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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Uma ventania no dia

Uma hora inesperada, para um encontro mais que desejado. Com um mês de antecedência, já soube da vinda de Rosamaria Murtinho e Nathalia Timberg a Fortaleza, com a peça Sopros de vida. 11h marcaram com a imprensa, então nessa hora estava lá. A curiosidade de como seria estar na frente delas me tomava a mente, afinal, são duas atrizes reconhecidas pelo seu talento e currículo artístico.

Perguntas recém pensadas, câmera na mão e mais dois colegas da comitiva Labjor. Com um pouco de atraso, elas chegaram ao encontro das três câmeras e vários jornalistas, que já estavam posicionados próximo ao palco. Ambas, com muita simpatia, desculparam-se pela hora e, logo em seguida, sentaram no sofá integrado ao cenário já montado.

Sem uma ordem pré-determinada, as perguntas começaram a ser feitas. A boa política de um não interferir na fala do outro foi respeitada e, por incrível que pareça, sem ninguém impor nada.

A peça

O lugar é Inglaterra, o cenário é a casa da amante Madeleine. O triângulo amoroso dela com a real esposa Frances e Martin é exposto ao público. Elas não estão mais com o mesmo homem, mas o dividiram por 25 anos. Ele não aparece em cena, entretanto, está presente constantemente por meio das falas e lembranças dessas mulheres, que decidem conversar sobre esse amor compartilhado pela mesma pessoa por muito tempo.

O que motivou o encontro foi a vontade de Frances, escritora de sucesso, sair da costumeira ficção de seus livros para uma história real. Então, procurou Madeleine para melhor compreender o relacionamento a três em que vivia, para depois melhor compor o seu romance.

Ao contrário do esperado, elas não têm um enfrentamento físico. Não batem ou jogam água no rosto uma na outra. "Em vez de ficar com raiva, elas têm um entendimento", esclarece Rosamaria sobre o resultado do "acerto de contas" dos personagens.

No final

Os minutos finais da coletiva chegavam, então Rosamaria voltou-se para nossa equipe, falou sobre a boa iniciativa da Unifor em investir na arte, por meio do Projeto Grandes Espetáculos, e nos aplaudiu.

Elas ainda teriam outros compromissos, então não pudemos registra o momento, a não ser de forma improvisada. Mas compensou acordar mais cedo em uma sexta-feira para estar naquele momento.

Eu, Viviane, Wolney e, ao fundo,
Nathalia Timberg e Rosamaria Murtinho


Fotos por Camiℓa Oℓiveira

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Para que pause?

O Teatro Celina Queiroz estava tranquilo nessa sexta-feira (23/04), com poucos representantes da imprensa, na sua maioria da própria Unifor. Mas o entusiasmo e a descontração dos quatro atores de “Play” penetraram no ambiente e deram vida para a montagem do espetáculo. Apareceram ao palco cumprimentando a todos e depois, cada um, a sua maneira, mostraram um pouco de sua personalidade, gostos e manias.

Maria Maya e Daniela Galli sugeriam mudanças no cenário, enquanto Rodrigo Nogueira se rendia, por alguns minutos, ao sono da cadeira do teatro. Sérgio Marone, por outro lado, não escondia o seu intenso interesse pela internet. O seu primeiro comentário foi um elogio a wireless da Universidade. Além de, durante a entrevista, escapar por segundos para falar com as pessoas conectadas ao seu Twitter, que transmitia ao vivo a coletiva no seu perfil.

Depois das preocupações com luz, filmagem e projeções, deixaram os afazeres de lado e se reuniram para conceder muitas risadas, informações sobre a peça e opinião sobre a temática de “Sexo, mentiras e videotape”, filme no qual Rodrigo baseou-se para escrever “Play”.

“Eu até digo que não é uma adaptação propriamente, é uma peça livremente inspirada, porque eu vi uma vez e escrevi uma peça totalmente nova, apesar de ter muitas referências”, explica Rodrigo sobre a leve influência do filme ao texto.

A construção da peça

Rodrigo, que também compõe o elenco, assistiu apenas uma vez o longa de Steven Sonderbergh e depois construiu o triângulo amoroso de César com a sua esposa Ana e com a cunhada Carla. César vive um frio e tolerável casamento, enquanto tem uma relação exclusivamente sexual com a segunda, sem nenhum diálogo. Diante disso, aparece Sérgio, o seu amigo artista.

Sérgio, vivido pelo ator Sérgio Marone, ao contrário do personagem no qual foi embasado, não filma por ter dificuldades em ter relações. Ele grava mulheres devido a um projeto para mesclar depoimentos íntimos e textos decorados de atrizes.

“E até onde é mentira e verdade, já que é um ator ali de verdade. Uma pessoa fazendo aquilo, vivendo aquilo na sua frente?”, brinca Daniela Galli.

Não só nessas gravações que a mentira e a realidade se misturam. Durante os diálogos, a dúvida se há a própria experiência e pensamento dos atores em suas falas também é levada ao público.

“Na vida a gente é assim. A gente veste máscaras, a gente tem códigos sociais para se relacionar, então é uma discussão do teatro, mas que é muito facilmente trazida para a vida. Isso que é bacana na peça”, comenta Daniela sobre essa mistura do real com o ficcional usada na narração de “Play”.

Não queria fazer uma história apenas sobre relacionamento, Rodrigo desejava ir além e remeter mais diretamente ao “Sexo, mentiras e videotape”. Então, buscou trabalhar uma temática já explorada em outros projetos seus: trazer a dualidade da verdade e da mentira, artifício, segundo Maria Maya, muito pertinente ao teatro.

O resultado da peça já foi apresentado no Rio de Janeiro com Jonas Gadelha no personagem do artista, mas já em São Paulo e aqui em Fortaleza trouxe Sérgio Marone no elenco. Além das três apresentações para o final de semana, o público também lotou as duas sessões extras abertas no sábado e no domingo no Teatro Celina Queiroz.

Veja a matéria no Blog do Labjor

domingo, 25 de abril de 2010

Bem íntimo

Resolvi começar hoje pelo começo, afinal é bem sugestivo. Nada da pirâmide investida do jornalismo, inicio pelos meus passos na lateral interna do Teatro Celina Queiroz. Caminhava sozinha, porém não me importava pelas pessoas acompanhadas por amores e amizades. A sede por observações e por decifrar a propaganda anunciada no dia anterior, na coletiva, tirou o sentimento de uma possível solidão.

Sentei e, bem à frente, o palco mostrava-se de cortinas abertas. Tudo estava às claras: o cenário e o vício de Sérgio Marone, que evidenciava o monitor de seu notebook, para captar o público da segunda sessão de sábado de Play pela webcam. Tudo transmitido ao vivo no Twitter, assim como ontem.

Ria contida, na ânsia de comentar com alguém. A senhora ao meu lado direito pareceu interessada na minha reação ao desconhecido para ela. Comecei a conversar com ela, provavelmente o casal ao seu lado era a filha e o cunhado, então, de repente, tinha conseguido uma companhia para a noite.

A campainha toca - três vezes - e as luzes se apagam. Em "Sexo, mentira e videotape" é baseado para compor o texto de Rodrigo Duarte, mas vi também um pouco do filme brasileiro "Jogo de cena" em Play. Os depoimentos, as ironias e o duplo sentido, tudo provocava uma simultaneidade de risos e constrangimento. Algo natural e bastante discutido, como relacionamento, tratado de forma simples, exemplificada e reflexiva.

Como a vida pode ser dúbia? Dizeres tão reais, mas de pessoas falsas, e outros verdadeiros, entretanto, soando mentira. Em que nos prendemos? Como descobrir o que realmente é? Será que a sinceridade importa sempre?

