sábado, 27 de fevereiro de 2010

Faltou só o champanhe

Um convite agradável fez-me rever alguns sonhos de infância. Vestir um vestido longo e pular inúmeras vezes para diferentes câmeras. A ideia era bem simples, mas o prazer foi grande de poder ter o gostinho de ser modelo por um dia.

A vergonha já havia inibido a vontade de tentar a carreira fotográfica, mas ontem não deixei a vergonha tomar o meu corpo ou levar-me a uma crise de risos. Entre amigos e num estúdio fechado, eu sambei, rodopiei, pulei só e entre amigos, tive o meu próprio ventilador e ri muito. Foram quase duas horas servindo como objeto de teste de flashs, movimento e angulação.

Diverti-me não vou negar. Já servi como alvo para câmeras de amigos outras vezes e desfilei para minha amiga na sua coleção para um evento Cosplay. Mas acho que é melhor ficar mesmo com o meu jornalismo. Sinto-me mais segura com canetas, blocos de papel e um computador, do que caminhar numa passarela e fazer uma pose ao seu final.

Desfile da Sugoi Cosplay

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Foto por Lardyane Pimentel

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

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Filmagem da coletiva Aonde está você agora?

Amizade fora e dentro dos palcos

A noite de hoje marca a estreia de Marco Antônio Gimenez na montagem de “Aonde está você agora?”, juntamente com o ator Thiago Martins. Um dia antes de iniciar as apresentações em Fortaleza, os atores foram bombardeados numa tarde de coletiva. Muitas equipes de televisão e o Labjor, o único representante do impresso, marcaram presença no estúdio de fotografia da Unifor. Ambos foram calorosos e bem humorados. Receberam positivamente todas as perguntas e não desanimaram diante das duas horas de bate-papos. Thiago, mostrando estar à vontade no ambiente, até cantarolava trechos de diferentes músicas no intervalo das entrevistas.

A peça, que já contabilizou mais de 50 apresentações, tem o seu texto por Regiana Antonini e a direção do iniciante dessa área Bruno Gagliasso. Contextualizada na cidade de Vila Velha (ES) e na década de 1980, ela descreve em flashs a amizade de dois garotos de classes sociais diferentes. A história permite que os personagens possam emocionar o público pelas demonstrações de sinceridade no relacionamento, após uma separação geográfica. As lembranças e o Livro da Sorte foram os únicos mecanismos usados para tentar deixar intacta na mente as boas aventuras passadas pelos amigos Pedro (Thiago Martins) e Gabriel (Marco Antônio Gimenez).

A equipe do Labjor foi a última do dia, mas não se deixou abalar pelo pouco tempo. Aproveitamos a descontração dos dois atores e tiramos todas as dúvidas e curiosidades sobre essa montagem, que começou a turnê ano passado em Belém. Ainda tivemos o prazer de sermos os únicos a ouvir um pouquinho de Legião Urbana na voz de Thiago Martins. Ele já havia recusado outras investidas para cantar diante das câmeras, mas não se intimidou e de forma natural cantarolou “Tempos Perdidos”. Ele também canta e toca “Vento no Litoral” na peça, música inspiração do roteiro.

Ao final das seis perguntas, todos os que restaram no estúdio se reuniram para tirar foto com o Thiago e Marco Antônio, sem esquecer que eles não se livraram tão fácil das meninas ali presentes, que se revezaram para ter uma foto sozinha com os dois. Os atores ainda perguntaram indicações de saídas para curtir a quinta-feira na cidade.

“Aonde está você agora?” estará em cartaz neste fim de semana no Teatro Celina Queiroz. Sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h. E, agora com a entrada de Marco Antônio substituindo Bruno Gagliasso, ela está sem prazo para terminar.

Serviço:

“Aonde está você agora?”
Dias: 26/2 e 27/2 às 21h
28/2 às 19h
Local: Teatro Celina Queiroz
Bilheteria: R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 meia
Censura: Livre

Veja a matéria no Blog do Labjor

E lá vem as borboletas

Pó no rosto, um salto baixo e cabelos arrumados. Estava aparentemente preparada para uma quinta-feira intensa e provocante. Testei meu nervosismo diante das câmeras na aula de Telejornalismo e, entre os meus companheiros da disciplina, li o template. Meu amor ao impresso revela o porquê da angustia de ser filmada, mas vou superar - espero.

Mais duas outras aulas no dia e então começou a preparação para a entrevista com os atores Thiago Martins e Marco Antônio Gimenez sobre o espetáculo Aonde está você agora?. A peça já contabilizou mais de 50 apresentações e agora em Fortaleza tem uma característica especial: marca a estreia de Marco Antônio como substituto de Bruno Gagliasso. Essa montagem tem o seu texto por Regiana Antonini e a direção do iniciante dessa área Bruno Gagliasso. Ela conta a história dos amigos Pedro (Marco Antônio) e Gabriel (Thiago Martins) que mantém uma forte ligação mesmo com a distância, as diferenças sociais e o tempo.

E foi entre esses dois cobiçados atores que eu fiz minha sexta coletiva. Sim, já fiz algumas, mas o corpo internamente ainda demonstra ansiedade e medo de uma caloura. As duas horas de coletiva não os desanimou e não diminuiu o bom humor, que foi característico da tarde. Nossa equipe, que foi a última e única equipe de impresso, ganhou até uma exclusiva de um trecho da música "Tempos Perdidos" na voz de Thiago. Além disso, com muito carisma não recusaram as milhares de fotos requisitadas daqueles que ainda restavam no estúdio de fotografia da Unifor.

