quinta-feira, 29 de julho de 2010

- Menina, cobre os olhos!!

Depois de um seminário sobre I love you Phillip Morris, de Steve McVicker, finalmente chega aos cinemas de Fortaleza o filme traduzido como O golpista do ano. Para variar, o título difere totalmente do real, mas já aprendi a relevar.

Para resumir: a história é real. Steven Russell era um cidadão pacato, casado, pai de uma filha e frequentador de uma igreja. Depois de ter se mudado para o Texas, ele descobriu que gostava de homens e passou a mentir para esconder os seus relacionamentos homossexuais. No caminho, para um desses encontros, ele sofreu um acidente de carro e decidiu nunca mais mentir sobre quem ele era e aproveitar o máximo a sua vida. Isso custava muito dinheiro. Para suprir as suas vontades e os presentes caros que ele dava para os seus companheiros, ele dava golpes, muitos golpes.

Não tenho como comparar, no momento, com a obra escrita. Peguei o livro emprestado para ler nas férias, entretanto, não tive tempo. Porém, analisando o longa-metragem como uma espectadora aberta às interpretações do diretor, eu acredito que ele deveria ter poupado um pouco as cenas sexuais. Afinal, ver um casal, sendo do mesmo sexo ou de sexo diferente, em sua intimidade é constrangedor. Mas, tirando isso, os atores, incluindo o Rodrigo Santoro, estavam ótimos e até achei que o Jim Carrey não exagerou tanto na sua performance, quanto acreditava já estar intrínseco a ele.

Quando eu for ler o livro, eu comparo e falo mais sobre I love you Phillip Morris.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sob a companhia da lua

Estou em Fortaleza e não podia estar mais feliz. O trajeto foi esplêndido. Sai do Rio avistando suas luzes noturnas. Era como se as constelações estivessem todas no chão. Do banco do meu prédio observo o céu, mas, dessa vez, estava do outro lado. Tive a visão de quase um astronauta entrando em órbita. As nuvens estavam aglomeradas como um tufo de algodão e tudo parecia mais próximo, a lua e as estrelas.

Depois de três horas de voo e um pouso perfeito, fui recebida pela melhor das companhias. Um abraço apertado e um suspiro de saudade, pronto, pude caminhar contando as novidades e detalhes da viagem.

Passei pelas ruas de Fortaleza com saudosismo. Como é bom retornar. Amo viajar, sério mesmo, entretanto, voltar para o meu quarto, minhas coisas, meu lugar, também é maravilhoso. Bom, os dias de férias estão acabando, então vou desarrumar minhas malas e terminar de matar as saudades da minha cidade.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Passagem em mãos

Última noite na cidade carioca e eu estou com dor de cabeça. Talvez seja saudades de Fortaleza. Não sei. Ainda tenho planos para morar no Rio de Janeiro, mas saber que a minha casa, a família, o namorado, a faculdade e os amigos estão no Ceará, faz-me sentir como aqueles retirantes que vão para a cidade grande, pensando no dia em que voltarão para as terras de origem.

Mesmo incomodada com as dores, não queria deixar de escrever, como venho detalhando esses meus dias de viagem. Então, vou falar rapidamente da feira localizada na praça General Osório, que acontece somente aos domingos.

Lembrando o estilo da beira-mar, ela tem roupas, quadros, caixas, enfeites de casa e muitos acessórios. Ela é uma indicação para quem, assim como eu, adora feiras.


Outra observação é dedicada especialmente para os amantes de livros. O Real Gabinete Português de Leitura é uma enorme biblioteca pública. Ele possui, segundo o seu site, 350 mil volumes em seu acervo. Além de ter a maior e a mais valiosa biblioteca de obras de autores portugueses fora de Portugal.

Dentro desse ambiente imponente e, infelizmente, perigoso para os alérgicos, lembrei da cena do filme A Bela e a Fera, quando a Bela fica extasiada ao ver milhares de livros em um só lugar. Bem, foi assim que me senti, extasiada, e é assim que termino por hoje. Até breve, mas, da próxima vez, será em solo cearense.

domingo, 25 de julho de 2010

Rio 28º

Hoje percebi como o domingo é sagrado. Toda a orla do Rio tem suas avenidas próximas ao calçadão fechadas para os pedestres. Areia, calçada e um lado da avenida e, ainda assim, o espaço reservado parecia insuficiente. Lógico que dava para se locomover, sem bater em ninguém, mas era tanta gente. Aparentava até uma passeata.

De biquíni, roupa de corrida e até calça jeans. Loiros, morenos, albinos, negros, velhos, jovens, crianças, bebês e cachorros. Andando de bicicleta, a pé, de skate ou sendo levado na cadeira de rodas. Parecia que todos saíram de casa e estavam reunidos na praia para curtir o sol e a brisa do Rio, que nunca para de refrescar quem passa pelas ruas da cidade.

sábado, 24 de julho de 2010

No céu com o Cristo

Esta é a minha terceira visita ao Rio, mas vir para a cidade e não ver o Cristo Redentor de perto, seria desanimador. A fila era enorme para pegar o trem para subir no Corcovado. 14h e o próximo bilhete era só para às 16h40. Entretanto, mantive-me na espera.

Quando anunciaram o meu horário, passei pela catraca com minhas pernas e pelos empurrões dos ansiosos atrás de mim. Para entrar no vagão, todos pareciam ser viciados em compras em uma loja com liquidação (não conseguiu imaginar? É só ver Os Delírios de Consumo de Becky Bloom).