Sérgio Marone interpreta um artista com um projeto de vídeo em andamento. Ele pergunta no início de suas filmagens: "Revele algo íntimo". Trouxe a pergunta a mim e associei a um diário. Revelamos a páginas seladas - às vezes por cadeado - segredos íntimos e obscuros. Verdades não filtradas pelo medo da reação dos olhos alheios e dos pensamentos repreensivos.

Deixamos cair lágrimas e misturar-se a tinta da caneta, que descreve emoções, felicidades, sensações e desejos. São páginas que não precisam de enfeites, além dos adjetivos usados em excesso e do detalhe da letra, que vai mudando o tamanho e a beleza, dependendo do cansaço, do calo no dedo e do sono acumulado.

Depois da pronúncia em escrita, nada se diz ou comenta. Nada se propaga ou anuncia ao ares. Nas palavras se guardam memórias para posterioridade, para depois retornar a elas e ver mais de mim mesma. Autora de minha história, mas que lê o diário como se fosse de um terceiro, querendo decifrar o que há por trás daquelas páginas.


terça-feira, 20 de abril de 2010

No mundo feminino

O espetáculo cearense “Catálogo” estreou nesse sábado (17) no Teatro Celina Queiroz. O texto de Rafael Martins trabalha à crítica pela cobrança do novo, do profissional tentar manter-se sempre na mídia. Ele escolhe o mundo da moda para ser o alvo dessa abordagem, mas essa é uma situação comum a qualquer profissão, como afirma o ator Walmick Campos.

“O texto fala da crise existencial e crise criativa de uma estilista, mas poderia ser de um ator, de um diretor, de um artista plástico. Mas, focou-se no universo da moda, acho que para focar mais ainda no universo feminino”, afirma Walmick.

Após sete meses de preparação, além de Walmick, André Gress, José de Ipanema e Amenhotep Rodrigues aceitaram a proposta de entrar em cena incorporando mulheres. Nada de homens transvertidos, a diretora Ana Cristina Viana queria algo mais natural. A intenção era eles mostrarem suas perspectivas do mundo feminino. Por isso, além das aulas de expressão corporal para adequar os seus movimentos às ações femininas, eles saíram em campo para estudar o comportamento das mulheres em diferentes ambientes.

“Vocês não vão deixar de ver homens, mas a ideia é que sejam homens interpretando mulheres”, explica André.

Ele ainda enfatiza que o cruzar de pernas foi uma das maiores preocupações durante os ensaios, pois eles eram acostumados a sentar mais relaxado, mas durante a peça isso não poderia acontecer. Além da dificuldade em tentar distanciar-se dos estereótipos muito utilizados por humoristas, como os gestos e modo de falar exagerados.

“No final nos estávamos mais brincando, mais no início foi tenso. A gente nunca tinha andado de salto alto, então quase torcia a perna”, brinca André ao relacionar os desafios com a diversão nos ensaios.

No camarim

O Teatro estava em pura escuridão. Andamos em passos lentos, orientando-nos pelas paredes, e fomos ao camarim. Enquanto os técnicos testavam a iluminação, André Gress conversava com a equipe do Labjor e nos deixava bem a vontade em seus bastidores. Quando Walmick Campos chegou, decidimos iniciar nossa entrevista.

Descontraídos e demonstrando bom humor em todas as respostas, os dois atores falaram do objetivo da peça Catálogo, dos impasses ao tentar não interpretar “o que está na mente do que vai codificar uma mulher” e da diversão aliada ao trabalho da preparação durante os ensaios. Após a entrevista, os outros dois atores chegaram e ficaram os quatro reunidos na plateia do Teatro. Quem olhava para eles, todos de barbas e despreocupados com a aparência, não imaginariam que no dia seguinte virariam mulheres.

Veja a matéria no Blog do Labjor

domingo, 18 de abril de 2010

Saindo do Catálogo



Durante a coletiva de sexta-feira, a expectativa de conhecer um pouco mais o processo de preparação se evidenciou. Queria saber quais eram as visões do mundo feminino, como foram as oficinas e os bastidores dos ensaios. André Gress e Walmick Campos ficaram responsáveis em chegar mais cedo e responder as perguntas. Em pura simpatia e bom humor, falaram da maior preocupação da mudança de homem para mulher: não sentar de pernas abertas e evitar fazer gestos muitos exagerados.

A entrevista durou quase dez minutos, mas tudo muito agradável. Ainda fiquei um pouco mais para registrar momentos mais descontraídos entre eles. Todos relaxados nas cadeiras do Celina, quem passasse por eles, não imaginaria que logo depois eles testariam maquiagem feminina e ensaiariam suas mulheres.

Na noite seguinte, poderia ser uma reunião do .Com, mas não, ontem foi a estreia de Catálogo. Quatro atores aceitaram a proposta de incorporar a aparência e os modos femininos. Sete meses aprendendo, além do roteiro, como falar ou mexer as mãos sem fazer o típico estereótipo dos humoristas cearenses.

Trabalhar o estresse do processo criativo, a eterna cobrança do mercado, mais especificamente do mundo da moda, essa foi a proposta do espetáculo. Bem, no geral, a peça foi uma roda gigante de risos. O pico foi Mafalda - a palmatória da moda e dos bons costumes. Walmick, em qualquer personagem interpretado, conseguia destacar-se por sua leveza projetada nas falas.

André e Amenhotep Rodrigues conseguiam diferenciar-se nos papéis. Nada de mulheres parecidas, mostravam perfis diferentes. Desde as jornalistas afoitas às pessoas da enquete popular.

Foram apenas duas apresentações no Celina Queiroz em abril, mas, em maio, Catálogo volta a se apresentar todo sábado, às 20h, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz. Confiram!

Da esquerda para direita: Amenhotep Rodrigues,
Walmick Campos, eu e André Gress

Foto por Waleska Santiago

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Os imprevistos do teatro vivo

Dez atores, um roteiro e cenas incertas – Corte Seco é o terceiro de uma trilogia que foi iniciada com “Conjugado” e seguido por “A falta que nos move”. Todos se caracterizam por apresentar um método de mesclar a realidade e o imaginário no palco. No caso de Corte Seco, para o real é usado o artifício dos nomes dos personagens serem os mesmos dos atores e o fato de pegarem elementos do próprio cenário como uma peça do diálogo. Como quando Eduardo Moscovis discute com Branca Messina: “como é que você pode falar, se não tem nenhuma cadeira?”. O imaginário é mostrado com a tradicional ficção dos fatos, mesmo estes sendo baseados em histórias verídicas. O que diferencia cada história é a abordagem crítica do estudo. O ator Ricardo Santos explica que acontece um progressão das histórias. O “Conjugado” trabalha com o indivíduo,”A falta que nos move” trata de um núcleo menor, como a família, e “Corte Seco” trata de um coletivo maior, como a sociedade.

A peça tem direção de Christiane Jatahy. Ela também está presente durante toda a apresentação, fazendo cortes aleatórios das cenas e propondo outras. Isso faz com que cada espetáculo seja único. O início e o fim são os mesmos, mas o caminho de um até o outro fará com que os espectadores fiquem na expectativa e na dúvida em descobrir o que é ensaiado e o que é improvisado. Isso faz parte da proposta do teatro vivo.

“Os textos não são muito amarrados e você age de acordo com o que está acontecendo na hora, com a reação da plateia, com os cortes dela [Christiane]. Não é um texto absolutamente decorado, ensaiado e marcado”, comenta Ricardo.

Thereza Piffer prefere até usar a expressão imprevisto, ao invés de improviso, pois este remete a uma desorganização, mas o que acontece é, na verdade, uma reação a todos os fatores que acontece quando estão no palco, principalmente nas vezes que a diretora deixa fluir as cenas e os atores têm se delongar até ser feito o corte.