A maneira como falavam da peça realmente me convenceu a comprar o ingresso. A história, e não quem são, fez-me querer marcar presença nas poltronas do Teatro Celina Queiroz. Este fim de semana estarei lá, depois conto como foi.

Equipe do Labjor e da Tv Unifor com os
atores Thiago Martins e Marco Antônio Gimenez
e o produtor Léo Fuchs.


¹ Foto por Fabiane de Paula
² Foto por Fabiane de Paula
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Foto por Priscila Barroso

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Acordei mais velha

Passou o dia de ontem e nada doeu. Nenhum cabelo branco deu o ar de sua graça ou a nostalgia chegou antes de eu dormir. O meu aniversário passou e, de repente, tudo parece o mesmo. Os quilos, o sorriso, as obrigações do dia seguinte e a vontade de dormir sempre. A única diferença foi a comemoração.

Acordei perguntando-me como poderia festejar mais um ano, sem estar com aqueles que são os culpados do meu nascimento. Sai do meu quarto e abracei uma cama vazia. O gesto simbólico e o perfume ainda nos lençóis amenizaram um pouco da solidão naquele momento. Tive meus deslizes de estresse e, embora puxasse o ar profundamente, deixe-me levar, por alguns momentos, pelo medo de todos os meus planos darem errado.

Fora isso, tudo normal. Os deuses abençoaram a manhã 23 - para não perder a tradição dos meus aniversários -, assoprei as velas que não são apagadas pelo vento e cortei o bolo. O melhor foi ouvir o coro dos parabéns. Senti que aquele dia estava colorido e não branco como temia. Não pude ter todos os abraços que gostaria, mas tive de muitos.

Mais um ano vem e não abandono as minhas interrogações e vontade de abarcar o mundo com as minhas pernas. As palavras continuam voando na mente, no papel e, agora, na tela de um computador. Tenho dúvidas na faculdade, das atividades diárias, do comportamento humano, do mundo que me é estranho. Blocos de anotações na cabeceira tornam-se companheiro de planos e metas. As folhas tentam clarear decisões que às vezes até um bilhete da sorte é levado em consideração.

Envelhecemos e nossas escolhas se tornam mais significantes e, com isso, o receio de não ter como voltar atrás do prejuízo também. Fazer a melhor festa, ir a todos os eventos convidados - mesmo se tiver vários no mesmo dia -, tentar não machucar os outros com brincadeiras ou ironias e relevar as explosões de raiva. Tentamos agradar a todos e esquivar de causar qualquer dor em nós mesmos e nos outros.

Emprego, família, sonhos, profissão, amizades e desejos. Qual é a ordem de prioridade? Desligo um telefonema importante no meu trabalho para atender a minha irmã em outra chamada? Abro mão de ir à aula para sair com meus amigos? Não viajo por alguns meses para não atrasar a faculdade? Largo os livros no canto para dedicar mais tempo ao lado de meus pais?

Embora possamos acordar um ano mais velho, não temos como ter a sabedoria em uma noite de sono. Não revelarei o pedido que fiz ontem, mas certamente não foi para ter respostas. Se pedisse algo do gênero, era para que eu pudesse ter sempre a chance e a opção de questionar.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

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O aniversário nos torna especial por um dia. Faz-nos sentir importantes, como se só o fato de termos nascido fosse o suficiente para recebermos uns parabéns e um abraço mais caloroso. Assim como um casamento, no qual a noiva ansiosa planeja detalhes e vira a estrela da noite, a festa de aniversário tem um sentido diferente pelo significado de compartilhar uma transição de fase, de idade.

Dizem ser infantil a espera do aniversário. Planejar, contar os dias, empolgar-se, tudo faz parte do pacote, mas pouca gente vibra com a preparação e deixa o momento simplesmente passar. Deixar o dia em branco - como se fosse mais um do calendário -, sem velas, bolo ou felicitações pode não representar nada, entretanto, é como se fosse uma confirmação de que, realmente, sempre seremos mais um no mundo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

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Procura-se motivos
para brigas e desacordos.
O desespero do tempo,
ou da sua falta,
atormenta os seus passos.
A solidão,
em meio a pessoas ditas amigas,
corrompe a face com sorrisos falsos.
Os múltiplos símbolos,
de um mistério que não existe,
faz-a chorar
e procurar motivos para se justificar.
Sente vontade de debulhar-se em lágrimas,
simplesmente por não ter controle
do que virá acontecer
ou dela mesma.
Chorar
para tirar pelas lágrimas
todas as dúvidas e medos.
Chorar
para mostrar a real fraqueza humana
que não sabe por que tenta esconder.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mais uma vela daqui a pouco

Como as crianças que mostram as mãos e fazem a idade com os dedos, ainda me sinto muitíssimo jovem por ainda poder - se quiser - fazer vinte anos com os dedos. Mesmo que seja preciso utilizar os meus pés.

