Dirigida por Gabriel Villela, a montagem traz características diferentes da original, sem abandonar o texto tal qual era. “Apesar da gente está falando que o Gabriel tem uma assinatura muito forte e tal, o texto não foi cortado em nada e não foi colocado absolutamente nada de fora”, enfatiza Leandra Leal, protagonista da peça. Villela adapta as três dimensões propostas pelo autor – memória, alucinação e realidade – em uma nova perspectiva. O diretor não utiliza o espaço físico para orientar o público, ao invés disso, recorre ao trabalho da iluminação e do ator para dar segmento a intenção da obra.Com base nisso, utilizaremos esse recurso das dimensões para seguir nossa matéria e apresentar com mais detalhes as opiniões dos atores Marcello Antony, Leandra Leal, Vera Zimmerman, Luciana Carnieli e César Augusto, assistente de direção, que em coletiva na última sexta-feira (28/08), falaram sobre essa obra considerada um clássico na dramaturgia.
Recorrendo à Memória (relembrando a sinopse):A história contempla o triângulo amoroso de Alaíde (Leandra Leal), Pedro (Marcello Antony) e Lúcia (Vera Zimmermann). Depois de uma discussão com Lúcia, Alaíde é atropelada. Enquanto é submetida a atendimentos médicos, sua mente flui e, mantendo-se entre as lembranças e a realidade, ela começa a recordar de detalhes de sua vida de casada com Pedro, que irão fazê-la duvidar se ela realmente sofreu um acidente ou foi tudo premeditado.
Um pouco de Alucinação (bastidores):preparamos-nos desde cedo para a coletiva. Foram diversas leituras sobre as críticas já feitas a peça e muitas pesquisas na internet, pois era nossa primeira coletiva e não queríamos passar vergonha. Em meio a tudo isso, pessoas do LabJor pediam/exigiam autógrafos dos atores. ( hehehe :-D )
Ao chegarmos em frente ao Teatro Celina Queiroz, com meia hora de antecedência, começamos a transmitir nosso nervosismo, mas cada um a sua maneira. Eu (Ícaro), não parava de andar para um lado e para o outro anotando tudo que via/ouvia, já a Camila, testava todos os recursos da câmera fotográfica (flashes, zoom e etc), foi quando avistamos o cartaz da peça com o nome dos atores e seus respectivos personagens.
Imediatamente, Camila começou a fotografar o tal cartaz, nome por nome. A empolgação era tanta, que ela fotografou até o panfleto fixado na vidraça da bilheteria que anunciava a peça (kkkkk).
Não sabíamos se podíamos entrar no teatro com os outros repórteres, mas entramos mesmo assim (na cara de pau, kkkk). Os repórteres se acomodaram em um determinado espaço do teatro. Enquanto isso, eu e Camila ficamos sentados/isolados nas cadeiras da última fileira da platéia.

Os repórteres se aproximaram do palco. Eu fiquei com receio de me aproximar, mas Camila sempre me encorajava.
- Ícaro disse: Por que tu não vai, então?
- Camila responde: Porque eu sou a fotógrafa, ahahahah.
Avistamos a professora Adriana Helena, Divisão de Arte e Cultura da universidade. Ela nos cumprimentou de longe e fez um sinal de ‘ok’. Ficamos aliviados, pois, com isso, tínhamos o que esperávamos para participar da coletiva. Enquanto isso, Camila não parava de testar a câmera tirando fotos do palco (kkkkk).
Fomos avisados de que a imprensa televisiva seria a primeira a entrevistar os atores, em seguida, a impressa, ou seja, nós. Então, começamos a elaborar inúmeras perguntas (sem nem saber se teríamos vez para falar dentre os outros repórteres) e a fazer cálculos de quanto tempo tínhamos para entrevistá-los (kkkk), pois os atores ainda teriam que se preparar para o espetáculo.
E, às 16:40, eis que surgiu a atriz Leandra Leal no palco, em seguida Marcello Antony acompanhado de Vera Zimmerman e Luciana Carnieli.
- Ícaro: Tira foto, Camila.
- Camila: Eu sei. Deixa eles chegarem mais perto.
O tão esperado momento chegou. Era vez da mídia impressa fazer as perguntas. Um dos repórteres começou seus questionamentos sobre a peça. Enquanto isso, fiquei na espreita, com meu mp4 gravando e anotando tudo que era dito pelos atores, ao mesmo tempo que a Camila fazia mais registros fotográficos.