Corte Seco esteve em Fortaleza, nos dias 26, 27 e 28 de março, no Teatro Celina Queiroz. A peça lotou os três dias de apresentação e uma sessão extra no sábado. Inicialmente, todos os atores se mostraram abertos à entrevista, mas com o tempo passando e o número grande de jornalistas na fila, tiveram de se despedir aos poucos e retornar ao Teatro para continuar os ensaios. Dos três que continuaram, os atores Marjorie Estiano e Eduardo Moscovis e a diretora Christiane Jatahy, a pressa os fizeram limitar as perguntas, mas nem por isso deixou de ter um clima descontraído com a nossa equipe do Labjor.

JustificarEntrevista

Labjor: Como foi a seleção dos textos para compor a história?

Cristhiane: Histórias reais, com propósito de causar diferentes estados de sentimentos para quem assiste e para quem faz o espetáculo. A história foi feita em fragmentos, eles se interligam e um ‘ilumina’ o outro. A escolha por fragmentos é para que o público possa enxergar algo da sociedade, mesmo que essa percepção seja ‘micro’, objetivando provocar vários sentimentos para quem assiste e pra quem faz. Tem momentos alegres, tristes, arriscados, tensos.

Labjor: Vimos que 95% da peça é ensaio e 5% é improviso. Tem como o público perceber os momentos de improviso?

Cristhiane: O interessante é saber que o público, algumas vezes, acha que o que é improviso é ensaiado e vice-versa. É nessa linha tênue (ensaio e improviso) que a peça está inserida.

Labjor: Qual o intuito de se ter na peça o jogo de ensaio e improviso para a compreensão do espetáculo?

Eduardo:
A proposta da peça não é essa, não temos a intenção de causar no público essa distinção, na verdade, essa dualidade (improviso e ensaio) é o que menos interessa para a gente. A proposta é fazer com que o público entre num ‘jogo’ com a gente, assim a ideia da peça será melhor absorvida. O que queremos é que o público entenda da melhor forma possível, afinal, casa espetáculo é diferente.

Labjor: Já passaram por algum mico por esquecer alguma cena?

Eduardo:
Não trato isso como mico, a gente ensaiou bastante. Ensaiamos 5 meses, 6 horas por dia, na tentativa de achar o melhor para a execução dessa linguagem. Ensaiamos bastante e por isso não é para acontecer erros , mas se isso vier a acontecer, temos que assumir e tentar melhorar da melhor forma possível, por exemplo, se a Cris notar que não estamos de acordo com o previsto, ela vai intervir e saberemos que precisamos mudar.

Labjor: Já que a interação da peça com o público é tão grande, o próprio público pode intervir nesses cortes, já que a peça não tem uma sequência de cortes?

Cristhiane:
A proposta não é essa, mas o público de alguma maneira está colaborando com o corte no ato pensar sobre a peça. Não há uma intervenção direta, de forma verbal, mas são intervenções no ato de está assistindo, observando o andamento da peça.

Veja a matéria no Blog do Labjor

sábado, 27 de março de 2010

Deixa rolar

O anúncio de Corte Seco foi lançado com duas semanas de antecedência e, na mesma precaução, garanti a presença do Labjor na coletiva de sexta-feira. A hora marcada foi o primeiro estranhamento - 14h. O aperto de dez atores, uma diretora e muitos representantes da imprensa em um mesmo estúdio é a segunda observação. Mas o detalhe maior é que foi tudo um flash, principalmente com a nossa equipe.

Foram todos simpáticos, entretanto, as necessidades do ensaio marcado e da preparação do cenário os fizeram ser breves e aparentar grosseirismo. Eu compreendi, tanto que não resisti e garanti uma cadeira na frente do palco. Os três dias lotados, porém tinha tanta certeza de uma sessão extra, que eu esperei. E fiz bem.

Chego da peça, agora, três horas depois dela ter terminado e realmente é uma loucura. Como disse Thereza Piffer, as histórias encenadas no palco se assemelham com os diálogos dos estranhos que escutamos. Se pararmos no carro e atentarmos para as conversas dos carros ao lado, veremos várias vidas, momentos e ações. Tudo desconexo, mas com sentido se observarmos como um todo.

As cenas transcorrem entre o real e o imaginário. O primeiro é através do artifício dos nomes dos personagens serem os mesmos dos atores e o fato de usarem elementos do próprio cenário como uma peça do diálogo. Como quando o Eduardo Moscovis discute com Branca Messina: "como é que você pode falar, se não tem nenhuma cadeira?". O segundo é através da tradicional ficção dos fatos, mesmo estes sendo baseados em histórias verídicas.

O drama se faz presente. A comédia e a alta atenção também. Aos detalhes múltiplos das falas ditas ao mesmo tempo, das regras do jogo, da encenação que mistura roteiro com improviso, dos inúmeros gastos de fita adesiva, do bom talento comprovado na rapidez da atuação diante do inesperado, da reação do público e da própria emoção. Por isso dou os parabéns.

¹ Fotos por Camiℓa Oℓiveira

quarta-feira, 3 de março de 2010

Teatro lotado

No último dia de espetáculo, mesmo com duas sessões extras, o teatro continuava cheio. As 318 poltronas não foram suficientes para contemplar o público. Cadeiras de plástico foram colocadas nos corredores para atender a demanda daqueles que em cima da hora ainda compravam o seu ingresso. “Aonde está você agora?”, embalado pelo repertório de Legião Urbana, sempre na voz de Thiago Martins, quebrou a ilusão de homossexualidade em uma amizade verdadeira entre dois homens. Pedro (Marco Antônio Gimenez) e Gabriel (Thiago Martins) se conheceram aos oito anos e, desde então, cultivaram uma confiança e um amor fraterno, que se mantiveram mesmo quando Grabriel foi viver por sete anos em Nova Iorque.

A peça é carregada de humor e sensibilidade. Os efeitos de luz, os depoimentos, as lembranças faz o público reviver com os personagens o passado de uma amizade que tende a continuar, mesmo com os desencontros, as desigualdades sociais e as saudades. As boas aventuras e o carinho fizeram os dois amigos quererem se reencontrar e lutar para manter a relação que eles tinham quando criança, mesmo quando parecia que a frieza iria imperar entre eles.O que é o livro da sorte? Como foi a preparação de Marco Antônio para substituir Bruno Gagliasso, que agora se mantém apenas na direção? Qual a relação pessoal de Thiago Martins com a música “Vento no Litoral”, que serviu de inspiração para o texto da peça? Essas e outras perguntas fizeram parte de nossa entrevista. Você confere a seguir, na íntegra.

Entrevista Labjor – No começo, a peça tinha o Bruno Gagliasso, mas quando ele saiu, lançou um concurso no site para que as pessoas sugerissem atores para substitui-lo. Eu queria saber se o Marco Antônio foi uma sugestão?

Thiago Martins – Não. Na verdade ele foi uma sugestão minha e do Bruninho (Gagliasso). A gente, uma vez, tava pensando em umas pessoas que pudessem e pensamos nele, porque é um cara que vem batalhando pelo seu espaço, é super determinado, vem mostrando mesmo pra que veio. Mas a gente abriu isso também. Abrimos no site para as pessoas votarem, mas no meio disso tudo, a gente decidiu chamar o Marquinhos, que é um cara, que eu acho, que tá super preparado para esse desafio, porque, realmente substituir já é difícil, ainda mais substituir o Bruninho, que já sabe essa peça de cor e salteado, que vem sendo premiado na televisão, é um outro desafio. E chamamos ele. Acho que é um cara super competente, trouxe uma vivência e um frescor muito bacana para esse espetáculo, que é até o que precisava também, e aí, decidimos: Marco Antônio Gimenez, Pedro, de Aonde está você agora? (risos)

Labjor – Você já disse que usou elementos seus para construir o personagem, eu queria saber quanto tempo que você teve para construí-lo e quais foram esses elementos?

