sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sem cerimônia

A peça Vestido de noiva está em cartaz neste fim de semana no Teatro Celina Queiroz. A história contempla o triângulo amoroso de Alaíde (Leandra Leal), Pedro (Marcello Antony) e Lúcia (Vera Zimmermann). Depois de uma discussão com Lúcia, Alaíde é atropelada. Enquanto é submetida a atendimentos médicos, sua mente flui e, mantendo-se entre as lembranças e a realidade, ela começa a recordar de detalhes de sua vida de casada com Pedro, que irão fazê-la duvidar se ela realmente sofreu um acidente ou foi tudo premeditado.


O diretor Gabriel Villela transmite três dimensões - realidade, memória e alucinação - em apenas um espaço. Utiliza-se da mudança de luz e alteração de voz dos atores para diferenciá-las. Afasta-se um pouco da sua marca, que é o expressionismo, e aproxima-se do teatro popular. Ele adaptou e inovou o clássico da dramaturgia, escrito, em 1943, por Nelson Rodrigues, em três meses de estudo e ensaio com o elenco. Não é à toa que o resultado, em Fortaleza, foi ter esgotado os ingressos dos três dias de apresentação. Como curiosos e amantes da arte, eu e o Ícaro fomos garantir nosso espaço na coletiva e conhecer um pouco mais da montagem, construção de personagem e particularidades dos bastidores de "Vestido de Noiva".


Nos bastidores da entrevista


Trinta minutos antes da hora marcada e já nos encontrávamos de prontidão na frente do Teatro Celina Queiroz. Ainda não tínhamos a certeza de nossa entrada na coletiva, mas estávamos munidos de perguntas e equipamentos para não fazermos feio, caso conseguíssemos participar da entrevista.




Sinceramente, nem parecia ser nossa primeira coletiva. Não aparentávamos nervosismo ou extrapolamos felicidade por termos conseguido autorização para fazer a entrevista, junto com os profissionais da área impressa que estavam lá. Fomos calmamente conquistando o nosso espaço e, quando percebemos, tínhamos tomado a frente dos outros jornalistas: o Ícaro metralhando perguntas - as mais criativas e bem elaborados por nós, em comparação com as dos outros presentes - e eu lotando a memória da câmera com todas as reações e expressões dos atores Marcello Antony, Leandra Leal, Vera Zimmermann e Luciana Carnieli, juntamente com o assistente de direção da peça, César Augusto.


Podemos classificar nossa participação nessa coletiva como um sucesso. Portamo-nos como verdadeiros profissionais. Pesquisamos por duas horas para não fazermos perguntas rotineiras e mostramos que estávamos preparados quando fizemos perguntas diferentes, pessoais e, ainda assim, referentes a peça. Então, que venham mais grandes espetáculos.


Em pé: Ícaro Sampaio, Marcello Antony e Camila Marcelo.
Sentado: Luciana Carnieli, Leandra Leal e Vera Zimmerman.



¹ Foto por Camiℓa Oℓiveira

² Foto por Camiℓa Oℓiveira

♪

"Foi por medo de avião
Que eu segurei pela primeira vez na tua mão
Agora ficou fácil, todo mundo compreende
Aquele toque Beatle, I wanna hold your hand!
Agora ficou fácil, todo mundo compreende
Aquele toque Beatle, I wanna hold your hand!"

(Belchior)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Ombro tenso

Impaciente ou com tempo livre, tira-me do sério quando estou a atravessar a rua e tenho que esperar um carro rastejar pela rua. Custa acelerar quando vê um pedestre querendo atravessar? Nossa, vem tão lento que, quando vejo, um mar de carros vem logo atrás. Pior do que isso, é quando alguém vem me perguntar alguma coisa e não fica para ouvir a resposta. Então por que pergunta? O "tudo bem", falado depois do "oi", virou complemento. Parece que não há mais interesse por respostas.