Depois de 10 minutos, Camila aproximou-se de mim discretamente e me aconselhou/mandou perguntar assim que eu sentisse um sinal de silêncio (kkkkk). Foi, então, que comecei a metralhar perguntas uma atrás da outra (kkkk, lembrando que não foi proposital da minha parte).
Revelando a Realidade (nossa entrevista na íntegra):
Labjor: Vocês tiveram contato com o longa metragem que foi roteirizado, produzido e dirigido pelo filho do Nelson, Joffre Rodrigues?Leandra: Não.
Vera: Eu vi umas cenas na internet só.
Luciana: Eu assisti, mas o encaminhamento da peça é muito diferente. O olhar do Gabriel para a obra é bastante diferenciado da visão do filho do Nelson Rodrigues.
César: O Nelson é tão encadeado, a escrita é tão encadeada que uma coisa leva a outra. Então, praticamente não tem como errar. É causa e efeito.
Marcello: E ele sintetiza tudo. Chegou ao ápice. Não precisa fazer mais.
Leandra: Ele é muito preciso. Ele marca. E você pode achar que é um saco fazer tudo igual, a mesma coisa, mas eu digo: cara, não tem essa sensação.
Marcello: Dentro da marca tem um preenchimento nosso. O caminho existe, mas aí como vamos seguir esse caminho é a questão.
Leandra: E tem as camadas que você vai descobrindo quando a gente vai fazendo as leituras e fazendo mesmo. Num dia você chega num lugar que não tinha chegado depois de três meses de temporada e aí você acorda e diz: “Era isso!”.
César: O desafio do ator é como viver a primeira primavera. Não é um círculo que você volta para o mesmo ponto e, sim, uma espiral onde você volta para a primeira primavera, o primeiro ritual e vai aprofundando. E esse é o desafio do ator de aprofundar cada vez mais o que ele faz todo dia.
Labjor: Marcello, depois de 12 anos na TV, como está sendo essa volta aos palcos?
Marcello: Bom. É bom dá uma reciclada.
Labjor: Leandra, como foi interpretar uma personagem de Nelson Rodrigues para o cinema e outra para o teatro?
Leandra: Foi uma grande coincidência ter acontecido. Já gostava das obras do Nelson, mas nunca tinha oportunidade de fazer, e aí foi bem engraçado porque eu fiz o filme e um ano depois apareceu a peça. Foi uma continuidade de aprofundamento da obra, do estudo e um outro ponto de vista sobre a obra do Nelson do que foi no cinema.
Labjor: E Leandra, como é voltar ao palco do Celina, depois de ter se apresentado com a peça “Impressões do Meu Quarto” em 2005?
Leandra: Muito boa. Foi muito importante ter vindo com a peça. Foi muito legal. E fizemos outras coisas a partir daqui e se não me engano, Fortaleza foi a primeira viagem que fizemos com Impressões. Muito bacana a lembrança que tenho.
Labjor: Vocês cantam e dançam na peça. Como foi essa preparação?
Vera: Olha aqui quem canta muito bem (Vera aponta para Luciana).
Luciana: Nós fizemos a preparação com o Daniel Maia, diretor musical e compositor da trilha. E isso é uma coisa muito bacana do espetáculo. Tem música, tem coreografias e nós cantamos juntos. Eu e Marcelo cantamos solos. É muito prazeroso porque a música é sempre uma ferramenta que causa empatia com o público.
Leandra: É uma trilha que alcança uma memória. Uma coisa de bordel, meio romântica e meio brega.
Marcello: É pra mexer com o sensorial.
Labjor: Possuem algum ritual antes de entrar no palco?
Leandra: Cada um tem o seu.
Marcello: É. Cada um tem o seu e na hora a gente deseja “merda” pra todo mundo.
Mais um pouco de Alucinação (bastidores):No final da nossa entrevista, Mário Alves, produtor das peças da Unifor, aproximou-se e pediu para encerrarmos nossas perguntas, pois os atores teriam que se preparar para a apresentação. Finalizamos nossas perguntas, agradecemos e fomos embora, porém… César indagou discretamente: “Ninguém vai tirar foto do elenco reunido?”
Foi então que chamei Camila para perto do palco e disse: ”César, gostaríamos de tirar uma foto do elenco reunido.” César chamou o elenco para a foto e em seguida, pedimos para tirar uma foto com o elenco também (;-)). César concordou e foi um rapaz que estava na platéia quem nos fotografou. Marcello Antony disse: “Cada um fica de cada lado” e Camila, para matar todas as meninas do Labjor de inveja depois, foi a primeira a subir no palco (kkkkkk).
Mais do que registrado, voltamos à redação com a certeza de que fomos felizes em nossa primeira coletiva.

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