Marco Antônio Gimenez– Na realidade, a gente teve muito pouco tempo. Até eles decidirem e me chamarem, foi, praticamente, um pouquinho mais de um mês, até essa nossa apresentação. De lá pra cá, eu venho trabalhando muito com o Thiago. Ele vem me passando muitas coisas também e venho estudando ‘por fora’, venho lendo. Conversei com um amigo meu, que é amigo do Thiago também, que é o Lui Mendes. O Lui viu a primeira montagem desse espetáculo, ele é muito amigo do André Gonçalves e do Cassiano Carneiro, que fizeram a primeira montagem. Aí, o Lui colocou algumas coisas também que ele sabia do personagem, da história, do que era importante para a história. Ele me deu muita luz. E é isso, no mais, a gente trabalhando, fazendo, porque esse é um espetáculo que quanto mais você faz ele, mais você vai descobrindo. Ele é um texto muito coloquial, apesar de ser muito poético, mas não é um texto rebuscado, ele é muito fácil, chega rápido nas pessoas, elas entendem muito rápido o que tá acontecendo, não tem nada muito complicado e é inspirado no “Vento no Litoral”, essa música maravilhosa, do Legião Urbana. E o personagem, eu tentei construir através de muito ensaio junto com o Thiago. Através de cada dia de ensaio, eu ia descobrindo coisas novas e o teatro é magnífico por isso, porque a gente nunca pode dizer que a peça tá fechada e que vamos fazê-la sempre da mesma maneira, né? Vão ter sempre apresentações diferentes, sempre vamos aprender novas coisas,e colocando novos elementos, percebendo coisas que a gente pode fazer nas apresentações; se apresentando. Então é isso, eu vou mostrar o Pedro que eu entendi através da minhas vivências, das minhas experiências, pessoas que eu conheço que tem essas dificuldades como o Pedro tem, porque eu tenho amigos que passam por dificuldades financeiras também e eu sei o que eles passam. E eu vejo, leio e o Pedro que vou trazer é uma mistura das coisas que eu sei, que conheço e que vivi.


Labjor – Você disse que as lembranças e recordações é pra manter a amizade, mas também tem o Livro da Sorte. O que esse livro tem que faz querer manter essa amizade?

Marco Antônio – Esse Livro da Sorte é como se fosse uma Bíblia deles. É um livro de mensagens, de ajuda, digamos assim. Quando o Gabriel fala que vai viajar, o Pedro sente muito isso, porque para ele o Gabriel é o único amigo dele. Ele não tem pai. Ele ama a mãe, mas parece que não pode ensinar certas coisas que de repente o pai ou um irmão mais velho poderia ensinar, e o Gabriel serve como esse pai ou irmão mais velho que não existe na vida do Pedro. Então, esse Livro da Sorte, na realidade, é um presente que o Gabriel entrega pro Pedro para quando ele sentisse mal ou sozinho, ele abrisse o livro e lesse uma mensagem para tentar confortar. Quando o Gabriel vai partir eles têm 12 anos, então, ele também nem tinha tanta experiência assim, mas é uma forma que ele encontra de deixar o amigo buscar ajuda de alguma maneira. Esse livro serve de autoajuda.

Labjor – Thiago, na peça você canta e toca “Vento no Litoral”, que é uma música que marcou e marca a vida de muita gente. Você tem alguma ligação especial com essa música?

Thiago –
Eu tenho uma ligação especial com a Legião Urbana. Eu sou muito fã da Legião Urbana, mas não sou fã de Pais e Filhos, que todo mundo geralmente gosta. Eu sou fã de Soldados, de Andréa Dória, de coisas que poucas pessoas conhecem, só quem vai a fundo conhece. Eu sou muito fã, sim. Muito, muito mesmo, porque na minha infância cresci escutando isso. A minha relação com a Legião Urbana começou cedo, quando eu fiz “Cidade dos Homens”, com a Regina Casé e Fernando Meireles dirigindo, eu tinha que fazer uma cena fazendo um omelete pra minha mãe. “Todos os dias quando acordo” (cantando)…cantei essa. E tive que ir no estúdio fazer isso, porque ela (Regina) quis coloca-lá no fim do episódio.

Marco Antônio – Eu lembro, ficou lindo.

Thiago –
Ficou lindo. E quem foi tocar essa música pra mim foi o Dado Vilalobos, que era o guitarrista do Legião Urbana, e eu lembro desse dia como se fosse hoje. Ele me trouxe uma lata com todos os CD’s da banda, e tenho essa lata até hoje, autografada. Foi um marco pra mim, eu guardo como uma lembrança que jamais vou esquecer. A minha relação com a Legião é muito forte, e fazer uma peça inspirada numa música dela é um orgulho imenso pra mim. Eu já gostava dessa música, depois dessa peça então, agora eu amo. E aprendi a tocar e cantar essa música e faço isso no espetáculo, mas minha relação com a Legião é muito forte, muito mesmo.

Labjor – Como é que vocês trabalham o flashback? Porque é só o cenário e só vocês, então, como é que faz para situar os espectadores?

Marco Antônio – Aí, é iluminação, né? Nosso querido Fabrício, que vai dar esse contraste, de quando tá uma coisa acontecendo.

Thiago – E a gente também, né, Marquinhos? Eu tô com 21, ele tá com 31, e fazemos crianças de 8 anos. Mas não uma criança estereotipada. Uma criança que a gente sinta. Aí passa por 8 anos, 12 anos, 15 anos, até chegar 20 e poucos, que aí a peça começa a ficar um pouco mais emocionante. Você vai assistir a peça?

Labjor – Vou (risos) Thiago – Por favor (risos)

Labjor – Quais são os planos para essa peça? Até quando ela se estende?

Thiago –
Com a entrada do nosso camisa 5 do nosso time, aí?( rindo, aponta para Marco Antônio) Temos bastante viagem agora. Vamos ao Maranhão, interior de São Paulo, litoral do Rio, e tem algumas outras cidades marcadas que não sei agora. Quem sabe é o nosso lindo, incrível e estonteante (risos) Léo Fucks. Mas, tem no site toda a agenda de março, no www.aondeestavoceagora.com.br.

Veja a matéria no Blog do Labjor

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

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Filmagem da coletiva Aonde está você agora?

Amizade fora e dentro dos palcos

A noite de hoje marca a estreia de Marco Antônio Gimenez na montagem de “Aonde está você agora?”, juntamente com o ator Thiago Martins. Um dia antes de iniciar as apresentações em Fortaleza, os atores foram bombardeados numa tarde de coletiva. Muitas equipes de televisão e o Labjor, o único representante do impresso, marcaram presença no estúdio de fotografia da Unifor. Ambos foram calorosos e bem humorados. Receberam positivamente todas as perguntas e não desanimaram diante das duas horas de bate-papos. Thiago, mostrando estar à vontade no ambiente, até cantarolava trechos de diferentes músicas no intervalo das entrevistas.

A peça, que já contabilizou mais de 50 apresentações, tem o seu texto por Regiana Antonini e a direção do iniciante dessa área Bruno Gagliasso. Contextualizada na cidade de Vila Velha (ES) e na década de 1980, ela descreve em flashs a amizade de dois garotos de classes sociais diferentes. A história permite que os personagens possam emocionar o público pelas demonstrações de sinceridade no relacionamento, após uma separação geográfica. As lembranças e o Livro da Sorte foram os únicos mecanismos usados para tentar deixar intacta na mente as boas aventuras passadas pelos amigos Pedro (Thiago Martins) e Gabriel (Marco Antônio Gimenez).

