Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 17 de abril de 2012

Iguais, mas diferentes

A Becky Bloom tem alguma gêmea perdida no mundo cultural? Fazendo a eterna comparação da literatura com o cinema, encontrei uma outra personagem perdida em meio as palavras da inglesa Sophie Kinsella. Sim, a personalidade alvoroçada por compras continua a mesma, porém quanto ao resto, que abarca desde o cenário até o enrredo, muda completamente.

No longa-metragem, Londres foi trocado pelo cenário tipicamente comercial de Nova Iorque. Foi uma mudança coerente, no entanto isso interferiu nos traços de Luke, que por sinal ela já o conhecia desde os primeiros traços do parágrafo de abertura do livro. 

Ainda acha é pouco? Desde o início, diferente do filme, ela trabalha escrevendo na editoria de finanças, nada de cair por acaso por querer uma revista de moda, e aparece na televisão por uma matéria de denúncia feita contra um dos clientes do seu amado e, não, porque sua coluna estava sendo um sucesso.

No final das contas, não há potes de moedas como vingança ao seu cobrador, ela não aprende grandes lições com relação a gastos extraordinários e ainda consegue ter um salário digno de seus sonhos. Li sem querer fazer comparações e terminei a história, realmente, como se estivesse conhecendo Becky pela primeira vez. Foi uma experiência interessante, apesar de, ao terminar cada capítulo, a agonia preencher o espírito por ela não mudar EM NADA o seu descontrole e só comprar e comprar. 

quarta-feira, 30 de março de 2011

O sucesso que corre na veia

Fotos do seu terceiro lançamento: No fio da navalha.
Da direita para esquerda: Sarah Leal, Eu, Max Roger e Daniel Mamede


Max Roger passou por muitos estágios em minha vida. Foi de amigo de minha mãe e meu coordenador da oitava série a um grande ídolo no ramo das letras. Começou a publicar o seu talento em 2008, com um livro estilo Pedro Bandeira. Para quem nunca leu, ambos tem a capacidade de escrever para jovens, porém o conteúdo, por mais claro que lhe pareça na primeira leitura, leva a diferentes interpretações dependendo do seu grau de conhecimento. São obras para guardar na estante e reler em diferentes fases na vida. Para se observar as palavras, a poesia e a maestria como conduz uma história.

Ontem, fui ao lançamento de seu quarto filho, como ele próprio denomina. Cheio de nervosismo incontido, encontro o autor em traje fino, sentado em cadeira de mestre da Academia e assinando cada um de seus descendentes com caneta importante. Acompanhando o porte literário, um copo de whisky, que não é requisito essencial para mostrar em toda a sua personalidade o seu bom humor carregado nos abraços e nas palavras. A bebida talvez seja para controlar a ansiedade por fazer da sua vida um livro.

Ele torna seus discursos em crônicas. Faz isso sem ao menos perceber. Agora, é reconhecido pela Secult e pode repartir um pouco de suas confissões, dúvidas e desabafos. Poderiam dizer que meus elogios são tendenciosos, entretanto, o cansaço de dois dias de provas e uma noite mal dormida não me impediram de abrir o livro recém-comprado. A fome do almoço já digerido incomodou, mas não fechei as páginas, preferi ser alimentada pela curiosidade de saber o que vinha a seguir a cada crônica terminada.

Talvez faça como Armênio indicou em seu comentário sobre a obra lançada. Talvez leia em doses homeopáticas. Ao menos vou tentar me controlar. Eu que demoro anos para terminar um livro, o Palavras Aladas e outras crônicas é como se fosse uma charge... rápida, bem elaborada, às vezes até engraçada, reflexiva e ainda conduz-nos a situação narrada pelo autor.