Quando sentada, à esquerda via apenas extensões de muito verde, em contrapartida, à direita o céu, os morros e a cidade mesclavam-se em uma vista que mais se igualava às pinturas realistas.

Duas paradas e, então, chegamos ao nosso destino. Para subir, nada mais de enormes escadas, fui encontrar com o Cristo de elevador. Infelizmente, apenas os seus pés estavam a mostra. A intensa névoa escondia por completo a belíssima imagem da cidade e escondia o Cristo restaurado.

Havia turistas sentados no chão e no parapeito, deitados e também em pé olhando para o cinza no céu onde, teoricamente, era para estar sendo admirado um monumento de 38 metros, inaugurado há 79 anos, mais especificamente em 12 de outubro de 1931. Aquelas pessoas estavam esperando as nuvens passarem ou, simplesmente, um milagre acontecer.

Depois do que todos diziam ser fé, uma das sete maravilhas do mundo apareceu. Ao invés de aproveitarem esse rápido momento para registrar em câmeras, todos bateram palmas. Agradeceram aos céus e fizeram desse instante mais especial e único do que se simplesmente estivessem visto o Cristo sem nenhuma dificuldade.

A cada aparição era uma festa e muitos flashs. Ele, certamente, foi contemplado mais do que o normal e vê-lo dessa forma deixou-me, de certa forma, mais religiosa. Percebi que realmente esperamos por um milagre e o desejo conjunto de todos os presentes fez com que Ele se mostrasse para nós. Bem, já O vi com o céu azulzíssimo e à noite, mas hoje senti-me extasiada e abençoada. Era como se eu estivesse no céu e mais perto Dele.

Foto por Camiℓa Oℓiveira

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Soltando a franga

Mesmo esgotada com o passeio do dia, fui assistir A Gaiola das Loucas, no Casa Grande. Faltando 30 min, saí de casa a passos rápidos - e de salto -, pois a sessão já ia começar.

Tirando o típico atraso de alguns espectadores, que ainda entraram quando soaram o alarme, não tenho o que reclamar da noite. O teatro estava lotado em todo os três níveis da sua estrutura e, felizmente, não houve nenhuma manifestação de gritos ou má educação perto de mim, durante o musical.

A orquestra ao vivo era tão perfeita, que se esquecia da sua presença e pensava-se ser música gravada. Os bailarinos, além de dançarem muito bem, interpretavam travestis perfeitamente, ao ponto de, às vezes, eu não saber se realmente havia alguma mulher infiltrada entre eles. E, dentre os principais, Diogo Vilela, destacou-se e mostrou ser um ator completo. Soube interpretar, cantar e não descer no salto.

Com seus últimos dias em cartaz, essa montagem é inspirada em La Cage Aux Folles, do francês Jean Poiret, que entrou em cartaz em 1973 no Théâtre du Palais Royal, em Paris. Ela também tem no seu elenco principal Miguel Falabella, interpretando o personagem Georges, que é gay e mantém um relacionamente há 20 anos com Albin (Vilela).

Para quem não conhece o enredo, pode assistir ao filme The Birdcage (A Gaiola das loucas), com Robin Willians e Nathan Lane. A história do longa-metragem não tem falas cantadas e algumas cenas não conferem com as da musical, mas ambos são excelentes para extrair boas gargalhadas. Pode apostar.

Não tem baião

A manhã começou tarde, entretanto, não perdi o dia. Coloquei o tênis e me preparei, psicológica e fisicamente, para andar muito. Primeira parada: Jardim Botânico. Não tinha o meu tio para guiar-me dessa vez, mas o mapa entregue na entrada e o bom senso de localização de minha mãe, não permitiu que aquele jardim se transformasse em labirinto.

Verde, rosa, amarelo, lilás, enfim, eram muitas as cores espalhadas em diferentes espécies, tamanhos e charmes naquele quarteirão enorme. Toda a história botânica do Brasil - e até de outros países - está reunida e contemplada com informações para aqueles que, como eu, não conhecia de perto ou por completo as plantas que compõem o nosso ecossistema.

Depois de muito caminhar e tirar fotos, os meus calcanhares começaram a reclamar, mas eu fingia não sentir. Porém, quando o estômago se pronunciou, não tive como ignorá-lo. Encontramos com o meu tio e fomos ao Braseiro da Gávea almoçar.

Na hora de pedir, procurei o baião de dois e não tinha. Achei tão estranho e meu tio logo disse "essa comida é do nordeste, assim como galeto é a cara do carioca". Bem, a carne virou frango, a macaxeira, aipim, e o baião eu troquei por purê de batata.

Depois, sem ao menos a digestão ter começado, encaminhamo-nos para a Da Casa da Táta para comer a sobremesa. Em um aconchego tamanho, essa confeitaria nos recebeu. Xícaras, colheres, cadeiras, porta-guardanapos, nem uma mobília ou os objetos são os mesmos. A única coisa igual é o cardápio das mesas, o qual é bem simples e com poucas opções.

Após uma taça de banana com creme de baunilha, uma conta paga e alguns quarteirões caminhados, o Shopping da Gávea fechou o passeio da tarde. Lá é um espaço com lojas, área de alimentação e cinema, igual ao Via Sul ou Iguatemi de Fortaleza, entretanto, o que o torna relevante para o meu comentário é o fato de ele ter quatro teatros com diferentes peças em cartaz em cada um deles.

