.

Ou então as "carroças" pesadas dos catadores de lixo, que utilizam o calçadão da Beira Mar como sua avenida sem preocupar-se que o peso do seu veículo, a cada parada, vai destruindo aos poucos uma calçada que é para ser usada apenas por pedestres. Será que eles também não tem culpa?

Não me faltam exemplos de contrariedade, daqueles que são altamente barbeiros e gostam de às vezes dá uma acelerada nas ruas e avenidas que cortam Fortaleza e, ao mesmo tempo, reclamam dos motoristas que realizam semelhantes atos.

Quando estamos no banco de passageiro, tudo parece imoral e absurdo aos nossos olhos, parece que quando se assume o controle do carro ou de outras formas de poder, a mente quer ultrapassar todos limites. Só espero que, no momento em que eu tiver o meu primeiro automóvel, eu seja a exceção dessa aparente regra.

domingo, 31 de julho de 2011

Uma batida em comum

Há quem não suporte as músicas paralelas tocadas por vários celulares que contrastam, por vezes, ao rádio do motorista de ônibus. Porém, essa semana Raça Negra completou o silêncio da metade do meu trajeto de volta para casa. Não foi só eu que gostei e acompanhei a melodia com os dedos batendo no encosto na cadeira. Houve também que cantasse baixinho, bem tímido, a letra.

Quando o jovem desceu na parada de ônibus, o silêncio voltou e um vazio pareceu instalar-se. Um fez uma brincadeira dizendo que o homem levou o som do ônibus. Era uma piada, mas também verdade. O som alto trouxe uma interação nunca prevista. Quem diria que Raça Negra agrada gregos e troianos?






segunda-feira, 25 de julho de 2011

Quando vão parar?

Por dois momentos, na semana passada, presenciei um ataque ao transporte público. Na primeira vez, que acredito ter sido segunda-feira à noite, não pude acreditar no para-brisa estilhaçado após uma pedrada surpresa e anônima. Pensava até que a marca no vidro havia sido apenas uma marca da greve do ano passado e, não, uma agressão recente. Depois, descobri que a ação vista no início da semana não foi isolada.

Na quarta, fui designada a pegar informações sobre um motorista de ônibus que teve o seu olho atingido por um fragmento de vidro, após ter sido vítima de um ataque com bila de aço. Nesse dia, até a hora em que liguei, tinham sido contabilizados 15 atentados (na manhã seguinte descobri pela TV que o número aumentou para 17). Todos feitos no mesmo horário e, felizmente, só uma vítima ferida. Só no mês de julho, foram 116 dessas ocorrências e duas tentativas de incêndio. Entretanto, acredito que a quantidade já tenha aumentado.

Na sexta-feira, aconteceu novamente comigo presente. Em meio a bagunça na Praça Portugal, alguém aproveitou-se do trânsito lento e atingiu o retrovisor do motorista com um objeto. Os cacos de vidro entraram no ônibus e, por um momento, pensava ter sido a janela o alvo do ataque.

A cada barulho, parece ser mais uma manifestação sem motivos ou líderes anunciados. Além do medo de a qualquer momento haver uma greve, os passageiros também vivem o temor de serem vítimas de uma burrice alheia. Quem em sã consciência destrói o patrimônio público em vão? Ainda mais sabendo que pode machucar alguém? Por sorte, o motorista de quarta não perdeu a visão e o que teve o ouvido atingido em junho não perdeu a audição, mas e depois? Teremos que viver da sorte agora?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Entrando no ouvido

A caminho do estágio, além da lotação e do atraso de 30 min do ônibus, tive de aguentar a conversa "aos berros" de duas mulheres ao pé do ouvido. Certamente, elas queriam que todo do interior do transporte soubesse da vida pessoal dela, pois eu sai de lá sabendo praticamente tudo, excetuando o nome ou a idade. Então, mesmo não gostando de falar da vida alheia, muito menos no meu blog, não resisti em colocar uma das coisas absurdas que eu ouvi. Selecionei três que registrei, pois outras fiz questão de anular na hora.

Como é que alguém fala que...
  • não está preocupada com o seu relacionamento (o tal do "tô nem aí") e que tanto ela "bota chifre" nele como o contrário que ela não se importa? Que tipo de relação é essa? É melhor terminar do que viver assim?
  • uma delas falou que prefere homem mais novo, de 17 a 20 anos, mais do que isso ela não quer. Eu pensei: ô namoro com prazo de validade! Se namorar um menino de 20 e dois dias depois for aniversário dele, acabou TUDO, né?!
  • ainda escuto que ela engordou porque estava tomando remédio para não pegar menino. Desde quando filho é doença? Bom, ao menos ela é consciente quanto a preservação e não quer engravidar antes da hora.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

...