Conto mentalmente os dias e lembro aos mais próximos a terça-feira da minha nova fase. Duas décadas e o medo de envelhecer na aparência ainda não apareceu. Confesso que há dias de estranhamento na frente do espelho, de não conseguir reconhecer aquele ser refletido. O castanho do cabelo, a altura já fixa de algum tempo, os olhos camaleões, enfim, quase tudo o mesmo. Mas ainda assim é engraçado ver os anos passarem, embora acompanhe o meu crescimento de perto.

Sai dos corredores de ladrilhos coloridos e fui para dois mundos onde as paredes falam. Vi o meu nome em vários papéis e assinei em outros mais. Chorei vendo minha irmã se casar e já estou sentindo gotas de saudades de quando minha segunda irmã não estiver mais no quarto ao lado. Subi no palco, falei em público várias vezes - sentindo sempre aquelas borboletas que insistem em me fazer companhia nesses momentos -, progredi no meu estágio e a cada dia fico mais feliz no meu curso e na minha vida.

Planos? Sempre os tenho. O mercado de trabalho me espera daqui a alguns anos, uma viagem está nos meus sonhos profundos e não tão secretos, continuar sorrindo ao lado de minha família e do meu namorado é um desejo eterno, conhecer o que a vida ainda irá me proporcionar, isso eu deixo para ver aos poucos. Sem tarô ou vidente. Quero apenas sentir de todos os modos a brisa, ou melhor, a ventania da felicidade.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

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Alguém notou,
em meio a um futebol amador,
uma menina de costas para o campo?
O som ofuscava o seu choro já tímido,
enquanto ela olhava para baixo
procurando rastros de respostas
nos ladrilhos do chão.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

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Algemada pelo desconforto,
a ansiedade penetrou o meu sono
e corroeu o meu corpo.
Rosto tenso e vermelho,
marcas da fraqueza
e da luta pelo natural,
tem o suor frio o encobrindo.
Como posso ser tão fraca e
não controlar minha noite?
E eu que pensei que iria sair ilesa desse carnaval.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Olhos fixos


Para alguém que ficou grande parte do carnaval em casa, eu tive muitas aflições. Não por mim, felizmente. Sentia medo por aqueles que arriscavam suas cabeças, pernas e braços. Pelas vidas quase em migalhas em cima de motos, snowboards, patins e esquis. Minhas emoções se dividiram em duas estações. Enquanto que no calor do Rio seis competidores faziam mortais e manobras em suas motos na final da Copa Brasil de Motocross Estilo Livre em duas voltas. No frio de Vancouver, acontecia os Jogos Olímpicos de Inverno.

Durante as competições, não havia pódio formado por mim. Torcia pelo acerto, para ver o risco em perfeição. Queria ver altos e diferentes saltos nas rampas da areia brasileira. Fazia sons de piedade a cada tropeço ou mão de apoio no gelo durante a patinação artística. Temia pelas quedas e choques entre participantes nas corridas de snowboard. Mandava, telepaticamente, sentimentos de piedade todas as vezes que via uma tristeza mascarada pelo sorriso amargo de não querer demonstrar o desapontamento dos erros.

Último dia de feriado e meus planos iniciais estão inacabados. Como podia terminar de ler, se meus olhos estavam fixos nos movimentos, na velocidade e no fervor das competições? Eu consegui estudar, mas não sei como não me deixei viciar por completo no encanto dos jogos de inverno. Toda vez que assistia, vinha uma vontade de conhecer o Canadá, sentir o frio das montanhas e de patinar, nem se fosse aqui na praça do meu bairro.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

2010 começou!!

Como todo bebê que nasce - em ambiente cristão - precisa ser batizado, para tirar os pecados que lhe foram colocados sem o seu consentimento, ontem, descarreguei o meu ano passado no mar. Em águas que pareciam ter espumas de mel, pulei sete ondas e mergulhei em outras mais. O sal ou a cor mostarda do antigo azul que guardava na mente não amargaram a tarde ou anularam o recomeço dos meus novos 365 dias. O sol castigava em raios que ultrapassavam a pele e incendiava a alma. As mãos protegiam os olhos e, quando não, os deuses mandavam nuvens carregadas de refrescantes gotas abençoadas. Voltei ao batizado, em plenos dezenove anos meus.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Maniqueísmo

Não vou questionar. É fato. Tenta-se camuflar, mas é de praxe, tanto nos filmes como em novelas, ter aquela tradicional rivalidade entre o bem e o mal. O que me deixa curiosa é o fato de os telespectadores acabarem torcendo pelo bandido e tendo uma relutância com as vítimas. E infelizmente eu não me excluo disso. Talvez seja porque os bons são extremamente ingênuos - até enjoa -, apanham muito antes de revidar e têm aquele ar de sofredor até quando faz justiça.