Dentro do shopping, o preço sobe e fica um pouco mais caro, comparado aos de Fortaleza, mas é muito bom saber que posso fazer minhas compras ou passear e depois resolver, ao invés do cinema, dizer "que tal uma peça agora?". Não seria ótimo?

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um doce para acordar

Estou nas minhas primeiras férias, desde que entrei em Jornalismo, em 2008. Não queria pisar em uma faculdade tão cedo ou ler assuntos relacionados a ela - que me perdoem os professores. Entretanto, em plena viagem, fui hoje à tarde para o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nada de visitações apenas. Em meio à loucura do comércio do centro da cidade, conheci as suas paredes altas, com arquitetura seguindo o estilo imperial da colonização e as lindas escadarias feitas de madeira, agora já um pouco desgastadas pelos milhares de alunos que por ali passam. Mas, além disso, sentei em uma das cadeiras, dentre os diversos estilos disponíveis, e assisti a uma aula do curso de filosofia, que parecia mais com minha faculdade de Letras.

O tom baixo do professor fez-me resgatar o sono, já provocado pelo balanço do metrô e o fato de eu ter acordado cedo. Quis resistir e deixar os meus olhos abertos, até porque ele mencionava Saussure em seu discurso, que é basicamente a minha aula de linguística. Quase ia entregando-me, a sorte foi o professor ter mencionado o seu adeus. Porém, só o que me fez extinguir a vontade de dormir à tarde foi o pastel de carne, acompanhado de um pastel de Belém, na Casa Cavé.

Troquei o pecado da preguiça pelo da gula. Acho que a troca foi muito justa, até um minuto atrás, pois, nesse momento, não troco minha cama por nada. Estou morrendo de sono.

Passe verde

A tensão dominou no meu corpo e, principalmente, no da minha mãe. O celular alarmou 6h, porém o céu parecia-me 4h. Tudo tão escuro, como se o sol estivesse adiando a sua chegada. Somente perto das 8h, quando o táxi já havia chegado, tudo aparentava ser de manhã cedo.

O sono ainda pesava os meus olhos, mas estava arrumada e com todos os documentos agarrados ao corpo, para não ter perigo de esquecê-los em alguma mobília da casa.

Na Embaixada Americana, a fila era enorme e dava a sensação de uma longa demora e desorganização. Finalmente, dessa vez me enganei. As respectivas pessoas dos horários foram chamadas e entregues as senhas. Depois disso, tudo foi rápido, até o filme na televisão da sala principal. Ele repetia inúmeras vezes com orientações sobre os cinco passos do processo de retirada de visto.

Três filas, uma entrevista e pronto: conseguimos o visto. Nem acredito que vou poder visitar minha tia, rever minhas primas e meu tio, além de poder, pela primeira vez, ir para outro país. Agora posso gritar de felicidade? AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Passagem livre

O fluxo de carros daqui não é diferente de Fortaleza, o que muda é a sinalização, tanto para quem anda em quatro rodas ou a pé.

Como diz minha mãe, o Rio é feito para pedestres. As calçadas são largas. Nem os bares conseguem invadir ou atrapalhar a passagem dos milhares que passam por ela. Objetos duros são espalhados em suas extremidades, impedindo os carros de subirem a calçada para estacionar. As pessoas podem andar olhando para as inúmeras vitrines, ao invés de prestar atenção se algum cachorro deixou presentes de grego por onde passou.

Pedintes no Leblon podem ser contados nos dedos da mão direita. Infelizmente, essa não é a realidade de todos os bairros dessa cidade maravilhosa. No Mosteiro de Santo Antônio, lembrei-me da desigualdade social que não desaparece no mundo. Dormindo perto de monumentos, sentados no chão da praça e, às vezes, em pé sem rumo. Eram muitos espalhados, principalmente perto desse local que resiste ao tempo e passa, agora, por reformas.

Bem, voltando ao assunto "carro", vou deixar um comentário. Acredito que muitos tenham como principal opção o metrô, o ônibus ou o solar do sapato para se locomoverem, pois ter carro aqui é muito mais do que pagar consórcio, prestações, seguro ou manutenção. Além de ter a tradicional paciência com o trânsito, a realidade de qualquer cidade do Brasil, paga-se uma taxa alta para manter um carro parado fora de casa. Vocês pagariam R$10,00 a primeira hora de um shopping? Uma fatia de bolo, da loja "O melhor bolo de chocolate do mundo", quase valeu isso. Mas, na verdade, acho que nenhum dos dois vale esse preço.

Brrrr!!!

Meu conflito com a temperatura do Rio é constante. O frio invade a casa pelas janelas e por baixo da porta. Parece que suas paredes absorvem o calor e climatiza o seu ambiente. Entretanto, quando saímos, sempre é um mistério como as ruas estão.

Não se pode confiar no sol que bate em fervor nos prédios do quarteirão. O vento passa gelando o corpo que veste roupas de verão. Dessa forma, percebo que, além de carregar duas estações na minha mala, ainda tenho que sair nas ruas cariocas com opções de roupa na bolsa.

E se não bastasse o termômetro que fica variando durante o dia todo, o chuveiro ainda brinca comigo. Da minha primeira noite até hoje, só consegui acertar uma vez o tanto que deveria abrir da torneira de água quente e fria.

