A raridade dos carros pode ser requisitada para eventos, apesar de ter disponíveis poucos colecionadores
O mercado de locação de carros antigos é escasso e, por vezes, restrito a liberação e ao desapego dos colecionadores das raridades automobilísticas.
No Museu do Automóvel, são 80 sócios em seus mais de cinquenta carros disponíveis no espaço do clube, porém apenas um disponibiliza as suas preciosidades aos olhos de terceiros.
O ciúme é um dos principais fatores para não emprestar, muito menos alugar. A estudante Renata Moraes Silva vai casar em dois meses e já anunciou que vai ser conduzida pelo Cadillac 1956, da cor preta, que está exposto no Museu.
O modelo, que não teve nenhum alteração desde que saiu de fábrica, foi feito, como diz ela, especialmente para noivas, pelo grande espaço interno.
Ela conseguiu essa proeza simplesmente por ser filha do dono. Se não fosse por isso, certamente, segundo ela, ele iria negar o pedido.
"Uma vez ou outra, ele empresta a um amigo. Tem alguns colecionadores que alugam, mas o papai não, porque eu acho que ele tem mais ciúmes do carro do que de qualquer coisa", acrescenta. A condição é o pai ou o motorista de confiança dirigir o veículo.
Na verdade, esta condição aparentemente é similar entre os amantes de carros antigos. Isso porque o único que aluga sem tanto "aperto no coração", que é o presidente do clube, Osmundo Pontes, também propõe essa condição.
Por R$ 2.000 pagos adiantado, o cliente tem direito a um dos seus oito carros, veículo polido, tanque cheio e o seu motorista de confiança na direção.
Entre os carros estão: Lincoln Conversível 1947, Puma GTS 1981, Jipe Ford 1974, Cadillac Limousine 1940, Cadillac Conversível 1954 e Garden Conversível 1927.
Os eventos que mais requisitam as raridades são aniversários de 15 anos, campanhas publicitárias, encontros de empresas e, principalmente, casamentos. "O meu objetivo é divulgar os carros na sociedade. Minha intenção não é nem financeira, é divulgar o carro antigo e o próprio Museu do Automóvel".
O colecionador e empresário Pedro Bezerra atua no ramo. Desde 1993, ele disponibiliza seus carros na locação para eventos, montando a empresa Noiva Chic na Hora.
Seguindo também o mesmo modelo dos outros colecionadores, Pedro aluga os seus quatro carros apenas sob o domínio de um motorista próprio.
Dentro da frota estão: Mercedes rabo de peixe 1967, Mercedes 500 FE 1982, Mercedes E320 1997 e Jaguar XJ40 1947. Todos os modelos originais.
Cerca de três casamentos por fim de semana são realizados pela empresa. Em média, são 16 por mês. Além das noivas - principais clientes -, o ramo da publicidade também solicita.
O preço do aluguel independe da escolha do modelo do carro, variando pelo pacote fechado. O menor, que inclui o traslado salão de beleza para a igreja, custa R$ 300,00. Esse valor pode alcançar até os R$ 800,00, quando é feito o percurso: salão, buffet, igreja, buffet e hotel. Se acrescentar outros trajetos, como aeroporto, o preço pode atingir R$ 1.000.
Museu tem candidato reeleito em votação
O presidente do Museu do Automóvel do Ceará, Osmundo Pontes Filho, garantiu um novo mandato em eleição realizada no último dia 18 de abril.
Em clima descontraído e sem grandes formalidades ao redor da mesa de reuniões, os sócios se reuniram para votar no único, porém desejado, candidato a comandar o local.
Já posando com o V de vitória para as fotos e rindo entre os amigos presentes, Osmundo conquista o seu quarto ano não consecutivo no alto cargo administrativo do Museu.
Como primeiro e segundo vice encontram-se, respectivamente, Gustavo Beuttenmuller Neto e Arnóbio Tomaz. Para o novo ano, durante a eleição, ele adiantou quais são os planos. "Minha meta é divulgar mais ainda a entidade no interior do Estado, fazer parceria com as secretarias de cultura dos municípios de Sobral, Maranguape, Guaramiranga, Quixadá, Limoeiro do Norte e Juazeiro do Norte", declara.
Em carreatas, a intenção é ir aos interiores, dando suporte e divulgando o nome do Museu ao longo do Ceará. "Quixadá está pensando em abrir um clube, Sobral já abriu, Limoeiro também já tem um e nós que apadrinhamos", lembra.
A meta é fazer as viagens e, em parceria com as prefeituras, oferecer troféus e diplomas a cada participante.
Esse momento é tanto para divulgar o Museu, como também para promover a união entre os amantes de carros antigos.
Essa intenção também se manifesta nos encontros realizados em praças de Fortaleza, como a do Ferreira e do Passeio Público, que espera continuar com o plano e fazer com mais frequência.
Por vezes, o motivo de não haver com maior frequência é o temor quanto a segurança dos carros. "O Passeio Público é muito lindo. Eu fiz uma vez, mas foi porque eu solicitei segurança. Mas, eu tenho medo", declara o presidente Osmundo.
No entanto, o dirigente garante que compensa cada evento feito em espaço público. "É muito alegre. Você olha para a pessoa e você vê a felicidade nela. Eles dizem: ´Oh, carro lindo´. O automóvel lembra uma história e resgata muito o passado das pessoas", afirma.
Está ainda no cronograma do Museu o VIII Encontro do Nordeste de Automóveis Antigos, que já está confirmado para ser entre os dias 2 e 4 de novembro no Marina Park Hotel.
- Diário do Nordeste (Auto) -