A expectativa
Esperei a Copa terminar para deixar a ansiedade de comprar o ingresso para a partida Ceará x Corinthians transparecer. O fanatismo pelo futebol ainda não me dominou, o que me fazia querer ir 21h45 para o Castelão, ontem, era a curiosidade de ver como se sairia o novo técnico Estevam Soares. Será que ele manteria a mesma tática do PC Gusmão? Bom, a resposta foi não. Mas o time alvinegro de Porangabussu não passou vergonha em campo. Até ouso dizer que o Geraldo melhorou desde o último jogo. Ele deixou de cair para dar passes mais favoráveis ao ataque.
O jogo
Acabou em 0 x 0, entretanto, isso não significa ter sido um mau jogo. Ambos os times marcaram bem o adversário - em alguns momentos, lógico não intencionalmente, alternavam-se em força e defesa - e deram trabalho aos goleiros. Diego, principalmente, foi super aplaudido por suas defesas. Ainda mais quando Roberto Carlos mostrava todo o seu talento e chutes com efeitos ao gol cearense.
Os momentos de tensão foram quase todos reservados para o primeiro tempo, quando o Ceará estava mais ofensivo - diferente da antiga mania de ficar na retranca, esperando para contra-atacar. No segundo tempo, o jogo esfriou. Os seus primeiros minutos ainda deram uma esperança de gol aos cearenses, mas antes de terminar, alguns já saíam do estádio com a certeza do empate.
A multidão
Os 44.500 pagantes - segundo o site G1 - na noite de ontem superaram o número de público da edição de 2010 (o antigo recorde da competição deste ano pertencia ao Corinthians, na partida contra o Internacional, em 3 de junho, com 33.361 pessoas).
Às 18h já chegavam policiais e torcedores. A 45 min de começar o jogo, continuava tendo gente subindo pelas escadas das cadeiras superiores. Quando não encontravam o seu lado preferido vago, ficavam pelos corredores. As cadeiras não foram todas preenchidas, porém, certamente, esses entre as fileiras dos setores e aqueles escorados nos parapeitos completavam todo o vazio que ainda havia em cima.
Durante o jogo, o cansaço e a preguiça eram deixados de lado. Os olhos tinham de escolher entre ver os jogadores entrando em campo ou admirar os fogos da torcida organizada. As pessoas se levantavam de suas cadeiras, mesmo que não quisessem. Quando o Ceará atacava, todos ficavam em pé e começavam a gritar. Então, quando menos percebia, a energia já era interiorizada e copiada por mim - excetuando os palavrões, que não os repetia, apenas era obrigada a ouvir.
Levantado por milhares De fora do estádio até a concentração de torcedores no setor destinado a Cearamor, o bandeirão foi carregado, se meus olhos não se perderam, por 72 pessoas. De perto, aparentava estar suja há dias, porém todo o possível mal cheiro foi tirado da mente no momento em que ela foi aberta.
Milhares de mãos desceram a bandeira. Mostravam não se importar se iria atrapalhar a visão ou há quanto tempo esse tecido foi lavado. Queriam demonstrar a união da torcida, de que todos são apenas um. Dentro do estádio, não existe um João ou uma Maria, todos são amantes do mesmo time e estão lá por apenas uma razão, dar força ao Ceará.
Nada de muita águaInfelizmente não pude resistir e fui ao banheiro da ala superior do Castelão. AI MEU DEUS O QUE ERA AQUILO? As portas não se fechavam, a torneira da pia parecia economizar a água, o chão estava imundo e, para piorar, os vasos não tinham tampa, descarga ou algum tipo de limpeza à vista. Isso foi quase às 20h, o jogo terminava depois das 23h, então evitei qualquer tipo de líquido ou comida. Quase fiquei tonta de fome, mas eu aguentava a dor de cabeça e a barriga reclamando para não encostar os meus pés naquele banheiro.
Por favor, o Castelão precisa de uma vigilância sanitária e várias reformas urgentemente. Só espero que quando fecharem para melhorá-lo, ele não fique tanto tempo sem funcionar, como continua o PV.
A volta para casa
O Ceará continua empatado em pontos com Corinthians e no segundo lugar da tabela. Tirando isso, registrei na memória o meu primeiro jogo noturno e com o bandeirão. Agora, só posso desejar boa sorte com o Internacional neste domingo às 16h.