No primeiro dia, tomei um banho frio, resultado de minha derrota com o chuveiro. Agora, estamos em duelo constante. O melhor e também complicado é que, quando ganho a luta, não tenho mais vontade de sair daquele banho morno que me aquece da brisa gostosa do Rio.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Seguindo o fluxo do Rio

Transporte

O metrô do Rio é o ônibus de Fortaleza. É cada um por si, passando alvoroçado pela porta e procurando lugar para se sentar. Mas o ônibus daqui é diferente. Senti-me matuta ao ver que todos respeitam a ordem das filas nas paradas e passam pela catraca com calma. Achei tão incrível.

Para quem reclama dos R$1,90 da passagem inteira de Fortaleza, aqui é R$2,80 o Metrô de superfície (que faz ligação com o metrô) e R$2,35 o comum. Ninguém reclama ou, pelo menos, não escuto reclamarem enquanto os esperam. Imagina se a prefeita resolve copiar? Os passageiros teriam um enfarte, afinal, já não gostaram quando foi aumentado R$0,30 da inteira.

Centro

Na praça da Cinelândia, a minha câmera não parou um segundo. Parecia que tudo estava reunido lá. Teatro Municipal, Biblioteca Nacional, Câmara Municipal e Museu Nacional de Belas Artes. Os três primeiros estavam fechados à visitação, mas o último não. Muitas salas, muitos quadros e corredores de esculturas. Havia nomes nunca vistos e outros que lembrei de meus livros de história e literatura, como Portinari e Tarsila do Amaral.

Escadarias levavam à imaginação e a uma viagem ao passado. Tudo reunido em um acervo, mostrando artistas do século XX até o XXI, opções disponíveis a todos os gostos, mas o tempo dizia já estar tarde para pegar o rumo de volta à casa. Então, não foi possível dedicar atenção para todas as pinceladas, molduras ou formas das obras.

No caminho, a sabatina era feita pelo meu tio. Tinha de saber endereços, nomes de praças e referências. Acho que vou acabar andando melhor nas ruas do Rio, do que nas de Fortaleza. Acertei a estação do metrô e a parada para descer do ônibus. PONTO PARA MIM! Agora, resta saber se lembrarei todos os dias.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ondas na calçada

Assim como as águas que percorrem parte do Forte de Copacabana, a sua praia, da calçada até a Av. Atlântica, não deixa o fluxo de pessoas parar, nem ao menos à noite. Nas areias, não têm mulheres de biquíni, apenas as estáticas, feitas de areia, que se bronzeiam até mesmo quando o sol se põe. Elas ficam lá, semi-nuas de costas, expostas para os flashs de quem deseja registrar para olhar depois.

Na areia próxima ao calçadão, cangas com o desenho das ondas preto e branca de pedras são estendidas para os olhos atentos e bolsos de dinheiro dos turistas. Outras também ficam ao seu lado, mas nenhuma representa tanto aquele bairro, como a calçada que lembra o movimento do mar.

O relógio alertou 19h e os 23º, que faziam quando saí de casa, desceram para 20º, sem perguntar a ninguém se podiam. Então, o frio bateu no corpo já coberto e o segundo dia no Rio de Janeiro foi terminando com um ônibus em direção ao Leblon. Mas pensa que as ruas da cidade dormiram? Nada disso. Elas continuam intensas em movimento. Só os meus pés que não aguentam mesmo.

Segunda carioca

Hoje, depois de mais de dez anos, tive minha primeira convivência carioca matutina, com direito a ida à feira e a um passeio pelas ruas com o meu tio, ou melhor, meu guia particular.

Em plena selva de pedras, saí para conquistar a cidade, onde a praia, a serra e o urbano se encontram. Nas ruas, seja em direção ao calçadão da praia, ao trabalho ou a passeio, quase todos andam. Não há um perfil ou uma língua definidos, muito menos padrão de roupa. Há aqueles com um estilo verão com muito vento, e os que parecem esperar nevar durante o dia.

E, ao contrário do que, como turista pensava, o mar não perde o seu público no inverno. O termômetro marca 20º e ainda há mulheres com os típicos biquínis brasileiros, banhistas e jogadores de vôlei de areia. Ao redor da praia, ciclistas e corredores com roupas para caminhar, usando o suor para se aquecer.

Na volta, um suco de melancia para esperar o almoço, que não tem hora definida para ser posto à mesa, afinal, estou de férias, sem agenda marcada ou saída pré-determinada. Quero aproveitar a viagem ao estilo cidadão comum da cidade, pois é dessa forma que realmente conhecemos como é na realidade o lugar.

Não quero só cartão turístico, quero mais. Vou deixar-me levar para o restaurante da esquina, a praia não comentada pelas novelas da Globo ou as peças em cartaz todos os dias. Eu vou caminhar e encontrar o que fazer naquela hora e, o melhor, em ótima companhia.

domingo, 18 de julho de 2010

Nas nuvens

Depois de cinco anos, não fui ao aeroporto apenas para despedidas. Embarquei no portão E rumo à minha infância, à minha saudade eterna. Carreguei as malas e a ansiedade de passar logo o voo e a futura dor no ouvido. Felizmente, o incômodo disse um oi e foi embora, o que ficou foi a poesia, a beleza do céu visto acima das nuvens.