Vamos citar alguns exemplos de vilões que distorceram a intenção de seus criadores:
  • A irmã de uma cadeirante que, alegando ser sempre verdadeira, acaba agredindo em palavras o bem estar e a harmonia de sua família. Para aqueles que não acompanham novela. Viver a Vida, de Manoel Carlos, tem em seus personagens a implicante Isabel, a qual mencionei no início do parágrafo. Eu não a suporto, mas há quem diga que, quando o autor quer ser politicamente correto, ele faz as falas da Mia (irmã) e, quando quer dizer tudo o que vem à mente, elabora as falas de Isabel.
  • Policiais que invadem uma favela e a todo custo tentam impor ordem no morro. Já esqueceram Tropa de elite? Pouco se debatia as torturas, a repreensão velada em sangue, além dos tradicionais temas como tráfico de drogas e a hipocrisia daqueles que contribuem direto e indiretamente para manter essa ilegalidade. Em vez disso, copiava-se os termos, interpretava-se as ações, achava-se merecido a brutalidade e aplaudia-se a regra do olho por olho.
  • Um empresário que trapaceia e engana sem pestanejar, para alcançar o sucesso profissional que tanto almeja. Ainda lembro que Wagner Moura, com o seu charme, fez os noveleiros esquecerem de suas mulheres e ironias do programa "Sexo frágil" e admirá-lo como Olavo. Mesmo sendo um crápula, não tinha como se ter raiva dele, ainda mais quando estava com Bebel (Camila Pitanga). Quando saia das cenas de Fábio Assunção e Alessandra Negrini, aqueles que assistiam Paraíso Tropical tiravam a televisão do mudo e riam das expressões de Bebel, alguns até adotavam as gírias como "cueca maneira".
Por que esse assunto virou assunto no meu blog? Ontem assisti ao Sob Suspeita (find me guilty). O filme é baseado num julgamento real que durou quase dois anos. Vinte membros da família Lucchese, a maior família de mafiosos nos Estados Unidos, são levados a defender-se, ao mesmo tempo, contra 76 acusações.

Durante as duas horas desse drama, somos levados a compactuar com os acusados e torcer por sua inocência, principalmente, para o Jackie DiNorscio (Vin Diesel). Ele transforma as audiências num centro de ironias. Justificando não ser um gângster e, sim, um palhaço, leva o júri a risadas e os telespectadores também. Distorce a imagem da máfia e a transforma em uma simples família com estilo extravagante.

Inúmeras testemunhas e provas, mas nada adianta. Bons advogados e um extremo carisma foram o necessário para o considerarem todos "not guiltys". Não sentimos raiva por não estarem atrás das grades. Contemplamos o pacto de ajuda e amor entre eles. Fugimos do consenso de se fazer justiça e vemos o lado humano de cada réu. Sente-se até raiva do promotor, que utiliza artifícios de acordos para delação, a fim de garantir a sua vitória.

Ninguém é tão inocente como mostram na ficção. Tanto que nesse longa-metragem mostra a face manipuladora daquele que teoricamente estava do lado do bem. As histórias cinematográficas nos comovem, faz-nos partilhar dos medos e das dores dos vilões. Estou mentindo ou realmente não sentimos pena quando assistimos a trilogia de O Poderoso Chefão? Não lutamos a favor ou achamos bonita a união entre os familiares, sendo em situações ilegais ou não?

Exigimos a justiça pelos nossos ao mesmo tempo em que cedemos tempo e compreensão para os criminosos da ficção. O que há de errado conosco? Somos estranhos ou isso é completamente aceitável?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

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Mais de um mês postergando assistir Avatar em 3D, finalmente ontem deu certo. Iniciei o meu carnaval eliminando esse plano antigo que, não pergunte como, sempre dava errado. Carro lotado, menos de uma hora para começar o filme e ainda não havíamos comprado os ingressos. Mas tudo para o ar. Os R$ 15,00 foram pagos, comi um merecido Subway de almoço e, faltando alguns minutos para a sessão, corremos para descobrir que não foi só a gente que resolveu assistir ao filme em 3D no feriado.

Já havia visto "Pequenos espiões" em 3D no Iguatemi, mas no Via Sul foi bem diferente. Os óculos, apesar de apertar um pouco as orelhas, levam a mente de uma forma melhor a esta nova dimensão. O filme não foi tão bem explorado, quanto os trailers, entretanto, o mundo Pandora tornou-se mais próximo para aqueles na sala de cinema do que se estive plano na tela.

A história? O que posso dizer? Trata nada menos do que a eterna ganância humana de explorar novos ambientes e tirá-los tudo o que for lucrativo. Não importando o meio ou as consequências. Um novo mundo foi criado para ilustrar isso, porém poderia ter sido retratada pela chegada dos portugueses ao país localizado no caminho das Índias.

Uma natureza inexplorável e riquíssima. Um povo fisicamente e culturalmente diferente dos estranhos que ali desembarcavam. Brancos se alastravam e conquistavam o espaço com suas armas mais avançadas e técnicas brutais. As histórias se mesclam, só o final é que não foi o mesmo. No filme, o povo do céu foi embora - pois a justiça sempre perpetua na ficção -, mas, no Brasil, os estrangeiros ficaram e impuseram os seus costumes, alegando trazer conhecimentos e civilização para pessoas que não queriam ou ao menos se importavam com isso. Agora se entende porque às vezes é bom um pouco de ficção em nossas vidas.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Tudo ilusão

Vou parar de falar de meus planos a terceiros. Talvez seja uma praga do destino ou a velha lei de Murphy que não me deixa seguir com minhas metas e agendas. Melhor nem começar a citar, pois é bem capaz de postergar ainda mais. Ainda bem que ficar no carnaval, em fortaleza, é tendência. Não sei quem disse isso, talvez eu esteja começando o boato agora. Não importa. Adiantar matéria, dormir, pular as sete ondas tanto adiadas e sair um pouquinho. Não vou cancelar. Espero.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Observações pré-carnavais

