Foram treze anos para enfim conseguir um lugar no mercado. Os mototaxistas começaram em 1996 como clandestinos e, junto a sua caminhada pelo reconhecimento, enfrentaram a relação direta da imagem da moto a insegurança no trânsito.
A fama de desordeiro realmente tinha certo fundamento, até porque os motociclistas têm forte participação nos dados de acidentes até hoje.
De janeiro a novembro de 2011, por exemplo, dos 23.897 acidentes registrados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), 8.207 têm participação de motociclistas.
Porém, de acordo com José Valteclar Vieira, presidente do Sindicato dos Mototaxistas de Fortaleza (Sindmoto), essa realidade não é mais a mesma. "De 2005 para trás, tinha ano em que morriam oito mototaxistas. Hoje, quando dá um é a média, quando dá dois é muito. Isso revela a nossa orientação de que eles têm de preservar a vida deles", afirma.
Para melhorar a sua reputação, a categoria enumera as suas vantagem no ramo de transporte de passageiros: menor tempo de viagem, preço mais acessível e liberdade na escolha de percurso e no horário da saída. Com o tráfego intenso de Fortaleza, o que os mototaxistas mais se gabam certamente é de poder esquivar-se ou, em outras palavras, ter mais flexibilidade para driblar as longas filas de engarrafamento.
Sem controle, por enquantoSem um aparelho para garantir o valor taxado pela quilometragem rodada, muitas vezes o passageiro fica refém da tabela de preço dos mototaxistas.
O padrão seria cobrar R$ 1,50 pela bandeirada e R$ 1,00 por quilômetro rodado, mas muitas vezes a corrida passa longe desse cálculo.
São exemplos como esses que mancham a imagem dessa profissão. "Tem uns que cobram até a mais, exageram, e com isso perdemos o nosso usuário", pontua José.
No entanto, segundo o chefe de divisão de planejamento da Etufor, Antônio Ferreira Silva, a previsão é que em 2013 o mototaxímetro comece a regular o valor do percurso, assim como acontece nos táxis convencionais.
O início do processo começou em julho de 2011, quando prefeituras, fabricantes, usuários e associações representativas e representantes de outros segmentos envolvidos nessa questão participaram do painel setorial no Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) sobre mototaxímetros.
Ao final do encontro, foi decidido que era necessário a elaboração de um Regulamento Técnico Metrológico (RTM) específico para os mototaxímetros, que estabelecesse os ensaios e as condições de aprovação aos quais estes instrumentos teriam de ser submetidos, a fim de permitir o seu uso em consonância com aquilo que é determinado pelo Inmetro.
"Desde então, estão sendo realizadas reuniões regularmente, onde todos os interessados estão discutindo os conceitos e a redação final deste RTM. Somente após a publicação deste RTM, que deverá ocorrer até o final do 1º semestre de 2012, os instrumentos poderão ser analisados", afirma o chefe da Divisão de Instrumentos de Medição de Comprimento e Força do Inmetro (Dicof), Fábio Lopes.
Depois de testados, aqueles inteiramente aprovados terão o seu modelo liberados e se tornarão aptos para o uso em todo território brasileiro.
Em Fortaleza, há apenas uma empresa na lista para comercializar: a AED Tecnologia, ligada ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE).
Placa cinzaSão 2.209 mototaxistas cadastrados e circulando pelo município de Fortaleza. Embora o número já seja significante, ainda há aqueles que querem aumentar o número de profissionais de forma ilegal.
De acordo com Josino de Medeiros, chefe da Divisão de Fiscalização da Etufor, constantemente é feito o acompanhamento e apreensão de veículos não autorizados.
O infrator, além de ter seu veículo retido, deverá arcar com uma multa de R$ 325,00.
São, em média, 70 fiscais externos e nove agentes de trânsito trabalhando na fiscalização de mototáxis piratas.
Em torno de quinze mototaxistas clandestinos são autuados por mês. Todavia, segundo Josino, pela facilidade dos condutores ilegais manobrarem em meio aos carros e fugirem, torna mais difícil a fiscalização. "Se eles não fugissem, o número de apreensões seria maior", garante.
Além do processo de identificação dos "piratas", a Etufor também recebe notificações daqueles que flagram um condutor de uma moto com placa cinza, sem trajes padronizados e fazendo principalmente serviço remunerado de transporte de pessoas, inclusive até os próprios mototaxistas regulares fazem questão de avisar.
Quanto aos motociclistas que transportam cargas, eles estão enquadrados na categoria de motofretista. Dessa forma, também devem estar licenciados no Detran-CE como aluguel. No momento só estão sendo perdoados pelo fato do curso obrigatório de 30h para quem exerce atividade remunerada nas duas rodas ainda não está sendo oferecido.
AssociadosJosé Valteclar estava presente desde o princípio da criação no papel do Sindicato dos Mototaxistas, em 2005, e também, três anos depois, quando ocupou o cargo de presidente na sua inauguração oficial no dia 18 de maio de 2009.
Ainda na função de presidente, o seu plano é que até 2013 consiga implantar aulas de inglês e espanhol, já visando o turismo da Copa, além do curso de 30h exigido pelo Conselho Nacional de Trânsito.
Os 1600 associados têm direito a assistência jurídica, acesso a atendimento a clínicas médicas conveniadas e crédito no mercado. A taxa mensal é de R$ 10,00.
Para participar, o interessado deve-se dirigir a sede do Sindicato portando a habilitação fornecida pelo município.
Dados2 mil é a média de cadastrados no município como mototaxista. Do total, 1600 são associados ao Sindicato dos Mototaxistas de Fortaleza, pagando R$10 ao mês.
15 mototáxis clandestinos, em média, são apreendidos por mês, segundo Josino de Medeiros, chefe da Divisão de Fiscalização da Etufor.
- Diário do Nordeste (Auto) -