Almocei a 10.400m acima do mar e inclui esse como um dos momentos a guardar para reviver nos meus sonhos. Dormi um pouco e lembrei o motivo de querer voltar daqui a dez dias, o meu amado que não deixei em pensamento.

Depois abri os olhos, vi o aviso para colocar os cintos e olhei para a janela. Senti-me em um banho de banheira. O céu era as águas e a nuvem, as espumas. Como ela preenche o azul, parecendo tão leve, tão atraente aos olhos. E no mergulho do avião, comparei com um mergulho profundo meu, mas ao invés da banheira, seria em um rio, o meu Rio de Janeiro.

sábado, 17 de julho de 2010

Melhor de onde?

Em 2008, Márcio Garcia trocou O Melhor do Brasil, na Record, para assumir o personagem Bahuan, de Caminho das Índias, na Globo.

Não assisto o programa, mas acredito que a escolha foi boa, pois senão ele poderia ter o mesmo destino de Rodrigo Faro, o qual, deste então, assume o programa nas tardes de sábado.

Alguns quadros continuam, como o Vai dar Namoro (um comentário à parte: é ridículo uma pessoa procurar começar um namoro em um programa de televisão. Quem realmente quer encontrar alguém não precisa de tanto, afinal, a maioria ou, quando não, todos vão a esses quadros somente para aparecer, por que insistem?), mas acho que ele perdeu o rumo. Vocês não acham?

Rodrigo Faro de Xuxa, Wando, Michel Jackson e Elba Ramalho

Diga-me, há razão para se vestir de outros personagens? Penso que ele não precisa disso para ser um bom apresentador. Ou será que estou errada? Isso aparenta falta de confiança em sua personalidade. Bom, Márcio Garcia nunca usou fantasias, nem ao menos quando lidava com crianças no Gente Inocente.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Luta pela liderança

A expectativa

Esperei a Copa terminar para deixar a ansiedade de comprar o ingresso para a partida Ceará x Corinthians transparecer. O fanatismo pelo futebol ainda não me dominou, o que me fazia querer ir 21h45 para o Castelão, ontem, era a curiosidade de ver como se sairia o novo técnico Estevam Soares. Será que ele manteria a mesma tática do PC Gusmão? Bom, a resposta foi não. Mas o time alvinegro de Porangabussu não passou vergonha em campo. Até ouso dizer que o Geraldo melhorou desde o último jogo. Ele deixou de cair para dar passes mais favoráveis ao ataque.

O jogo

Acabou em 0 x 0, entretanto, isso não significa ter sido um mau jogo. Ambos os times marcaram bem o adversário - em alguns momentos, lógico não intencionalmente, alternavam-se em força e defesa - e deram trabalho aos goleiros. Diego, principalmente, foi super aplaudido por suas defesas. Ainda mais quando Roberto Carlos mostrava todo o seu talento e chutes com efeitos ao gol cearense.

Os momentos de tensão foram quase todos reservados para o primeiro tempo, quando o Ceará estava mais ofensivo - diferente da antiga mania de ficar na retranca, esperando para contra-atacar. No segundo tempo, o jogo esfriou. Os seus primeiros minutos ainda deram uma esperança de gol aos cearenses, mas antes de terminar, alguns já saíam do estádio com a certeza do empate.

A multidão

Os 44.500 pagantes - segundo o site G1 - na noite de ontem superaram o número de público da edição de 2010 (o antigo recorde da competição deste ano pertencia ao Corinthians, na partida contra o Internacional, em 3 de junho, com 33.361 pessoas).

Às 18h já chegavam policiais e torcedores. A 45 min de começar o jogo, continuava tendo gente subindo pelas escadas das cadeiras superiores. Quando não encontravam o seu lado preferido vago, ficavam pelos corredores. As cadeiras não foram todas preenchidas, porém, certamente, esses entre as fileiras dos setores e aqueles escorados nos parapeitos completavam todo o vazio que ainda havia em cima.

Durante o jogo, o cansaço e a preguiça eram deixados de lado. Os olhos tinham de escolher entre ver os jogadores entrando em campo ou admirar os fogos da torcida organizada. As pessoas se levantavam de suas cadeiras, mesmo que não quisessem. Quando o Ceará atacava, todos ficavam em pé e começavam a gritar. Então, quando menos percebia, a energia já era interiorizada e copiada por mim - excetuando os palavrões, que não os repetia, apenas era obrigada a ouvir.

Levantado por milhares

De fora do estádio até a concentração de torcedores no setor destinado a Cearamor, o bandeirão foi carregado, se meus olhos não se perderam, por 72 pessoas. De perto, aparentava estar suja há dias, porém todo o possível mal cheiro foi tirado da mente no momento em que ela foi aberta.

Milhares de mãos desceram a bandeira. Mostravam não se importar se iria atrapalhar a visão ou há quanto tempo esse tecido foi lavado. Queriam demonstrar a união da torcida, de que todos são apenas um. Dentro do estádio, não existe um João ou uma Maria, todos são amantes do mesmo time e estão lá por apenas uma razão, dar força ao Ceará.