Meu intuito de postar todo dia parece estar se esvaindo, mas tudo bem. Carnaval está quase aí e pego o suposto ânimo da folia para atualizar essa página com pensamentos, observações e as minhas benditas dúvidas, que sempre vem a calhar. Hoje, atualizo em tópicos. Resultado de ter muito o que falar, sendo tudo desconexo.
  • Primeiro, vou tentar parar de fazer metas para esse feriado. Por mais que sinta um ar irônico de meus professores e colegas quando ouviam a tal resposta de "o que vou fazer no carnaval", minha intenção é, além de colocar as disciplinas em dia, adiantar os textos, para não ter perigo de acumular tão cedo. E ultrapassando os limites dos cinco dias, acrescento mais: acredito que ainda dará tempo de fazer meus três textos - em inglês - para o curso da Uece. Isso se nenhuma doença inventar de aparecer, como vem de costume nessa época do ano para mim.
  • Prometi para mim mesma mencionar hoje no blog sobre a Polícia Federal. Meu Deus! Quem acompanhou o meu conflito para receber a carteira de trabalho, sabe que a paciência estava por um fio, não sei como não foi tomada por completo. Enfim, fui fazer semana passada meu passaporte - na esperança de que nestes cinco anos de validade eu consiga convencer o meu pai de me levar ao exterior - e já estava imaginando a tragédia que ia ser. Ministério do Trabalho deu problema, por que Polícia Federal seria diferente? Mas não. Estava presente um pouco mais cedo da hora agendada, tive um atendimento adiantado, rápido e de qualidade. Entretanto, o melhor foi receber no prazo marcado de uma semana, sem ter que ficar em nenhuma fila. Essa situação só me fez ficar mais feliz. Ganhei meu dia.
  • Alguém mais está sendo devorado pelas muriçocas? Flagrei - duas vezes - uma tentando sugar do meu sangue e, ainda por cima, depositar doenças. Não quero ficar doente nesse período, ou melhor, no resto do ano. Acabou essa tradição. Pronto, revoltei-me e acabou-se. Como se isso fosse o suficiente, mas tudo bem. Não custa desabafar.
  • Espelho é curioso. A primeira vez na vida ou no dia em que nos olhamos sempre é estranho. Já perceberam como um bebê se observa? Vê aquele ser estranho nunca visto e, como a tudo que está ao seu redor, quer tocar, sentir o novo. Com o tempo, vai percebendo os movimentos iguais, dele e daquele defronte a ele. Quando enjoa, torna-o comum, mais um na multidão. Quando acordamos de uma ressaca ou noite bem dormida a sensação é quase a mesma. Demoramos a nos acostumar com quem nós somos. No momento em que realmente paramos para nos ver não nos reconhecemos. Comparamos fotos e não acreditamos que não percebemos que realmente o tempo passa. Para alguns, isso representa uma crise de identidade ou uma não aceitação de si mesmo. Para mim, isso se chama apresentação diária de nós mesmos.
  • Mencionando o comentário anterior, embora tenha dito que os assuntos não eram comuns, nessa manhã vi uma ema olhando para uma placa de formatura. De longe, parece que ela está olhando as fotos, mas na verdade é o reflexo que chama a sua atenção. Não foi a única vez que reparei isso, entretanto foi hoje que essa curiosidade do espelho me aguçou. É um objeto que já me atraiu outras vezes a questões maiores, mas não vem o caso mencionar.
  • Minha programação de ontem à noite: fazer o orçamento de um casamento. Calma, ainda vai demorar para ser o meu, mas seria loucura dizer que já sei qual vai ser minha música de entrada na igreja? Acho que toda menina, principalmente as mais românticas, tem todos os seus planos do futuro, independente de saber qual vai ser o marido. Ironicamente, mencionam que isso é um detalhe. Bem, eu sei quais serão os doces, os chocolates (na verdade, quero todos, afinal, os doces e o bolo é o mínimo de uma festa) e tenho dúvidas sobre qual vai ser a valsa. Pensei em modelos de vestidos e que o turno da noite seria o mais adequado para mim e ao pretenso noivo. Ouso até dizer que já tenho o nome deste que me fará companhia no altar - para não fugir da ironia. Dizem que casamento é ruim; tem aquelas malditas piadas e desmotivações para os homens; falam que o primeiro ano é o mais difícil, pois é o momento de se adequar à vida a dois e que sogra é horrível. Eu não quero nem saber. Meu pensamento pode até ser à moda antiga, mas eu sonho com o tradicional: ter minha família (marido e filhos), crescer na profissão e ser remunerada fazendo o que eu gosto, escrever um livro (estou sendo modesta, na verdade, quero mais de um), não engordar muito (mas continuar cozinhando e comendo os bolos da Rosa) e viajar pelo mundo. É pedir muito?
As frases estão longas e sem parágrafos por vários motivos. Não é displicência com o leitor. Nada disso. Ou muito menos que sou uma péssima estudante de jornalismo e não sei que em páginas na internet são melhores períodos curtos. A resposta é clara e simples: os tópicos não permitem parágrafos. Além disso, essa continuidade lembra-me da intenção de Buarque e Lispector, de mostrar o fluxo do pensamento, o qual o meu agora está intenso.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

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Fala-se apenas o pessoal, experiências e problemas? Esquece-se da vida e aproveita o momento em baladas longas para depois relembrá-las em outra festa? Discute-se sobre o trabalho e atualidades do mundo? Quais assuntos se falam com amigos? É por classificação que se define como tratar cada um, o que fazer ou como agir? De repente, não sei mais o que falar. Talvez porque não sei o que importa falar ou o que querem ouvir. Talvez não há quem escute, só quem deseje ser escutado. Não sei.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Doação de sangue

Realmente, hoje não teria como negar a associação entre jornalista e jornaleiro. Fui a três salas para apresentar e distribuir os produtos do Labjor e falar das inscrições para voluntários, que estão abertas até dia 10 de fevereiro.

