sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sessão de sexta

Quando se está distante do círculo amoroso, elaboram-se fórmulas para bons relacionamentos, como se portar, falar ou ocultar pensamentos. Podemos pegar exemplos reais, como criar expectativas com uma pessoa a qual você ainda não saiu ou elaborar uma lista de pré-requisitos, por achar que cada um dos quesitos enumerados realmente se encaixa no amor verdadeiro.

Não há certezas, apenas dúvidas. Essa é a verdade no amor. Inicialmente, não sabemos o motivo de estarmos apaixonados, apenas temos a certeza de que algo no outro nos atrai. Não estou falando exclusivamente na aparência, mas no que o interior nos transparece.

Escolhemos ou o destino nos coloca no caminho de alguém que, às vezes, nem tínhamos a noção, quando na infância, de que iríamos conhecer. O amor é puro e simples na sua essência e no desejo de querer estar diariamente decifrando o outro e aproveitando tanto o silêncio como as suas palavras ao pé do ouvido.

Assisti ao filme A verdade nua e crua (The Ugly Truth, 2009) e posso dizer que é a prova, mesmo que ficção, do que estou dizendo desde o início.

Mike Chadway (Gerard Butler) acredita ter o conhecimento pleno sobre como os homens lidam com relacionamentos. Fala em seu programa da simplicidade que é atrair a atenção masculina, por meio de um exuberante corpo e, bem, é basicamente isso. Grande erro.

Pode até ser verdade que ele conheça a forma que os homens pensam ou ajam em encontros, mas quando se trata de amor, nada é controlável. Comprova-se isso porque quando ele conhece a sua produtora,
Abby Richter (Katherine Heigl), fica completamente encantado. Ela é controladora e um pouco compulsiva com detalhes, características que Mike aconselhou-a mudar para que ela conseguisse conquistar o vizinho de porta. Entretanto, essa personalidade não o impediu de apaixonar-se por ela.

Tudo o que falava com fervor em seu programa, que leva o nome do filme, foram dissipados ao vento por uma paixão que surgiu sem explicação, fórmula ou senso comum. Pode ser apenas uma comédia romântica, mas acredito que não é necessária nenhuma justificativa na escolha do amor. Sentimos e ponto.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Estranhamentos

Minha cidade é confusa por natureza. O sol aparece na janela anunciando que o guarda-chuva pode ficar encostado na parede naquele dia. Protetor no rosto, pego a mochila e vou ao ponto de ônibus, quando começo a sentir gotas ainda insignificantes. A água parece aquelas que caem de ar condicionado e, então, o corpo já não sabe se refresca-se com a chuva imprevista ou se sua pelo calor que condena a alma.

Se já não fosse suficiente o bendito casamento de Dona Joaninha, ainda ganho um reboco de presente. Os operários da construção, ao invés de concentrar o cimento só na área do muro, rebolam sem se preocupar com as pessoas ao lado. Mesmo com uma divisória da parada, meu braço e cabelo receberam uma camada, ainda bem que não tão caprichada, dessa massa cinzenta.

Depois do incidente, o dia correu de forma natural. O sono bateu aos olhos, o prato de self-service acalentou o estômago e debilitou a carteira, almocei conversando com os amigos e fui ao estágio bater o ponto e resolver as típicas atividades jornalísticas. O que fugiu do padrão foi um machucado no dedo. Como pode um corte com papel doer tanto? Não sei se é mais agonizante o fato de, em frações de segundos, um objeto aparentar uma lâmina afiada em sua aparência apática ou se o maior incômodo é pelas dores ínfimas, mas agudas, que latejam em minutos intercalados.

Bem, a dobra do polegar tem o seu risco de sangue e a cabeça deu sinal de exaustão pelo cheiro de sachês, lembrando os típicos patchouli de Belém, de fonte não identificada. Fui embora, mas os questionamentos e incompreensões de detalhes do mundo não acabaram, como no momento em que caminhava para a casa.

Donos de animais de estimação, de uma maneira muito inteligente, para não fugir da ironia, saem de seus apartamentos decorados e muito bem arrumados e levam o seu bicho para passear. Não querem sujar as limitações de sua casa, preferem deixar rastros do seu cachorro pelas ruas. Registro da naturalidade deste em fazer suas necessidades em algum lugar e da irracionalidade do que está segurando a coleira, por não colher e pensar que a calçada é lixo público.

Enfim, mas não era muito nisso que eu queria adentrar-me e, sim, no confuso que é levar dois cachorros para passear e ter um andando segurado pela coleira e o outro nos braços. Qual a utilidade da saída, se não há exercícios? Apreciar o mundo sem as paredes pintadas e poupar as patas? Talvez, como já tenha comentado em postagens anteriores, são os donos que precisam ser adestrados e não os animais levados pelas correntes.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Para que pause?

O Teatro Celina Queiroz estava tranquilo nessa sexta-feira (23/04), com poucos representantes da imprensa, na sua maioria da própria Unifor. Mas o entusiasmo e a descontração dos quatro atores de “Play” penetraram no ambiente e deram vida para a montagem do espetáculo. Apareceram ao palco cumprimentando a todos e depois, cada um, a sua maneira, mostraram um pouco de sua personalidade, gostos e manias.

Maria Maya e Daniela Galli sugeriam mudanças no cenário, enquanto Rodrigo Nogueira se rendia, por alguns minutos, ao sono da cadeira do teatro. Sérgio Marone, por outro lado, não escondia o seu intenso interesse pela internet. O seu primeiro comentário foi um elogio a wireless da Universidade. Além de, durante a entrevista, escapar por segundos para falar com as pessoas conectadas ao seu Twitter, que transmitia ao vivo a coletiva no seu perfil.

Depois das preocupações com luz, filmagem e projeções, deixaram os afazeres de lado e se reuniram para conceder muitas risadas, informações sobre a peça e opinião sobre a temática de “Sexo, mentiras e videotape”, filme no qual Rodrigo baseou-se para escrever “Play”.

“Eu até digo que não é uma adaptação propriamente, é uma peça livremente inspirada, porque eu vi uma vez e escrevi uma peça totalmente nova, apesar de ter muitas referências”, explica Rodrigo sobre a leve influência do filme ao texto.

A construção da peça

Rodrigo, que também compõe o elenco, assistiu apenas uma vez o longa de Steven Sonderbergh e depois construiu o triângulo amoroso de César com a sua esposa Ana e com a cunhada Carla. César vive um frio e tolerável casamento, enquanto tem uma relação exclusivamente sexual com a segunda, sem nenhum diálogo. Diante disso, aparece Sérgio, o seu amigo artista.

Sérgio, vivido pelo ator Sérgio Marone, ao contrário do personagem no qual foi embasado, não filma por ter dificuldades em ter relações. Ele grava mulheres devido a um projeto para mesclar depoimentos íntimos e textos decorados de atrizes.

“E até onde é mentira e verdade, já que é um ator ali de verdade. Uma pessoa fazendo aquilo, vivendo aquilo na sua frente?”, brinca Daniela Galli.

Não só nessas gravações que a mentira e a realidade se misturam. Durante os diálogos, a dúvida se há a própria experiência e pensamento dos atores em suas falas também é levada ao público.

“Na vida a gente é assim. A gente veste máscaras, a gente tem códigos sociais para se relacionar, então é uma discussão do teatro, mas que é muito facilmente trazida para a vida. Isso que é bacana na peça”, comenta Daniela sobre essa mistura do real com o ficcional usada na narração de “Play”.