Max sempre nos presenteia com algo para guardar na estante, na memória e nos dizeres. Afinal, frases como "e, claro, não produzo letras. As letras já existem. Elas apenas vazam. É como um açude sangrando. Elas não cabem mais dentro e escapam por cima das paredes, das comportas da alma. É uma das potencialidades de alma, a alma sangra palavras" são para serem repetidas e citadas sempre que cabíveis.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Frio, quase gelado

Marquei o encontro, sem desacordos ou desistência. Ele está ao meu lado, pedindo para passar os meus dedos e olhos por seu corpo, um pouco já desgastado e amarelado, e terminá-lo. Como pode conseguir tirar o meu sono e deixar curiosidade no início de meus dias e fim de noite? Fecho o seu enredo com o sangue praticamente nas mãos e na mente. Esse sangue que não está só no nome, mas nos detalhes de cada descrição e nas imagens as quais o autor nos transporta.

Capote consegue retratar minúcias de uma vida e morte, na qual não presenciou ou interferiu. Aprofundou-se num trágico e tornou-o belo em palavras, que permeiam décadas de leituras. A sangue frio conquistou-me pela escrita não óbvia do maniqueísmo. Ele busca a humanidade em dois assassinos que fugiram disso ao matar quatro pessoas de uma mesma família, apenas para não deixar testemunhas de um possível roubo de cofre.

O livro mostra o trauma de uma pequena cidade de Kansas, Holcomb, que sofre pela perda de cidadãos exemplares e, até descobrirem os culpados, desconfiavam de qualquer um que passe pela rua, desconhecido ou não. Em contrapartida, as 432 páginas também exploram a vida sofrida de Dick e Perry, os responsáveis pelo crime. Mesmo mostrando prováveis motivos que os levaram a ter esse tipo de conduta, não os tornou santos.

Ainda não pude destrinchá-lo e registrar, em papel e memória, cada depoimento mencionado ou história contada como se o autor realmente fosse onipresente. Mas tenho a certeza de que minhas noites, nos próximos dois dias, serão de quase insônia.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

etsepaduB

Do livro faço o meu estudo. O texto, os parágrafos, as frases, as palavras, esmiúço cada um deles. Volto páginas, releio capítulos, tento lembrar de todos os personagens que se fizeram presentes em minhas noites e manhãs. Isso me rende vários dias, é verdade, temo, às vezes, não terminar a obra a tempo de ainda recordar os detalhes do seu início. Quando chego ao final, sinto a ânsia de comentar, criticar, dizer minhas impressões, sugerir ou aconselhar joga-lo no fundo do baú.

A última leitura foi Budapeste, de Chico Buarque, em tempo recorde. Poucas páginas, 174 no total, mas para quem segue meu ritual, as minhas duas semanas dedicadas para essa literatura resultaram num orgulho particular e até incompreendido pelos outros. O livro é uma intensidade tamanha. Tem, por quase inteiro, parágrafos intermináveis. Desse texto sem pausas, quase perdemos o fôlego e qualquer sono que queira se pronunciar. Era uma luta para largá-lo e descansar os olhos para o dia seguinte.

A história pode-se resumir a vida de José Costa, um escritor magistral que, por encomenda e de forma confidencial, faz livros sem assiná-los ao final da produção. A obra recebe o nome do objeto de dedicação e estudo da personagem. Por um pouso não planejado, ele acaba em Budapeste por um dia e, desde então, tem por curioso a vontade de decifrar o húngaro, "única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita". O protagonista tem seus objetivos, sua filosofia de vida e seu orgulho. Ele provoca raiva e, às vezes, certa pena em quem lê. A minha vontade é fala-lo por inteiro, dar detalhes, indagar observações, mas vou me conter. O máximo que me permito é indicar o livro.

Deixe-se tomar pela capa mostarda e suas linhas internas contínuas. O final da narração é surpreendente e intenso, certamente, na última página, haverá uma relutância para terminar, como uma forma de prorrogar a sua leitura. Acredite.

"E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite, me deu de beber a água com que havia lavado a sua blusa" (Budapeste, 2003).
 
Palavras ou Máscaras © 2011 | Designed by Chica Blogger, in collaboration with Uncharted 3, MW3 Forum and Angry Birds Online