Não só minha companheira de estágio, como eu, sentimo-nos imensamente seguras para falar como é o processo de apuração, produção e edição no Laboratório. Estamos há mais de um ano e, por mais que tenhamos passado por desgastes nesse ambiente, às vezes é estranho pensar como é não estar no Labjor.

Muitas indicações de livros - pelos professores e familiares -, notícias de jornais, que pela sua instantaneidade, tornam-se impossíveis de acompanhar estando o dia inteiro fora de casa, textos e produções que ultrapassam o horário do trabalho e penetram no sossego da minha cama e do meu almoço. Enfim, estágio é muito bom, unir prática com teoria, mas chega um momento que precisamos de uma pausa para dedicar-nos à renovação da cultura, à aprimoração da bagagem teórica.

Vou ficar estagiando até quando puder equilibrar os dois ou até quando o prazo deixar. Quando ainda esta sensação de aos 19 anos estar em contato com uma parcela do mundo jornalístico for muito intensa e boa de ser vivenciada. Porém, quando eu vir que isso interfere na vida como universitária, estará na hora de repensar se ainda vale dar o sangue muito cedo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

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As fotos e as memórias carregam um cheiro,
talvez a saudade se concretiza no ar.
Não vou transportar-me a um de meus sonhos,
mas irei acordar onde o perfume é mais real.
Será outra ilusão?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

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Sonhar com a minha cama e um banho refrescante está longe dos meus pedidos atualmente. Não voltar para casa depois das aulas, ter que escolher entre colocar no prato comida de carregação ou me envenenar com fast-food, todos os dias, é minha realidade deste semestre. Porém, uma nova rotina vai ser implantada. Não vou deixar que a vergonha sobreponha ao meu sono e me torne uma sonâmbula. Vou permitir-me ser seduzida pelos bancos do Campus e dormir profundamente, ou pelo menos até o alarme tocar. Hoje a experiência funcionou. Os 30 min pareceram uma eternidade. Foi tão bom.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mais de Lúcia Veríssimo e Raphael Viana

Usufruto garantiu, no último fim de semana, um ótimo público e mais histórias para a bagagem de Lúcia Veríssimo, que tem nessa peça a sua estreia como autora e diretora de produção. Em uma conversa à vontade e agradável, Lúcia Veríssimo e Raphael Viana compartilharam momentos de apresentações anteriores, além de falarem sobre o processo de montagem, como está sendo a intensa turnê e os destinos para os quais levaram esse espetáculo que vem sendo tão bem recebido pelos espectadores. A seguir está a entrevista na íntegra e o vídeo.

O bate-papo Labjor: Durante a montagem, como autora da peça, sentiu necessidade de modificar o texto no decorrer dos ensaios?

Lúcia: Não. A gente fez alguns cortes, porque eu tenho um vício da televisão. Na televisão, você tem que repetir muitas vezes, porque a ideia é você conquistar um telespectador por dia. Então, você tem que repetir as mesmas coisas todos os dias, de formas diferentes, porque você não sabe se vai ter alguém novo assistindo. Então, eu usei um pouco desse artifício no Usufruto e a gente fez algumas limpezas, mas foram poucas coisas na verdade.

Labjor: Como autora, você interferiu na direção de José Possi?

Lúcia: Não, não. E nem acho que teria sido correto. Como atriz, todas as vezes que trabalhei com um autor brasileiro, eu sempre pedia “ai Meu Deus do céu, por que eu não escolhi um autor morto?”, porque autor é um bicho muito chato. Ele acaba se metendo nas coisas e eu não acho isso bacana. Eu, como autora, confiei a direção ao José Possi Neto e eu tive que entregar, completamente. Ele era o maestro dessa partitura. Eu tive que esquecer que era a autora e trabalhar como atriz dentro dessa partitura.

Labjor: Na opinião de vocês, o enredo, as discussões e os diálogos seriam os mesmos caso fosse um homem de 50 e uma mulher de 30 e poucos anos?

Lúcia: Não, definitivamente não.

Labjor: Mesmo se mantivesse o conservadorismo do personagem e só mudasse as idades? Lúcia: Não, de forma nenhuma. O homem e a mulher têm um diferente modo de “aproach”. Não seria o mesmo. Você não acha, Raphael?

Raphael: Eu acho, até aquilo que você fala na questão da maturidade. São maturidades diferentes.