Não vou negar, já cantei em ambiente público com amigos e é muito divertido, mas sabe quando uma ação coletiva é engraçada e uma individual aparenta loucura, bem cantar em público enquadra-se nisso.

A caminho de casa, tudo estava calmo e tranquilo. Apesar do costumeiro trânsito, não precisei ouvir buzinas frenéticas que geralmente acompanham o transtorno das 18h. Assim, enquanto repousava a cabeça no encosto da cadeira, tentando fazer passar a dor de cabeça aguda sentida, começo a escutar Linkin Park vindo de uma voz nada profissional.

Um rapaz com fones de ouvidos, não satisfeito em apenas ouvir, quis repartir a sua música com todos os passageiros do ônibus. Ele começou cantando baixo em um inglês até correto, até que impostava a sua voz sem nenhum sentido, como se alguém tivesse pedido para aumentar o volume do som. Ele trocava a canção e revezava as estrofes que sabia decoradas com o antigo silêncio do transporte público.

Alguns riam baixinho, outros simplesmente se conformavam e até batiam os dedos como uma forma de acompanhar o "intérprete" da noite. Talvez o garoto quisesse extravasar cantando alto suas músicas favoritas ou estava dando uma oportunidade ao destino para ser encontrado por um olheiro de "Ídolos". Bom, nunca vou saber.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Fugindo do caos

Não me prejudiquei hoje à noite, mas acho horrível quando o ônibus queima parada pelo simples motivo de não querer pegar trânsito. Eu sei que ele não quer se atrasar e perder o horário no terminal, entretanto, ele foi pago para fazer um mesmo percurso várias vezes e, não, para cumprir meramente um horário.

E quanto as pessoas que estavam na parava esperando corretamente? E aquelas no interior do ônibus que desejavam descer em um local que seria parte do caminho? Se o problema fosse fechamento de via por greve, batida ou obras da prefeitura, o desvio seria justificável. Caso não sejam essas as causas, o trânsito simplesmente não é razão suficiente.

O transporte, vale lembrar, é público e não um automóvel particular.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Parada ou interagindo?

Por mais que viva reclamando por andar de ônibus, do preço, dos passageiros e dos incômodos, às vezes tenho que agradecer aos momentos de inspiração que estar dentro desse transporte público traz-me.

Hoje, trago a estrutura da parada como fonte da minha postagem. Em Fortaleza, ela era para ser padronizada: cadeiras amarelas de alumínio com aquela coberta em azul que nem protege do sol escaldante, muito menos da chuva do primeiro semestre do ano. Quando não segue esse padrão, resume-se apenas a um "poste" com o desenho de um ônibus na placa. Uma tristeza em criatividade ou utilidade pública.

Mas, imagina se o formato fosse outro? Se houvesse livros, balanços, ar condicionado, espelho, propagandas interativas ou balanços infantis? Seria MUITO interessante, apesar de achar que não iria durar muito aqui na capital cearense.

(Califórnia)
(Londres)
Com ar-condicionado (Dubai/Arábia)
A propaganda dava impressão de que tudo refletido no visor da câmera do anúncio era uma gravação real (Colômbia)Para anunciar um site sobre Hip Hop (SP)
Quem será o próximo milionário?
(Calgary/Canadá)
Para demonstrar a função de walkie talkie do novo aparelho da Solo Mobile (a ação interativa era realizada em Vancouver, Montreal, Toronto e Calgary)
Para promover o laxante natural Tamarine (SP)

E pegando o tema ônibus e misturando com propaganda, encontrei um site com ótimas ideias de divulgar um produto no lado externo do trasporte público. Veja algumas:

Colocado aqui ainda pelo dia 31 de maio

Fontes

terça-feira, 31 de maio de 2011

Mudando de caminho

Já presenciei ônibus queimando paradas por consequência de obras do Transfor e trânsito, hoje a razão foi uma batida na Desembargador Moreira. Dois quarteirões interditados e outros dois com uma caótica ação dos motoristas de fugir da avenida. Carros passando pela calçada ou querendo dar ré, enquanto a AMC tentava contornar o problema, ônibus desligados e vazios no meio da rua. Quem via de longe poderia até cogitar ser mais uma greve do transporte público.

Andei cinco quarteirões para pegar o bendito Siqueira, até rezei para que seu desvio levasse-o em direção a rua da minha casa, mas não deu certo. Depois de muitas voltas, ele voltou para Desembargador Moreira. Um caminho de 30 min, levou uma hora. Quanto desperdício de tempo.

Para completar o caos viário, no meio do caminho ainda vi um ônibus com problema. Ver as pessoas na rua esperando uma nova linha passar, para não pagar uma outra passagem, lembrou-me do transtorno que é ficar no prego. É um HORROR.