Não queria fazer uma história apenas sobre relacionamento, Rodrigo desejava ir além e remeter mais diretamente ao “Sexo, mentiras e videotape”. Então, buscou trabalhar uma temática já explorada em outros projetos seus: trazer a dualidade da verdade e da mentira, artifício, segundo Maria Maya, muito pertinente ao teatro.

O resultado da peça já foi apresentado no Rio de Janeiro com Jonas Gadelha no personagem do artista, mas já em São Paulo e aqui em Fortaleza trouxe Sérgio Marone no elenco. Além das três apresentações para o final de semana, o público também lotou as duas sessões extras abertas no sábado e no domingo no Teatro Celina Queiroz.

Veja a matéria no Blog do Labjor

terça-feira, 27 de abril de 2010

- Oi, você pode dá uma entrevista?

Maquiagem pronta, mas de novo a chuva insistiu em aparecer. Sem guarda-chuva em mãos, enquanto caminhava, escolhia se colocava a mochila cobrindo o rosto e aguentava o peso sobre os braços já trêmulos ou se deixava as gotas desmancharem o pó e blush cuidadosamente passados. Decidi por nenhum dos dois e apressei o passo até encontrar um local coberto.

Roupa um pouco molhada, aparentando suor, e a ponta dos cabelos sem definição pela umidade. Porém, nada disso impediu de fazer a gravação de telejornalismo. Peguei a van da Unifor, com o cinegrafista e a minha dupla, e fomos ao terminal.

Não havia, ao contrário de sexta-feira, grupos de motoristas conversando em pequenos grupos nos corredores, em meio a filas extensas. Nada de ônibus estacionados com trocadores em suas cadeiras. Que ironia do destino. Tínhamos autorização hoje, entretanto, nada adiantava até o momento.

Então, uma alma santa apareceu. Ele saiu de seu micro-ônibus e foi lanchar por cinco minutos. Nessa hora demos o "bote". Abordamos com sorrisos quase de súplica e conseguimos alguns minutos em sua companhia a frente das câmeras. Falou da importância de sua profissão pelo fato de lidar com vidas, embora o seu olhar revelasse um pouco de raios àqueles que reclamavam por trás das catracas.

O tempo parecia passar rápido, mas felizmente era ilusão. Saímos do terminal duas vezes, caçamos fardas e transporte da Viação Urbana, fizemos três sonoras ao todo com profissionais da área de transporte e só faltamos implorar para os passageiros responderem aquela bendita pergunta: "o que você pensa quando se fala em ônibus?". Enfim, ultrapassamos só um pouco do primeiro horário, mas nada muito além. Voltamos antes da hora prevista e ainda deu para eu errar quase sete vezes a passagem (não sei o porquê, mas ou o cobrador combinava com o nome Raimundo ou, inconscientemente, tentava proteger a sua identidade que, aparentemente, não queria revelar totalmente a terceiros).

domingo, 25 de abril de 2010

Bem íntimo

Resolvi começar hoje pelo começo, afinal é bem sugestivo. Nada da pirâmide investida do jornalismo, inicio pelos meus passos na lateral interna do Teatro Celina Queiroz. Caminhava sozinha, porém não me importava pelas pessoas acompanhadas por amores e amizades. A sede por observações e por decifrar a propaganda anunciada no dia anterior, na coletiva, tirou o sentimento de uma possível solidão.

Sentei e, bem à frente, o palco mostrava-se de cortinas abertas. Tudo estava às claras: o cenário e o vício de Sérgio Marone, que evidenciava o monitor de seu notebook, para captar o público da segunda sessão de sábado de Play pela webcam. Tudo transmitido ao vivo no Twitter, assim como ontem.

Ria contida, na ânsia de comentar com alguém. A senhora ao meu lado direito pareceu interessada na minha reação ao desconhecido para ela. Comecei a conversar com ela, provavelmente o casal ao seu lado era a filha e o cunhado, então, de repente, tinha conseguido uma companhia para a noite.

A campainha toca - três vezes - e as luzes se apagam. Em "Sexo, mentira e videotape" é baseado para compor o texto de Rodrigo Duarte, mas vi também um pouco do filme brasileiro "Jogo de cena" em Play. Os depoimentos, as ironias e o duplo sentido, tudo provocava uma simultaneidade de risos e constrangimento. Algo natural e bastante discutido, como relacionamento, tratado de forma simples, exemplificada e reflexiva.

Como a vida pode ser dúbia? Dizeres tão reais, mas de pessoas falsas, e outros verdadeiros, entretanto, soando mentira. Em que nos prendemos? Como descobrir o que realmente é? Será que a sinceridade importa sempre?

Sérgio Marone interpreta um artista com um projeto de vídeo em andamento. Ele pergunta no início de suas filmagens: "Revele algo íntimo". Trouxe a pergunta a mim e associei a um diário. Revelamos a páginas seladas - às vezes por cadeado - segredos íntimos e obscuros. Verdades não filtradas pelo medo da reação dos olhos alheios e dos pensamentos repreensivos.

Deixamos cair lágrimas e misturar-se a tinta da caneta, que descreve emoções, felicidades, sensações e desejos. São páginas que não precisam de enfeites, além dos adjetivos usados em excesso e do detalhe da letra, que vai mudando o tamanho e a beleza, dependendo do cansaço, do calo no dedo e do sono acumulado.

Depois da pronúncia em escrita, nada se diz ou comenta. Nada se propaga ou anuncia ao ares. Nas palavras se guardam memórias para posterioridade, para depois retornar a elas e ver mais de mim mesma. Autora de minha história, mas que lê o diário como se fosse de um terceiro, querendo decifrar o que há por trás daquelas páginas.


sábado, 24 de abril de 2010

Em rec

Para compensar o dia anterior, em pleno horário de pico, fui em um ônibus quase particular. Paramos apenas no Iguatemi e "pegamos" três caronas. Fora isso, tudo tranquilo. Vento circulando tranquilamente e nada de pessoas inconvenientes para ter de aguentar pelo trajeto. Mas não é exatamente esse o foco da minha postagem de hoje.

O Teatro Celina Queiroz estava estranhamente vazio. Nada de equipes de TV local, apenas jornalistas de impresso e a TV Unifor para fazer a coletiva da peça Play. Aproximamos do palco e os atores estavam todos lá. Não em cena, como costumamos ver, mas arrumando, discutindo e palpitando sobre detalhes do cenário.

Rodrigo Nogueira escapou por alguns minutos e dormiu nas poltronas, Maria Maya e Daniela Galli circulavam do camarim para o palco fazendo comentários sobre algo não decifrado a mim e, enquanto isso, Sérgio Marone conectou o seu Twitter e não desgrudou mais, nem ao menos durante as entrevistas. O vício era tamanho que, no início da coletiva, ligou a webcam e nos conectou ao vivo no seu Twitter.

Particularidades artísticas a parte, tudo foi maravilhoso e inusitado. Receberam tanto a equipe da TV como a do Labjor com um astral muito elevado. Mostraram-se empolgados para conversar e bater foto quantas vezes quiséssemos. Falaram as palavras ditas antes de cada espetáculo, fizeram propaganda do seu espetáculo estilo spot - "Afinal de contas, para que pause, para quem tem play?" - e foram bem prolixos nas respostas, demonstrando assim interesse em cada pergunta. Enfim, foi muito revigorante para uma semana exaustiva.

Obs: Vou hoje para a peça Play e amanhã conto a história e minhas percepções. Até!