Lúcia: Porque durante o espetáculo, ela (a personagem) fala que as mulheres são mais maduras do que os homens, o que eu acho até legal. O homem amadurece de uma forma diferente da mulher. Primeiro mais adiante e depois de uma forma diferente. O homem, na verdade, sempre sucumbe a mulher. A mulher é mais forte nesse sentido, ela tem um foco mais preciso.

Labjor: Queria saber o que mudou da atriz da peça Natal, de 1964, para agora, na forma de interpretar, dos pensamentos?

Lúcia: Nossa Senhora! Em primeiro lugar, lá se vão 46 anos, 45 anos. Eu cresci um pouco mais, eu era desse tamanho e agora tenho 1.73m. Isso já mudou. Quer dizer, mudou tudo, da atriz de quatro anos pra cá, da atriz de hoje pra daqui a quatro anos. Espero que sempre mude, que eu esteja atenta a investir cada vez mais nas mudanças positivas da profissão. É uma profissão que depende exclusivamente de sempre estar atuando, sempre estar exercitando. Essa é uma profissão que só o exercício dela te faz melhor. Então você só vai melhorando com o tempo, se você tá aplicando isso com todo seu fervor, toda sua crença, você vai melhorar. Eu acho que estou muito distante de todos os personagens que eu fiz durante a minha vida inteira ao longo desses 40 anos de vida profissional.Labjor: Vocês improvisam?

Lúcia: Ontem eu errei muito. Às vezes, dá uma desconcentrada em alguma coisa. Então eu errei algumas coisas e tive que improvisar. Mas para eu improvisar nesse texto é muito mais fácil porque eu afinal de contas escrevi o texto, eu sei o que quero dizer. Mas eu não gosto, saí muito chateada. Se pudesse, eu me colocaria de castigo. Acho horrível um ator que não respeita o texto, que não faz corretamente e eu não gosto de ser assim. Não gosto de ser dessa forma de ficar inventando coisa quando já está escrito.

Raphael: E é um espetáculo que não tem galhofa, essa coisa de você criar uma situação para tirar uma risada da plateia. É um embate de ideias, então, quanto mais a gente seguir o que já tá proposto, mais a gente vai tá ganhando com isso.

Lúcia: Concordo plenamente com o Raphael. É um espetáculo que expõe as suas ideias muito claramente. Então, se a gente ficar querendo colocar coisas que não estão naquele contexto vai esvaziar o que é o principal. Outro dia… Tem situações que às vezes a gente é obrigada a improvisar. A gente pede milhões de vezes para que desliguem rádio, telefones celulares, relógio. Eu detesto (relógio), eu me desconcentro enormemente, mas do que com celular. Um celular começou a tocar, depois de todos os avisos. E tocou a primeira, a segunda, a terceira, a quarta e eu vi que o cara não ia desligar, provavelmente devia estar com vergonha de mostrar que era o tal, aí eu falei para o Raphael: “vem cá, esse celular que está tocando é o seu?”. Que dizer, era uma coisa que não existia. E ele rapidamente foi até o paletó dele, que ele já tinha tirado, e disse “não, o meu nã é”. E eu “engraçado”. O apartamento vazio, só nós dois e está tocando um celular, ou é meu ou é o dele. Aí a pessoa se tocou e desligou o telefone. Essa foi uma situação atípica, mas cabe uma coisa dessa. Acho que ele (Raphael) teria a mesma reação. Pois como estava na minha fala e o cara não desligava, eu falei, mas eu acho que ele falaria a mesma coisa. A gente já está numa ligação tão grande que passou absolutamente natural. Ele levantou naturalmente e foi olhar se tava com o telefone desligado ou não. A gente tem uma ligação muito forte em cena. Engraçado que todos os meus espetáculos no teatro até agora eu sempre tive uma comunicação com a plateia muito grande. Eu sempre gostei de estar em comunicação com a plateia. Então, eu busco pessoas, olhares e contraceno falando com aquela pessoa, eu brinco e faço piada. Nesse espetáculo eu não consigo. Até nos momentos em que o diretor me pediu que eu contracenasse com a plateia diretamente, eu tenho dificuldade. É um espetáculo que sempre é tão fechado que eu só tenho vontade de contracenar com o Raphael, porque é só ali, só nós dois. Pela primeira vez, eu não consigo olhar para alguém da plateia porque, se eu olho, eu sinto que eu estou perdendo a gente, entendeu? É como se eu tivesse traindo, é engraçado. É a primeira vez que eu conto isso.

Labjor: Quais são os destinos além do tradicional eixo Rio-São Paulo – além de Fortaleza, para onde mais vocês irão?

Raphael: Nós já estivemos em Angra, Vila Velha.. Estamos fazendo a temporada em São Paulo. Ainda vamos pra Santos, São Caetano…

Lúcia: Guarulhos, São José da Boa Vista, Poços de Caldas, Salvador… Ih, são tantos lugares. É um processo inédito no teatro brasileiro que é fazer um espetáculo simultaneamente num grande centro – quartas e quintas em São Paulo, e sexta, sábado e domingo trabalhando sempre.

Labjor: Vocês acham isso melhor? Quer dizer, não cansa muito?

Lúcia: Evidente que cansa.

Raphael: Mas a gente atinge um público, num curto espaço de tempo, bem maior.