A equipe do Labjor foi a última do dia, mas não se deixou abalar pelo pouco tempo. Aproveitamos a descontração dos dois atores e tiramos todas as dúvidas e curiosidades sobre essa montagem, que começou a turnê ano passado em Belém. Ainda tivemos o prazer de sermos os únicos a ouvir um pouquinho de Legião Urbana na voz de Thiago Martins. Ele já havia recusado outras investidas para cantar diante das câmeras, mas não se intimidou e de forma natural cantarolou “Tempos Perdidos”. Ele também canta e toca “Vento no Litoral” na peça, música inspiração do roteiro.

Ao final das seis perguntas, todos os que restaram no estúdio se reuniram para tirar foto com o Thiago e Marco Antônio, sem esquecer que eles não se livraram tão fácil das meninas ali presentes, que se revezaram para ter uma foto sozinha com os dois. Os atores ainda perguntaram indicações de saídas para curtir a quinta-feira na cidade.

“Aonde está você agora?” estará em cartaz neste fim de semana no Teatro Celina Queiroz. Sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h. E, agora com a entrada de Marco Antônio substituindo Bruno Gagliasso, ela está sem prazo para terminar.

Serviço:

“Aonde está você agora?”
Dias: 26/2 e 27/2 às 21h
28/2 às 19h
Local: Teatro Celina Queiroz
Bilheteria: R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 meia
Censura: Livre

Veja a matéria no Blog do Labjor

E lá vem as borboletas

Pó no rosto, um salto baixo e cabelos arrumados. Estava aparentemente preparada para uma quinta-feira intensa e provocante. Testei meu nervosismo diante das câmeras na aula de Telejornalismo e, entre os meus companheiros da disciplina, li o template. Meu amor ao impresso revela o porquê da angustia de ser filmada, mas vou superar - espero.

Mais duas outras aulas no dia e então começou a preparação para a entrevista com os atores Thiago Martins e Marco Antônio Gimenez sobre o espetáculo Aonde está você agora?. A peça já contabilizou mais de 50 apresentações e agora em Fortaleza tem uma característica especial: marca a estreia de Marco Antônio como substituto de Bruno Gagliasso. Essa montagem tem o seu texto por Regiana Antonini e a direção do iniciante dessa área Bruno Gagliasso. Ela conta a história dos amigos Pedro (Marco Antônio) e Gabriel (Thiago Martins) que mantém uma forte ligação mesmo com a distância, as diferenças sociais e o tempo.

E foi entre esses dois cobiçados atores que eu fiz minha sexta coletiva. Sim, já fiz algumas, mas o corpo internamente ainda demonstra ansiedade e medo de uma caloura. As duas horas de coletiva não os desanimou e não diminuiu o bom humor, que foi característico da tarde. Nossa equipe, que foi a última e única equipe de impresso, ganhou até uma exclusiva de um trecho da música "Tempos Perdidos" na voz de Thiago. Além disso, com muito carisma não recusaram as milhares de fotos requisitadas daqueles que ainda restavam no estúdio de fotografia da Unifor.

A maneira como falavam da peça realmente me convenceu a comprar o ingresso. A história, e não quem são, fez-me querer marcar presença nas poltronas do Teatro Celina Queiroz. Este fim de semana estarei lá, depois conto como foi.

Equipe do Labjor e da Tv Unifor com os
atores Thiago Martins e Marco Antônio Gimenez
e o produtor Léo Fuchs.


¹ Foto por Fabiane de Paula
² Foto por Fabiane de Paula
³
Foto por Priscila Barroso

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mais de Lúcia Veríssimo e Raphael Viana

Usufruto garantiu, no último fim de semana, um ótimo público e mais histórias para a bagagem de Lúcia Veríssimo, que tem nessa peça a sua estreia como autora e diretora de produção. Em uma conversa à vontade e agradável, Lúcia Veríssimo e Raphael Viana compartilharam momentos de apresentações anteriores, além de falarem sobre o processo de montagem, como está sendo a intensa turnê e os destinos para os quais levaram esse espetáculo que vem sendo tão bem recebido pelos espectadores. A seguir está a entrevista na íntegra e o vídeo.

O bate-papo Labjor: Durante a montagem, como autora da peça, sentiu necessidade de modificar o texto no decorrer dos ensaios?

Lúcia: Não. A gente fez alguns cortes, porque eu tenho um vício da televisão. Na televisão, você tem que repetir muitas vezes, porque a ideia é você conquistar um telespectador por dia. Então, você tem que repetir as mesmas coisas todos os dias, de formas diferentes, porque você não sabe se vai ter alguém novo assistindo. Então, eu usei um pouco desse artifício no Usufruto e a gente fez algumas limpezas, mas foram poucas coisas na verdade.

Labjor: Como autora, você interferiu na direção de José Possi?

Lúcia: Não, não. E nem acho que teria sido correto. Como atriz, todas as vezes que trabalhei com um autor brasileiro, eu sempre pedia “ai Meu Deus do céu, por que eu não escolhi um autor morto?”, porque autor é um bicho muito chato. Ele acaba se metendo nas coisas e eu não acho isso bacana. Eu, como autora, confiei a direção ao José Possi Neto e eu tive que entregar, completamente. Ele era o maestro dessa partitura. Eu tive que esquecer que era a autora e trabalhar como atriz dentro dessa partitura.

Labjor: Na opinião de vocês, o enredo, as discussões e os diálogos seriam os mesmos caso fosse um homem de 50 e uma mulher de 30 e poucos anos?

Lúcia: Não, definitivamente não.

Labjor: Mesmo se mantivesse o conservadorismo do personagem e só mudasse as idades? Lúcia: Não, de forma nenhuma. O homem e a mulher têm um diferente modo de “aproach”. Não seria o mesmo. Você não acha, Raphael?

Raphael: Eu acho, até aquilo que você fala na questão da maturidade. São maturidades diferentes.

Lúcia: Porque durante o espetáculo, ela (a personagem) fala que as mulheres são mais maduras do que os homens, o que eu acho até legal. O homem amadurece de uma forma diferente da mulher. Primeiro mais adiante e depois de uma forma diferente. O homem, na verdade, sempre sucumbe a mulher. A mulher é mais forte nesse sentido, ela tem um foco mais preciso.

Labjor: Queria saber o que mudou da atriz da peça Natal, de 1964, para agora, na forma de interpretar, dos pensamentos?

Lúcia: Nossa Senhora! Em primeiro lugar, lá se vão 46 anos, 45 anos. Eu cresci um pouco mais, eu era desse tamanho e agora tenho 1.73m. Isso já mudou. Quer dizer, mudou tudo, da atriz de quatro anos pra cá, da atriz de hoje pra daqui a quatro anos. Espero que sempre mude, que eu esteja atenta a investir cada vez mais nas mudanças positivas da profissão. É uma profissão que depende exclusivamente de sempre estar atuando, sempre estar exercitando. Essa é uma profissão que só o exercício dela te faz melhor. Então você só vai melhorando com o tempo, se você tá aplicando isso com todo seu fervor, toda sua crença, você vai melhorar. Eu acho que estou muito distante de todos os personagens que eu fiz durante a minha vida inteira ao longo desses 40 anos de vida profissional.Labjor: Vocês improvisam?

Lúcia: Ontem eu errei muito. Às vezes, dá uma desconcentrada em alguma coisa. Então eu errei algumas coisas e tive que improvisar. Mas para eu improvisar nesse texto é muito mais fácil porque eu afinal de contas escrevi o texto, eu sei o que quero dizer. Mas eu não gosto, saí muito chateada. Se pudesse, eu me colocaria de castigo. Acho horrível um ator que não respeita o texto, que não faz corretamente e eu não gosto de ser assim. Não gosto de ser dessa forma de ficar inventando coisa quando já está escrito.

Raphael: E é um espetáculo que não tem galhofa, essa coisa de você criar uma situação para tirar uma risada da plateia. É um embate de ideias, então, quanto mais a gente seguir o que já tá proposto, mais a gente vai tá ganhando com isso.