Da esquerda para direita: Waleska Santiago, Suiani Sales, Maria Maya,
Daniela Galli, Rodrigo Nogueira, Sérgio Marone, eu e Fabiane de Paula.


Fotos por Fabiane de Paula

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Quase um diário

Meu sono é parcelado e previsível. Acordo a mesma hora, quando o celular não ousa tocar, como alguma coisa para acalentar o estômago e retorno a cama para uma leitura literária. Os dedos correm as páginas procurando um parágrafo seguro para descansar os olhos. A mente, entusiasmada pelo discorrer da história, disputa com o corpo, que clama por mais alguns minutos para dormir. E, desse paralelo, a curiosidade se rende aos lençóis de algodão.

Minhas sextas-feiras e fins de semana reservo a essa minha mínima satisfação matinal. Hoje não foi bem assim. Do atípico está comum trocar esse meu momento por atividades extracurriculares. Não reclamo da situação, aproveito para ver palestras e adiantar trabalhos no estágio. Esta manhã foi um pouco mais inusitada. Arrumei os cabelos, coloquei maquiagem e constatei tristemente que estava chovendo. Para o desânimo de ser, possivelmente, em vão dedicar-me um pouco mais com a aparência, além de também surgir uma vontade de entregar-me aos travesseiros e o colchão.

Peguei a mochila, carreguei o guarda-chuva e desci rezando para diminuir a chuva quando saísse para a rua. Caminhei pela calçada e as gotas de água caiam com mais piedade, para minha felicidade. Estava protegida pelo meu quase guarda-sol, mas queria qualquer transporte a qualquer passada minha, para não arriscar a bondade dos céus até a parada do ônibus.

A topic passou e eu fiz uma expressão de "pode parar?", sem nem levantar as mãos. Depois de segundos, a porta se abre a alguns passos atrás de mim. Corri, enrolei-me com as várias posses em minhas mãos e agradeci ao motorista. Passei pela catraca e o som lembrou da reportagem que iria fazer a seguir no terminal. Mas fiquei refletindo depois que gostaria de ter feito o tema "bons modos no ônibus". O motivo: não pedirem para segurar a minha bolsa pesada. Mencionei inúmeras vezes - incomoda também ser insistente no comentário-, mas vou colocar novamente a pergunta: "qual o mal em pedir?".

Enfim, desci na Unifor, encontrei minha dupla de telejornalismo e fomos gravar. Terminal parceladamente lotado e, mesmo assim, foi difícil encontrar alguém para responder simplesmente: "o que você pensa quando se fala em ônibus?". Tinham medo de errar e vergonha da aparência e, assim, escondiam-se por trás da pressa e do riso nervoso.

Grupos de motoristas ao nosso lado e um papel impedia de falar com eles. Por que demoram tanto para entregar uma autorização? Queremos falar da importância do cobrador, profissão tão esquecida pelos passageiros e substituída por uma dupla função de motoristas de micro-ônibus, e mesmo assim as empresas reagem como fossemos denegrir a imagem delas.

Bom, uma hora depois, retornamos no carro da Unifor. Não conseguimos tudo que queríamos, mas fomos recompensadas em calorias na hora do almoço. Por um convite tentador, eu e minha amiga com mais duas companhias nos encaminhamos para o McDonald's. Sem academia, com o número do cheddar em minha bandeja e tendo um refrigerante 700ml em minha mão, que minha consciência não deixava abandonar ao lixo, a balança concreta e mental vai se manifestar, mas tudo bem.

Até agora houve variáveis em meu dia e adorei tudo isso. Ainda resta a coletiva da peça "Play" no fim da tarde, então boa sorte para a nossa equipe e que não façamos feio diante dos atores. Sorte para nós!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

No aperto

Não só o tamanho se assemelhava, a falta de bom senso também foi comum ao micro-ônibus de hoje e as topics. O aperto era tão intenso, que até o vento passava com dificuldade. Vinte quatro acentos - todos preenchidos - e um corredor, no qual o motorista insistia em abrir as portas e convidar mais um pedestre a tornar-se passageiro.

Não só a contínua entrada de pessoas me tiraram um pouco da paciência. A tradicional falta de modos de não se oferecer para segurar os livros e mochilas pesadas também se manifestou em grande parte dos que estavam sentados.

O pior foi chegar ao terminal e, aqueles que passaram a "viagem" toda acomodado, também querer ser o primeiro a descer. Deviam percebem que a mínima recompensa de ficar algumas horas do trânsito em pé é sair do aperto, do calor sufocante e trocar de ônibus o mais rápido possível.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vida louca, vida

Do salão de beleza, mudei a rota e fui à Beira Mar. Não gastei dinheiro numa escova de alguns dias de duração, mas andei quase todo o calçadão da praia e conversei muito com uma antiga amizade. Depois de quase um ano sem vê-la, fui como co-pilota no carro para, em seguida, ajudar nos seus planos de ir a Jericoacoara.

Pausa para uma observação: é tão estranho ver uma amiga de infância dirigir, é como se eu envelhecesse um pouco mais diante de questões como essas. Isso também, mais pelo fato de não ter tirado minha carteira de habilitação ainda.

Bem, voltando, depois das milhares de propagandas dos ônibus e dos pacotes de viagens, caminhamos em direção ao ConePizza, mas o lugar não dava sinal de existência e mais uma vez dobramos em outro rumo: Habib's.

Foram detalhes de um dia possivelmente comum em Fortaleza, mas, das três excelentes companhias, rever uma delas em específico e manter os segredos, os desabafos e a vida alheia atualizados completaram a minha tarde/final de noite. Isso trouxe ânimo e muitos sorrisos.

É muito bom rever e reviver momentos, entretanto, cada um ter a sua vida e sabermos que, mesmo longe, sempre podemos recorrer quando precisamos ou poder ver a vivacidade ou ações diárias por meio das novas mídias me faz muito mais feliz.

No mundo feminino

O espetáculo cearense “Catálogo” estreou nesse sábado (17) no Teatro Celina Queiroz. O texto de Rafael Martins trabalha à crítica pela cobrança do novo, do profissional tentar manter-se sempre na mídia. Ele escolhe o mundo da moda para ser o alvo dessa abordagem, mas essa é uma situação comum a qualquer profissão, como afirma o ator Walmick Campos.

“O texto fala da crise existencial e crise criativa de uma estilista, mas poderia ser de um ator, de um diretor, de um artista plástico. Mas, focou-se no universo da moda, acho que para focar mais ainda no universo feminino”, afirma Walmick.

Após sete meses de preparação, além de Walmick, André Gress, José de Ipanema e Amenhotep Rodrigues aceitaram a proposta de entrar em cena incorporando mulheres. Nada de homens transvertidos, a diretora Ana Cristina Viana queria algo mais natural. A intenção era eles mostrarem suas perspectivas do mundo feminino. Por isso, além das aulas de expressão corporal para adequar os seus movimentos às ações femininas, eles saíram em campo para estudar o comportamento das mulheres em diferentes ambientes.

“Vocês não vão deixar de ver homens, mas a ideia é que sejam homens interpretando mulheres”, explica André.

Ele ainda enfatiza que o cruzar de pernas foi uma das maiores preocupações durante os ensaios, pois eles eram acostumados a sentar mais relaxado, mas durante a peça isso não poderia acontecer. Além da dificuldade em tentar distanciar-se dos estereótipos muito utilizados por humoristas, como os gestos e modo de falar exagerados.