Outro dia um menina veio tirar uma dúvida sobre uma aula e, enquanto respondia, ela saiu mais a frente. Seriamente, não dá nem vontade de responder, caso ela me aparesse depois. Precisamos melhorar nossa comunicação, importarmo-nos mais com nós mesmo e ignoramos o fato de que a conversa é feita por mais de um. Sem o interesse do outro, perdemos o estímulo de compartilhar histórias e sentimentos, preferimos nos retrair e conter os pensamentos para uma outra ocasião, que talvez não mais apareça.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Hello cineclubista

Semana seguinte ao início das aulas, o Cineclube Unifor reabriu sua programação no dia 13 de agosto, com a exibição de “O sol de cada manhã” (“The weather man”, 2005). O filme apresenta o cotidiano de Dave Spritz (Nicolas Cage) – homem do tempo de um canal de televisão de Chicago -  que, embora tenha uma vida profissional de sucesso, enfrenta conflitos diários no âmbito pessoal.

Segundo o debatedor Custódio Almeida, diretor do Instituto de Cultura e Arte da UFC, cada título oferecido propõe um ideia acerca do que o longa-metragem quer abordar. O nome em inglês remete a uma desconfiança, pelo fato de relacionar a meteorologia com um emprego no qual a pessoa não elabora ou ao menos compreende o que está falando e, ainda assim, é muito bem retribuída financeiramente. Em português, associa-se a uma esperança. E “Hello América”, título indicado por Custódio para nomear o filme, funciona como um alerta, para mostrar que a vida está passando.

Os questionamentos e as autocríticas do protagonista Dave, apresentadas em voice off, deram o gancho para debate do dia. A sua ambição em querer impressionar o seu pai Robert (Michael Caine), renomado escritor e vencedor do prêmio Pulitzer de literatura, motivava as suas ações, nem sempre bem sucedidas. Como quando leva a sua filha a uma estação de esqui para tentar se aproximar mais e acidentalmente a ela rompe os ligamentos da perna. Ou quando ele tenta interagir com a ex-esposa atingindo-a com uma bola de neve, quebrando os óculos dela. Ele tentava, através de caminhos mais fáceis, resolver os seus problemas, mesmo seu pai dizendo que “fácil” não deveria fazer parte do vocabulário dos adultos.

O protagonista Dave muda o seu caráter pessimista e aparência fracassada ao encontrar dignidade no que faz e quando utiliza o esporte tiro ao alvo como um mecanismo de extravasar sua raiva. Dessa forma, ele descobre como deixar de ser um homem “fast food”.  (O que é ser “fast food”? É uma vida baseada em banalidade, priorizando a superficialidade. É uma suposta saciedade que não nutre. ) Além disso, com a morte de seu pai, ele se torna homem. “A morte do pai de Dave é simbólica, representa que agora ele agirá sem buscar apoio”, comenta Maria Aparecida Paiva Montenegro, professora de Filosofia e também debatedora convidada.

Depois da última conversa com o seu pai, Spritz percebeu que não precisava de grandes atos para se tornar adulto. Às vezes, não é necessário ser tão racional para provar que cresceu. Às vezes, é melhor agir – representado pelo momento quando ele defendeu o seu filho do tutor pedófilo -, do que ficar apenas nos planos – como quando ele planejava reatar com a ex-mulher, mas não se esforçava para corrigir seus defeitos. A partir disso ele encontra o seu valor.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Vendo corações em toda parte..

...até em árvores.

Foto por Camiℓa Oℓiveira

Pulando em cima de mim

A minha faculdade realmente é um mundo. Quase como as públicas de Fortaleza, homens e animais, ditos irracionais, convivendo num mesmo ambiente.

Os gatos na ponta da mesa jogam suas armadilhas, os olhos de fome, para garantir a comida do dia; as emas passeiam pelo Campus como se estivem em plena floresta; os patos e galinhas isolam-se perto do lago, mostram-se apenas àqueles que vão ao seu encontro; os saguis pulando entre as árvores e trocando aparições em fotografias por bananas.