Nada de muita água


Infelizmente não pude resistir e fui ao banheiro da ala superior do Castelão. AI MEU DEUS O QUE ERA AQUILO? As portas não se fechavam, a torneira da pia parecia economizar a água, o chão estava imundo e, para piorar, os vasos não tinham tampa, descarga ou algum tipo de limpeza à vista. Isso foi quase às 20h, o jogo terminava depois das 23h, então evitei qualquer tipo de líquido ou comida. Quase fiquei tonta de fome, mas eu aguentava a dor de cabeça e a barriga reclamando para não encostar os meus pés naquele banheiro.

Por favor, o Castelão precisa de uma vigilância sanitária e várias reformas urgentemente. Só espero que quando fecharem para melhorá-lo, ele não fique tanto tempo sem funcionar, como continua o PV.

A volta para casa

O Ceará continua empatado em pontos com Corinthians e no segundo lugar da tabela. Tirando isso, registrei na memória o meu primeiro jogo noturno e com o bandeirão. Agora, só posso desejar boa sorte com o Internacional neste domingo às 16h.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Posso escolher?

Vou trazer o tema Liberdade para duas diferentes abordagens. A primeira é sobre uma matéria no Jornal da Globo que, a quase meia-noite de ontem, fez-me abrir os olhos, literalmente.

"A Assembleia Nacional francesa aprovou por maioria esmagadora um projeto de lei que proíbe o uso em público de burca ou de outro véu que cubra o rosto". (Site G1)

Para os defensores, o véu faz com que haja disparidade entre homens e mulheres, violando assim o direito de igualdade tanto visado pelo país. O que penso a respeito? Um absurdo. E a liberdade de religião? Eu lembro também estar incluso no lema a fraternidade e a liberdade. Não é? Bom, o projeto ainda não foi aprovado no Senado e no Conselho Constitucional francês. Além disso, outros países da Europa, como Espanha e Bélgica, pensam em adotar leis parecidas. Será que eles esqueceram o livre arbítrio?

O segundo ponto já havia refletido sobre, mas a reportagem de ontem do mesmo jornal: a redução da maioridade. Será que adolescentes de 16 anos não têm discernimento do certo ou errado? Se eles não há nesse fase, muito menos terão depois dos 18 anos. Não roubar, matar ou agir de forma pior são ensinamentos vindos da criação, dos "carões" e das orientações dos pais durante o crescimento de seus filhos.

Já presenciamos pela televisão e pelo jornal tantos crimes envolvendo infratores menor de idade. O último caso é do garoto que narrou o assassinato de Eliza Samudio. Ele tem 17 anos e pode ficar até os 21 em uma unidade para menores infratores - segundo a matéria. Já os outros acusados podem pegar 30 anos de cadeia. Dependendo do seu real envolvimento, será essa a melhor punição?

terça-feira, 13 de julho de 2010

...

Nada de planos para mim.
Quero o inesperado,
o convite fora de hora,
a visita desejada
que aparece sem avisar,
a telepatia traduzida
em ações.
Não gosto de esperar,
de sonhar,
pois nunca é como pensamos,
ou pior,
nada acontece.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

...

Moeda é dinheiro, não nego, mas me sinto constrangida quando preciso pagar grande parte da conta em moedas. Olho a reação de algumas atendentes que me encaram com olhos devassadores. Imagina cem moedas de R$0,10, para pagar R$10,00? Os bancos, ônibus e alguns pontos comerciais consideram isso favorável, pois significa mais troco em seu caixa, porém, quando recebo, a bolsa pesa e conferir se torna cansativo e incômodo.

Posso acreditar no funcionário e apenas colocar as moedas na bolsinha, entretanto, muitas vezes já recebi troco errado, principalmente no McDonald's. O caso mais recente foi nesse local, mas não foram R$10,00 e, sim, R$2,00 - e tudo em R$0,05. Haja paciência! Sim, eu aproveito para colocar tudo no porquinho, mas me acusaram de ser a culpada de não circularem mais moedas na cidade, então, mesmo sabendo da ironia, resolvi não guardar todas para mim.

Para comprovar tal desgaste, é só conferir o final de Os Delírios de Consumo de Becky Bloom, quando a personagem se vinga do cobrador, pagando as suas dívidas em moedas, inúmeros vidros com moedas.

domingo, 11 de julho de 2010

Perguntas matutinas

Depois que o Brasil foi eliminado nas quartas de final da Copa, bandeiras foram retiradas das janelas e varandas, os jogos deixaram de ser destaque dos comentários do jornal e as blusas foram deixadas no armário e guardadas para daqui a quatro anos. Então, nada de bola ou futebol. Que tal falar de novela? Bom, não iria render, afinal, não estou acompanhando nenhuma no momento. Pode ser faculdade? Melhor.

Hoje, começa o período de matrícula e, como em janeiro, logo ressurgiu a ideia de que já poderia estar formada no próximo ano. Então, deveria lotar minha grade de disciplinas para não atrasar tanto o meu curso? Seria bom ou ruim terminar Jornalismo aos 21 anos? Deixo um pouco mais a margem o curso de Letras? Não tenho carteira assinada, apenas estágio, então o que iria fazer depois que tivesse a fita roxa prendendo a bata preta e o canudo em minhas mãos?

Seria muito nova para bater na porta dos jornais e das empresas para entregar currículos? Bem, segundo meu professor, nem isso posso realizar, pois o melhor que um jornalista pode fazer é mostrar serviço, ao invés de mandar um pedaço de papel dizendo do que foi ou é capaz. Então, descartando essa ideia, como posso mostrar que, mesmo jovem, guardo uma imensa vontade de aprender e de mostrar experiência de alguém com seus mais de 20 anos de carreira?