“No final nos estávamos mais brincando, mais no início foi tenso. A gente nunca tinha andado de salto alto, então quase torcia a perna”, brinca André ao relacionar os desafios com a diversão nos ensaios.

No camarim

O Teatro estava em pura escuridão. Andamos em passos lentos, orientando-nos pelas paredes, e fomos ao camarim. Enquanto os técnicos testavam a iluminação, André Gress conversava com a equipe do Labjor e nos deixava bem a vontade em seus bastidores. Quando Walmick Campos chegou, decidimos iniciar nossa entrevista.

Descontraídos e demonstrando bom humor em todas as respostas, os dois atores falaram do objetivo da peça Catálogo, dos impasses ao tentar não interpretar “o que está na mente do que vai codificar uma mulher” e da diversão aliada ao trabalho da preparação durante os ensaios. Após a entrevista, os outros dois atores chegaram e ficaram os quatro reunidos na plateia do Teatro. Quem olhava para eles, todos de barbas e despreocupados com a aparência, não imaginariam que no dia seguinte virariam mulheres.

Veja a matéria no Blog do Labjor

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Um McColosso, por favor!

Perde-se a noção do tempo naquele ambiente onde o ar e a iluminação são os mesmos. As vitrines convidam para o consumo. O cartão de crédito pulsa dentro da carteira, querendo libertar-se e ser usado. O presente comprado ao outro motiva a uma satisfação pessoal também. Mas a bolsa se fecha e a mente faz questão de esquecer a senha do dinheiro a prazo. A mão fecha e o bom senso fala mais alto, entretanto, para garantir, o corpo se afasta da tentação.

Os sorrisos estáticos das vendedoras nos demonstram a aparência de tudo está bem. As facilidades de compra e os cartazes de comidas apetitosas e, para minha tristeza, altamente calóricas fazer a dor de cabeça sumir, porém apenas superficialmente. Talvez tudo que saia de lá não seja completo e, sim, supérfluo.

Minhas angústias, a necessidade de compensar esforços e o estresse são esquecidos quando encontramos um objeto perfeito e nos presenteamos. Caminhar e nos perder nas horas para fugir dos problemas internos e caminhar chorando tendo a certeza de que ninguém irá notar, é bem típico de lá. Há sorrisos, oportunidades, encontros, brigas, registros, fofocas e crescimento. Literalmente a vida passa por um shopping, mas nunca imaginamos como ele se torna tão cúmplice de nossos tratamentos psicológicos.

domingo, 18 de abril de 2010

Saindo do Catálogo



Durante a coletiva de sexta-feira, a expectativa de conhecer um pouco mais o processo de preparação se evidenciou. Queria saber quais eram as visões do mundo feminino, como foram as oficinas e os bastidores dos ensaios. André Gress e Walmick Campos ficaram responsáveis em chegar mais cedo e responder as perguntas. Em pura simpatia e bom humor, falaram da maior preocupação da mudança de homem para mulher: não sentar de pernas abertas e evitar fazer gestos muitos exagerados.

A entrevista durou quase dez minutos, mas tudo muito agradável. Ainda fiquei um pouco mais para registrar momentos mais descontraídos entre eles. Todos relaxados nas cadeiras do Celina, quem passasse por eles, não imaginaria que logo depois eles testariam maquiagem feminina e ensaiariam suas mulheres.

Na noite seguinte, poderia ser uma reunião do .Com, mas não, ontem foi a estreia de Catálogo. Quatro atores aceitaram a proposta de incorporar a aparência e os modos femininos. Sete meses aprendendo, além do roteiro, como falar ou mexer as mãos sem fazer o típico estereótipo dos humoristas cearenses.

Trabalhar o estresse do processo criativo, a eterna cobrança do mercado, mais especificamente do mundo da moda, essa foi a proposta do espetáculo. Bem, no geral, a peça foi uma roda gigante de risos. O pico foi Mafalda - a palmatória da moda e dos bons costumes. Walmick, em qualquer personagem interpretado, conseguia destacar-se por sua leveza projetada nas falas.

André e Amenhotep Rodrigues conseguiam diferenciar-se nos papéis. Nada de mulheres parecidas, mostravam perfis diferentes. Desde as jornalistas afoitas às pessoas da enquete popular.

Foram apenas duas apresentações no Celina Queiroz em abril, mas, em maio, Catálogo volta a se apresentar todo sábado, às 20h, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz. Confiram!

Da esquerda para direita: Amenhotep Rodrigues,
Walmick Campos, eu e André Gress

Foto por Waleska Santiago

sábado, 17 de abril de 2010

Antes da palestra

Os planejamentos se esquivam de minha agenda e provocam latências na minha cabeça, mas, felizmente, fora isso, no final da semana tudo resultou como as expectativas de segunda-feira e principalmente ontem.

Para minha alegria, o Jornal de Bandeja chegou antes da hora marcada para a palestra de Vik Muniz. Separei os números respectivos para as distribuições dos setores internos e das faculdades e fui em direção ao Teatro para garantir um lugar mais perto do palco. Com a câmera na mão, comecei a regular diafragma, ISO e velocidade, não podia deixar para a última hora e não prestar a atenção ao compartilhamento do processo criativo de Muniz.

O artista plástico e fotógrafo chegou e logo o reconheci. Vi um menino não identificado aproximar-se dele para bater um retrato, então resolvi ir até ele e entregar a última edição do Bandeja, que foi temático sobre o seu trabalho.

Sem anúncios ou apresentações formais - acho que até esqueci de dizer o meu nome -, falei com ele e entreguei o resultado do trabalho do Labjor. Vik Muniz foi simpático e aparentou ficar bem satisfeito com o que via. O seu assessor no Brasil, Fábio, também pediu alguns exemplares para ele e, sem hesitar, fui buscar mais. Bom, pelo menos a pressa e mudança de pauta valeram o esforço.

Fotos por Waleska Santiago

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Quinta-feira de loucuras

Duas aulas e um abandono não intencional na terceira. Estava cansada e um pouco estressada, entretanto, deixei-me conduzir por duas fotógrafas e fazer um ensaio que, nas suas quase duas horas, mudou de perspectivas várias vezes.

Blusa branca, maquiagem feita por mim e a vergonha ainda se manifestava no sorriso nervoso. Mas, depois, não ligava para os flashs fortes ou as loucas indicações de fotos. Assim, desliguei-me um pouco das irritações diárias e esfriei o meu ânimo.

Pouco depois, na cadeira do teatro, voltei ao primeiro semestre da faculdade, mais especificamente à aula de filosofia. Seis atores em cena, um diálogo de reflexões entrelaçado ao mito da caverna, de Platão, durante todos os 35 minutos de duração da peça.

Prestigiar minha amiga atriz e o diretor da peça, primeiramente, foi minha intenção primeira de estar presente ontem à noite. Mas o texto bem construído e a atuação com o roteiro dito em tom natural pelos os atores, fizeram-me satisfeita de não ter ido para casa mais cedo.

Com o teatro lotado em pleno dia de semana, A loucura da verdade estreou em duas noites. Foi um sucesso para fixar no currículo do Grupo de Teatro Arteiros em Cena e na memória de Fábio Pinheiro, diretor e roteirista.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Da geleia ao caviar

O Espaço Cultural Unifor abre a exposição “Vik Muniz” ao público amanhã. Nesse mesmo dia, o artista plástico e fotógrafo vem a fortaleza para falar sobre o seu processo criativo e suas obras. O espaço do Teatro Celina Queiroz já está lotado há duas semanas e as vagas no Auditório da Biblioteca, para assistir a transmissão ao vivo, também se esgotou. Isso é um indício da repercussão que será a sua mostra, que também teve grande reposta nas duas primeiras cidades visitadas, com recorde de público no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro e no Museu de Arte de São Paulo (MASP) de São Paulo.

