terça-feira, 19 de maio de 2009

Sessão extraordinária

Aproveitando a presença do uruguaio Fernando Andach em Fortaleza, em plena quarta-feira, dia 13/05, o Cineclube abre uma sessão extra.  Ele é professor da Universidade de Ottawa, pesquisador das obras do cineasta Eduardo Coutinho e foi convidado a debater o filme “Jogo de cena” (2007).

Esse documentário se enquadra no cinema verdade, quando mostra a interatividade do cineasta com a situação retratada, além de fugir totalmente do padrão. Ele mistura depoimentos reais de várias mulheres que, respondendo a um anúncio de jornal, vão ao Teatro Glauce Rocha contar algum fato marcante em sua vida, com representações dessas histórias por atrizes famosas e outras não tão conhecidas. Dessa forma, confunde quem assiste, leva-os a terem dúvidas sobre o que é ensaiado ou espontâneo. “O filme explora os dois espaços da representação: como os seres humanos vivem sem roteiros e como atores reagem diante disso”, comenta Andach.

O debate foi marcado por questionamentos sobre até que ponto podemos nos enganar ou deixarmo-nos envolver por uma ficção, sobre o naturalismo utilizado por Coutinho, que permite o entrevistado expressar-se por inteiro, e ainda sobre a dúvida se, mesmo não sendo atriz, as pessoas criam máscaras diante das câmeras, chegando a criar personagens de si mesmas. “Filmar é um caleidoscópio da mente humana, pois mostra os seus diversos personagens”, ressalta Andach, quando levado à questão sobre qual momento as atrizes realmente colocam suas opiniões ou quando é mera atuação.

O décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho foi o grande vencedor do 14º Prêmio Guarani de Cinema Braisileiro e comprova que realmente compensa deixarmo-nos envolver com a história, independente de ser apenas uma representação. “O teatro é um fazer de conta. Um monte de gente que finge ser outra pessoa que não é, para uma platéia que finge que eles são”, finaliza o convidado especial do dia.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Prateleiras vazias

O sorriso,
seu cartão de visitas,
não mais distribui,
esgotou.
As rédeas do tempo
controlam seus passos,
seus planos,
sua rotina.
O banco da praça,
seu antigo refúgio,
não mais a acalenta.
O céu observado,
trocado por cenas da novela,
tornou-se apenas o teto do mundo.
Os detalhes,
os encantos,
a ilusão,
comercializados em caixas,
estão em falta.
O mercado da vida
precisa de um novo estoque.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

De repente, tudo se esvai

Como é difícil nos desprender do passado, desvincularmos de planos feitos, projetos em andamento, de papéis guardados, de presentes recebidos. Tudo parece útil, necessário num futuro próximo. Cada anotação de aula rasgada, livros e objetos doados geram uma pequena angústia em mim, um medo de sentir arrependimento, de precisar depois.

Decisões que não sabemos quais proporções terão, consequências que não podemos prever ou evitar, o mundo que gira independente de nossa vontade. Não temos o controle de nada. Prendemo-nos aos bens materiais, às lembranças, pois é a única certeza que temos, o nosso passado. Nem ao menos dos nossos sentimentos temos o domínio. Como sabemos se conquistamos completamente as pessoas que convivemos? Como resposta, dizem para as deixarmos livres, porque se elas voltarem significa que cativamos, se não, é porque nunca as tivemos. Mas, temo em libertá-las totalmente.

O que parece tão intenso, um dia se esvairá. Talvez o carinho seja verdadeiro, porém o tempo é o único capaz de desfragmentar tal sentimento. A saudade que dói e provoca lágrimas fica retida na memória; o amor e a amizade realçados diariamente diminuem com a distância; os diálogos não mais fluem, tudo está perdido, tornando-se apenas lembranças. O que foi construído por anos – laços, histórias, planos – desmorona em uma estação.

Cruzei o caminho de uma antiga conhecida, considerada amiga nos meus tempos de infância, nem um sorriso lhe dei. Medo de não ser reconhecida, de não ter certeza se realmente éramos tão próximas quanto lembrava, de não conseguir presumir a sua reação. Como podemos assegurar a eternidade de nossos sentimentos? Das promessas feitas? Do que pensamos ser verdade?

Alguém que viu todos os meus passos, minha flor humana, vai se despedir em breve e nada poderei fazer. O tempo e a distância tornar-se-ão inimigos declarados meus, nessa luta injusta entre a certeza do quanto é bom tê-la ao meu lado e o possível esquecimento. Enquanto isso, o vento levará suas pétalas e os anos evaporarão o perfume da doce lembrança de sua presença em minha vida.

Sem autor identificado, em um site nunca acessado

"Certo dia, num mosteiro zen-budista, com a morte do guardião foi preciso encontrar um substituto. O grande Mestre convocou então todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela. O Mestre, com muita tranqüilidade, falou:

-Assumirá o posto o primeiro monge que resolver o problema que vou apresentar.

Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro, com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e disse apenas:

- Aqui está o problema!

Todos ficaram olhando a cena. O vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro. O que representaria? O que fazer? Qual o enigma?

Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e … ZAPT … destruiu tudo, com um só golpe. Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse:

- Você será o novo Guardião do Castelo.

Moral da História: Não importa qual o problema. Nem que seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado. Um problema é um problema. Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou. Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.

Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes. Espaço esse indispensável para recriar a vida. Existe um provérbio oriental que diz: 'Para você beber vinho numa taça cheia de chá é necessário primeiro jogar o chá fora, para então, beber o vinho.'

Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração. O passado serve como lição, como experiência, como referência. Serve para ser relembrado e não revivido. Use as experiências do passado no presente, para construir o seu futuro. Necessariamente nessa ordem!"
 
Palavras ou Máscaras © 2011 | Designed by Chica Blogger, in collaboration with Uncharted 3, MW3 Forum and Angry Birds Online