Lúcia: Concordo plenamente com o Raphael. É um espetáculo que expõe as suas ideias muito claramente. Então, se a gente ficar querendo colocar coisas que não estão naquele contexto vai esvaziar o que é o principal. Outro dia… Tem situações que às vezes a gente é obrigada a improvisar. A gente pede milhões de vezes para que desliguem rádio, telefones celulares, relógio. Eu detesto (relógio), eu me desconcentro enormemente, mas do que com celular. Um celular começou a tocar, depois de todos os avisos. E tocou a primeira, a segunda, a terceira, a quarta e eu vi que o cara não ia desligar, provavelmente devia estar com vergonha de mostrar que era o tal, aí eu falei para o Raphael: “vem cá, esse celular que está tocando é o seu?”. Que dizer, era uma coisa que não existia. E ele rapidamente foi até o paletó dele, que ele já tinha tirado, e disse “não, o meu nã é”. E eu “engraçado”. O apartamento vazio, só nós dois e está tocando um celular, ou é meu ou é o dele. Aí a pessoa se tocou e desligou o telefone. Essa foi uma situação atípica, mas cabe uma coisa dessa. Acho que ele (Raphael) teria a mesma reação. Pois como estava na minha fala e o cara não desligava, eu falei, mas eu acho que ele falaria a mesma coisa. A gente já está numa ligação tão grande que passou absolutamente natural. Ele levantou naturalmente e foi olhar se tava com o telefone desligado ou não. A gente tem uma ligação muito forte em cena. Engraçado que todos os meus espetáculos no teatro até agora eu sempre tive uma comunicação com a plateia muito grande. Eu sempre gostei de estar em comunicação com a plateia. Então, eu busco pessoas, olhares e contraceno falando com aquela pessoa, eu brinco e faço piada. Nesse espetáculo eu não consigo. Até nos momentos em que o diretor me pediu que eu contracenasse com a plateia diretamente, eu tenho dificuldade. É um espetáculo que sempre é tão fechado que eu só tenho vontade de contracenar com o Raphael, porque é só ali, só nós dois. Pela primeira vez, eu não consigo olhar para alguém da plateia porque, se eu olho, eu sinto que eu estou perdendo a gente, entendeu? É como se eu tivesse traindo, é engraçado. É a primeira vez que eu conto isso.

Labjor: Quais são os destinos além do tradicional eixo Rio-São Paulo – além de Fortaleza, para onde mais vocês irão?

Raphael: Nós já estivemos em Angra, Vila Velha.. Estamos fazendo a temporada em São Paulo. Ainda vamos pra Santos, São Caetano…

Lúcia: Guarulhos, São José da Boa Vista, Poços de Caldas, Salvador… Ih, são tantos lugares. É um processo inédito no teatro brasileiro que é fazer um espetáculo simultaneamente num grande centro – quartas e quintas em São Paulo, e sexta, sábado e domingo trabalhando sempre.

Labjor: Vocês acham isso melhor? Quer dizer, não cansa muito?

Lúcia: Evidente que cansa.

Raphael: Mas a gente atinge um público, num curto espaço de tempo, bem maior.

Lúcia: E também você experimenta o espetáculo de várias formas, porque cada público é muito diferente do outro. E o público de São Paulo é o público de São Paulo, o público de Fortaleza é o público de Fortaleza. Então, você está experimentando, na mesma semana, públicos tão distintos e é engraçado. No mês de março a gente vai está fazendo sexta em uma cidade, sábado em outra e domingo em outra. Aí vai ser uma loucura.

Labjor: Eu li que você já tem outros projetos e eu quero saber se é como atriz, como autora e atriz, se é uma peça.

Lúcia: Olha, eu agora não estou pensando em nada mais… Eu não tenho tempo pra nada. Eu acordo e produzo, produzo, produzo, faço o espetáculo, saio de lá, continuo produzindo, produzindo, produzindo. Estou dormindo quase nada, me alimentando muito mal, vivo com asma. Mas estou muito feliz de poder estar fazendo Usufruto dessa forma, muito contente mesmo, e eu não quero pensar em outra coisa por um bom tempo. Não sei o Raphael, mas acho que ele também não vai ter tempo de pensar em outra coisa não.

Raphael: Tem uma vantagem disso também que, às vezes, você sabe que tem um espetáculo que tá em cartaz em São Paulo e pensa: “Poxa, tô tão longe de São Paulo e vou ter que ir até lá. Quando será que vem pra cá?” E essa é uma oportunidade de a gente estar viajando o Brasil todo.

Lúcia: É, e isso dá a oportunidade de a gente voltar daqui a pouco, porque a gente tem recebido uma resposta tão positiva do espetáculo que fazer três dias num lugar realmente é pouco. A gente lota sempre, graças a Deus, as pessoas voltam pra ver o espetáculo, pessoas que foram na sexta e voltam no sábado, que foram no sábado e voltam no domingo. A gente tá tendo de 15 a 22% de volta no dia seguinte. E isso é incrível, então, é bom pra gente voltar daqui a pouco pra Fortaleza de novo e fazer isso com o espetáculo.

Veja a matéria no Blog do Labjor

sábado, 30 de janeiro de 2010

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Primeira parte da entrevista feita com Lúcia Veríssimo e Raphael Viana



Segunda parte da entrevista feita com Lúcia Veríssimo e Raphael Viana

Usufruto

Com dois cenários preparados, Lúcia Veríssimo e Raphael Viana fazem uma intensa temporada com a peça Usufruto. Seguindo a linha de uma turnê paralela, os atores ficam em cartaz às quartas e quintas-feiras no Teatro Faap, em São Paulo, enquanto viaja pelo Brasil nos fins de semana. Nesse fim de semana, o espetáculo estará aqui, em Fortaleza, no Teatro Celina Queiroz.

Na trama, Lúcia interpreta uma mulher debochada de 50 anos, enquanto Raphael um arquiteto promissor e muito conservador de 30 e poucos anos. Dois desconhecidos, mas com um desejo em comum: querem comprar o mesmo imóvel. Ela propõe um jogo da verdade e no decorrer dele serão discutido, em diálogos rápidos e “calientes”, temas como amor e ética.

A atriz, dos seus já 51 anos, já esteve inúmeras vezes no palco. O que diferencia essa das outras experiências, principalmente, é o fato dela, além de interpretar, ter sido a autora e diretora de produção. A peça foi escrita, em cinco dias, durante os intervalos de sua última novela, “América” (2005). E, com o incentivo e direção de José Possi Neto, o espetáculo foi ensaiado em cinco semanas, para encarar uma maratona de apresentações que começou em dezembro, em Vila Velha, e pretende ir até abril no Teatro Faap, São Paulo.

A vinda desse espetáculo faz parte do Projeto Teatro Celina Queiroz Grandes Espetáculos e, com seus acentos de todo o fim de semana quase todos vendidos, ainda em plena tarde de sexta-feira, traz o retorno de Lúcia Veríssimo e recebe pela primeira vez na cidade o ator carioca Raphael Viana.

Bastidores

De prontidão, desde às 17h, como marcado, estávamos eu (Camila), Viviane, Waleska e Ícaro na frente do teatro. Havíamos já nos preparado por três dias para essa coletiva, mas a ansiedade tinha os seus picos nessa tarde e não impedia que revisássemos as perguntas e qual seria a melhor angulação da câmera.


Então, eis que chega Lúcia Verissímo toda de branco e um chapéu estilo Panamá. E, mesmo sem conter as eventuais tosses de uma aparente doença, ainda parecia estar muito bem. Com o sorriso no rosto e ao lado do seu parceiro de cena Raphael Viana, concedeu outras três entrevistas antes da nossa equipe, entretanto, nada se comparou a nossa conversa.