Vik Muniz é paulista, mas reside nos Estados Unidos desde muito novo. O dinheiro que patrocinou a sua ida a Chigago, onde tinha uma tia morando lá, foi fruto de um acidente. Na década de 80, foi apartar uma briga e acabou sendo baleado na perna. Para evitar uma denúncia na polícia, o dono da arma ofereceu uma boa quantia em dinheiro. Depois de dois anos, resolveu partir para Nova Iorque e, após de alguns subempregos, foi descoberto pelo crítico de arte do jornal The New York Times, Charles Haggan.

Ele mistura técnicas já utilizadas por Picasso, como pegar elementos inusitados e incorporar a sua arte, e redimensiona. Ultrapassa os detalhes da obra e faz com que a matéria-prima seja destaque, vire o todo. A sua arte tem sido destaque em grandes museus do mundo. Depois dos Estados Unidos, México e Canadá, a sua exposição veio ao Brasil. Agora, está em nossa cidade e o Jornal de Bandeja não podia deixá-la fora de nossos temas. A ousadia foi tamanha, em nossa redação, que até tentamos entrevistar previamente Vik Muniz por e-mail, mas até o fechamento do jornal, não foi possível incluir essa ideia no papel.

Então, leia mais sobre a artista nessa edição e não perca a chance de ver de perto a criatividade em fotos.

Serviço:
Vik Muniz
Local: Espaço Cultural Unifor
Visitação: 16 de abril a 8 de agosto
Horários: de terça a sexta (das 8h às 20h) e aos sábados e domingos (das 10h às 18h),
Entrada gratuita – Estacionamento no local

Veja a matéria no Blog do Labjor

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Do comum à arte

Será que a mãe de Vik Muniz o proibia de brincar com a comida? Bem, se ela o impedisse, certamente estaria deslocada ao ver o grande destaque desse artista plástico e fotógrafo no mundo.

Quando passamos na rua, vemos lixo acumulado, sobras de comida e destroços inúteis. Vik vai além do óbvio da urbanidade e transforma-os em arte. Não estou falando de reciclagem e, sim, de usar esses elementos como matéria-prima para produções artísticas. Da geleia e pasta de amendoim, apareceram duas versões de Mona Lisa. Do açúcar, foi detalhado em um retrato o perfil de cada criança do canavial do Caribe. Picasso já fazia isso, usar elementos inusitados em detalhes de suas obras, mas Vik redimensiona essa participação. De um pormenor, transforma como o destaque do trabalho.

Nada é por acaso, a escolha de cada material aliado ao tema da foto, e isso torna a arte cada vez mais especial e interessante para ser apreciada. Antes, fazia apenas esculturas, porém começou a fotografá-las e percebeu que o resultado ficava melhor. Bem, agradeço a essa descoberta. Pois imagina ter de viajar por muitos países com cada criação? Isso facilita o contato com a obra de um paulista, que infelizmente tem mais destaque e reconhecimento fora de seu território.

Dia 16 vai ser aberta ao público a exposição Vik Muniz no Espaço Cultural Unifor. No mesmo dia, ele vai dar uma palestra sobre o seu processo criativo e suas obras. Eu vou tentar garantir uma cadeira na frente, fotografar cada palavra e contar detalhes depois aqui. Aguardem!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

A conquista pelas palavras

A expectativa não foi em vão. Com algumas horas de antecedência, já estava na IX Bienal Internacional do Livro no Ceará para garantir o meu lugar na palestra de Lira Neto. O sono carregou meus olhos até quase pesá-los totalmente. Quando descobri a mudança de auditórios, a troca de ambiente despertou o ânimo e o ar condicionado reanimou o corpo, que teve de tremer para se aquecer.

Enfim, o convidado é anunciado. Lira Neto foi apresentado pela Jornalista Luiza Amorim. Dentre as inúmeras faculdades inacabadas e carreiras iniciadas, o escritor sempre desconfiou de sua tendência para as letras. Entrou numa redação pela primeira vez para trabalhar como revisor e, quando trocou de empresa, saiu como repórter do segundo semestre de Jornalismo. Não precisava de formação, tecnicamente, pois já tinha talento, mas a vontade de ter o conhecimento específico, além da vocação, fez-lo terminar o curso de Comunicação Social.

Do jornal diário foi para a literatura, mais especificamente à biografia. Capta personagens polêmicos, fortes e poderosos de uma época, depois esmiúça sua vida que não os torna santos ou diabólicos. Mostra o perfil de cada um - os defeitos e as qualidades - para agradar, de certa forma, aos fãs e aos inertes à personalidade escolhida.

Na palestra Biografia: uma fronteira entre Literatura, História e Jornalismo, Lira Neto revelou o seu envolvimento e dedicação para cada obra bibliográfica feita, desde a primeira - O poder e a peste - até a mais recente publicada - Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão. Em todo projeto, um quadro branco vira parede de CSI: cheia de fotos, trajetórias de passos dados, nomes de fontes e endereços para visitar. De tanto envolvimento, preferiu sair de casa e ter um espaço exclusivamente para trabalhar, assim, quando desligasse o computador, iria para casa e dedicar-se-ia somente à família.

Sua relação é íntima com cada obra. Não faz biografia autorizada e não escolhe pessoas vivas. Ele quer total liberdade para se aprofundar nos detalhes, para fazer com o que o leitor adentre-se na leitura desde a primeira palavra, até o último ponto final. Por isso o começo é tão difícil, pois procura a frase inicial ideal para soar agradável à leitura. Ele quer uma melodia atraente e vai colocando um pouco de suas percepções em cada passo da vida observada. Penetra tão surdamente e cegamente a eventos outros do mundo, que a obra é dada como pronta para divulgação, quando o editor diz que o prazo já acabou, pois, para o autor, sempre cabe mais alguma informação.

Saí minutos antes da palestra, fazendo um trago íntimo de que leria alguma obra dele ainda esse ano. Ele anunciou um próximo projeto, para, se possível, lançar em 2014. O nome o contrato bloqueia a sua boca de mencionar, mas para dar uma dica falou que o título poderia se chamar: "o poder é a peste", pela característica polêmica, como todos os seus antigos alvos selecionados, do personagem da vez.

Lira Neto é apaixonante. Não li, infelizmente, nenhuma de suas biografias, mas o seu bom humor frequente em seu discurso, o sorriso de menino levado e aparência de doce fazem com que você queira conhecer o autor em suas palavras, mesmo que estas não revelem explicitamente a alma de quem escreve, só do alvo escolhido pelo escritor.

Foto por
Camiℓa Oℓiveira

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Não desgosto dos movimentos a favor do meio ambiente. Realmente acredito que a ação individual faz a diferença com o todo. Mas quando é o mesmo diálogo, sem muitas pesquisas e dados, qualquer campanha fica falha a questionamentos de incrédulos. O quadro "O super sincero" voltou ao Fantástico. Quando Luiz Fernando Guimarães, em seu personagem, é deparado com uma ativista querendo-o convencer a ter atitudes em defesa do mundo, ele responde de uma maneira tão enfática e aparentemente embasado, que até cogitamos a dar razão à causa dele.