Nossa, o que uma manhã de matrícula não faz.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Namastê

Há pouco mais de um mês, recomeçaram as aulas de ginástica em meu prédio. Achei ideal para a minha preguiça em dias de chuva e para adequar aos meus horários de faculdade. Não haveria competições de corpos esculturais ou aquelas conversas banais sobre o tempo e as festas do próximo fim de semana, como geralmente acontecem em academias.

Não tem aquelas máquinas tradicionais da musculação, mas você pensa que têm passos leves ou é para fracos? NADA DISSO. A professora não quer saber se o aluno tem 20 ou 40 anos. Pesos nos calcanhares e nas mãos, equilíbrio e muitas repetições se fazem presente em todas as aulas. Nada de descanso, um segundo no máximo é o que ela dá por piedade.

Ontem, ela resolveu estender o alongamento, que se faz apenas no início da aula, por toda 1h de sua duração. Posso dizer que me lembrou aos meus antigos dias de yôga. Tapete ou colchão no chão, pés descalços e uma atenção redobrada a respiração. A única diferença entre a aula que fazia e a essa feita no meu prédio, foram os cantores americanos em tom baixo, como fundo musical.

Torções, sentir o meu corpo estralar e alongar pernas e braços. É tudo maravilhosamente revigorante, entretanto, o que mais lembro do yôga é o seu final, quando relaxávamos o corpo no chão e prestávamos atenção apenas a nossa respiração e a voz ao fundo da professora. Nesse momento, tudo era esquecido ou ignorado. Os gritos das crianças na rua, o latido do cachorro, a muriçoca voando perto do rosto, a prova do dia seguinte. Tudo.

Não se pensava em nada. Ao observarmos somente a nossa inspiração e expiração, parecia estarmos numa fase entre o dormir e o acordar. Foi estranho para mim nos primeiros dias, mas depois se tornou completamente normal. Quando abria os olhos, percebia todos ali deitados parecerem anestesiados e com a mente esvaziada por um segundo.

Era impossível, para mim, não pensar ou questionar nada por alguns instantes. Porém, com as sessões de yôga, percebi que era possível dar uma pausa dos problemas, das obrigações, do que iria fazer quando passasse porta a fora do Instituto de Yôga.

A mente aparenta melhor funcionamento depois que se faz uma trégua, depois que as máquinas param por um tempo da rotina intensa de trabalho. Fiz por dois anos e parei há dois também, mas, sempre que posso, tento reaver meus hábitos de meditação e alongamento em casa, pois, como diz Ved Arora, professora de yôga há 34 anos:

“Do jeito que a gente faz o resto, todo dia toma banho, alimenta-se, dorme, a intenção seria essa prática regular que ajuda para manter o bem estar”.

Depois de quatro dias direto de ginástica esta semana, o meu corpo resistiu aos incansáveis exercícios da professora. Bom, testes físicos eu já vi que aguento, agora, só não sei se minha cabeça vai suportar o cheiro forte de tinta daqui de casa.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

5 de julho

Um caminhão interrompe o trânsito em plena 22h. Ele tem 32 pneus de cada lado, dois carros na frente conduzindo-o e um motorista no lado traseiro para fazer manobras de ré. Além disso, ele precisa que levantem os fios de energia e desloquem os gelos baianos do seu caminho. Bom, isso dá ideia da sua grande dimensão e força.

Se não conseguiu ter noção de como é o caminhão, então deixe que as imagens embaçadas da noite mostrem ou a escuridão de alguns segundos causada por ele falem por si...


Tem alguém aí?

Assim que a escritora Julie Powell (Amy Adams), inicia um projeto de culinária e decide fazer um blog para postar comentários sobre como é fazer 524 receitas em 365 dias, ela se pergunta: "será que alguém lê o que estou escrevendo?".

Dirigido por Nora Ephron, Julie & Julia (2009) mostra duas histórias baseadas em pessoas reais, que embora não se encontrem fisicamente, suas vidas estão ligadas pelo amor e interesse a culinária.

Julie é funcionária pública pela manhã e seguidora da escritora de "Dominando a culinária francesa" (Mastering the Art of French Cooking), Julia Child (Meryl Streep). Enquanto a primeira, em 2002, propõe um prazo de 1 ano para encontrar um rumo na sua vida e conseguir alguma proposta de trabalho, a segunda - em 1949 - acaba de desembarcar em Paris e, procurando uma ocupação para as horas vagas, encontra no Cordon Bleu a sua segunda paixão (pois a primeira era o marido).

Nesse paralelo, o filme mostra a determinação em ambas de se encontrar, criar metas e alcançar seus planos. Julia, depois de mais de oito anos, terminou o seu livro, em conjunto com duas amigas. Após concluí-lo, não foi fácil conseguir uma editora, porém ela não desistiu. Julie, após ter criado o blog, cozinhar deixou de ser mero lazer e passou a ser meta de vida. Cumprir um prazo e terminar algo que começou, esses eram os objetivos.

As duas conseguiram oportunidades: a primeira seguiu a carreira de apresentadora de programa culinário. A segunda recebeu diversas propostas para publicações de livros, inclusive para transformar suas postagens em um "best seller", que depois virou o filme motivo de meus comentários.