Houve piadas internas e um diálogo bem descontraído. Por sugestão de Lúcia, puxamos um banco de madeira para perto deles e, assim, ultrapassamos as perguntas previstas no papel. Outra equipe de televisão esperava pelos atores, mas isso não nos intimidou. Enquanto Lúcia chamava a atenção do gato que rondava pelo bloco T, conversávamos de forma informal, entretanto, nada amadora.

Quando demos por concluída a entrevista, o apresentador que aguardava já ia tomar o seu posto. De antemão, perguntamos se podíamos registrar o momento. Não precisou falar duas vezes e eles já abriram um sorriso e disseram “lógico”. Enfim, modéstias à parte, não passamos vergonha. Fizemos o nosso “dever de casa” e que venham mais coletivas.

Veja a matéria no Blog do Labjor

Lição de casa

Na quarta-feira, ousei tentar conseguir uma vaga para o Labjor na coletiva da peça Usufruto. Para a felicidade dos meus ouvidos, recebi um sim como resposta e, logo em seguida, convoquei alguns amigos do estágio para também terem a mesma sensação de vivenciar uma mostra do que é jornalismo cultural.

Ontem, de prontidão, desde às 17h, como marcado, estávamos eu, Viviane, Waleska e Ícaro na frente do teatro. Havíamos já nos preparado por três dias, mas a ansiedade tinha os seus picos nessa tarde e não impedia que revisássemos as perguntas e qual seria a melhor angulação da câmera.

Então, eis que chega Lúcia Verissímo toda de branco e um chapéu estilo Panamá. E, mesmo sem conter as eventuais tosses de uma aparente doença, ainda parecia estar muito bem. Com o sorriso no rosto e ao lado do seu parceiro de cena Raphael Viana, concedeu outras três entrevistas antes da nossa equipe, entretanto, nada se comparou a nossa conversa.

Em quase onze minutos, houve piadas internas e um diálogo bem descontraído. Por sugestão de Lúcia, puxamos um banco de madeira para perto deles e, assim, ultrapassamos as perguntas previstas no papel. Desde o primeiro momento em que fomos falar com ela, antes mesmo de começarmos a gravar, fomos tratados com muito respeito e simpatia, como se fossemos totalmente profissionais e, não, somente universitários.

Durante a entrevista, outra equipe de televisão esperava pelos atores, mas isso não nos intimidou. Sinceramente, incomodou só o fato de estarem testando luzes e fazendo barulho, já que estávamos filmando para o Blog. Excetuando isso, enquanto Lúcia chamava a atenção do gato que rondava pelo bloco T, conversávamos de forma informal, entretanto, nada amadora.

Quando demos por concluída a entrevista, o apresentador que aguardava já ia tomar o seu posto. De antemão, perguntamos se podíamos registrar o momento. Não precisou falar duas vezes e eles já abriram um sorriso e disseram “lógico”. Enfim, modéstias à parte, não passamos vergonha. Fizemos o nosso “dever de casa” e que venham mais coletivas.

Da esquerda para a direita: Ícaro, eu, Lúcia Veríssimo,
Raphael Viana, Viviane e Waleska

¹ Foto por Waleska Santiago
² Foto por Waleska Santiago

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Nas dimensões da cerimônia

Depois de passarem pelas cidades de São Paulo, Santo André e Porto Alegre, a peça “Vestido de Noiva”, escrita por Nelson Rodrigues, chegou a Fortaleza nesse fim de semana (28/08 a 30/08) para as apresentações no Teatro Celina Queiroz.

Dirigida por Gabriel Villela, a montagem traz características diferentes da original, sem abandonar o texto tal qual era. “Apesar da gente está falando que o Gabriel tem uma assinatura muito forte e tal, o texto não foi cortado em nada e não foi colocado absolutamente nada de fora”, enfatiza Leandra Leal, protagonista da peça. Villela adapta as três dimensões propostas pelo autor – memória, alucinação e realidade – em uma nova perspectiva. O diretor não utiliza o espaço físico para orientar o público, ao invés disso, recorre ao trabalho da iluminação e do ator para dar segmento a intenção da obra.Com base nisso, utilizaremos esse recurso das dimensões para seguir nossa matéria e apresentar com mais detalhes as opiniões dos atores Marcello Antony, Leandra Leal, Vera Zimmerman, Luciana Carnieli e César Augusto, assistente de direção, que em coletiva na última sexta-feira (28/08), falaram sobre essa obra considerada um clássico na dramaturgia.

Recorrendo à Memória (relembrando a sinopse):

A história contempla o triângulo amoroso de Alaíde (Leandra Leal), Pedro (Marcello Antony) e Lúcia (Vera Zimmermann). Depois de uma discussão com Lúcia, Alaíde é atropelada. Enquanto é submetida a atendimentos médicos, sua mente flui e, mantendo-se entre as lembranças e a realidade, ela começa a recordar de detalhes de sua vida de casada com Pedro, que irão fazê-la duvidar se ela realmente sofreu um acidente ou foi tudo premeditado.

Um pouco de Alucinação (bastidores):

preparamos-nos desde cedo para a coletiva. Foram diversas leituras sobre as críticas já feitas a peça e muitas pesquisas na internet, pois era nossa primeira coletiva e não queríamos passar vergonha. Em meio a tudo isso, pessoas do LabJor pediam/exigiam autógrafos dos atores. ( hehehe :-D )

Ao chegarmos em frente ao Teatro Celina Queiroz, com meia hora de antecedência, começamos a transmitir nosso nervosismo, mas cada um a sua maneira. Eu (Ícaro), não parava de andar para um lado e para o outro anotando tudo que via/ouvia, já a Camila, testava todos os recursos da câmera fotográfica (flashes, zoom e etc), foi quando avistamos o cartaz da peça com o nome dos atores e seus respectivos personagens.

Imediatamente, Camila começou a fotografar o tal cartaz, nome por nome. A empolgação era tanta, que ela fotografou até o panfleto fixado na vidraça da bilheteria que anunciava a peça (kkkkk).

Não sabíamos se podíamos entrar no teatro com os outros repórteres, mas entramos mesmo assim (na cara de pau, kkkk). Os repórteres se acomodaram em um determinado espaço do teatro. Enquanto isso, eu e Camila ficamos sentados/isolados nas cadeiras da última fileira da platéia.

Os repórteres se aproximaram do palco. Eu fiquei com receio de me aproximar, mas Camila sempre me encorajava.

- Ícaro disse: Por que tu não vai, então?
- Camila responde: Porque eu sou a fotógrafa, ahahahah.

Avistamos a professora Adriana Helena, Divisão de Arte e Cultura da universidade. Ela nos cumprimentou de longe e fez um sinal de ‘ok’. Ficamos aliviados, pois, com isso, tínhamos o que esperávamos para participar da coletiva. Enquanto isso, Camila não parava de testar a câmera tirando fotos do palco (kkkkk).

Fomos avisados de que a imprensa televisiva seria a primeira a entrevistar os atores, em seguida, a impressa, ou seja, nós. Então, começamos a elaborar inúmeras perguntas (sem nem saber se teríamos vez para falar dentre os outros repórteres) e a fazer cálculos de quanto tempo tínhamos para entrevistá-los (kkkk), pois os atores ainda teriam que se preparar para o espetáculo.

E, às 16:40, eis que surgiu a atriz Leandra Leal no palco, em seguida Marcello Antony acompanhado de Vera Zimmerman e Luciana Carnieli.

- Ícaro: Tira foto, Camila.
- Camila: Eu sei. Deixa eles chegarem mais perto.

O tão esperado momento chegou. Era vez da mídia impressa fazer as perguntas. Um dos repórteres começou seus questionamentos sobre a peça. Enquanto isso, fiquei na espreita, com meu mp4 gravando e anotando tudo que era dito pelos atores, ao mesmo tempo que a Camila fazia mais registros fotográficos.