Lúcia: E também você experimenta o espetáculo de várias formas, porque cada público é muito diferente do outro. E o público de São Paulo é o público de São Paulo, o público de Fortaleza é o público de Fortaleza. Então, você está experimentando, na mesma semana, públicos tão distintos e é engraçado. No mês de março a gente vai está fazendo sexta em uma cidade, sábado em outra e domingo em outra. Aí vai ser uma loucura.

Labjor: Eu li que você já tem outros projetos e eu quero saber se é como atriz, como autora e atriz, se é uma peça.

Lúcia: Olha, eu agora não estou pensando em nada mais… Eu não tenho tempo pra nada. Eu acordo e produzo, produzo, produzo, faço o espetáculo, saio de lá, continuo produzindo, produzindo, produzindo. Estou dormindo quase nada, me alimentando muito mal, vivo com asma. Mas estou muito feliz de poder estar fazendo Usufruto dessa forma, muito contente mesmo, e eu não quero pensar em outra coisa por um bom tempo. Não sei o Raphael, mas acho que ele também não vai ter tempo de pensar em outra coisa não.

Raphael: Tem uma vantagem disso também que, às vezes, você sabe que tem um espetáculo que tá em cartaz em São Paulo e pensa: “Poxa, tô tão longe de São Paulo e vou ter que ir até lá. Quando será que vem pra cá?” E essa é uma oportunidade de a gente estar viajando o Brasil todo.

Lúcia: É, e isso dá a oportunidade de a gente voltar daqui a pouco, porque a gente tem recebido uma resposta tão positiva do espetáculo que fazer três dias num lugar realmente é pouco. A gente lota sempre, graças a Deus, as pessoas voltam pra ver o espetáculo, pessoas que foram na sexta e voltam no sábado, que foram no sábado e voltam no domingo. A gente tá tendo de 15 a 22% de volta no dia seguinte. E isso é incrível, então, é bom pra gente voltar daqui a pouco pra Fortaleza de novo e fazer isso com o espetáculo.

Veja a matéria no Blog do Labjor

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Quem escuta os meus desabafos neste blog, pensa que eu só gosto de reclamar. Mas veja claramente, todos os motivos dos meus estresses são justificáveis. Um deles, o que se mantém na minha lista negra há quase quatro meses, é a minha carteira de trabalho. Ela para mim já virou milagre: eu sei que existe, mas está difícil e demorando a acontecer. Já estou vendo o dia em que saio do meu estágio e não assino o contrato. Por que demora tanto? Pensava ser mais difícil arranjar emprego do que a carteira, pelo visto são as duas coisas. Podia ter ido para outro lugar, ficar no sol escaldante e na madrugada do centro, mas preferi a comodidade de um local perto de mim. Bom, a besteira já está feita, não vale mais cancelar para fazer de novo, resta-me esperar. Haja paciência.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Eu..o quê?

Amo biologia, mas a cada dia um conceito me foge a mente. Desenhos, teorias e as discussões sobre a origem da vida não me servem de nada na minha rotina jornalística, pelo menos não até agora. Entretanto, é triste saber que os três anos dedicados ao aprofundamento nessa matéria não me garantiram nada para gravar na memória.

Sim, não posso negar, alguns flashs surgem. Hoje mesmo, passando pela ponte da Washington Soares, observei que o rio Cocó estava completo de plantas e logo vieram algumas palavras tentando se encaixar e, do nada, eutrofização me pareceu ser bem coerente com a situação. Lembrei do Rodrigo também, meu professor. Ele vivia dizendo "quem passa e vê muito verde na água acha bonito, mas isso significa que o ecossistema está em crise". Bem, acho que ele não falava exatamente assim, porém vamos dá um desconto.

Há o discurso que não é necessário trabalhar disciplinas como Física ou Química, se a área almejada pelo estudante é do centro de humanidades. Mesmo que isso tenha certa lógica e que eu não tenha me adaptado aos livros e provas dessas duas matérias, em específico, acredito ser importante termos uma base de todas as disciplinas. Nem quando estamos na faculdade temos certeza de nossa vocação ou profissão, então como selecionar logo no colégio os conteúdos? Outro motivo: por mais que pareça inútil no futuro, quando nem ao menos percebemos, é nos exigidos cálculos básicos ou termos uma noção de algumas prevenções e medicamentos em situações do cotidiano. Fora outras situações.

Não posso controlar o meu armazenamento de dados, mas queria ler e ter a capacidade de sugar as informações e fixá-las. É pedir muito?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Lua nublada

O sorriso escapou dos meus lábios
e da minha mente
e, de repente,
não sabia o que ou como era.
A ausência de sentimentos
prevalecia,
quando não,
a completa perdição
num mundo interno desconhecido
se fazia presente
através da inércia
do meu corpo apático.
Se ousava falar,
a ironia era o meu ar.
Se me calava,
os pensamentos me tomavam,
todos bem dramáticos e
estapafúrdios,
como uma reação pessoal,
para tragar loucuras
e rir do desconexo.
O doce amargo na garganta
eu segurava,
quando deveria extravasar,
e gritar com meus olhos,
metamorfósicos em lágrimas,
a insegurança de não saber o que acontece.
A culpa não é de ter nascido mulher,
nem dos meus pais
ou do governo.
Somente não sabia.
Esse era o motivo.
Às vezes o que nos causa dor
não são as respostas
ou as perguntas,
mas o silêncio.
 
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