Então, depois de ver as preocupações de Julie se ela estava escrevendo para o vento, para ela mesma ou somente para a sua mãe, eu deixo aqui uma pergunta: alguém lê o Mots ou Masques?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Alguém tem que perder

Lendo ontem a coluna de José Simão, tive a certeza que ele não mede palavras ou inteligência. É muito fácil classificar a qualidade de um técnico pela vitória ou não no Mundial. Houve alguns deslizes (sim, eu concordo) com relação às substituições de Dunga, como o comentado caso do Felipe Melo ou, como já citei em outra postagem, o Josué (camisa 17). Mas, diante de pequenas falhas, dizer em letras garrafais no título "Dunga burro", isso já é exagero.

Não vencemos todas as Copas do Mundo. Dentre as dezenove que houve, o Brasil é o que carrega o maior número de títulos de campeã, com cinco vitórias. Mesmo assim, a seleção de jogadores de 1982, sediada na Espanha, que não rendeu nenhuma taça ao País é tão comentada quanto a que garantiu o tricampeonato, em 1970, ou o penta, em 2002. Quero dizer, não precisamos ganhar sempre, mas queremos ver esforços e boa desenvoltura em campo.

Podemos perder a fome depois da derrota de sexta-feira contra a Holanda; enxugar as lágrimas na bandeira verde e amarela carregada junto ao peito; vestir a camisa preta de luto; e xingar pelos quatro ventos, depois que o jogo acaba, os jogadores, o técnicos e a mãe do árbitro, que, por sinal, deixou a desejar no critério disciplinar. Entretanto, não podemos esquecer o bom trajeto de Dunga nesses quatro anos que ele comandou a seleção brasileira.

Ele, depois de substituir Carlos Alberto Parreira, em 2006, reuniu atletas por seus dribles, comprometimento e, principalmente, visando a disciplina. O seu comportamento aparentemente "esquentado" com a imprensa não o impediu de "conquistar os títulos da Copa América de 2007 e da Copa das Confederações de 2009 e terminar as Eliminatórias Sul-Americanas do Mundial de 2010 como líder, classificando a seleção com três rodadas de antecedência" (O Povo, 2010, p.1 - GOL). Então, embora não possamos gritar o "HEXA É NOSSO" esse ano, temos a certeza de que pelo menos não teremos de ver o Maradona cumprir a sua promessa absurda de andar pelado.

Os nervos poderão descansar no final desta Copa e, em 2014, sugiro a quem assumir o cargo de técnico da seleção brasileira, que inclua um bom psicólogo, pois a pressão pela vitória certamente vai ser ENORME. O nosso país vai ser sede, então, que não aconteça o mesmo de 1950. Os brasileiros merecem e os jogadores merecem ter o gosto dos gols em sua própria casa.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A volta da Saga

Sete horas de uma terça-feira de pré-estreia de Eclipse não é nada comum. Faixa etária a partir dos 12 anos, camisas com fotos dos atores, botons como bônus para quem compra antecipado. Essa é a realidade seis horas antes de começar as três primeiras sessões do terceiro filme da saga Crepúsculo no shopping Iguatemi. Imagina minutos antes de abrir as salas?


Não pude ocupar um lugar na fila, para divertimento meu, mas vi a quantidade de pessoas que se puseram a até se sentar no chão esperando o ponteiro maior do relógio apontar para meia noite.

Sinceramente, não li os livros ou acompanho bastidores e informações em revistas sobre os atores que interpretam Edward, Bella ou Jacob. Mas ontem assisti Lua Nova e, assim como Crepúsculo, senti-me envolvida com a atuação e a história de uma maneira tão profunda, que após o filme já queria estar na próxima sessão de Eclipse no cinema.

Sim, é um romance melodramático, no qual Bella sofre por não estar perto do amado e por acreditar que ele não mais a quer. A partir disso, ela se afasta dos amigos, tem pesadelos à noite e sente um buraco dentro de si, um vazio. Tudo bem, é um pouco enjoado quando se lê a sinopse, mas as cenas, as loucuras, a veracidade como é representado o amor, faz o espectador querer sentir o mesmo e poder demonstrar a quem ama.

Lógico que não acredito em vampiros ou lobisomens, mas lembrei da minha época de vício em The O.C, quando, em cada episódio, eu parecia estar presente na vida da família Cohen. O livro, a novela, o seriado e o filme que nos leva para dentro do enredo, tornando-nos parte integrante da dor, das angústias, das vitórias e das realizações dos personagens são considerados boas obras para mim. Então, mal posso esperar para assistir Eclipse.

sábado, 3 de julho de 2010

...

Chave implica propriedade. Chave da casa, do carro, do guarda-roupa. Mas, antes de tudo, ela significa confiança e maioridade.

Recebi uma cópia, juntamente com minha irmã, da chave de onde eu moro. A surpresa foi tanta, que registramos como a celebração do ano. Não tinha comes e bebes, trajes de gala ou convidados. Estávamos de pijama, com os chaveiros na mão e batendo fotos com um sorriso estilo Garfield estampado no rosto.

Eu já tinha frações de posse da residência, mas, nesse momento, a chave remeteu a credibilidade de meus pais ao me autorizar carregar o objeto que faz a segurança da casa em minha bolsa. Bom, o peso do seu significado é tão grande, que escolho os dias de honra para tê-lo em meu poder.
 
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