Assim podemos exemplificar o quanto a informação, a certeza imposta no discurso e a segurança de estar preparado com o conteúdo trabalhado fazem a diferença para defender as crenças pessoais e os estudos e projetos realizados. Não só o Jornalismo, como a vida, pedem organização e preparação para o mundo, sobre o mundo.

domingo, 11 de abril de 2010

Itaquatiara

Entre amigos, emoção e um coquetel, Socorro Torquato inaugurou a sua exposição “Itaquatiara”. Cada visitante que se dirigia até ela, sendo do ramo da comunicação ou convidado especial, Côca (apelido dado pela família e como assina nas obras) falava pessoalmente e registrava o momento. Ela mostrou-se, em todo minuto, orgulhosa de seu trabalho e feliz de compartilhar o resultado com todos os presentes.

As 40 aquarelas receberam as legendas e a parede branca direcionada à entrada do Hall da Biblioteca foi preenchida com palavras de elogio do escritor Ariano Suassuna para a artista plástica em exposição.

“Assim é que, nesta sua nova exposição, que possui o belo e significativo título de ‘Itaquatiara’, apresentando trabalhos em nanquim e aquarela sobre papel canson, e seguindo os passos de outros artistas armoriais que também beberam dessa rica fonte, como Dantas Suassuna e Romero de Andrade Lima, Socorro Torquato realiza uma arte de vanguarda a partir do nosso passado mais remoto, demonstrando mais uma vez que, em  arte, não existe progressos, só mudanças e variações.
 
Os resultados finais, claro, sempre dependerão do talento individual de cada artista, cada qual conformando um referencial exterior  e comum ao seu universo interior e pessoal, à visão-de-mundo singular de cada um, o que me leva a afirmar, mais uma vez, que o Movimento Armorial nunca representou qualquer tolhimento à liberdade criadora dos artistas que a ele se vincularam.

O que o Movimento fez foi tão-somente apontar direções que poderiam ser seguidas – como a desses estranhos reinos e impérios latino-americanos que moram em nosso sangue assim como estão enterrados em nosso chão. Uma vez estimulados à busca e à decifração do Enigma, surge o momento em que cada artista deve trilhar o seu caminho, numa viagem solitária e que só poderá empreender com seus próprios pés.
 
É essa a viagem que Socorro Torquato vem realizando de uns anos para cá com a minha aprovação e minha bênção.”

Ariano Suassuna
A mostra marca a sua estreia em aquarela para exposição, apesar de já fazê-las para ilustrações em livros.  Então, aproveite e confira o resultado de muita pesquisa e dedicação, que estará aberto ao público até o mês de maio.

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Ontem teve maratona de Glee. Para quem não conhece, é um seriado sobre jovens que participam do grupo de coral da escola. Cada um tem seus defeitos, qualidades e problemas pessoais, entretanto, quando a música começa a tocar, nada os impede de soltar a voz e uni-las em um mesmo tom e melodia.

O primeiro episódio começou às 10h e o último às 22h da noite. Não pude ver todos, como gostaria (por um ótimo motivo, que não vou mencionar). Mas passei mais de sete horas diante da televisão, motivando a minha vontade de cantar. A cada intervalo, a minha intenção era repetir cada música escutada e tentar seguir o ritmo. Eu já falei que amo dançar, mas cantar também é muito bom. Dependendo da letra, aparenta que estamos cantando nossos próprios sentimentos, pensamentos e emoções.

Quem nunca ficou diante do espelho ou no chuveiro e, não resistindo e sendo afinada ou não, soltou a voz? Não vou negar, eu adoro fazer isso. Em quatro paredes ou com amigos. Às vezes a vergonha aumenta e impede de cantar mais, porém, quando não, sinto a música e canto. Pode apostar.


sábado, 10 de abril de 2010

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Hoje resolvi deixar o texto monotemático e fazer algumas observações:

  • Assisti a propaganda da Chevrolet, com o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, e fiquei indignada. Em entrevistas, Oscar falava que não gostava quando associavam as suas milhares de cestas com a expressão "mão santa". Ele alegava o seu reconhecido desempenho nas quadras ao fato de treinar muito e, não, por ter ajuda divina. Mas agora faz uma propaganda usando esse termo, quebrando qualquer comentário de desgosto antigo seu. Contraditório, não?

  • Quinta-feira fui à inauguração da exposição “Itaquatiara”, de Socorro Torquato. Assinando Côca em suas obras, ela estava entre amigos e muita emoção mostrando as suas 40 pinturas em aquarela. Mesmo sem marcar previamente, felizmente consegui falar um pouquinho com ela. Percebi o tão doce e humilde ela é, gostei de conhecê-la.

  • O resultado do meu braço vacinado depois de dois dias? Bem, para os curiosos, no começo eu tinha mais dor local e ontem, se encostasse, a lágrima descia. Mas agora estou bem melhor. Algumas compressas de gelo e não fazer muito esforço com os braços, então tudo bem.

  • A próxima pauta de telejornalismo é sobre ônibus, resultado: fui pedir, juntamente com uma amiga, o telefone de motoristas e trocadores de microônibus e grande circular. A vergonha em fazer isso foi grande, mas o pior foi sentir que eles pensaram que estava dando em cima deles. Ainda bem que enfatizei: faço jornalismo e estou fazendo uma matéria sobre trocadores. Cada uma que minha futura carreira me faz passar.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mandinga

Terça-feira almoçava sossegada no Centro de Convivência, quando sou alertada de um gato sentado ao meu lado no banco. Não era um menino bonito, para a ironia do duplo sentido, era um felino de cor preta com olhos penetrantes fixados em mim. Olhei com susto pelo inesperado e, assim que nossos olhares se encontraram, lanço um grito de medo e desprezo pela companhia não convidada.

Ele pulou com leveza ao chão e não em cima de mim, para minha tranquilidade. Foi embora, mas fiquei com receio de outro contato surpresa. O que ele queria? Enfim, fui ao estágio e deixei-me tomar pela pressão de fechamento de prazo. Passou as quatro horas obrigatórias por dia e continuava no laboratório, quando o breu invade os computadores e as todas as salas. A universidade ficou às escuras e, o pior, eu não tinha salvado o arquivo que estava mexendo.

Ouvia os alunos comemorando - certamente por isso atrasar a aula - enquanto estava compartilhando agonia com os meus companheiros de estágio. A luz voltou e, mesmo assim, o computador não compactuou com a minha necessidade de terminar o jornal.

Percebi que não iria ter necessidade insistir e fui embora. Ontem, o apagão se repetiu e, coincidentemente, na mesma hora, lembrei do gato preto e associei a esse evento. Será que ele foi um aviso? Alguém está de complô com minhas horas extras no estágio? Já vou começar a ouvir e fazer exatamente o meu expediente de trabalho.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Ossos do ofício

Relutei em palavras e procurei criar motivos justificáveis para não me vacinar, mas não deu certo. Parece que tudo me levava a reservar alguns minutos da manhã de hoje para caminhar longos metros em direção a uma agulha maldita.

Duas aulas praticamente canceladas, convenci um amigo para acompanhar-me. O sol escaldante compunha - para exagero meu - a marcha fúnebre de meu destino ao medo de infância não superado totalmente. A fila fora da sala branca estava com quatro jovens. Juntei-me a eles e percebi não ser a única a temer o desconhecido. Entretanto, ninguém desistiu ou se abateu. Conversamos entre si, para esquecer o que viria a seguir, depois entramos, assinamos o livro de comprovação da mocidade e entregamos o braço e, não, a honra.