Vou parar de escrever, estou saturada de lembrar sobre o trânsito de Fortaleza. Imagine se eu morasse em São Paulo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

-Qualquer uma moedinha que não vai fazer falta

Nesta manhã, senti-me como um banco 24h, como se estivesse taxado em minha face que a qualquer momento pudesse ser retirado dinheiro dos meus bolsos. Além de aguentar os discursos repetitivos de sofrimento e necessidade feitos dentro do ônibus, tenho que dizer os nãos e aguentar ser olhada como uma pessoa pão dura, não cidadã do mundo ou ser desclassificada como abençoada pelos ambulantes. Porém, se eu fosse dar uma moeda ou comprasse todas as mercadorias vendidas internamente nos transportes públicos, eu iria falir.

Já não basta os quase R$30,00 que eu pago de passagem toda semana? Fico muito feliz que eles queiram pedir ou trabalhar nos terminais ao invés de furtar ou roubar, mas eles têm que entender que uma moeda e R$2,00 no "passe card" fazem falta para quem anda de ônibus. R$00,05 parece algo mínimo de dar e absurdo de se negar, entretanto, quando esse valor falta para dar ao trocador, não há liberação de catraca ou carona de ônibus.

Para completar o dia, quando eu desço na parada, ainda tenho que ouvir um homem - até um pouco arrumado - dizer que está com fome e quer dinheiro do ônibus. Primeiro pensei o que tem a ver fome com locomoção, mas, enfim, depois disse que não.

Ele não tinha aparência de pedinte ou vendedor, então, sabendo que vai andar de ônibus, por que não tem o dinheiro contado no bolso? Bem, não quero dialogar ou reclamar sobre os seus problemas ou esquecimentos, todavia é constrangedor a coerção, além de que como ele poderia cogitar que eu iria abrir minha carteira a um estranho no meio de uma avenida perigosa?

Bem, não é um discurso de mesquinhez, é somente a pura verdade.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

...

Ouvir alguém se vangloriar de mentir ao chefe, dizendo que estava doente para ficar em casa é triste. Lógico que todos já disseram estar doente para faltar escola, faculdade ou trabalho, seria hipocrisia dizer que nunca ocultamos a verdade para termos um pouco mais de descanso e fugir da rotina cansativa. Acontece que o pior não é fazer e, sim, divulgá-lo como se fosse um ato heroico e ainda insistir para um terceiro fazer. Para completar, a menina ainda se oferece para comprar um atestado médico para amiga. Você poderia dizer que para eu não me aborrecer eu simplesmente não deveria prestar atenção a conversa alheia, porém, como eu posso se a menina não parava de berrar no ônibus?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Para curar o estresse

Se não bastasse os aborrecimentos da quarta-feira e o cansaço, ontem enfrentei o meu primeiro prego no ônibus. EXATAMENTE. Não foi suficiente aguentar o trânsito, as buzinas e a imprudência em estágio avançando das 18h30, desci em frente a praça das flores e esperei, esperei e esperei o próximo ônibus para abrir as portas do meio e abrigar os passageiros jogados ao relento da neblina que não parava de cair durante todo o dia.

O que já estava lotado, entupiu. Restou apenas um dos degraus na frente, perto ao motorista, para eu ficar. A cada passageiro que dava o sinal, eu descia e morria de medo de desequilibrar-me, o ônibus acelerar e eu cair jogada numa poça no chão. Felizmente não aconteceu, embora quem passasse por mim parecesse querer facilitar esse acontecimento. Alguns ficavam exatamente no único lugar onde podia me apoiar. Acho que queriam que na primeira freada eu fizesse alguém perto de mim de bastão e segurasse ou simplesmente fosse parar na janela da frente.

Para piorar, no segundo ônibus rumo para minha casa, precisava descer e faltava pouquíssimos quilômetros para isso, porém um ser ENORME, em todos os sentidos, estava no meio do caminho. Pedia para ele afastar e nada. Empurrava um pouquinho e falava "com licença" e nada de novo. Até que as pessoas atrás de mim, vendo a minha situação, apelaram para a ignorância e começaram a gritar e empurrar-me com voracidade, que pensei que minha bolsa ia ficar para trás.

Bem, sai com ar ainda nos pulmões, de bolsa e super apressada para chegar a tempo da ginástica, recebi até a surpresa de encontrar a minha mãe de carro e pegar uma carona. A surpresa para completar a delícia de dia só foi completa quando eu descobri que a professora estava doente e não teria aula. Nossa, isso abalou mais ainda o meu dia, como iria desestressar e acalmar meus ânimos? O meu remédio foi Two and a half men. Ri tanto que dormi mais leve e feliz. Realmente, só mesmo a risada para me fazer esquecer as tristezas e o ódio.


 
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