Aproveitando a presença do uruguaio Fernando Andach em Fortaleza, em
plena quarta-feira, dia 13/05, o Cineclube abre uma sessão extra. Ele é
professor da Universidade de Ottawa, pesquisador das obras do cineasta
Eduardo Coutinho e foi convidado a debater o filme “Jogo de cena”
(2007).
Esse documentário se enquadra no cinema verdade, quando mostra a
interatividade do cineasta com a situação retratada, além de fugir
totalmente do padrão. Ele mistura depoimentos reais de várias mulheres
que, respondendo a um anúncio de jornal, vão ao
Teatro Glauce Rocha contar algum fato marcante em sua vida, com
representações dessas histórias por atrizes famosas e outras não tão
conhecidas. Dessa forma, confunde quem assiste, leva-os a terem dúvidas
sobre o que é ensaiado ou espontâneo. “O filme explora os dois espaços
da representação: como os seres humanos vivem sem roteiros e como atores
reagem diante disso”, comenta Andach.
O debate foi marcado por questionamentos sobre até que ponto podemos nos enganar ou deixarmo-nos envolver
por uma ficção, sobre o naturalismo utilizado por Coutinho, que permite
o entrevistado expressar-se por inteiro, e ainda sobre a dúvida se,
mesmo não sendo atriz, as pessoas criam máscaras diante das câmeras,
chegando a criar personagens de si mesmas. “Filmar é um caleidoscópio da
mente humana, pois mostra os seus diversos personagens”, ressalta
Andach, quando levado à questão sobre qual momento as atrizes realmente
colocam suas opiniões ou quando é mera atuação.
O décimo longa-metragem de Eduardo Coutinho foi o
grande vencedor do 14º Prêmio Guarani de Cinema Braisileiro e comprova
que realmente compensa deixarmo-nos envolver com a história,
independente de ser apenas uma representação. “O teatro é um fazer de
conta. Um monte de gente que finge ser outra pessoa que não é, para uma
platéia que finge que eles são”, finaliza o convidado especial do dia.