Não chorei, como quando criança, contudo senti um frio descendo a temperatura do corpo. Virei para o lado direito, para preservar o braço que escreve - inclusive escrevo esta postagem só com ele -, e fechei os olhos. Não doeu, mas lógico que senti, sou humana.

Agora está comprovado: sou uma mocinha. O ruim é ter de arcar com a consequência de ficar com o braço dolorido.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

No compasso

Da minha curiosidade de assistir a uma aula de dança de salão, fui até ao fórum pegar carona com a minha irmã para ela ter seu primeiro dia de aula de samba e bolero. Quando chego ao point jurídico, o ambiente lembrou-me um hospital. Grandes corredores, luz sombria e choro de criança ao fundo. Isso só se associou a necessidade de tomar a vacina do H1N1.

Tenho mesmo de ir? E se for como a substância talidomida. Receitado para mulheres grávidas, para diminuir náuseas e vômitos, não se sabia as graves consequências que causariam a essas gestantes. Crianças nasciam sem algum de seus membros ou com outras más formações, mas levaram-se anos para a empresa ser condenada e os prejudicados indenizados por isso. Pode ser ignorância de minha parte, mas acho que a resistência diante do desconhecido e da agulha, às vezes me leva a questionar.

Enfim, voltando ao passeio, fui para a academia. Seis homens professores, diante de uma turma feminina. Dançam uma música e se sentam na seguinte, nesse rodízio de poucos homens para muitas mulheres, elas aprendem e treinam os passos em seus saltos altos. Algumas olham para o chão, mostrando insegurança e medo de pisar no pé do seu guia. Outras têm as passadas gravadas na memória e na melodia, deixam-se levar e aproveitam para rir e desfrutar do momento.

Como é bom dançar. Sentimo-nos tão leve. Danço sozinha para sentir e expressar-me em cada música. A batida guia os movimentos e a sua velocidade. Danço a dois para manter o contato, para nos tornar único em meio a multidão da pista, esquecer os outros e isolar-nos numa melodia que pode ter sido feita especialmente para aquela hora.

A aula acabou e a contagem estava na memória, até a cabeça encostar no travesseiro. Entretanto, o gosto por essa arte não vai se esvair assim tão facilmente, mesmo com meu sono dando alerta do cansaço.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O mundo em fotos

O motivo inicial foi puramente para atender a uma demanda do estágio. O que se tornou obrigação, em instantes, virou uma visita cultural espontânea. Fui, em poucos minutos, duas vezes ao Espaço Cultural da Unifor Anexo. A primeira para observar e a outra para fotografar. Questionava-me, a cada momento que olhava os registros fotográficos de Marc Riboud, sobre a sua sensibilidade e sorte em pegar situações tão únicas e particulares.

Foram olhares, cotidiano e eventos significantes ao mundo e ao próprio fotógrafo marcados em uma seleção de 60 obras dos seus cinquenta anos de carreira. Em uma ordem não definida, ou ao menos não compreendida, dezoito países (Estados Unidos, China, Índia, França, Afeganistão, Rússia, Irã, Japão México, Cuba, Ghana, Guinea, Vietnã, Nepal, Turquia, Nigéria, Algéria e Brasil) foram reunidos em um só ambiente, onde o preto e a iluminação indireta predominavam.

O fundo musical, as frases curtas ao lado de cada obra e o ambiente frio, que acalenta nessa Fortaleza indecisa com sua temperatura, eram também detalhes e ao mesmo tempo elementos destacáveis dessa visita.

Quando vou a exposições deste alto porte, fico na ânsia de carregar uma câmera no bolso e não só na memória. Há tantos momentos que queremos registrar além dos olhos. Guarda-se muito, mas é melhor partilhar isso de uma forma mais concreta, sem ser necessário usar adjetivos e frases longas para descrever verbalmente os fatos.

São os pássaros do Campus, que de tão acostumados, andam pulando próximo das pessoas; os bastidores de uma entrevista no meio da rua; as invenções na cozinha de uma sexta-feira santa; o estádio em um jogo clássico de Fortaleza X Ceará; as despedidas prolongadas com o namorado; e as inconveniências e loucuras do dia-a-dia. Alguns fatos temos a oportunidade de ter o objeto desejado e a ferramenta do registro. Entretanto, nem sempre é assim.

Côca Torquato estará aqui dia 08, às 19h, para inaugurar a exposição Itaquatiara, que leva a sua assinatura. Por coincidência, quando voltava de Riboud, resolvi fotografar as prévias da próxima mostra de arte que abrirá dia 09 de abril no Hall da Biblioteca da Unifor. Técnicos ajeitando a iluminação, quadros sendo colocados e tudo passava despercebido. Então, decidi desfocar os quadros e voltar-me para aqueles que estavam ao redor. Os bastidores me atrai pelo não óbvio, por mostrar algo além do abordado diariamente.

Aproveitando isso, faço um comentário: no sábado (03/04) começou a instalação de mais uma fonte na Unifor. Se eu não visse a construção delas, acreditaria que elas apareciam por brotamento. Bom, caso a razão para tamanha quantidade for para reduzir o calor, vou logo avisando que não adianta, senão as chuvas inesperadas e aleatórias por bairros funcionariam.

P.s. Frases descritivas das fotografias de Riboud

Linha superior:
1 Afeganistão, 1955. Esta tartaruga levou vários minutos para atravessar a estrada. Tive todo o tempo de escolher o momento mais propício para fotografá-la.
2 Nigéria, 1960. As elegantes senhoras a caminho do grande baile da independência.
3 Afeganistão, 1956. Zona tribal, perto da fronteira do Paquistão, uma fábrica de armas os as crianças aprendem a manusear as armas.
4 Mulher no trem, China, 1957. Camponesa chinesa em um trem. Minha primeira foto na China, no trem que leva à fronteira, em Guangznu.

Linha inferior:
1 Washigton, Estados Unidos, 1957. Em frente ao Pentágono, uma jovem americana enfrenta com uma flor as baionetas dos militares durante uma passeata contra a guerra do Vietnã.
2 Touraine, França, 2009. A sombra do fotógrafo diante de um matagal.
3 Perto de Xangai, 1995. Construção de uma torre de vidro nos subúrbios de Xangai.
4 Touraine, França, 2001. A neve cobre as pedras em frente da minha casa.
Fotos por Camiℓa Oℓiveira

Os imprevistos do teatro vivo

Dez atores, um roteiro e cenas incertas – Corte Seco é o terceiro de uma trilogia que foi iniciada com “Conjugado” e seguido por “A falta que nos move”. Todos se caracterizam por apresentar um método de mesclar a realidade e o imaginário no palco. No caso de Corte Seco, para o real é usado o artifício dos nomes dos personagens serem os mesmos dos atores e o fato de pegarem elementos do próprio cenário como uma peça do diálogo. Como quando Eduardo Moscovis discute com Branca Messina: “como é que você pode falar, se não tem nenhuma cadeira?”. O imaginário é mostrado com a tradicional ficção dos fatos, mesmo estes sendo baseados em histórias verídicas. O que diferencia cada história é a abordagem crítica do estudo. O ator Ricardo Santos explica que acontece um progressão das histórias. O “Conjugado” trabalha com o indivíduo,”A falta que nos move” trata de um núcleo menor, como a família, e “Corte Seco” trata de um coletivo maior, como a sociedade.