Tanta diversidade de plantas, de cores. Bater uma foto diferente aqui, num primeiro momento parece impossível. Tantas já foram tiradas, de todos os ângulos, em todos os lugares. Mas, agora, vejo a Unifor de outra maneira, um local ainda explorável. Seja em sua variedade ambiental ou na relação humano e bicho na minha rotina.

Foto por Camiℓa Oℓiveira

Eu em campo

Não satisfeita em ficar apenas na redação do Labjor, estou encarando agora o setor de fotografia. Posso confessar? É muito bom registrar esporte, tudo parece tão artístico e apresenta justamente o que eu prezo em focar, a espontaneidade. Estas fotos representam parte do evento que está acontecendo parcialmente na Unifor, são os Jogos Universitários Brasileiros (Jubs). Coloquei aqui alguns de meus clicks de uma tarde muito inesperada e prazerosa.

100m rasos

Salto com vara

Salto com vara

3.000m com obstáculos

Lançamento do disco

Foto por Camiℓa Oℓiveira

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

...

Um golpe e a noite acabou.
O inconveniente foi feito
e qualquer planejamento e humor
fora quebrado.
Sorte por não estarmos presente,
por não termos reagido
e gritado "pega ladrão",
ou a falta dela por não termos evitado?
Um detalhe,
os desvios reconhecidos
e a busca por culpados se inicia.
As hipóteses são formuladas,
os "eu devia" começam a aparecer
e a cabeça começa a latejar.
O caminho da festa é desfeito
e a casa agora vira o rumo.
Lamentações e a cama,
destino único para se perceber
que você é só mais um da multidão.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

- Finge pelo menos que está feliz!!!

Da mesma forma que muitos afirmam não haver imparcialidade jornalística, pelo fato do ponto de vista e da opinião crítica estarem presentes desde o momento da captação dos fatos ao registro por escrito, assim são os homens em todos as suas ações. Gravamos lembranças distorcidas da realidade, confundimos às vezes até o sonho com atitudes feitas no passado e talvez, agora, nem possamos mais recorrer a fotografias e filmagens, como um artifício de recordação, para facilitar as conexões da imagem gravada com a história por trás dela ou as típicas comparações da aparência mudada dentre os anos.

Diante da câmera fingimos o sorriso e o bem estar, queremos sempre aparentar o mais belo de nós. Uma noite entediante torna-se saudosa e desejada ao se ver suas fotografias; um aborrecimento é apagado por um riso amargo e falso; uma briga é relevada por alguns minutos enquanto a máquina está gravando. Muita maquiagem, a pose estrategicamente favorável, espontaneidades pré-elaboradas e um exagero de humor e felicidade na conversa filmada. Cenas perfeitamente criadas para, quando revelarem ou simplesmente exibirem em slides no computador, aparentar sempre estarmos no nosso melhor dia. Meros arquivos mortos destinados apenas a serem emoldurados ou guardados em caixas antigas da prateleira mais alta.

Registrar um olhar salgado ou cabelos despenteados mostra-nos realmente quem somos. Nada de personagens de um filme hollywoodiano, que já acorda com o hálito fresco e bem maquiada. Temos crises de mau humor, olheiras de ressaca, vontade de vestir a roupa mais amassada do guarda-roupa, desejo de gritar pelos quatro ventos e agir de forma inesperada quando ninguém está olhando. Não importa se a foto mostrou alguma vez uma expressão minha de raiva, quero ver e tentar lembrar o motivo e, não, armazenar imagens encenadas. Talvez sinta arrependimento somente por não ter aproveitado melhor aquele dia e relevado os aborrecimentos, mas de ter fingido um sorrido, jamais. A vida já é repleta de atores, então, por mais que meu rosto não disfarce o que a mente às vezes tente esconder, enganar-nos diariamente com fotografias distorcidas não nos tornará mais humanos e, sim, espectadores de nossas próprias vidas.
 
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