Do primeiro contato na adolescência a compra na maturidade. Aos 52 anos, Carvalho circula com a picape "Lunga"
Com uma dose de mau humor e uma pitada de ironia, a frase do desenho foi dita por Joaquim Santos Rodrigues, conhecido como "Seu Lunga". Foi em resposta a uma solicitação do colecionador Antônio Carvalho, que teve direito a receber até uma "batida" do telefone ao final da conversa.
Contextualizando: o veículo do "Seu Lunga", antes de ser vendido, passou um bom tempo parado. A razão, segundo contam, é que foi preciso fazer uma obra pública em que os carros no entorno tinham de ser retirados da garagem ou, então, ficariam presos pois sua saída seria bloqueada. Bem, seguindo o lema "o carro é meu, faço o que quero", ele não tirou o veículo de casa. Resultado: ficou trancado.
Quando vendido, encontrava-se com muita ferrugem e outros problemas. Sobrou ao proprietário Antônio Carvalho fazer a restauração e fazer o Jeep do "Seu Lunga" rodar novamente.
Das mudanças, primeiro trocou o motor, o qual não era original. Então, de seis cilindros passou para quatro. As lanternas de plástico, colocou de vidro, também original, além de outros artigos, como volante.
No entanto, em um item houve dificuldade. Antônio precisava do semieixo do diferencial dianteiro original. Não encontrando no mercado, resolveu ligar para "Seu Lunga" e perguntar se ele não tinha a peça em seu domínio, para tentar resgatar. No final, ele ficou sem a peça e ainda teve de ouvir "eu vendi foi o carro, não foram as peças".
Essa é um dos poucos itens que não é original no veículo. Antônio ainda acredita que deve estar entre as sucatas da loja de "Seu Lunga".
A primeira restauração durou cerca de um ano e seis meses. No entanto, nessa momento foi feita uma militarização. Ano passado, apenas, Antônio resolveu retomar o aspecto original. Essa segunda restauração durou oito meses, terminando há poucas semanas. Está praticamente da forma como era antes.Conseguiu o painel da época, inclusive tem ainda o manual do automóvel.
Vida entrelaçada
A picape está em Fortaleza desde 2000. Sem nenhuma alteração, passou pelas mãos de dois donos antes de estar na posse de Antônio em 2003. "Quando uma coisa tem de ser da pessoa, roda, mexe e vira e acaba chegando na mão dela", pontua o colecionador.
Acontece que a história dos dois é mais antiga. Ainda quando era adolescente, foi até Juazeiro do Norte, acompanhando a mãe que precisava pagar uma promessa. Lá, deparou-se com um Jeep Willys 1951, semelhante com o modelo 1942 de seu pai. Ao procurar, soube que pertencia ao "Seu Lunga" e chegou até a comentar com a mãe: "olha, é da mesma raça da do papai".
Na época, a pouca idade tornou impossível cogitar a compra do carro. Porém, quatorze anos e duas restaurações depois, ele pôde finalmente circular com o "Jeep Lunga".
Algumas propostas foram feitas para vender o seu veículo. Entre alguns "nãos" e de taxar preços acima do mercado, a fim de evitar desfazer-se do carro, eis que um parente do "Seu Lunga" aparece na cidade. "O primo dele veio aqui em Fortaleza para fazer a proposta para compra. Mas, na época eu não queria vender. Aliás, ainda não quero", confessa. Essa afinidade, na verdade, estende-se a toda linha Willys. "Eu praticamente nasci dentro de um Jeep. Eu era louco, sempre fui louco pelo Jeep", completa Antônio.
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