A peça tem direção de Christiane Jatahy. Ela também está presente durante toda a apresentação, fazendo cortes aleatórios das cenas e propondo outras. Isso faz com que cada espetáculo seja único. O início e o fim são os mesmos, mas o caminho de um até o outro fará com que os espectadores fiquem na expectativa e na dúvida em descobrir o que é ensaiado e o que é improvisado. Isso faz parte da proposta do teatro vivo.

“Os textos não são muito amarrados e você age de acordo com o que está acontecendo na hora, com a reação da plateia, com os cortes dela [Christiane]. Não é um texto absolutamente decorado, ensaiado e marcado”, comenta Ricardo.

Thereza Piffer prefere até usar a expressão imprevisto, ao invés de improviso, pois este remete a uma desorganização, mas o que acontece é, na verdade, uma reação a todos os fatores que acontece quando estão no palco, principalmente nas vezes que a diretora deixa fluir as cenas e os atores têm se delongar até ser feito o corte.

Corte Seco esteve em Fortaleza, nos dias 26, 27 e 28 de março, no Teatro Celina Queiroz. A peça lotou os três dias de apresentação e uma sessão extra no sábado. Inicialmente, todos os atores se mostraram abertos à entrevista, mas com o tempo passando e o número grande de jornalistas na fila, tiveram de se despedir aos poucos e retornar ao Teatro para continuar os ensaios. Dos três que continuaram, os atores Marjorie Estiano e Eduardo Moscovis e a diretora Christiane Jatahy, a pressa os fizeram limitar as perguntas, mas nem por isso deixou de ter um clima descontraído com a nossa equipe do Labjor.

JustificarEntrevista

Labjor: Como foi a seleção dos textos para compor a história?

Cristhiane: Histórias reais, com propósito de causar diferentes estados de sentimentos para quem assiste e para quem faz o espetáculo. A história foi feita em fragmentos, eles se interligam e um ‘ilumina’ o outro. A escolha por fragmentos é para que o público possa enxergar algo da sociedade, mesmo que essa percepção seja ‘micro’, objetivando provocar vários sentimentos para quem assiste e pra quem faz. Tem momentos alegres, tristes, arriscados, tensos.

Labjor: Vimos que 95% da peça é ensaio e 5% é improviso. Tem como o público perceber os momentos de improviso?

Cristhiane: O interessante é saber que o público, algumas vezes, acha que o que é improviso é ensaiado e vice-versa. É nessa linha tênue (ensaio e improviso) que a peça está inserida.

Labjor: Qual o intuito de se ter na peça o jogo de ensaio e improviso para a compreensão do espetáculo?

Eduardo:
A proposta da peça não é essa, não temos a intenção de causar no público essa distinção, na verdade, essa dualidade (improviso e ensaio) é o que menos interessa para a gente. A proposta é fazer com que o público entre num ‘jogo’ com a gente, assim a ideia da peça será melhor absorvida. O que queremos é que o público entenda da melhor forma possível, afinal, casa espetáculo é diferente.

Labjor: Já passaram por algum mico por esquecer alguma cena?

Eduardo:
Não trato isso como mico, a gente ensaiou bastante. Ensaiamos 5 meses, 6 horas por dia, na tentativa de achar o melhor para a execução dessa linguagem. Ensaiamos bastante e por isso não é para acontecer erros , mas se isso vier a acontecer, temos que assumir e tentar melhorar da melhor forma possível, por exemplo, se a Cris notar que não estamos de acordo com o previsto, ela vai intervir e saberemos que precisamos mudar.

Labjor: Já que a interação da peça com o público é tão grande, o próprio público pode intervir nesses cortes, já que a peça não tem uma sequência de cortes?

Cristhiane:
A proposta não é essa, mas o público de alguma maneira está colaborando com o corte no ato pensar sobre a peça. Não há uma intervenção direta, de forma verbal, mas são intervenções no ato de está assistindo, observando o andamento da peça.

Veja a matéria no Blog do Labjor

A mais pedida

Depois de assistir a este vídeo, respondam-me: tem como não rir? Assisti na sexta-feira e se mantém na minha memória até agora, como posso esquecer a melodia feita ao vivo desta criança? Não vou contar como é a gravação, mas, só ressalto, ele já ganhou uma fã.



Verdade Louca

O Teatro Celina Queiroz não se resume ao Projeto Grandes Espetáculos. O espaço também é palco para projetos do Mirante, grupo de teatro vinculado à Unifor, e para atores que querem ganhar nome no cenário de arte de Fortaleza. Semana que vem, nos dias 14 e 15 de abril, o espaço recebe o Grupo de Teatro Arteiros em Cena apresenta “A loucura da verdade”.

A peça foi dirigida e escrita por Fábio Pinheiro, aluno do curso de Belas Artes da Unifor. E, baseada no mito da caverna, de Platão, mostra a história de Matilda e suas três filhas, que vivem isoladas do mundo, atormentadas por seus pensamentos e desejos. Ela conta com seis atores em cena – Ana Carolina Sanford, Aretha Karen, Dickson Marinho, Janaina Amorim, Manoela Elias e Ninháh Oliveira -e marca a estreia da primeira montagem do Grupo, que já rendeu um vídeo teatro no ano passado.

Serviço

A loucura da verdade
Dias 14 e 15 de abril às 19h
Local: Teatro Celina Queiroz
Entrada Gratuita

Veja a matéria no Blog do Labjor

sábado, 3 de abril de 2010

Minhas rosas da primavera

Casamento virou sinal de dedicação para mim. Fiquei plenamente feliz em ter escolhido esse tema para minha próxima matéria. Passei semanas com profissionais da área e noivas, vendo bastidores e celebrações da formalização da união. Realmente, conversar e acompanhar cada um deles me fez acreditar ainda mais na instituição do casamento.

Dentre as várias experiências, certamente a que me marcou mais foi acompanhar a noiva Luciana Campos da Rocha momentos antes dela entrar na igreja. A sua vergonha e o seu nervosismo as fizeram relutar um pouco para fotografá-la, mas depois esboçou o seu sorriso meigo e deixou-se levar pelos milhares de flashes do Clécio. Quando se vai a um casamento, ficamos na expectativa de ver a noiva caminhar pela igreja, mas percebi que a melhor hora é antes. Vi a ansiedade e felicidade unida num só corpo. Luciana estava belíssima, com um vestido branco tomara-que-caia e um bolero - puro romantismo -, mas mesmo assim passava pelo espelho a cada cinco minutos para retocar batom e conferir a maquiagem.

É muito bom observar e desvendar os sentimentos do outro. As músicas, a decoração, os profissionais, tudo foi escolhido pessoalmente. Por mim, dedicava toda a postagem àquele dia, mas também não poderia deixar de mencionar todas as outras entrevistadas, que contribuíram imensamente para a construção da minha matéria: Fátima Salvino, Erivalda Mendes, Fabíola Coêlho, Goretti Távora e Lidiane Vieira.

Possivelmente você não as conhece, mas dividirem as suas histórias e reservarem alguns minutos para conversarem comigo foi muito significante para o meu crescimento como jornalista. Desde já, mesmo se minha matéria não sair, o meu obrigada.

Fotos por Camiℓa Oℓiveira

Novo reflexo

Feriado lembra mais tempo para me dedicar à escrita, mas não é o momento. Sem muito tempo agora, quis só fazer um registro sobre o novo perfil do Palavras ou Máscaras. Depois de muito procurar, mudei o layout do blog, finalmente. Além dos textos mostrarem muito de mim, sinto estar mais bem representada agora. Não vou me delongar mais, entretanto, não se preocupem, vou dar satisfações das minhas postagens em dias incertos em breve.
 
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