Depois de 10 minutos, Camila aproximou-se de mim discretamente e me aconselhou/mandou perguntar assim que eu sentisse um sinal de silêncio (kkkkk). Foi, então, que comecei a metralhar perguntas uma atrás da outra (kkkk, lembrando que não foi proposital da minha parte).

Revelando a Realidade (nossa entrevista na íntegra):

Labjor: Vocês tiveram contato com o longa metragem que foi roteirizado, produzido e dirigido pelo filho do Nelson, Joffre Rodrigues?

Leandra: Não.

Vera: Eu vi umas cenas na internet só.

Luciana: Eu assisti, mas o encaminhamento da peça é muito diferente. O olhar do Gabriel para a obra é bastante diferenciado da visão do filho do Nelson Rodrigues.

César: O Nelson é tão encadeado, a escrita é tão encadeada que uma coisa leva a outra. Então, praticamente não tem como errar. É causa e efeito.

Marcello: E ele sintetiza tudo. Chegou ao ápice. Não precisa fazer mais.

Leandra: Ele é muito preciso. Ele marca. E você pode achar que é um saco fazer tudo igual, a mesma coisa, mas eu digo: cara, não tem essa sensação.

Marcello: Dentro da marca tem um preenchimento nosso. O caminho existe, mas aí como vamos seguir esse caminho é a questão.

Leandra: E tem as camadas que você vai descobrindo quando a gente vai fazendo as leituras e fazendo mesmo. Num dia você chega num lugar que não tinha chegado depois de três meses de temporada e aí você acorda e diz: “Era isso!”.

César: O desafio do ator é como viver a primeira primavera. Não é um círculo que você volta para o mesmo ponto e, sim, uma espiral onde você volta para a primeira primavera, o primeiro ritual e vai aprofundando. E esse é o desafio do ator de aprofundar cada vez mais o que ele faz todo dia.

Labjor: Marcello, depois de 12 anos na TV, como está sendo essa volta aos palcos?

Marcello:
Bom. É bom dá uma reciclada.

Labjor: Leandra, como foi interpretar uma personagem de Nelson Rodrigues para o cinema e outra para o teatro?

Leandra
: Foi uma grande coincidência ter acontecido. Já gostava das obras do Nelson, mas nunca tinha oportunidade de fazer, e aí foi bem engraçado porque eu fiz o filme e um ano depois apareceu a peça. Foi uma continuidade de aprofundamento da obra, do estudo e um outro ponto de vista sobre a obra do Nelson do que foi no cinema.

Labjor: E Leandra, como é voltar ao palco do Celina, depois de ter se apresentado com a peça “Impressões do Meu Quarto” em 2005?

Leandra:
Muito boa. Foi muito importante ter vindo com a peça. Foi muito legal. E fizemos outras coisas a partir daqui e se não me engano, Fortaleza foi a primeira viagem que fizemos com Impressões. Muito bacana a lembrança que tenho.

Labjor: Vocês cantam e dançam na peça. Como foi essa preparação?

Vera:
Olha aqui quem canta muito bem (Vera aponta para Luciana).

Luciana: Nós fizemos a preparação com o Daniel Maia, diretor musical e compositor da trilha. E isso é uma coisa muito bacana do espetáculo. Tem música, tem coreografias e nós cantamos juntos. Eu e Marcelo cantamos solos. É muito prazeroso porque a música é sempre uma ferramenta que causa empatia com o público.

Leandra: É uma trilha que alcança uma memória. Uma coisa de bordel, meio romântica e meio brega.

Marcello: É pra mexer com o sensorial.

Labjor: Possuem algum ritual antes de entrar no palco?

Leandra: Cada um tem o seu.

Marcello: É. Cada um tem o seu e na hora a gente deseja “merda” pra todo mundo.

Mais um pouco de Alucinação (bastidores):

No final da nossa entrevista, Mário Alves, produtor das peças da Unifor, aproximou-se e pediu para encerrarmos nossas perguntas, pois os atores teriam que se preparar para a apresentação. Finalizamos nossas perguntas, agradecemos e fomos embora, porém… César indagou discretamente: “Ninguém vai tirar foto do elenco reunido?”

Foi então que chamei Camila para perto do palco e disse: ”César, gostaríamos de tirar uma foto do elenco reunido.” César chamou o elenco para a foto e em seguida, pedimos para tirar uma foto com o elenco também (;-)). César concordou e foi um rapaz que estava na platéia quem nos fotografou. Marcello Antony disse: “Cada um fica de cada lado” e Camila, para matar todas as meninas do Labjor de inveja depois, foi a primeira a subir no palco (kkkkkk).

Mais do que registrado, voltamos à redação com a certeza de que fomos felizes em nossa primeira coletiva.

Veja a matéria no Blog do Labjor

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sem cerimônia

A peça Vestido de noiva está em cartaz neste fim de semana no Teatro Celina Queiroz. A história contempla o triângulo amoroso de Alaíde (Leandra Leal), Pedro (Marcello Antony) e Lúcia (Vera Zimmermann). Depois de uma discussão com Lúcia, Alaíde é atropelada. Enquanto é submetida a atendimentos médicos, sua mente flui e, mantendo-se entre as lembranças e a realidade, ela começa a recordar de detalhes de sua vida de casada com Pedro, que irão fazê-la duvidar se ela realmente sofreu um acidente ou foi tudo premeditado.


O diretor Gabriel Villela transmite três dimensões - realidade, memória e alucinação - em apenas um espaço. Utiliza-se da mudança de luz e alteração de voz dos atores para diferenciá-las. Afasta-se um pouco da sua marca, que é o expressionismo, e aproxima-se do teatro popular. Ele adaptou e inovou o clássico da dramaturgia, escrito, em 1943, por Nelson Rodrigues, em três meses de estudo e ensaio com o elenco. Não é à toa que o resultado, em Fortaleza, foi ter esgotado os ingressos dos três dias de apresentação. Como curiosos e amantes da arte, eu e o Ícaro fomos garantir nosso espaço na coletiva e conhecer um pouco mais da montagem, construção de personagem e particularidades dos bastidores de "Vestido de Noiva".


Nos bastidores da entrevista


Trinta minutos antes da hora marcada e já nos encontrávamos de prontidão na frente do Teatro Celina Queiroz. Ainda não tínhamos a certeza de nossa entrada na coletiva, mas estávamos munidos de perguntas e equipamentos para não fazermos feio, caso conseguíssemos participar da entrevista.




Sinceramente, nem parecia ser nossa primeira coletiva. Não aparentávamos nervosismo ou extrapolamos felicidade por termos conseguido autorização para fazer a entrevista, junto com os profissionais da área impressa que estavam lá. Fomos calmamente conquistando o nosso espaço e, quando percebemos, tínhamos tomado a frente dos outros jornalistas: o Ícaro metralhando perguntas - as mais criativas e bem elaborados por nós, em comparação com as dos outros presentes - e eu lotando a memória da câmera com todas as reações e expressões dos atores Marcello Antony, Leandra Leal, Vera Zimmermann e Luciana Carnieli, juntamente com o assistente de direção da peça, César Augusto.


Podemos classificar nossa participação nessa coletiva como um sucesso. Portamo-nos como verdadeiros profissionais. Pesquisamos por duas horas para não fazermos perguntas rotineiras e mostramos que estávamos preparados quando fizemos perguntas diferentes, pessoais e, ainda assim, referentes a peça. Então, que venham mais grandes espetáculos.


Em pé: Ícaro Sampaio, Marcello Antony e Camila Marcelo.
Sentado: Luciana Carnieli, Leandra Leal e Vera Zimmerman.



¹ Foto por Camiℓa Oℓiveira

² Foto por Camiℓa Oℓiveira
 
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